O Chama Sousa é um aplicativo de mobilidade urbana criado na cidade de Sousa, no sertão da Paraíba, com o objetivo de oferecer uma alternativa local de transporte baseada em preço justo, segurança e proximidade com a comunidade.
Idealizado por Romário Tomé Ferreira, empreendedor nascido e criado na região, o negócio surgiu a partir da vontade de construir algo próprio, alinhado à realidade da cidade. Após experiências profissionais em diferentes áreas, ele decidiu investir em uma solução que pudesse gerar renda local e melhorar o acesso ao transporte. Ele queria algo que fosse ” a cara da cidade”.
O nome gerou controvérsias: “Não vai botar o nome de Chama Sousa porque vai ficar preso na cidade”, disseram alguns. Mas segundo o gestor, o nome não tem impedido que passageiros das cidades vizinhas chamem o aplicativo.
A operação começou com apenas cinco motoristas e, ao longo do tempo, foi ganhando espaço mesmo diante da concorrência com outras plataformas. Hoje, o aplicativo conta com cerca de 40 cadastros, somando condutores de carro e moto, mais de 10 mil usuários e já ultrapassou a marca de 3 mil corridas mensais em períodos de maior demanda.
Com um modelo baseado em taxa fixa de R$ 1,50 por corrida para os motoristas e foco em atendimento próximo, o Chama Sousa pretende expandir para outras cidades, construir um ponto de apoio e ajudar a comunidade.
Qual sua história? Com o que trabalhou antes de entrar para o mercado da mobilidade?
Romário: Sou aqui da cidade de Sousa, no estado da Paraíba. A minha história é bem desafiadora. Eu perdi a minha mãe com 11 anos e meu pai já vivia com outra mulher. Aí eu com 11 anos tive que ir morar na casa dele com outra família.
Eu não tinha muito interesse no estudo, mas meu pai era caminhoneiro e eu comecei a pegar gosto de viajar com ele. Eu não queria ficar em casa porque não me dava muito bem com a mulher dele.
De repente eu conheci minha esposa, a gente começou a namorar. Meu pai viajava muito e teve um momento que eu não pude viajar com ele mais. Aí fui estudando, arranjei um emprego, eu tinha uns 15 anos, arranjei um emprego na fábrica de desinfetante da cidade.
Depois eu me casei, eu e minha esposa montamos nossa casa e eu falei: “vou procurar o que é meu”. Eu completei 18 anos e já me casei logo. Aí eu arranjei um emprego na fábrica de couro e fiquei lá trabalhando.
Viajei para Floripa com a minha esposa, porque o pai dela tinha uma loja de artesanato lá e eu fui ajudar ele. Mas não me adaptei e vim embora. Estava acostumado com minha terrinha e voltei.
Arrumei um emprego numa loja de móveis como ajudante, depois passei a ser chefe de depósito. Tirei minha carteira, com todo esforço, minha esposa também terminou os estudos. Ela fez faculdade, ela é professora hoje. Minha tia era diretora numa escola e conseguiu uma vaga para ela.
Nisso eu fui convidado para trabalhar numa loja de material de construção. Depois fui trabalhar com café, uma coisa totalmente diferente, eu nunca pensei em trabalhar com café. Fui para a produção, torrar café, nem sabia o que era isso. Mas foi um aprendizado bom e eu viajava, entregava café, trabalhava na produção, limpeza. Nesse trabalho eu consegui comprar um carro.
Depois eu perdi meu pai também, foi a parte mais difícil, mas eu já tinha uma estrutura, já tinha minha esposa, minha filha.
Como surgiu a ideia de criar um aplicativo de mobilidade?
Romário: Há 6 anos atrás, em uma viagem a João Pessoa, capital aqui do estado, surgiu a ideia do aplicativo. Eu estava em um congresso com meu cunhado e tinha um cara de Ji-Paraná que queria trazer um aplicativo para cá. Fizemos uma parceria com ele e pegamos a franquia. Mas com o passar do tempo decidimos que queríamos trabalhar com algo nosso, que conseguíssemos colocar a cara da cidade.
Eu estava trabalhando na empresa de café aqui da cidade na época. Eu trabalhava nessa fábrica e meu cunhado era professor. A gente se dividia no trabalho com a franquia, mas meu cunhado seguiu outra estrada e eu fiquei nos dois ramos. Eu trabalhava e cuidava do aplicativo sozinho.
Mas teve um momento em que eu disse: “Não, agora eu tenho que procurar algo que seja minha cara, do jeito que eu quero fazer, botar as minhas ideias em prática”.
