Criado em Congonhas, em Minas Gerais, o Vupt nasceu da experiência de Wanderson Tomayno como motorista de aplicativo, instrutor de autoescola e profissional da área de tecnologia. Antes de empreender no setor de mobilidade, ele trabalhava de carteira assinada e, nos fins de semana, se deslocava cerca de 30 km para uma cidade vizinha para rodar em aplicativos como motorista.
Foi justamente essa necessidade de sair da própria cidade para conseguir trabalhar que acendeu a ideia de criar uma plataforma regional em Congonhas. O objetivo inicial não era ter “um aplicativo seu”, mas ter uma operação local que permitisse aos motoristas da região trabalharem sem depender de cidades vizinhas.
Lançado em 2021, o Vupt começou em uma cidade histórica, com cerca de 80 mil habitantes, marcada por morros, ruas difíceis, forte presença da mineração e trânsito cada vez mais pressionado pela chegada de empresas e trabalhadores. Hoje, a plataforma tem entre 25 mil e 30 mil passageiros cadastrados, registra média de 21 downloads por dia e reúne de 150 a 200 motoristas que completam ao menos 30 chamadas por mês.
Em meses comuns, o aplicativo realiza entre 12 mil e 15 mil chamados. Em dias de grande movimento, como eventos e feriados, os números podem crescer muito: no 7 de setembro de 2024, por exemplo, o Vupt registrou mais de 4,3 mil chamados em um único dia.
“Eu costumo falar que não é um aplicativo meu, é um aplicativo deles”, afirma Wanderson, ao falar sobre a relação com motoristas e passageiros.
De instrutor de autoescola à mobilidade regional
Antes de criar o Vupt, Wanderson passou por diferentes experiências profissionais. Trabalhou como CLT por cerca de 12 anos e, quando começou a pensar no aplicativo, atuava como instrutor de autoescola.
A experiência como instrutor marcou sua forma de lidar com pessoas. No dia a dia, convivia com alunos de diferentes perfis, religiões, etnias, condições financeiras e histórias de vida, todos em busca de um objetivo comum: a habilitação.
Para ele, essa vivência ajudou a desenvolver uma característica que hoje tenta aplicar na gestão do Vupt: a capacidade de se aproximar das pessoas como elas são.
“O que eu mais trago é conseguir me aproximar das pessoas do jeito que cada uma é”, afirma.
Além disso, Wanderson também tem formação na área de informática e já havia empreendido antes. Entre 2011 e 2012, teve uma loja voltada para tecnologia e informática, em uma época em que ainda era difícil acessar produtos modernos pela internet, antes da popularização de marketplaces como Shopee, Shein e Mercado Livre no formato atual.
Com o Vupt, ele uniu as duas áreas que já conhecia: mobilidade e tecnologia.
Congonhas: cidade histórica, mineração e desafios de trânsito
Wanderson nasceu e cresceu em Congonhas, cidade histórica de Minas Gerais. Apesar de já ter morado em outras regiões, foi ali que decidiu construir o aplicativo, por ter família, vínculos e conhecimento da realidade local.
Segundo ele, Congonhas é uma cidade grande em território, mas muito centralizada. Como muitas cidades históricas mineiras, enfrenta dificuldades de expansão, ruas estreitas, morros, vias que precisam de melhorias e problemas de mobilidade.
A presença de empresas ligadas à mineração também pressiona o trânsito. O município recebe muitos funcionários, prestadores de serviço e pessoas circulando diariamente, o que aumenta o uso das vias e gera gargalos.
Esse cenário ajudou a mostrar que havia demanda por uma solução de transporte local mais organizada e acessível.
A ideia surgiu ao trabalhar em cidade vizinha
O primeiro incômodo que levou Wanderson a pensar em um aplicativo regional veio da própria rotina como motorista. Nos fins de semana, ele ia a uma cidade vizinha para trabalhar em aplicativos. Como morava a cerca de 30 km, precisava voltar em determinado horário por causa do cansaço, enquanto os motoristas locais podiam continuar rodando.
“Eu queria uma plataforma que ficasse próxima de mim”, conta.
Antes do Vupt, uma primeira plataforma regional chegou a Congonhas. Wanderson trabalhou nela, mas percebeu problemas de interface, usabilidade e experiência para passageiros e motoristas. Como já tinha conhecimento em tecnologia e um projeto em mente desde 2019, decidiu criar uma alternativa própria.
