O aplicativo Cope Mobilidade, criado em 2023 na cidade de Coruripe (AL), passou por um processo de reestruturação após enfrentar dificuldades administrativas que quase levaram ao encerramento das atividades.

Os novos gestores da plataforma são o publicitário Severino Júnior, que atuava como motorista do aplicativo desde 2024, e sua esposa, Marília Araújo, professora de educação física. O casal assumiu a operação com o objetivo de reorganizar a empresa e ampliar a atuação regional.

Severino, que era motorista da plataforma desde 2024, viu a oportunidade de empreender e investiu na plataforma. Ele estruturou campanhas de marketing, reinvestiu em tecnologia e limpou a base de cadastros, buscando a reestruturação após um período difícil.

Dentre as estratégias estavam a recompra das licenças para Play Store e App Store e o recomeço em uma nova conta no Instagram, com a contratação de cinco influencers para divulgar a marca.

De acordo com Severino, um dos problemas que encontrou quando adquiriu a plataforma foi a quantidade de motoristas. “Tinha muito motorista parado, inativo e sem rodar. A demanda não compensava porque não entrava crédito, não entrava dinheiro, o motorista não rodava”, relata.

Por isso, decidiu limpar a base de dados e acrescentar motoristas apenas conforme a demanda. Hoje, a plataforma conta com 32 motoristas ativos e uma fila de espera com mais de 50 cadastros.

Para atrair passageiros nesse recomeço do app, os gestores afirmam que apostaram em promoções e oferecem, até hoje, a primeira corrida grátis para os clientes que baixarem o aplicativo.

A Cope Mobilidade realiza em torno de 100 corridas por dia, mas esse número pode dobrar aos finais de semana. Além disso, as corridas são realizadas em quatro categorias: Particular, Conforto, Mercado e Pet.

Para o passageiro, a corrida mínima é de R$ 11 e, para o motorista, a cobrança é feita por uma porcentagem de 12% por corrida. Com a chegada da 99 na cidade, o app precisou se adaptar: “Era 14% e, em corridas acima de R$ 30, se eu não me engano, ficava 15% [a porcentagem cobrada por corrida]”.

De acordo com os gestores, para se tornar um motorista parceiro não basta se cadastrar. É preciso avaliar a documentação e realizar uma entrevista com os gestores ou representantes locais para haver transparência nas expectativas.

Para Severino, as multinacionais já estão se assustando com o crescimento dos apps regionais. O gestor afirma ainda que, para ganhar espaço no mercado, os aplicativos regionais precisam investir em tratamento humanizado e preço justo.

Hoje, o casal faz a gestão da operação em Coruripe e, junto com motoristas representantes locais, comandam os municípios de Teotônio Vilela e Junqueiro, além de estruturarem a entrada em São Sebastião e Piaçabuçu, também no estado de Alagoas.

Apesar de ainda estar em fase de reestruturação, as metas para o futuro da Cope Mobilidade são ousadas: “Eu tenho o plano de tomar conta do litoral sul [de Alagoas] este ano”, afirma Severino.

Além disso, ele pretende faturar entre R$ 10 mil e R$ 15 mil livres mensalmente.

Me contem um pouco da história de vocês antes do aplicativo. De onde vocês são? Com o que trabalhavam antes de adquirir a Cope Mobilidade?

Severino: Eu sou da Paraíba, de Monteiro.

Eu trabalhava na prefeitura, na Secom, na secretaria de comunicação. Aí depois eu saí e comecei a rodar no aplicativo, foi quando houve o problema com o dono e eu comprei a plataforma.

Marília: Eu trabalho como professora desde 2020. Nos intervalos eu crio alguma coisa para o Instagram e trabalho na plataforma.

Como e quando chegaram ao cargo de gestores do app Cope Mobilidade? 

Severino: Eu rodava pelo aplicativo, aí aconteceram alguns problemas com o ex-dono e surgiu a oportunidade de comprar o aplicativo. Ele estava quase falindo, foi problema de administração mesmo, mas a gente comprou e começou a investir. 

Marília: Nós compramos no ano passado, em outubro do ano passado.

Como tem sido esse processo de reestruturação do app?

Severino: Tivemos vários problemas: saiu das lojas, do Google Play, da App Store, ficou um mês fora do ar. Foi quando tivemos que comprar tudo de novo, todas as licenças, patente, tudo. 