Foi aí que surgiu a ideia do aplicativo. Então eu fiquei martelando o nome porque eu queria um nome bem regional mesmo. Aí surgiu essa ideia do Chama Sousa. Muita gente criticou: “Não vai botar o nome de Chama Sousa porque vai ficar preso na cidade”. Mas meu foco é na minha cidade, por enquanto.
Você chegou a ser motorista em outras plataformas?
Romário: Sim, mas só nessa plataforma que eu fui franqueado. Teve outro aplicativo aqui na cidade que entrou junto, mas não rendeu. Depois da pandemia ficou muito difícil, as corridas foram diminuindo, muita gente perdeu emprego, muito comércio fechou.
Mas a gente vem conseguindo vencer essa batalha. É uma cidade boa, cidade industrial.
Como foi o início da operação?
Romário: A gente tinha um projeto para abrir no mês de junho, aí eu comecei a analisar se realmente era isso que eu queria. Fui fazendo o processo todinho e deixei para lançar no mês de dezembro, que é o mês que tem duas festas na cidade. Eu disse: “A hora de entrar vai ser agora”.
Eu comecei com cinco motoristas, porque muita gente não queria sair do outro aplicativo para rodar no meu, porque ainda era pequeno. Mas fomos trabalhando na mídia.
Quantos motoristas estão cadastrados hoje?
Romário: Hoje eu já tenho uns 40 motoristas na cidade. Tem 28 carros e 12 motos. Isso sem contar em período de festa, porque quando tem evento liberamos mais motoristas para suprir o que está faltando.
Como foi a captação inicial dos motoristas?
Romário: Eu já tinha uma amizade com alguns motoristas que rodavam no outro aplicativo e o meu diferencial foi que nos primeiros três meses, eu não cobrava nenhuma taxa de nenhum motorista. Primeiro queria mostrar o meu projeto a eles. E hoje mesmo eu não cobro porcentagem, eu cobro um valor fixo por corrida.
Qual o valor dessa cobrança fixa para o motorista?
Romário: Eu cobro R$ 1,50 por corrida, pode ser o valor que for, a corrida pode dar R$ 100, R$ 200, mas ele só paga aquela taxa de R$ 1,50.
Agora a gente também adesivou os carros e quem tem o adesivo pega o benefício da taxa menor. Aí quem não tem, vai para taxa maior. Muitos deles ainda têm resistência, mas o adesivo chama atenção do cliente.
A gente também gosta de bonificar o motorista, às vezes colocamos um crédito a mais quando é um tempo de festa. Nesse final de ano liberamos as taxas, não cobramos de nenhum motorista, porque ele deixa de passar com a família dele e ainda tem que pagar a taxa. Então tiramos.
E como foi a captação dos passageiros?
Romário: Para os clientes a gente fazia promoções, não cobrava a primeira corrida. Também fizemos um ”Faça cinco corridas e ganhe um pix de R$ 50”. Você ganha três corridas na frente. Depois conseguimos colocar um cashback, onde dávamos 15% de volta sobre o valor da corrida. Fizemos isso até um mês.
O boca a boca também funciona muito. Fomos nas feiras locais, tem uma feira bem movimentada, a gente ia e aproveitava, entrava no comércio e pedia licença ao dono do comércio para falar sobre o aplicativo da cidade, que estava gerando renda dentro da cidade.
Se pegamos um motorista e ele ganha esse dinheiro, ele vai colocar gasolina no carro, vai comprar, vai na loja comprar uma roupa, levar o carro na oficina. Fomos falando para o pessoal, para o comércio que isso aqui era bom, que gerava renda.
E para os passageiros a gente falava: “O aplicativo é da cidade, a gente tem uma central de atendimento. Se acontecer alguma coisa, você pode falar diretamente com a gente. O nosso telefone é 24 horas. Você pode entrar em contato, a gente resolve tudo na mesma hora”.
O que movimenta a cidade de Sousa?
Romário: Aqui é uma cidade turística: cidade do Vale dos Dinossauros. Aqui tem pegadas de dinossauros e vem muita gente de fora só para visitar essas pegadas.
O Chama Sousa participa de eventos da cidade?
Romário: Sim e essa parte é bem bacana, mas sempre tem resistência porque, querendo ou não, é uma cidade de taxista.
Antigamente para pegar um carro aqui, tinha que procurar um taxista na praça, ligar. Hoje não, com a tecnologia você bota lá o destino, a forma de pagamento.
Qual o diferencial do app?
Romário: Eu preservo muito a questão da segurança. A gente gosta de acompanhar a corrida, ver se teve alguma alteração e descobrir o motivo. A gente entra em contato com o cliente. Quando o motorista faz uma rota diferente, entramos em contato com ele. São coisas pequenas que vão fazendo a diferença.
