Presente em 23 cidades de três estados brasileiros, a Tour Mobilidade surgiu em São Miguel do Iguaçu (PR) com a proposta de se adaptar à realidade das cidades do interior e oferecer maior previsibilidade de ganhos aos motoristas.

A cofundadora da plataforma, Ana Priscilla Bampi, afirma que nunca imaginou atuar no setor de mobilidade. Aos 17 anos, ingressou no curso de Direito com o objetivo de prestar concurso para a Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Após a graduação, ela relata que a inserção no mercado de trabalho foi mais difícil do que esperava. “Você pensa que vai sair e automaticamente, no outro dia, você já vai ter um emprego ganhando muito dinheiro. E não foi assim”, relembra.

Antes de entrar no setor de mobilidade, Ana Priscilla trabalhou com estética, fazendo sobrancelhas, e depois em uma escola de inglês. Nesse período, decidiu intensificar os estudos para o concurso da PRF.

Enquanto isso, seu esposo Fábio Fernandes começou a atuar como motorista em uma plataforma regional. Ao perceber que os ganhos eram satisfatórios, convidou Ana Priscilla para também trabalhar com corridas por aplicativo. “[…] eu pensei: ‘Poxa, se eu entrar no aplicativo, vou poder fazer meus próprios horários e, fazendo meus próprios horários, vou conseguir me dedicar mais aos estudos”, lembra Ana Priscilla.

No entanto, ao conhecer melhor o setor e identificar oportunidades de crescimento, decidiu abandonar a preparação para o concurso e se dedicar integralmente à atividade. “Eu me apaixonei por aquilo”, afirma.

A ideia de criar a própria plataforma surgiu quando o casal identificou necessidades da população local que, segundo eles, não eram atendidas pela empresa para a qual trabalhavam.

“[…] temos uma cultura onde tem muita gente de idade, pessoas que não sabem mexer no aplicativo, pessoas analfabetas, pessoas que têm essa dificuldade. E este aplicativo que nós trabalhávamos não aceitava outra forma de fazer corridas se não fosse para a pessoa chamar diretamente no aplicativo”, afirma a gestora.

Ao lançar a Tour Mobilidade, os fundadores buscaram ampliar o acesso ao serviço por meio de canais como WhatsApp e telefone, iniciativa que levou concorrentes a adotarem soluções semelhantes.

Pouco tempo após o início das operações, surgiu a oportunidade de expansão por meio de franquias. Além de São Miguel do Iguaçu, a Tour Mobilidade está presente em cidades do Paraná, como Lapa, São Mateus do Sul e Palmeira, além de Pomerode (SC) e Mundo Novo (MS).

Ana Priscilla conta que a captação dos primeiros motoristas foi um desafio. “[…] a gente já entrou concorrendo com um aplicativo que estava há mais de um ano na cidade, que já tinha motoristas e já tinha corridas para ofertar.” 

Mesmo enfrentando concorrência desde o início e operando com tarifas mais altas, a fundadora afirma que, em cerca de sete meses, a Tour Mobilidade superou a concorrente em número de corridas e de motoristas cadastrados.

Para oferecer maior previsibilidade financeira aos parceiros, a empresa adotou o modelo de mensalidade fixa em vez da cobrança de um percentual sobre cada corrida. O valor da mensalidade é definido pelos franqueados e varia entre R$ 200 e R$ 600. Em São Miguel do Iguaçu, cidade-sede da empresa, os 48 motoristas cadastrados pagam R$ 370 por mês.

Atualmente, a plataforma conta com 371 motoristas, cerca de 79 mil passageiros cadastrados e uma média de 80 mil corridas mensais.

Para os passageiros, o valor das corridas varia conforme a cidade e o horário. “Aqui em São Miguel, o valor é R$ 9 para corridas de até 1 km ou 1,5 km. Tem cidade que é R$ 9,50, tem cidade que é R$ 10”, afirma. Além disso, existe a variação por faixa horária: “De 7h da noite à meia-noite é R$ 12,50 a mínima e da meia-noite às 5h da manhã é R$ 14”. Corridas que incluem trechos em estradas de terra também recebem acréscimo no valor.