Em janeiro eu comecei a fazer umas loucuras. Comecei a dar promoções, primeira corrida de graça, troquei todos os motoristas por uma frota nova e começou a fluir.

Eu contratei cinco influencers e comecei o Instagram do zero.  Nós perdemos o Instagram antigo e tivemos que começar de novo. Contratei um programa na rádio, fiz jingle, panfletagem. 

Quando você começou a rodar como motorista na plataforma?

Severino: Ela surgiu em 2023 aqui no interior, mas eu comecei no final de 2024.

Em qual cidade vocês operam? Pensam em expandir para outras regiões?

Severino: Estamos em Coruripe, Alagoas, mas já expandimos para outras regiões. Expandimos para Teotônio Vilela, Junqueiro e estamos instalando em São Sebastião e Piaçabuçu.

A gestão de todas as cidades é nossa, mas eu fiz um acordo na parte administrativa dos motoristas. Eu pego um motorista de cada região, tiro a compensação de taxa deles e eles são responsáveis pelos motoristas. Ele não paga taxa mas é responsável por aquela cidade.

Quantos motoristas tinham quando vocês assumiram a gestão? Quantos tem agora?

Severino: Eu acho que tinha quase 100. Tinha muito motorista parado, inativo e sem rodar. A demanda não compensava porque não entrava crédito, não entrava dinheiro, o motorista não rodava. Aí eu fiz um limpa e hoje temos 32 motoristas. Tem uma fila de mais de 50 motoristas para entrar, mas eu fico segurando para liberar conforme a demanda.

Quantos passageiros já baixaram o aplicativo? Vocês fizeram alguma campanha para atrair os passageiros?

Marília: No aplicativo novo já tem mais de mil downloads. 

Severino: Para os passageiros novos eu estou dando a primeira corrida de graça. 

Quantas corridas estão fazendo, em média?

Severino: Uma média de 100 corridas por dia. De segunda a sexta a média é 100, final de semana varia e pode chegar a 200 por dia.

Quais as categorias disponíveis na Cope Mobilidade?

Severino: A gente tem o Particular, tem o Conforto, Mercado e tem o Pet, que botamos recentemente.

Além disso tem a opção do taxímetro. Como é interior, os motoristas tem muito passageiro fixo, que eles recebem por ligação, muita gente prefere fazer por ligação em vez de baixar o aplicativo. E colocamos também um celular como central, porque ali mesmo despacha ou o passageiro liga direto para o motorista.

Tem outros aplicativos regionais aí na cidade? Como vocês lidam com a concorrência?

Severino: Tinha um que era o concorrente direto, mas agora entrou a 99 aqui. Mas eu fiz um monte de promoção e estão aparecendo de 10 a 20 passageiros novos todos os dias. 

E eu baixei a minha taxa para o motorista não rodar para outra plataforma.

Qual era o valor da taxa antes e quanto está agora? 

Severino: Era 14% e corridas acima de R$ 30, se eu não me engano, ficava em 15%. Agora eu baixei e deixei tudo 12%. 

Vocês intermediam o pagamento ou o passageiro paga direto para o motorista?

Severino: Ele paga direto. A gente funciona com crédito: o motorista deposita o crédito e vai tirando 12%. Mas o pagamento é na hora, entre o passageiro e o motorista.

E para o passageiro, qual o valor mínimo da corrida?

Severino: Nossa corrida mínima é R$ 11. Era R$ 10, mas eles pediram para aumentar por causa do preço da gasolina. 

Na 99 eles estão oscilando entre R$ 15, R$ 12, R$ 10, não tem um preço fixo.

Vocês trabalham com dinâmica?

Severino: Sim. Dias de chuva, festa e final de semana tem dinâmica. Tem algumas partes da cidade que também coloquei porque são mais afastadas, com estradas de barro.

Quanto um motorista da Cope Mobilidade consegue faturar mensalmente?

Severino: Os motoristas que só fazem isso, que só trabalham rodando, eles estão fazendo uma média de R$ 3 mil, R$ 3.500. Tem motoristas que conseguem bater R$ 4 mil, R$ 5 mil, mas não são todos e também depende do dia.

Tem alguns que trabalham só com aplicativo, mas tem aqueles que fazem um extra, como o pessoal que trabalha na indústria, por exemplo, eles rodam só à noite e final de semana. 

