Imagina a cena: você entra numa loja, vê um produto anunciado por R$ 19,90 e decide comprar. Só que, na hora de pagar, aparece outro valor — R$ 35,00, R$ 40,00, qualquer coisa acima do que foi anunciado. Você não aceitaria, né? E com razão: isso é prática criminosa e fere diretamente o Código de Defesa do Consumidor.

Agora traz essa lógica pro nosso trabalho. Você recebe uma oferta no cartão da Uber: a empresa diz que aquela corrida vai te pagar R$ 16,32, com estimativa de 20 minutos e pouco mais de 4 km. Você olha, faz a conta rápida, acha justo e aceita.

Só que, quando a corrida termina, vem a surpresa: a Uber te paga R$ 8,40. Metade do valor. E pior — a viagem demorou muito mais do que os 20 minutos previstos. Ou seja, você aceitou um preço e entregou um serviço bem maior, mas recebeu menos do que foi prometido.

Aí, claro, você recorre ao suporte. E a resposta é sempre aquela: “lamentamos que nossa resposta não atenda sua expectativa, mas não podemos fazer nada”. Na prática, é isso: a empresa não corrige e não compensa. Pra mim, isso é crime. E o mais revoltante é que não acontece uma vez ou outra: acontece reiteradamente, com vários motoristas, quase todo dia.

Eu até perguntaria: levanta a mão o motorista que nunca caiu num golpe desses da Uber. Porque o que chama atenção é a cara de pau com que a empresa aplica esse tipo de coisa contra quem trabalha pra ela.

A justificativa da Uber normalmente é que “o tempo ou a distância não corresponderam ao previsto” ou que “está dentro do anunciado”. Só que, em casos como esse, a mentira fica escancarada. A corrida foi oferecida como 20 minutos, mas durou bem mais porque era saída de show em Recife, com engarrafamento colossal. Numa situação dessas, o lógico seria aumentar o valor. Mas não: a Uber reduz pela metade o que paga ao motorista.

E aí eu te pergunto: dá pra confiar numa empresa que faz isso direto? Ou ainda resta dúvida de que a Uber não é confiável?

E não pense que é só contra motorista, não. Contra usuário também tem práticas parecidas, só que o passageiro percebe menos, porque não vive o app o dia inteiro como a gente. Um exemplo é o tal do Uber One. Você já abriu o app de passageiro e viu que, antes de pedir corrida, aparece uma assinatura de pouco mais de R$ 20? Você clica “não quero” e segue. Quando a viagem termina, a primeira tela que aparece é toda desenhada pra induzir a pessoa a clicar em “concordo” sem querer. Resultado: tem usuário pagando essa assinatura sem perceber — e só descobre meses depois, porque a Uber “dá” um, dois, às vezes três meses grátis antes de começar a cobrar automaticamente no cartão.

Só que, com motorista, isso é muito mais frequente. Um passageiro dificilmente faz 10 viagens num dia. Já o motorista faz 10 num turno fácil — 30 numa jornada inteira. Então o número de vezes que a empresa te lesa é muito maior. Quantas vezes você já foi roubado assim?

Por isso eu recomendo: documente tudo. Guarda print, recibo, tempo real da viagem, valor prometido e valor pago. Mesmo que você não queira entrar na Justiça agora, vai acumulando. Porque, em algum momento, isso pode ser útil pra você se defender e cobrar seus direitos.

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Cláudio Sena

Cláudio Sena iniciou sua trajetória como motorista de aplicativo em 2016, quando começou a trabalhar com a Uber.