Para Ana Priscilla, a principal transformação proporcionada pelo empreendedorismo foi o amadurecimento pessoal. Segundo ela, foi necessário aprender a ouvir mais, lidar com frustrações e compreender que erros fazem parte do processo de crescimento.  “Hoje eu vejo que, no mundo empresarial, se você não errar, você não vai aprender”, destaca.

Ao comentar a trajetória da empresa, a fundadora afirma sentir satisfação com o crescimento alcançado em pouco tempo e com a manutenção dos valores que considera essenciais para o negócio. Segundo ela, o principal diferencial da Tour Mobilidade está no atendimento oferecido a clientes, motoristas e franqueados.

“Eu me orgulho de a gente crescer sem perder essa essência humilde e simples que a gente tem”, afirma.

Esse compromisso, segundo a empresária, também representa o legado que pretende deixar. “Meu legado hoje é esse: prestar um trabalho humanizado para todos. É o que eu mais prezo.”

Ana Priscilla observa ainda que muitos motoristas permanecem em grandes plataformas mesmo insatisfeitos com os ganhos. Em sua avaliação, empresas locais podem oferecer condições mais adequadas por estarem mais próximas da realidade dos condutores.

Ela reconhece, porém, que competir com grandes empresas do setor é mais desafiador nos grandes centros urbanos. Por isso, a Tour Mobilidade concentra sua atuação em municípios com até 150 mil habitantes, onde identifica mais espaço para o crescimento de plataformas regionais.

Ao falar sobre os próximos passos da empresa, a fundadora afirma que a meta é ampliar a presença da marca. “A minha meta geral é chegar a pelo menos 100 cidades com a Tour. Mas, para este ano, eu queria muito chegar a pelo menos mil motoristas”.

Primeiro, me conte um pouco da sua trajetória? Onde nasceu? Com o que trabalhou antes da mobilidade?

Ana Priscilla: Sou nascida aqui em São Miguel. Nascida e criada, nunca morei em outra cidade.

Eu fui cursar Direito, eu era muito novinha, eu tinha 17 anos e na época eu tinha o sonho de ser advogada. Comecei a faculdade e com o tempo meu sonho mudou, queria ser da Polícia Rodoviária Federal. Quando eu me formei, eu vi que não era tão fácil conseguir trabalho, como a gente pensa que é quando a gente está na faculdade.

Você pensa que vai sair e automaticamente, no outro dia, você já vai ter um emprego ganhando muito dinheiro. E não foi assim. Eu saí e não conseguia trabalho, fiquei desempregada. Na época eu fiquei acho que mais de um ano em casa. Depois consegui um trabalho numa escola de inglês e trabalhei cerca de quatro anos lá. 

Antes disso, também fiz sobrancelha, comecei a ir para o ramo da estética. Mas também não estava rendendo, o negócio não estava indo. 

Por último eu estava nessa escola de inglês e surgiu a oportunidade de entrar no aplicativo e eu pensei: “Poxa, se eu entrar no aplicativo, vou poder fazer meus próprios horários e, fazendo meus próprios horários, vou conseguir me dedicar mais aos estudos”. Porque, na época, eu já estava pagando um cursinho para a PRF e, então, falei: “Agora eu vou sair e me dedicar”. 

Mas quando eu comecei a trabalhar como motorista de aplicativo, eu vi que os ganhos eram muito bons, eram ganhos altos e que tinha grande potencial.

E eu me apaixonei por aquilo. Inicialmente me apaixonei por ser motorista, porque eu gostava de dirigir, de conversar com as pessoas. Você nunca está na mesma  e eu nunca gostei de ficar fechada em escritório,  sempre gostei de trabalhar indo de um lado para o outro, onde eu interagia com as pessoas. 

E no aplicativo é isso: você está no dia a dia conversando, batendo papo, trocando experiências.

E eu estava ganhando bem, começou a entrar bastante dinheiro. 