A ideia era desenvolver um aplicativo mais agradável visualmente, com experiência mais próxima das grandes plataformas, como Uber e 99, mas adaptado à realidade local.
“Eu falei: vou montar uma plataforma que seja mais agradável aos olhos dos passageiros. Algo parecido com Uber e 99. Foi aí que o Vupt nasceu”, afirma.
Lançamento em 2021 e investimento inicial de até R$ 8 mil
O Vupt foi lançado em 2021. Para colocar o aplicativo no ar, Wanderson precisou pesquisar documentação, regras locais, exigências do departamento de trânsito e formas de regularizar a operação.
O processo não foi simples. Segundo ele, houve resistência inicial de autoridades locais, com a justificativa de que a cidade precisava de uma legislação municipal específica, mesmo já existindo uma lei federal sobre transporte por aplicativo.
Depois de lidar com a parte burocrática, ele buscou empresas de tecnologia capazes de fornecer a estrutura do aplicativo. Desenvolver um software próprio, com código-fonte próprio, era caro demais para uma operação regional em início de trajetória.
O investimento inicial, sem contar marketing mais pesado, ficou entre R$ 6 mil e R$ 8 mil.
“Foi para começar no tranco e barranco mesmo, na força, na garra”, diz.
O desafio de conquistar motoristas
A captação de motoristas foi uma das partes mais difíceis do início do Vupt. Como Wanderson já havia trabalhado como motorista em outras plataformas, conhecia muitos condutores da cidade. Isso ajudou, mas também trouxe desafios.
Segundo ele, alguns motoristas não aceitaram bem a ideia de ver alguém que rodava ao lado deles se tornar gestor de uma plataforma. Essa transição gerou resistência.
“Alguns motoristas não aceitam que aquele cara que estava junto com você no dia a dia sofrendo as corridas vire gestor de plataforma”, afirma.
Além disso, muitos esperavam resultado imediato. Para Wanderson, um motorista quer que, no dia seguinte ao lançamento, já existam muitas corridas. Mas um aplicativo regional precisa de tempo para criar base de passageiros, confiança e hábito de uso.
Com o tempo, a plataforma cresceu e também precisou endurecer regras. Motoristas que infringem normas, colocam pessoas em risco ou violam termos passam por conversas e podem ser suspensos definitivamente.
Transporte irregular como uma das maiores preocupações
Uma das falhas que Wanderson mais via no mercado, e que tenta combater com o Vupt, é o transporte irregular. Para ele, corridas combinadas por WhatsApp ou ligação, sem registro em plataforma regularizada, podem colocar passageiros e motoristas em risco.
O problema envolve desde segurança até responsabilidade em caso de acidente. Se um motorista irregular se envolve em uma colisão e não tem seguro, o passageiro pode ficar sem respaldo.
“O passageiro precisa entender que a corrida que ele chama por WhatsApp ou ligação não traz a mesma segurança que uma plataforma legalizada”, afirma.
Essa é uma das mensagens que o Vupt tenta reforçar: usar o aplicativo não é apenas uma questão de preço ou praticidade, mas também de proteção.
Atendimento familiar e central humanizada
O Vupt começou sem sócios e segue tendo Wanderson como proprietário. Houve uma tentativa inicial de parceria, mas a sociedade não foi formalizada porque a outra parte não cumpriu etapas necessárias.
Hoje, a operação conta com uma equipe formada principalmente por familiares. A plataforma mantém uma central de atendimento humanizada, sem foco em atendimento robotizado.
No passado, a central funcionava 24 horas. Atualmente, o sistema continua monitorado o tempo todo para alertas de segurança, mas o atendimento humano funciona das 8h às 18h.
A operação também conta com apoio terceirizado em áreas como jurídico, contabilidade e gestão financeira.
“Nós não gostamos de atendimento mecanizado. Cada pessoa tem sua particularidade, e a gente tenta entender isso para auxiliar da melhor forma”, afirma.
Aplicativo começou a se pagar no segundo mês
O Vupt começou a pagar suas próprias despesas rapidamente. Segundo Wanderson, desde o segundo mês o aplicativo já não exigia que ele tirasse dinheiro do bolso para manter a operação funcionando.
