Criado por Reginaldo Machado Monteiro e Camila de Souza Rodrigues Monteiro, o 8aqui nasceu em Braço do Norte, no interior de Santa Catarina, a partir da experiência de Reginaldo como motorista de aplicativo. Antes de abrir a própria plataforma, ele trabalhou por cerca de dois anos na Uber, 99 e inDrive, além de atuar em aplicativos regionais da região.
A ideia surgiu quando Reginaldo percebeu que já não conseguia atender sozinho a demanda de passageiros que pediam seu número para corridas particulares. Ao mesmo tempo, via uma oportunidade de criar um serviço com atendimento mais cuidadoso, carros limpos, motoristas bem apresentados e uma experiência mais segura para passageiros.
Hoje, o 8aqui atua principalmente em Braço do Norte e em cidades próximas, como São Ludgero, Gravatal e Ituporanga, com corridas interurbanas entre os municípios. A plataforma reúne cerca de 17 motoristas, realiza em média de 5 mil a 6 mil corridas por mês e trabalha com taxa de 15% para motoristas que adesivam o carro.
A corrida mínima é de R$ 8,99 para até 1,5 km. À noite, o valor mínimo sobe para R$ 11,24, e o quilômetro rodado para o motorista fica, em média, entre R$ 2,50 e R$ 3,50, dependendo do horário e do valor da corrida.
“Eu sempre falo que prefiro qualidade do que quantidade. Enquanto a gente consegue controlar, a gente vai mantendo assim”, afirma Reginaldo.
Nome nasceu de meme e identidade leve
A escolha pelo nome veio da busca por uma marca que tivesse a cara dos fundadores e transmitisse leveza.
Segundo eles, o nome surgiu a partir da ideia de fazer as pessoas rirem e de criar momentos bons. A inspiração também veio de um meme em que a mãe usa o “oito” como “Oi, tô” para chamar a filha.
“Entre outros nomes, o 8aqui foi o que mais se encaixou com a gente”, contam.
A proposta de leveza também aparece na forma como os gestores falam sobre o trabalho. Para eles, dirigir e atender passageiros não pode se tornar um fardo. A atividade precisa ser feita com cuidado, espontaneidade e respeito.
Cidade tinha cultura forte de táxi
Um dos primeiros desafios do 8aqui foi entrar em uma cidade onde a cultura do táxi ainda era muito forte. Segundo os gestores, Braço do Norte não tinha costume de usar Uber ou aplicativos de mobilidade.
No começo, havia resistência. Motoristas de aplicativo eram vistos por algumas pessoas como clandestinos, e parte da população tinha receio de usar o serviço.
Camila explica que um dos maiores trabalhos foi mostrar que a corrida feita por dentro de uma plataforma era mais segura e mais organizada do que uma corrida combinada por WhatsApp.
“O maior desafio foi fazer as pessoas entenderem que pelo aplicativo era muito mais seguro e muito mais prático”, afirma.
Conscientizar o passageiro ainda é luta diária
Mesmo após quase dois anos de operação, a conscientização segue sendo um desafio. Muitos passageiros ainda preferem chamar pelo WhatsApp, principalmente por comodidade.
Reginaldo e Camila, porém, tentam sempre levar esses clientes para dentro do aplicativo. A justificativa é a segurança: pela plataforma, há controle da corrida, registro do trajeto e mais organização para passageiro e motorista.
“É uma luta diária. A gente tenta conscientizar a população de que a corrida precisa estar dentro da plataforma, porque é muito mais segura do que pelo WhatsApp”, diz Camila.
Segundo os gestores, a prática de corridas por fora é comum e difícil de acabar sem fiscalização. Mesmo assim, eles afirmam que o 8aqui construiu uma base de clientes fiéis, que priorizam segurança e qualidade.
Lançamento aconteceu em agosto de 2024
O 8aqui foi lançado em agosto de 2024 e completa dois anos de operação em 14 de agosto. Antes disso, o projeto passou por um período longo de preparação.