Por isso falei: “Mudei de sonho, não quero mais ir para a PRF, eu acho que eu gostei disso”. Só que eu sempre tive essa mentalidade empreendedora, de ter o meu próprio negócio, sempre tive essa vontade. 

Surgiu essa oportunidade de montar o Tour, que na época nem era para ser “Tour”. Antes de chegar nesse, passamos por vários nomes.

Enquanto trabalhava como motorista, em que momento pensou: “Vou criar meu aplicativo, vou fazer diferente”?

Ana Priscilla: Então, trabalhávamos eu e o meu esposo nesse aplicativo de mobilidade urbana. Ele entrou primeiro, depois ele viu que era um ganho legal e eu entrei.

Depois de um tempo trabalhando, nós começamos a ver que era um negócio muito bom, que era lucrativo e nós tínhamos muitas ideias que o antigo aplicativo não aderiu. 

Eu penso que você tem que trabalhar conforme a cultura da sua cidade. Então, nós, por exemplo, temos uma cultura onde tem muita gente de idade, pessoas que não sabem mexer no aplicativo, pessoas analfabetas, pessoas que têm essa dificuldade. E este aplicativo que nós trabalhávamos não aceitava outra forma de fazer corridas se não fosse para a pessoa chamar diretamente no aplicativo. 

Não tinha uma opção que a pessoa pudesse ligar ou uma central para distribuir essa corrida. Foi aí que deu um clique para a gente montar o nosso próprio aplicativo.

Foi bem rápido, a gente entrou em 2021, quando foi março de 2022 saímos do outro aplicativo e em abril montamos o Tour.

A gente quis buscar uma alternativa na qual a gente conseguisse atender a todos os públicos e hoje o Tour é assim. Quando a gente começou a colocar tudo isso em prática, a própria concorrência se viu obrigada a implantar essa forma de atendimento.

Nós queríamos algo que a gente conseguisse atender desde o mais jovem até a senhorinha que mora sozinha e tem dificuldade para acessar pelo aplicativo.

Como foi o início da operação?

Ana Priscilla: Inicialmente criamos um grupo de WhatsApp onde a gente adicionava essas pessoas, ali elas mandavam mensagem e a gente distribuía as corridas pelo nosso painel de gestão mesmo, porque hoje a empresa que eu estou tem essa funcionalidade.

Ou, se a pessoa ligar para nós, a gente consegue entrar ali e distribuir essa corrida. Porque querendo ou não, hoje existem pessoas de idade que o celular nem  tem Android, é aquele celularzinho antigo que não tem opção de WhatsApp. 

Então vimos essa necessidade e a primeira coisa que fizemos foi personalizar esse atendimento para todos os públicos.

Onde a Tour está presente hoje?

Ana Priscilla: A minha cidade é São Miguel do Iguaçu, no Paraná. É uma cidade pequena, tem 28 mil habitantes.

Hoje a gente já está presente em 23 cidades e todas essas cidades também tem esse atendimento para todos os públicos.

Nós temos cidades bem próximas, a maioria fica aqui ao redor de São Miguel do Iguaçu, mas nós temos também cidades próximas a Curitiba, como Lapa, São Mateus, Palmeira. E a gente também tem uma cidade em Santa Catarina, Pomerode, que é uma cidade turística, fica do ladinho de Blumenau. 

Eu não pensei que a gente iria franquear tão rápido. Pensava que era algo de três, quatro anos depois.

Pensei: “Vamos começar em São Miguel e sabe lá Deus quando a gente vai expandir o negócio”. Só que em pouco tempo já surgiu essa oportunidade de avançar e ir franqueando para outras cidades também. 

Como foi o processo desde a ideia de criar o app até o início da operação?

Ana Priscilla: Inicialmente eu busquei na internet, tanto a opção de fazermos o nosso próprio aplicativo quanto a opção de uma empresa para personalizar, para fazer o nosso aplicativo. Na época era inviável fazer o meu próprio aplicativo, porque é algo que tem um custo extremamente elevado. Então eu já busquei uma empresa que me oferecesse essa tecnologia pronta e que já atendesse outros aplicativos.