Os meninos que rodam durante o dia, eles começam de 7 horas e vão até às 7 horas da noite, aí tem os meninos que começam às 7 horas da noite e viram a madrugada.

Qual tem sido a movimentação financeira da Cope Mobilidade? 

Severino: Varia de R$ 30 mil a R$ 35 mil, no bruto. Mas livre acho que R$ 4 mil. R$ 4 mil que é nosso.

Vocês já tinham empreendido antes ou essa está sendo a primeira vez?

Severino: Primeira vez. Estamos aprendendo tudo na marra.

Qual a parte mais desafiadora?

Severino: Eu acho que é a satisfação do cliente. E eles baixarem o aplicativo, é a parte mais complicada.

Como vocês dividem as funções da gestão entre vocês dois?

Severino: A parte burocrática, de resolver questões de iPhone, e-mail, essas coisas são tudo com ela.

E contato com motorista, contato com financeiro, banco, é tudo comigo.

E você roda motorista no app?

Severino: Eu ainda faço corridas, ainda fico na rua. Quando a demanda está alta, eu vou para a rua. Também viajo para as outras cidades para saber como está a operação também.

Além da 99, tem outro app de mobilidade na cidade? Vocês costumam se reunir para aumentar/baixar os preços das corridas na cidade?

Severino: Tem um aplicativo regional aqui. Não, aqui eu aumento e ele tenta baixar, ele bota um preço e eu boto outro. É uma concorrência pesada mesmo.

Mas eu me dou bem com todos os motoristas dele, inclusive tem alguns que já querem rodar aqui com a gente.

Qual o diferencial da Cope Mobilidade?

Severino: A nossa faixa de preço. A gente preza pelo preço justo com motorista e com passageiro. Além do contato humanizado que a gente tem. Antes de aceitar o motorista, a gente entra em contato com ele, pergunta, para conhecer ele antes de começar roda.

Existe algum tipo de seleção para aqueles que desejam se tornar motoristas do app?

Severino: Não, eu peço aos responsáveis pelos motoristas para entrar em contato, saber como ele vai rodar, como é o carro, quais são os horários que ele tem disponível.

Entre a compra da plataforma e a reestruturação da plataforma, quanto foi gasto em investimento até agora?

Severino: Eu acho que já está passando os R$ 40 mil e ainda estamos pagando o empréstimo que eu fiz.

Vocês costumam participar de eventos na cidade? Costumam participar de que maneira?

Severino: A gente sempre está engajado com qualquer evento que a cidade faz. Sempre patrocinamos, temos os influenciadores também, que gostam de fazer alguma coisa e eles sempre ligam, pedem apoio.

Colocamos também um adesivo com QR Code em todas as pousadas da cidade, para o pessoal que chegar na cidade conhecer nosso app.

A gente entra com dinheiro e com vantagem. E eles divulgam também para nós. 

Vocês têm parcerias com estabelecimentos da cidade para oferecer descontos aos motoristas parceiros?

Severino: Temos parceria com posto de gasolina, oficina e um lava-jato. O Motorista chega lá e consegue desconto de R$ 0,50 de desconto no litro de álcool, na gasolina R$ 0,40, no lava-jato conseguimos R$ 20 de desconto para o motorista e na oficina 20%. 

Quais são as metas para o futuro da Cope Mobilidade?

Severino: Eu tenho o plano de tomar conta do litoral sul esse ano. Já temos umas quatro cidades, acho que são 10 no total.

Não temos uma meta de faturamento fixo, mas passar a faturar R$ 10 mil, R$ 15 mil livre já está bom.

Como vocês enxergam o futuro dos aplicativos regionais no Brasil? O que podem fazer para crescer em um mercado onde as multinacionais dominam?

Severino: Eu acho que as multinacionais já estão se assustando. 

Mas eu acho que isso depende mais do tratamento entre aplicativo e o motorista. Se a 99 entrar numa cidade que não tem motorista, ela não vai vingar. A taxa da 99 é um absurdo, a gente sabe que é de 30% a 40%. E se o motorista ver que tem mais vantagem usar o aplicativo regional, ele não vai com a multinacional. 

Tem que ser um tratamento humanizado e o preço justo. E, assim, eu sei quanto custa manter um carro, eu sei o gasto de combustível por dia.

Qual legado vocês querem deixar na cidade com a Cope Mobilidade?

Selevrino: Que uma empresa regional pode crescer.