Nos primeiros meses, a plataforma ainda oferecia taxa zero para motoristas, estratégia comum para atrair condutores. Mesmo assim, o negócio mostrou que estava no caminho certo porque já conseguia bancar as próprias despesas.
“Quando fez um mês, a gente já viu que não precisava colocar dinheiro do bolso para continuar funcionando”, afirma.
O investimento como um todo começou a se pagar de forma mais clara após cerca de dois anos. A partir do terceiro ano, a plataforma passou a gerar lucro, embora Wanderson ressalte que o ganho de um aplicativo regional é muito diferente do que muitos imaginam ao comparar com Uber e 99.
“Seu Uber se chama Vupt”
Uma das primeiras estratégias de marketing do Vupt explorou o fato de que o nome Uber já era conhecido nacionalmente, mesmo em cidades onde o serviço não funcionava plenamente.
A campanha dizia: “Seu Uber se chama Vupt”. A ideia era aproveitar o reconhecimento do serviço de transporte por aplicativo e mostrar que, em Congonhas, a alternativa local era o Vupt.
Para Wanderson, o momento também ajudou. O aplicativo foi lançado em uma fase em que os apps regionais começavam a ganhar espaço em cidades onde grandes plataformas não estavam tão presentes ou não atendiam bem.
Crescimento trouxe distância dos motoristas
Ao olhar para sua trajetória como empreendedor, Wanderson afirma que a maior mudança foi a forma de pensar, agir e se comunicar. No início, tinha mais tempo para conversar de perto com motoristas, parar em um ponto, reunir a turma e trocar ideias.
Com o crescimento da operação, a responsabilidade aumentou e a proximidade diária diminuiu. Embora tente se manter próximo, reconhece que a rotina de gestão o afastou um pouco do contato informal que tinha no começo.
“No começo você tem tempo para conversar de pertinho com os motoristas. À medida que o aplicativo cresce, a responsabilidade aumenta e você começa a se distanciar”, afirma.
Gestão funciona 24 horas por dia
A rotina de gestor de aplicativo regional, segundo Wanderson, é intensa. Mesmo com equipe trabalhando em horário comercial, o proprietário fica ligado praticamente 24 horas por dia.
Ele dorme pensando em campanhas, acorda analisando números, acompanha alertas e carrega computador e celular para onde vai. Qualquer movimento diferente na operação exige atenção.
“É 24 horas. Você dorme pensando e acorda pensando”, resume.
Além disso, em uma cidade menor, as campanhas precisam ser pensadas com mais cuidado. Uma estratégia de marketing que funciona em grandes polos não necessariamente entrega o mesmo resultado em um município de menor porte.
Presença concentrada em Congonhas
Hoje, o Vupt atua principalmente em Congonhas. A empresa pensa em expansão para outras regiões, mas não quer crescer sem estrutura.
Alguns motoristas já levaram a ideia para outras cidades, mas a gestão ainda não está focada em operar fora da região atual. O plano é consolidar ainda mais a marca antes de avançar.
A expansão futura deve acontecer por modelo de franquias. Wanderson já conversou com empresas franqueadoras e recebeu orientações sobre vantagens e desvantagens desse formato.
Segundo ele, o Vupt já teria números e trajetória para iniciar um processo de franqueamento, mas a ideia deve ficar para um momento posterior, possivelmente a partir do próximo ano.
“Gerir um aplicativo em uma cidade já é complicado. Pegar outra cidade fica ainda mais complexo”, afirma.
Entre 150 e 200 motoristas ativos
Atualmente, o Vupt possui entre 150 e 200 motoristas que completam pelo menos 30 chamados por mês. Nem todos trabalham em tempo integral na plataforma.
Como Congonhas tem forte presença de empresas de mineração, muitos motoristas usam o aplicativo como complemento de renda. Alguns rodam em dias de folga, outros em horários específicos, e a quantidade online varia bastante ao longo da semana.
Ainda assim, o volume de condutores cadastrados e ativos permite ao aplicativo manter uma operação relevante na cidade.
Entre 25 mil e 30 mil passageiros cadastrados
O Vupt tem hoje entre 25 mil e 30 mil passageiros cadastrados, em uma cidade de cerca de 80 mil habitantes. A média atual é de aproximadamente 21 downloads por dia.