Fiz algumas reuniões, entrei em acordo com eles e a partir daí eles personalizaram. Em questão de duas semanas, um pouquinho menos, já me entregaram o aplicativo pronto.

Como foi a captação dos primeiros motoristas da plataforma?

Ana Priscilla: A captação inicial foi bem difícil, porque a gente já entrou concorrendo com um aplicativo que estava há mais de um ano na cidade, que já tinha motoristas e já tinha corridas para ofertar. 

Então, quem vai querer sair de um aplicativo que já está indo bem para entrar no aplicativo que vai começar do zero?

No começo trabalhávamos eu e meu esposo. Então, além de dirigir, eu fazia a divulgação, marketing, mexia no painel, fazia tudo. Não tinha uma grande empresa para fazer o marketing. Diariamente eu postava muito, eu divulgava muito e a gente trabalhava 24 horas.

Tanto eu quanto ele ficávamos 24 horas com o nosso aplicativo ligado para conseguir atender e captar o máximo de clientes possíveis, porque a gente sabia que quanto mais clientes a gente captasse, mais corridas teríamos. E se a gente tivesse mais corridas, automaticamente a gente conseguiria atrair motoristas para o nosso lado. 

Passado alguns dias começaram a vir um, dois, três, foram vindo aos poucos. Os primeiros meses foram difíceis de conseguir, mas com o tempo o número de corridas foi aumentando muito e automaticamente foi vindo motorista para o nosso lado. 

É um processo, não é do dia para a noite. Não é igual a Uber, por exemplo, que o motorista já entra tendo corrida. Aplicativo regional é mais demorado. 

Foram alguns meses assim, mas hoje, graças a Deus, a gente já não precisa mais disso. Os motoristas nos procuram para trabalhar. 

E faz cerca de dois anos e meio que, quando eu comecei a franquear o aplicativo, eu comecei a diminuir o meu ritmo, porque eu tinha que atender os meus franqueados também, então eu não poderia estar no meio de uma corrida e parar para dar suporte.

Então, eu parei totalmente e não fiz mais corridas. Meu marido também parou. Volta e meia, se surge uma pendência, porque é inevitável, ele vai lá e faz uma corrida.

As outras cidades todas são franquias? Vocês fazem a gestão somente em São Miguel do Iguaçu? 

Ana Priscilla: Com exceção de uma outra cidade, todas as outras são franquias.

Como foi a captação dos primeiros passageiros? Vocês fizeram algum tipo de marketing específico?

Ana Priscilla: Sim. A gente fazia muita ação de sorteio no começo. Fizemos muitos sorteios de dinheiro, prêmios. Fazíamos também aquelas ações que quando o cliente completar X corridas, ele ganha uma pizza, por exemplo, ou ele ganha um brinde.

No começo fizemos muitas ações para poder captar esses clientes.

Como funciona a divisão de funções entre você e seu marido?

Ana Priscilla: No geral, a minha função é administrar as franquias. Então, a parte de franquias e franqueados sou eu que cuido. O meu esposo, faz a parte de administração dos motoristas aqui de São Miguel, juntamente com a minha irmã.

Qual foi o investimento inicial para ter a plataforma no ar?

Ana Priscilla: Vamos colocar que no geral a gente gastou na base de uns R$ 40 mil a R$ 50 mil, já contando com a parte de investimento em marketing. 

Eu só não gastei mais porque eu não tinha vergonha. Eu falo para os meus franqueados hoje: se você não gosta de aparecer, você vai gastar muito dinheiro, porque hoje o marketing é 80%, não adianta. 

Então, eu fazia muito essa parte, colocava minha cara, fazia vídeos todos os dias, ia atrás de parceria e eu não tinha vergonha.

Em quanto tempo conseguiram ter de volta a quantia investida?

Ana Priscilla: Em poucos meses você já consegue. No meu caso, porque hoje eu tenho franquias, em pouco tempo eu já consigo suprir esse custo que eu tenho.

Em que momento você percebeu que o app estava dando certo?