A gente tem um detalhe aqui: não importa o tempo, a hora ou o lugar, o Chama Souza sempre vai vir buscar com preço justo.
Quantos passageiros já se cadastraram no app Chama Sousa/
Romário: Hoje a gente está com mais de 10 mil clientes no aplicativo. Eu acredito que é muito passageiro e todo dia chega um cliente novo, todo dia tem 80, 50, 20 cadastros.
Em média, quantas corridas estão fazendo por mês?
Romário: Março deu 2.901 corridas. No mês de dezembro passou dos 3 mil, por causa das festas. Agora fevereiro não é muito a tradição da cidade, não temos carnaval aqui. As festividades aqui são nos meses de junho e dezembro. O mês de junho é estourado aqui, porque tem São João e vaquejada.
A vaquejada daqui é um torneio internacional. Vem vaqueiro de todo o canto para cá e temos que pegar as brechas para aproveitar.
Qual foi o investimento inicial para ter a plataforma no ar? Em quanto tempo ela começou a se pagar?
Romário: Lembro que de primeira eu gastei R$ 2.800. Depois eu gastei mais R$ 3 mil em publicidade, seguro, taxa de passageiro e bônus para motoristas. Depois fizemos camisas, bandeira, eu não tenho nada anotado, mas acredito que o investimento geral parte dos R$ 11 mil.
Começamos a ter retorno na metade do ano passado (2025). Porque assim, o mês de setembro, é quando tem a festa da padroeira da cidade e eu fiz uma loucura: a festa começa no dia 20 de agosto e vai até o dia 1° de setembro e eu dei R$ 5 de desconto para todos os passageiros do aplicativo. Eu acho que gastei quase R$ 5 mil nisso. Tem gente que tem esses R$ 5 guardados até hoje, porque esse dinheiro ia para a carteira do passageiro e só usava quem quisesse.
Quais as categorias disponíveis no Chama Sousa?
Romário: Eu tenho a categoria Comum e tenho a categoria Premium, que são uns carros mais sofisticados, são carros maiores e com porta-malas. Não são muitos, acho que temos uns 10 carros nessa categoria Premium. E temos motos também.
Qual o valor da corrida mínima para o passageiro? Vocês trabalham com dinâmica?
Romário: A gasolina aumentou muito aqui, pulou de R$ 5 para R$ 7. Fizemos uma reunião entre os três aplicativos da cidade e deixamos em R$ 10 até 1 km, depois ficou em R$ 12.
Essa corrida vai de 6h da manhã até às 8h da noite. Das 8h da noite até a meia-noite, a mínima é R$ 13,99. E de meia-noite até às 5h da manhã ela é R$ 16,99.
Aí tem alguns pontos da cidade que são ruins, que alaga, que tem mais buraco, é mais perigoso, então a gente tem uma dinâmica em cada ponto desse. Colocamos dinâmica de 1.2, as vezes 1.4, 1.8.
Na categoria Premium a gente deixou R$ 2 a mais só. A mínima ficou em R$ 14. Só que ela fica das 6h da manhã até 9h da noite. Aí de 9h da noite até meia-noite ela é 15. De meia-noite até de manhã, acho que ficou em R$ 19.
A corrida de moto são R$ 7. Isso até 6h da noite, porque aí ela pula para R$ 8, depois para R$ 9 e 10h horas ela fica R$ 10. Depois da meia-noite ela é R$ 12.
Pena que muita gente não gosta de andar de moto aqui a noite, tem pouca corrida a noite. Mas durante o dia o fluxo é bom. De noite o pessoal prefere o conforto do carro.
E muita gente que deixa de andar de moto, porque se a pessoa está com duas pessoas, melhor chamar um carro.
O que movimenta a cidade? Qual o público que mais atendem?
Romário: É bem variado, mas a gente tem um público muito bom que vem de fora. Porque o pessoal chega na cidade e pesquisam no Google qual é o aplicativo e por termos o nome da cidade, já é a primeira opção que aparece. Mas temos um público muito fiel na cidade também.
Aqui a cidade é grande, mas ao mesmo tempo é pequena. Tem muita gente que fala assim: “Ah Romário tu é filho, tu é neto de fulano” ou “O Romário tem um aplicativo, a tia dele é diretora ali na escola”.
A gente tem um cuidado muito grande com isso, de tratar o pessoal bem e sempre trazer inovação para eles, trazer novidades.
Quanto fatura um motorista do Chama Sousa por mês?