Wanderson afirma que a plataforma já teve momentos de crescimento mais acelerado, mas entende que, em uma cidade desse porte, existe um limite natural de adesão. Nem todos os moradores usam transporte por aplicativo, e parte da base já foi conquistada.
Mesmo assim, o número mostra a força da marca em Congonhas e a penetração do serviço na rotina local.
Taxa de 8% a 16% por corrida
O modelo principal de cobrança do Vupt é percentual. A taxa varia de 8% a 16%, dependendo do valor da corrida.
A plataforma já testou modelos de mensalidade e pacotes para motoristas, especialmente em momentos de grandes eventos. Nesses casos, o motorista comprava um pacote por determinado período e participava como uma espécie de parceiro ou “sócio patrocinador” em ações específicas.
Apesar desses testes, o carro-chefe da operação continua sendo a porcentagem sobre cada atendimento realizado.
Corrida mínima em teste
Até recentemente, a corrida mínima do Vupt era de R$ 14 para até 3 km. Esse valor refletia a realidade de Congonhas, uma cidade montanhosa, com ruas que exigem manutenção e desgaste maior dos veículos.
No momento da entrevista, a plataforma estava testando novos valores de corrida mínima, após conversas com motoristas. Por isso, Wanderson evita cravar qual será o novo preço definitivo.
A ideia é encontrar um valor que seja competitivo para o passageiro, mas que continue sustentável para os motoristas e para a operação.
Mínimo de R$ 2,56 por km para o motorista
Um dos pontos que Wanderson destaca é a tentativa de garantir boa remuneração por quilômetro ao motorista. Na corrida mínima antiga, de R$ 14 para até 3 km, descontada a taxa da plataforma, o motorista ficava com média de cerca de R$ 2,70 por quilômetro rodado.
Hoje, segundo ele, a plataforma tenta garantir ao motorista ao menos R$ 2,56 por quilômetro, independentemente do deslocamento.
“O motorista não vai ganhar menos do que R$ 2,56 por quilômetro rodado, livre da taxa da plataforma”, afirma.
Em corridas curtas, a remuneração pode ser ainda maior. Wanderson cita casos em que o motorista pega o passageiro muito próximo e roda apenas 1 km, recebendo praticamente R$ 13 por quilômetro.
Sistema pré-pago de créditos
No início, o Vupt trabalhava com fechamento posterior. A plataforma enviava um relatório de corridas, e o motorista repassava o valor das taxas depois. O modelo, porém, gerava atrasos, perda de controle e problemas de cobrança.
Por isso, a empresa passou a usar o sistema de créditos pré-pagos. O motorista compra um valor, como R$ 10 ou R$ 100, e as taxas são abatidas automaticamente conforme ele realiza corridas.
A plataforma também já possui pagamentos automáticos em funcionamento parcial, mas ainda enfrenta dificuldades para implementar o modelo em 100% da operação por causa de custos bancários e taxas.
Wanderson afirma que uma das principais metas é acabar com o sistema de recarga e fazer o pagamento automático funcionar plenamente, permitindo que o motorista receba pela corrida e a plataforma fique automaticamente com sua parte.
“Minha maior vontade é fazer o sistema de pagamento automático funcionar, para eles não ficarem reféns de colocar dinheiro no aplicativo”, afirma.
Motorista em jornada de 8 horas passa de R$ 5 mil
Wanderson evita cravar uma média geral de faturamento dos motoristas, porque a renda varia muito conforme disponibilidade e dedicação. Há condutores que fazem poucas corridas por dia e outros que tentam atender tudo o que toca.
Mas ele afirma que um motorista que trabalha oito horas por dia, com responsabilidade e rotina, consegue tirar acima de R$ 5 mil por mês, independentemente de usar apenas uma plataforma ou mais de uma.
“O motorista que trabalha oito horas por dia sempre vai ter uma renda para cima dos R$ 5 mil, tranquilamente”, afirma.
Para ele, o grande desafio do motorista autônomo é ter disciplina. Como o profissional é dono da própria rotina, precisa definir horário para acordar, trabalhar, folgar e descansar.
Faturamento bruto mensal entre R$ 120 mil e R$ 180 mil
O Vupt movimenta, em média, entre R$ 120 mil e R$ 180 mil por mês em faturamento bruto de corridas. O valor varia conforme demanda, campanhas, eventos e sazonalidade.