Ana Priscilla: Após um ano de aplicativo. Quando a gente começou, estávamos concorrendo com o aplicativo que tinha na cidade há mais de um ano e nós iniciamos com um preço um pouco maior que eles e, em cerca de sete meses, passamos eles aqui na cidade. A gente conseguiu passá-los em número de corridas e de motoristas também.

Quando chegou a mais ou menos um ano de aplicativo, vimos que era um negócio muito bom, que dava para tirar um dinheiro legal. E o nosso método de trabalho também é diferenciado, porque não é cobrado porcentagem dos motoristas, é cobrada uma mensalidade fixa. 

Então isso ajudou muito porque o dinheiro que entra, vai diretamente para o motorista. O que o motorista faz é pagar uma mensalidade para trabalhar com a gente. Então, após um ano e pouquinho a gente validou e automaticamente pessoas de cidades próximas começaram a nos procurar para levar o Tour para suas cidades.

Qual o valor dessa mensalidade para o motorista?

Ana Priscilla: O valor depende da cidade. Meus franqueados têm autonomia para decidir, mas como a gente trabalha em cidades menores, a maioria opta por mensalidade porque é mais viável tanto para nós quanto para os nossos motoristas.

Nosso objetivo não é só o franqueado ganhar, é o motorista. Porque o motorista que ganha bem trabalha contente e vai atrair mais clientes também para a plataforma. Então, assim, varia muito.

A cidade começa com um valor inferior. Hoje eu tenho cidades que trabalham desde mensalidade de R$ 200, que são cidades que estão começando, até cidades que já estão há dois anos no mercado que cobram R$ 600 de mensalidade fixa. 

Então, tem de R$ 200, de R$ 300, de R$ 370, R$ 420. Varia de acordo com a cidade e também o franqueado se baseia muito nos ganhos dos motoristas, quanto é o valor da corrida, eles têm essa base de cálculo também. 

Em São Miguel hoje a gente trabalha com uma mensalidade fixa de R$ 370.

Como funciona essa expansão para outras cidades? Qual o processo?

Ana Priscilla: As pessoas interessadas vem até nós. Hoje a maioria das pessoas são motoristas, ex-motoristas meus. Teve motorista de São Miguel, de Medianeira também, que compraram cidades, mas no geral, as pessoas entram em contato conosco.

A gente conversa, analisa, ajuda a pessoa a entender mais a cidade que ela quer e, enfim, ingressar o Tour na cidade. 

Quantos motoristas tem cadastrados na plataforma?

Ana Priscilla: Hoje a gente está com um total de 371 motoristas, contando todas as cidades. Tem algumas cidades que estão bem no início, então ainda estão com poucos motoristas. 

Aqui em São Miguel, acho que a gente está com cerca de 48 motoristas cadastrados. 

Tem uma seleção para esses motoristas entrarem na plataforma? Quais os critérios para se tornar um motorista do Tour Mobilidade?

Ana Priscilla: Quando o motorista quer entrar no aplicativo, a gente marca uma reunião e conversa pessoalmente. Não é simplesmente a pessoa entrar em contato, aprovar o cadastro e pronto.

Todas as nossas cidades a gente marca uma reunião, conversa pessoalmente, busca conhecer quem é esse motorista que a gente vai cadastrar. Explicamos um pouquinho da nossa forma de trabalhar, nossas regras, como funciona o dia a dia do Tour, como, por exemplo, o pagamento. 

Os nossos motoristas também fazem o seguro passageiro e, após vermos toda a documentação, a gente aprova o cadastro dele.

Os critérios a gente se baseia na Lei Municipal. Se a cidade tem alguma regulamentação municipal, a gente precisa seguir, se não, a gente vai conforme a Lei Federal.

Quantos passageiros já baixaram o aplicativo?

Ana Priscilla: Atualmente 79 mil passageiros já baixaram a nova plataforma. 

Quantas corridas vocês têm feito por mês?

Ana Priscilla: Fechamos o mês de maio com 81.617 no total.

Quais as categorias de corrida disponíveis no app?