Romário: Eu tenho um motorista aqui que tira em torno de R$ 7 mil por mês. Ele trabalha diariamente no aplicativo.
A gente tem muitos que trabalham, que tem um trabalho fixo e rodam durante as horas vagas. Aí tem motorista que roda mais durante o dia, tem aqueles que rodam durante a noite, tem quem só entra no final de semana. Eu acho que o motorista que fez mais corridas no último mês fez 320, ele faturou R$ 4.378.
Eu só tenho três motoristas que trabalham diretamente no aplicativo. Eu tenho um rapaz que trabalha de vigia a noite e folga de dia. Ele pega de 6h da manhã e vai até às 7h da noite. Aí 6h da noite já tem a turma que entra para trabalhar à noite. A gente teve o cuidado também de deixar uma escala de horário para ter um controle.
Você tem sócios ou é só você na gestão?
Romário: Eu tenho a minha esposa e minha filha que me ajudam. A minha esposa fica mais na parte de organizar as mensagens que os passageiros sempre mandam, fica na parte da divulgação e minha menina fica mais na parte de olhar corrida cancelada.
E os motoristas têm um pouco de receio, porque eu rodo também. Então eles sabem que se fizerem alguma coisa com o cliente, uma hora ou outra eu vou pegar esse cliente. Eu sempre pergunto: “E aí, como é que foi? Foi bem atendido, foi bom?”. Apesar de que a minha esposa já faz isso. Ela sempre manda mensagem para o passageiro. A gente escolhe dois, três por dia para mandar mensagem, saber como é que tá, se foi bem atendido ou não.
E também cuidamos: às vezes alguém esquece alguma coisa no carro, a gente tem esse cuidado de entrar em contato imediatamente para devolver.
Teve uma mudança agora, porque a gente está emitindo nota fiscal. Antes a gente não emitia. Então é mais uma coisa para resolver. Mas a gente vai se ajustando, vai fazendo. O escritório aqui é dentro de casa mesmo. A gente leva o trabalho para a rua e resolve da rua mesmo. E, se Deus quiser, quando a situação melhorar, eu pretendo montar um ponto de assistência no centro, um lugar fixo, aberto tanto para o motorista quanto para o passageiro. Como um ponto de apoio mesmo.
A gente também já tem esse hábito de estar próximo. Eu gosto de estar ali com eles, conversando. Às vezes a gente se encontra, eu chamo pra ir numa praça, a gente conversa, troca ideia, pergunta como foi o dia, se estão precisando que a gente mude alguma coisa. Isso é sempre bom, porque quando a gente ouve o motorista, a gente consegue tirar o melhor dele. E se a gente não consegue o melhor do motorista, a gente também não consegue atender bem o cliente.
E o cliente bem atendido fica com a gente. Ele não vai embora por qualquer valor, porque ele sente segurança no aplicativo. Tem confiança naquele motorista, sabe que o aplicativo dá todo o suporte. Então a gente preserva muito isso. São coisas pequenas que fazem a diferença.
Qual a movimentação financeira mensal da empresa? Tem alguma meta de faturamento para 2026?
Romário: A gente já chegou a movimentar quase R$ 44 mil.
Eu pretendo faturar o máximo possível. Mudamos a marca, os adesivos dos carros, colocamos um adesivo maior. A gente está tentando fazer o máximo possível, porque vão chegar os eventos na cidade e a gente quer se apresentar cada vez mais. Porque, se a gente se mostrar mais, o faturamento aumenta. E a gente faz investimento.
Eu fiz agora umas bandeiras para colocar nas praças, são coisas que a gente vai fazendo. E eu quero dobrar esse valor. Se no ano passado a gente movimentava ali R$ 38 mil, R$ 40 mil por mês, que já era um bom, a gente quer pelo menos dobrar isso, queremos chegar em R$ 80 mil, R$ 90 mil. Sabemos que é difícil, mas não é impossível.
A gente tem que acordar todo dia positivo. Não pode levantar achando que não vai dar certo. Minha esposa me ensinou muito isso. Chega no fim de semana e a gente quer descansar um pouco, mas ela já diz: “não, ainda não é tempo de descansar, é tempo de lutar”. Então vamos para a rua colocar carro de som, ligar música, sair buzinando, parar na praça e chamar o pessoal, puxar conversa, entrar no meio do povo.
Qual foi o momento mais desafiador até agora?
Romário: Tiveram vários, mas o começo foi bem difícil. Eu tinha poucos carros, poucas corridas e a pressão dos motoristas era grande, porque já tinha outro aplicativo rodando. Teve um evento na cidade e eu ainda não tinha estrutura para dar suporte para os motoristas, nem para atender bem os passageiros. Foi bem complicado.
