A Açai Sul Mobilidade nasceu em março de 2024 como uma alternativa regional aos grandes aplicativos de transporte em Açailândia (MA). Criada pelo motorista Fernando, de 45 anos, a empresa começou com um investimento entre R$ 8 mil e R$ 10 mil e hoje opera com cerca de 30 motoristas cadastrados e até 2,4 mil usuários com o aplicativo instalado.
Além de administrar a plataforma ao lado da esposa, Fernando também segue trabalhando como motorista. Segundo ele, a ideia do aplicativo surgiu da própria experiência nas ruas e das dificuldades enfrentadas pelos profissionais do setor, principalmente os altos custos operacionais e a dificuldade de manter renda sustentável.
Atualmente, a empresa realiza cerca de 50 corridas por dia — aproximadamente 1,5 mil por mês — com movimentação diária próxima de R$ 1 mil. O faturamento médio da operação gira em torno de R$ 6 mil mensais. Os motoristas pagam mensalidade de R$ 200 para utilizar a plataforma, enquanto alguns conseguem faturar até R$ 5 mil por mês.
Mesmo em crescimento, Fernando afirma que o principal desafio continua sendo competir com aplicativos nacionais já consolidados, equilibrando preços, divulgação e retenção de motoristas e passageiros. A meta agora é fortalecer a operação local e ampliar a base para cerca de 5 mil usuários antes de pensar em expansão para outras cidades.
Nesta entrevista, ele fala sobre sua trajetória, os desafios de lançar e manter um aplicativo regional, o cenário competitivo com grandes plataformas e os planos para o futuro da empresa.
Qual é a sua trajetória profissional até se tornar CEO da Açai Sul Mobilidade?
Fernando: Tenho 45 anos, sou nascido e criado em Açailândia, no Maranhão. Atuo há bastante tempo como motorista de aplicativo e também tive envolvimento com atividades na cidade, o que me ajudou a desenvolver relacionamento e conhecimento do mercado local. Essa experiência foi fundamental para eu decidir empreender no setor de mobilidade urbana.
Como surgiu a ideia da Açai Sul Mobilidade?
Fernando: A ideia surgiu a partir da minha vivência como motorista de aplicativo e da observação do mercado na cidade. Percebi que havia espaço para uma alternativa local. Criei a Açai Sul Mobilidade com o objetivo de oferecer mais uma opção de transporte e também gerar renda para minha família.
Quando o aplicativo foi lançado?
Fernando: O aplicativo foi lançado em 25 de março de 2024.
Qual problema você identificou no mercado de mobilidade que motivou a criação do app?
Fernando: Identifiquei desafios relacionados à sustentabilidade da atividade para os motoristas, como custos operacionais elevados e dificuldade de equilíbrio entre ganhos e despesas. Além disso, percebi espaço para uma alternativa regional que pudesse atuar com mais proximidade junto aos motoristas e passageiros.
Como foi o processo para atrair motoristas e passageiros no início?
Fernando: Foi necessário equilibrar oferta e demanda. No começo, ofereci períodos de gratuidade para motoristas como forma de incentivar a adesão e ajudar na divulgação. Também foi importante trabalhar preço competitivo e relacionamento com os usuários para formar a base inicial.
Qual foi o investimento inicial para colocar o aplicativo em operação?
Fernando: O investimento inicial ficou entre R$ 8 mil e R$ 10 mil, incluindo publicação nas plataformas e estrutura técnica. Além disso, há custos contínuos com tecnologia e divulgação.
Você possui sócios?
Fernando: Sim, a operação é conduzida por mim e pela minha esposa.
Qual tecnologia vocês utilizam para rodar o aplicativo?
Fernando: Utilizamos uma solução terceirizada que fornece a estrutura do aplicativo, incluindo GPS e funcionamento em Android e iOS, com pagamento mensal pelo serviço.
Qual foi o momento mais difícil na sua trajetória como gestor?
Fernando: O início foi o mais desafiador, principalmente pela dificuldade de ter motoristas e passageiros ao mesmo tempo. Além disso, há concorrência com aplicativos já consolidados na região, o que torna o crescimento mais complexo.
Em que momento você percebeu que o aplicativo estava dando resultado?
Fernando: Ainda estamos em processo de crescimento. O aumento gradual da base de clientes e das corridas indica evolução, mas o trabalho de consolidação continua.
Como é a sua rotina como gestor atualmente?
Fernando: Além de administrar a plataforma, também atuo como motorista e dou suporte aos parceiros. Mantenho contato constante com os motoristas e acompanho a operação no dia a dia.
Qual é o tamanho atual da operação?
Fernando: Hoje contamos com cerca de 30 motoristas cadastrados e entre 2.000 e 2.400 usuários com o aplicativo instalado.
Quantas corridas são realizadas por dia e por mês?
Fernando: Em média, são cerca de 50 corridas por dia, o que representa aproximadamente 1.500 corridas por mês, com variações conforme o movimento da cidade.
Qual é o valor médio das corridas?
Fernando: A tarifa mínima é de R$ 12 e o valor por quilômetro gira em torno de R$ 4,50, variando conforme distância e horário.
Quanto a operação movimenta financeiramente e qual é o faturamento da empresa?
Fernando: Considerando a média de corridas, a movimentação diária gira em torno de R$ 1.000, podendo variar conforme a demanda. Já o faturamento médio da empresa é de R$ 6 mil reais.
Como funciona o modelo de cobrança para os motoristas?
Fernando: Atualmente, trabalhamos com mensalidade de R$ 200 por motorista.
Quanto ganha, em média, um motorista do aplicativo?
Fernando: O ganho varia conforme a dedicação e experiência. Alguns motoristas conseguem faturar entre R$ 4 mil e R$ 4,5 mil por mês, podendo chegar a cerca de R$ 5 mil.
Quais são os planos de expansão da empresa?
Fernando: O foco atual é consolidar a operação em Açailândia. Existe possibilidade de expansão futura, dependendo da estrutura e dos recursos disponíveis.
Quais são as metas para os próximos anos?
Fernando: A meta é ampliar a base de clientes, chegando a cerca de 5.000 usuários, e fortalecer a operação local antes de expandir.
O que mais te incomoda no mercado de mobilidade urbana?
Fernando: Um dos principais desafios está na divulgação e na necessidade de manter preços competitivos, além da adaptação às mudanças constantes no comportamento do consumidor.
Como você enxerga o futuro da empresa nos próximos 5 anos?
Fernando: Existe a intenção de crescer, mas também é um mercado que exige muito do gestor. A continuidade dependerá das condições do negócio e das oportunidades que surgirem.
Como você vê o futuro dos aplicativos regionais no Brasil?
Fernando: Vejo potencial, principalmente em mercados locais, mas é um setor competitivo que exige estratégia e adaptação constante.
Qual é a sua visão sobre a concorrência com grandes plataformas?
Fernando: É uma disputa desafiadora, principalmente por conta da estrutura e escala dessas empresas. Aplicativos regionais precisam trabalhar bem preço, relacionamento e presença local.
Quais são seus principais medos ou desafios para o futuro?
Fernando: Os principais desafios estão relacionados aos custos operacionais e à sustentabilidade do negócio no longo prazo.
Qual legado você pretende deixar com a Açai Sul Mobilidade?
Fernando: O objetivo é contribuir com a cidade, gerar oportunidades e construir algo que possa ter continuidade para minha família no futuro.