Ana Priscilla: Tem várias categorias. Hoje a gente trabalha com Tour Convencional, Tour Mulher, Tour Premium, Tour Sedan, Tour Compras e temos a opção também de Tour Sete Lugares e Tour Fretes também. 

São essas categorias, mas não são todas que tem em todas as cidades. Varia muito conforme, mas a gente tem essas possibilidades para o franqueado trabalhar.

Qual o valor da corrida mínima para o passageiro?

Ana Priscilla: Varia de acordo a cidade também, porque o franqueado tem autonomia para definir o valor.

Aqui em São Miguel hoje o valor é R$ 9 até 1 km, 1,5 km. Tem cidade que é R$ 9,50, tem cidade que é R$ 10 e assim, depende o horário também. Esse é o valor mínimo durante o dia, na parte da noite o valor aumenta. Tem cidade que é R$ 12,50, tem cidade que é R$ 14.  Madrugada é um pouco maior o valor, R$ 15 mais ou menos. 

Vocês trabalham com dinâmica em São Miguel?

Ana Priscilla: Em São Miguel durante o dia e durante a semana, de segunda a sexta a corrida é a partir de R$ 9.

De 7h da noite à meia-noite é R$ 12,50 a mínima e da meia-noite às 5h da manhã é R$ 14.

Também temos a opção de dinâmica para distritos. Como as nossas cidades aqui têm muito interior, você encontra ali 30, 40 distritos de interior em cada cidade dessa. Então, a gente aplica dinâmica nessas regiões para a corrida ficar com um valor um pouco mais elevado, devido à estrada que às vezes não é muito boa, então é para o motorista ganhar mais também. 

Qual o valor do quilômetro rodado para o motorista?

Ana Priscilla: Nosso aplicativo calcula os valores pelo preço base, mais preço por km, mais preço por minuto. Quando o motorista vai fazer uma corrida, tem esse cálculo e normalmente até 1,5 km vai dar R$ 9.

Mas o motorista deve tirar hoje cerca de R$ 2 por km.

Quanto, em média, um motorista fatura por mês? 

Ana Priscilla: Tem motorista que tira R$ 7 mil, R$ 8 mil, R$ 10 mil.

 Aqui em São Miguel, praticamente metade tem outros trabalhos e usa a plataforma apenas como renda extra. A outra metade só trabalha no aplicativo.

O que você sente que mudou em sua vida depois que você se tornou dona do próprio negócio?

Ana Priscilla: Eu acho que de tudo. Primeiro ponto: maturidade. Você amadurece muito quando você tem o próprio negócio, você começa a entender mais o lado das pessoas. Você tem que ter um atendimento humanizado com a sua equipe, com os teus clientes.

Eu falo que a pessoa de quatro anos atrás, lá no comecinho do Tour não é a mesma de hoje. Eu escuto muito mais, eu tento conversar muito mais, não é qualquer coisa que me tira do sério mais.

Porque no começo você está muito à flor da pele, você tem aquela sede de fazer as coisas darem certo. Você tem medo que, se você errar, você não vai conseguir. E hoje eu vejo que, no mundo empresarial, se você não errar você não vai aprender. Você tem que errar, é normal. 

Então eu amadureci muito nesse quesito, de aprender lidar com frustrações, ainda mais quando você administra um aplicativo que as pessoas vão entrar e sair todos os meses.

Tem que saber lidar com os problemas dos outros, saber lidar com as frustrações, com os “não” e com os problemas diários. Eu acredito que, como empresária, hoje eu tenho muito mais calma, muito mais sabedoria para lidar com esses problemas.

Do que você se orgulha nessa trajetória?

Ana Priscilla: Eu acho que eu me orgulho realmente do crescimento. Eu não pensei que ia crescer tão rápido. A gente começou com muito pouco e, se for olhar, tem outras empresas que investem muito dinheiro para crescer, a gente não investiu praticamente nada e conseguiu, em pouco tempo, ter um grande avanço.

Eu me orgulho do atendimento que a gente presta hoje para os nossos clientes, para os nossos franqueados e para os nossos motoristas. A gente tem um lado muito humano e eu acho que essa é a nossa essência de criação, de família e é algo que eu me orgulho.