Wanderson ressalta que esse número não representa lucro. A menor parte fica com o proprietário, já que há despesas com tecnologia, mapas, seguros, alvarás, internet, água, luz, telefone, atendimento, equipe, contabilidade, jurídico e outras necessidades da operação.
A empresa não trabalha com uma meta formal de faturamento para o fechamento de 2026. A gestão acompanha indicadores mínimos de corridas semanais e acende alertas quando há queda abaixo do esperado, mas prefere reagir ao comportamento do mercado em vez de estabelecer metas rígidas de longo prazo.
Campanhas são usadas para corrigir queda de demanda
O Vupt monitora o número mínimo de corridas que precisa atingir em determinado período. Se em uma semana a operação cai abaixo do esperado sem motivo aparente, a equipe analisa o que aconteceu e pode lançar campanhas ou incentivos.
Em datas específicas, a plataforma pode criar cupons e ações promocionais para atrair passageiros.
Wanderson compara a dinâmica do setor a uma bolsa de valores: o planejamento pode mudar de um dia para o outro, porque o mercado oscila rapidamente.
“Hoje você pensa que amanhã vai ser de um jeito. Chega na feira, é totalmente diferente. Muda tudo”, afirma.
Concorrência com preços baixos é um dos momentos mais difíceis
Para Wanderson, um dos momentos mais difíceis da operação acontece sempre que uma nova plataforma chega à cidade oferecendo preços muito baixos para atrair passageiros e motoristas.
Ele afirma que, quando vê determinados valores, questiona como a concorrente consegue se pagar, já que uma operação regularizada tem muitos custos.
“Quando chega uma nova plataforma, ela abaixa preço. Você olha e fala: isso não se paga. Como ela está bancando isso?”, questiona.
Nesses momentos, o gestor já chegou a pensar em empreender em outra área. Ainda assim, o Vupt se manteve ativo porque conseguiu construir uma base de passageiros, motoristas e reconhecimento local.
O orgulho de ajudar motoristas injustiçados
Ao falar sobre o que mais o orgulha, Wanderson cita a possibilidade de ajudar motoristas que foram injustiçados em outras plataformas. Segundo ele, houve condutores que vieram de experiências difíceis e encontraram no Vupt uma chance de continuar trabalhando.
Em momentos em que pensou em não seguir com a plataforma, alguns desses motoristas o incentivaram a continuar.
“Eles falaram: continua, porque você está no caminho certo. Foi quando eu entendi que estava fazendo bem para várias pessoas”, afirma.
Para Wanderson, esse impacto sobre a vida dos motoristas é uma das principais razões para manter a operação.
Regionais precisam se unir
Para competir com grandes plataformas, Wanderson acredita que aplicativos regionais precisam deixar de atuar apenas como concorrentes e começar a trabalhar como classe.
Uma possibilidade, segundo ele, seria criar sindicatos, associações ou grupos organizados de donos de plataformas para trocar informações e defender interesses comuns.
“Contra os grandes, não tem como sozinho”, afirma.
Na visão do gestor, a união dos regionais seria uma forma de ganhar mais força perante autoridades, discutir regulamentações e evitar que pequenas plataformas fiquem isoladas diante do poder financeiro das gigantes.
Legado: proximidade, transparência e atendimento diferente
O legado que Wanderson quer deixar em Congonhas está ligado à proximidade com passageiros e motoristas. Ele afirma que o nome Vupt surgiu de forma espontânea, remetendo à ideia de rapidez e velocidade, uma palavra popular que todo mundo entende, mesmo não sendo formalmente do dicionário.
Mas o que a plataforma tenta construir vai além da rapidez. O foco é fazer com que o passageiro saiba que, quando precisar, haverá alguém disponível para ajudar, seja na central ou no carro.
“O que a gente escuta muito na central é essa proximidade com o passageiro, entender o lado dele e buscar facilitar a rotina”, afirma.
Wanderson conta que alguns motoristas recebem reclamações em plataformas concorrentes, mas, no Vupt, são elogiados pelos mesmos passageiros. Para ele, isso mostra que a relação construída pela plataforma muda a forma como o motorista atende.
“Já ouvi passageiro dizer: no Vupt, ele atende de forma diferente”, afirma.
Para o gestor, esse é o principal legado: criar uma operação transparente, humana e capaz de fazer motoristas e passageiros enxergarem valor em uma plataforma regional.
