Motoristas parceiros da Uber voltaram a pressionar a plataforma após falhas recentes na Uber Conta e críticas relacionadas ao limite de R$ 2 mil semanais para antecipação de ganhos. O recurso é utilizado por condutores que precisam acessar os valores antes do repasse semanal padrão para custear despesas imediatas da atividade, como combustível e aluguel de veículos.
A discussão ganhou força após uma instabilidade envolvendo a Uber Conta, operada pelo Digio, que deixou motoristas sem conseguir movimentar os ganhos por mais de 24 horas. Embora o episódio tenha sido pontual, motoristas passaram a questionar a dependência do acesso rápido aos recursos financeiros gerados na plataforma.
A Uber afirma que a antecipação é opcional e que os parceiros podem receber normalmente em qualquer conta cadastrada. Ainda assim, o teto semanal e a cobrança de taxas por transação têm sido alvo de críticas entre trabalhadores que dependem da renda diária para manter a operação.
O debate também expõe diferenças regionais na rentabilidade da atividade. Dados do levantamento GigU apontam que, na Região Metropolitana de São Paulo, o lucro médio dos motoristas é de R$ 15,57 por hora, com margem líquida de 43,6%. Já no interior paulista, em cidades como São José do Rio Preto e Barretos, o valor cai para R$ 10,11 por hora, com margem de 33%.
Em Minas Gerais, motoristas da Grande Belo Horizonte registram média de R$ 16,05 por hora, enquanto no Triângulo Mineiro o rendimento recua para R$ 9,36. No Rio de Janeiro, a média na capital chega a R$ 18,49 por hora, contra R$ 12,24 em cidades do interior. Na Bahia, Salvador registra R$ 14,74 por hora, enquanto regiões turísticas do estado apresentam média de R$ 8,88.
Segundo a análise apresentada no material divulgado à imprensa, a antecipação de ganhos passou a funcionar como ferramenta de gestão financeira para parte dos motoristas, especialmente em mercados com margens mais reduzidas. Nesse cenário, restrições de limite e custos para acesso imediato ao dinheiro aumentam a pressão sobre trabalhadores que operam com pouca margem financeira.
O caso reacendeu discussões sobre o papel das plataformas de mobilidade na organização financeira dos trabalhadores de aplicativos, especialmente entre aqueles que dependem de fluxo de caixa diário para manter a atividade.