Independentemente das circunstâncias que acontecerem, a gente gosta de falar muito isso para nossa equipe, para sempre ter um atendimento humanizado. Eu me orgulho de a gente crescer sem perder essa essência humilde, simples que a gente tem, de tratar bem as pessoas, de tratar a nossa equipe como seres humanos que são. 

Quais as metas para os próximos anos com a plataforma?

Ana Priscilla: A minha meta geral é chegar a pelo menos a 100 cidades com o Tour. Mas para esse ano eu queria muito chegar a pelo menos mil motoristas. 

Hoje predomina o estado do Paraná e a gente tem uma cidade em Santa Catarina, que é Pomerode e temos Mundo Novo, que é no Mato Grosso do Sul. Mas eu quero crescer para outros estados, quero muito que o Tour vá para o Mato Grosso. 

Quero muito chegar a 10 mil motoristas também, é um sonho.

A gente quer ter uma plataforma na qual o motorista ganhe dinheiro. Isso é o mais legal: você escutar a tua equipe chegar e falar: “Olha, o Tour transformou a minha vida”.

Motoristas saíram dos seus trabalhos para ficar só no Tour, porque ganhavam muito bem. Hoje a gente tem motorista que pode falar que ganha mais que gerente de banco, motorista que ganha salário de gente que teve que estudar muito, de gente concursada. Porque a gente possibilita isso, a gente não quer explorar nossos motoristas.

Cobramos uma mensalidade fixa, onde ele sabe quanto vai pagar todo mês.

O que você percebe que falta nos aplicativos regionais para ganharem mais espaço no mercado?

Ana Priscilla: Eu acho que tem muitos pontos. Acho que falta apoio dos próprios motoristas, porque eles são uma classe muito grande, uma classe que tem um poder gigantesco. Em cidades grandes, a gente vê que na Uber, na 99, são muitas pessoas trabalhando.

E a gente vê que esses motoristas não são valorizados, o ganho deles é muito baixo. Nas viagens que faço, eu sempre gosto de conversar com todos os motoristas, entender a história, quem é você, quando você ganha na Uber e a maioria deles reclama muito do cansaço e dos ganhos baixíssimos.

Acho que, se hoje, metade desses motoristas falasse: “Não, não vamos mais trabalhar para essas grandes plataformas. Vamos trabalhar para quem é do nosso país, para os aplicativos regionais”. Quem sabe a gente teria mais poder e conseguiria crescer mais.

Porque pelo menos a gente é daqui, a gente pensa no nosso povo, a gente pensa em fazer com que nossos motoristas realmente ganhem dinheiro, não trabalhem 12, 14 horas por dia para ter ganhos baixíssimos. Então quem sabe falte um pouco de apoio dos próprios motoristas para os aplicativos regionais. 

Eu sei que é difícil, porque a Uber é conhecida mundialmente. Em uma cidade grande como São Paulo, você vai ligar o aplicativo e ele vai começar a tocar. E para colocar um aplicativo regional em uma cidade grande, tem que ser milionário, por isso o nosso foco está nas cidades menores.

Nosso foco é as cidades de até 150 mil habitantes, onde Uber e 99 não entram. Eles não entram nessas cidades, a não ser que a cidade seja turística, porque daí tem bastante movimentação. 

Qual legado vocês querem deixar com o Tour Mobilidade na região de vocês?

Ana Priscilla: Olha, graças a Deus, hoje em São Miguel a gente já é considerado o melhor aplicativo.

Então, o legado que eu quero deixar é de um aplicativo que pensa no lado do motorista, que atende bem o cliente. Hoje nosso atendimento é 100% humanizado. Se o cliente mandar uma mensagem não vai ser um assistente virtual que vai responder ele, vai ser a gente. Se o motorista mandar alguma mensagem e tiver qualquer problema, a gente vai responder. Mesma coisa com o franqueado. Meu franqueado manda mensagem, rapidinho eu respondo.

Meu legado hoje é esse: prestar um trabalho humanizado para todos. É o que eu mais prezo hoje.