Era tudo muito novo pra mim. Eu olhava e pensava: “o que é que eu vou fazer agora?”. Mas a gente foi indo, aprendendo, abrindo a cabeça, melhorando aos poucos.
Os motoristas também tinham resistência, porque já estavam há anos usando outro aplicativo. Mas a gente foi entrando devagar e conquistando espaço.
E eu acredito que todo dia é um desafio diferente. Às vezes o dia começa mais devagar, parece que não vai acontecer nada, mas daqui a pouco começa a chamar, o movimento cresce e a gente se anima de novo.
Mas cada dia é um desafio. E, no fundo, isso é bom, porque não deixa a gente se acomodar. Quando fica fácil demais, a gente relaxa. O desafio mantém a gente em movimento.
Quando você decidiu colocar o nome “Chama Sousa” disseram que isso limitaria a expansão. Você acredita nisso? Ainda deseja expandir para outras cidades?
Romário: Desejo expandir sim. Tem algumas cidades aqui ao redor que chama bastante. Tem uma cidade que fica a 40 km daqui e às vezes vamos buscar as pessoas nessa cidade e trazer para cá.
Lá tem outro aplicativo, mas estão nos chamando para ir buscar lá, então creio que entrar com o nome Chama Sousa não vai ser empecilho, acho que não vai dificultar tanto.
A minha esposa já até pensou se a gente não poderia procurar um nome, mas eu quero primeiro firmar aqui. Quando eu estiver bem firme aqui, eu já começo a pensar lá na frente.
Do que você mais se orgulha nessa trajetória?
Romário: Eu nunca pensei em ter meu próprio empreendimento, nunca pensei que de funcionário eu ia estar empregando gente hoje, dando oportunidade para alguém. Porque hoje não se vive com salário mínimo, tem que ser um herói, principalmente em cidades do interior. A gente surgiu com uma oportunidade dessa e mostrou para o pessoal que aqui você pode fazer um extra.
Eu me sinto orgulhoso da minha trajetória, porque perder a mãe com 11 anos, eu tinha tudo para dar errado. A gente tinha tudo para enlouquecer, fazer qualquer besteira, mas não, minha mente sempre esteve focada.
Tem alguma pessoa que foi fundamental para a sobrevivência da empresa?
Romário: Eu acredito que o meu porto seguro é a minha família. Hoje minha esposa e minha filha são tudo. Se for preciso perder tudo para ficar só com elas, eu prefiro perder tudo e ficar com elas. Não tenho medo de dizer isso não. Graças a Deus eu sou bem satisfeito com minha vida pessoal.
Minha menina hoje com 17 anos está fazendo curso na faculdade, está fazendo enfermagem. Cada dia uma conquista.
Eu quero ser o avô sentado com os netos do lado contando a história. Eu vejo que fui a primeira pessoa a conseguir colocar um aplicativo na cidade, com a história e o nome da cidade. Então, acredito que daqui a 10, 20 anos as pessoas vão lembrar que Sousa teve o próprio empreendimento, o próprio aplicativo de mobilidade urbana.
A gente ainda não tem esses grandes aplicativos, mas eu acredito que daqui uns anos ou uns meses eles vão invadir aqui, não tem como. Mas é preciso ter uma estrutura já pronta no local e conseguir botar na mente do pessoal que o aplicativo é da nossa terra. Não é meu, é nosso. Não tem meu nome no aplicativo, é da cidade.
O que você espera do futuro do Chama Sousa?
Romário: Eu sou muito assim: às vezes eu penso alto, às vezes eu penso baixo. Mas eu pretendo sim expandir o aplicativo. Da mesma forma que a gente conseguiu colocar aqui, quero dar oportunidade para alguém de outra cidade pegar a franquia, trabalhar e ganhar o dele lá.
A gente pensa em melhorar cada vez mais. A cada dia melhorar o nosso atendimento, as corridas. Eu sei que é muita coisa mas a gente tem que sonhar. Se eu não tivesse sonhado, eu não teria o meu aplicativo hoje.
Mas eu penso em um futuro bem bonito para o Chama Sousa. Daqui a cinco anos quero estar no escritório, com meu próprio lava-jato, minha própria oficina para dar suporte para o motorista que chegar aqui, ter um reboque para o caso do motorista precisar de uma ajuda.
Quero conseguir ajudar algum passageiro, crianças carentes, ceder transporte de graça para algum evento beneficente, sortear mais coisas, dar brinde.
Queremos ajudar o próximo, porque a gente pensa muito nisso, eu acho muito importante essa parte social.