A plataforma inicial deveria ter sido lançada em janeiro, mas só ficou pronta em agosto. Segundo Camila, houve atraso e muitos bugs, o que obrigou os gestores a continuarem investindo na marca antes mesmo de o aplicativo estar rodando.
O investimento inicial ficou entre R$ 15 mil e R$ 20 mil. Depois disso, ainda vieram gastos com plotagem de carros, tráfego pago, campanhas e divulgação.
Aplicativo se pagou no primeiro mês
Apesar das dificuldades iniciais, o 8aqui começou a se pagar logo no primeiro mês. O resultado rápido foi possível porque Reginaldo já tinha uma carteira grande de clientes como motorista.
No primeiro dia, ao divulgar o link do aplicativo, cerca de 200 a 300 pessoas se cadastraram rapidamente, segundo os gestores.
“Muita gente já conhecia meu atendimento. No primeiro mês a gente já viu que valeu a pena”, afirma Reginaldo.
Os comentários dos passageiros também ajudaram a confirmar que a plataforma estava no caminho certo. Segundo Camila, muitas pessoas diziam “até que enfim” ao saber que Reginaldo havia aberto o próprio aplicativo.
Reginaldo cuida da rua; Camila cuida do administrativo
Reginaldo e Camila dividem a gestão do aplicativo. Ele fica mais voltado à rua, ao contato com motoristas e à parte operacional. Segundo Reginaldo, essa é sua principal força por ter vindo da rotina de motorista.
Camila atua mais na parte administrativa, marketing e suporte. No início, ela cuidava diretamente da plataforma, do atendimento aos motoristas e passageiros. Hoje, também faz corridas, cuida da categoria feminina e participa do treinamento de motoristas mulheres.
Quando há corridas agendadas ou viagens para fora, Camila também pode atender. A dinâmica do casal é manter sempre alguém na rua e alguém acompanhando a operação.
“Quando um está fora, o outro está aqui dentro da cidade cuidando da equipe”, explica Camila.
8aqui Delas e categoria Prime
Além da categoria comum, o aplicativo conta com a 8aqui Delas, voltada ao atendimento feito por motoristas mulheres. Camila participa diretamente dessa operação e ajuda no treinamento das condutoras.
A categoria foi criada para atender uma demanda de segurança e acolhimento, especialmente de passageiras que se sentem mais confortáveis com motoristas mulheres.
O app também tem a categoria Prime, com valor um pouco mais elevado e veículos melhores, como carros sedã.
Segundo os gestores, a ideia é oferecer opções diferentes, mas mantendo o padrão de atendimento como principal diferencial.
17 motoristas e foco em qualidade
O 8aqui tem hoje cerca de 17 motoristas ativos. Reginaldo afirma que prefere trabalhar com uma base menor e mais controlada, priorizando qualidade em vez de quantidade.
Segundo ele, colocar muitos motoristas sem controle pode prejudicar o padrão de atendimento que o aplicativo busca construir.
A plataforma realiza em média de 5 mil a 6 mil corridas por mês. Os gestores afirmam que o número pode ser maior, mas não conseguem acompanhar os dados com tanta frequência, já que estão diretamente envolvidos na operação do dia a dia.
Corrida mínima de R$ 8,99
A corrida mínima do 8aqui é de R$ 8,99 para o passageiro e cobre até 1,5 km. À noite, o valor mínimo sobe para R$ 11,24.
Segundo Reginaldo, o valor do quilômetro rodado para o motorista fica em torno de R$ 2,50 a R$ 3, dependendo da corrida. Em horários noturnos, pode chegar a R$ 3 ou R$ 3,50 por km.
A tarifa dinâmica agendada também influencia os valores, principalmente em períodos de maior demanda.
Taxa de 15% para carro adesivado
O 8aqui trabalha com taxa de 15% para motoristas que adesivam o carro com a marca do aplicativo. Para motoristas que não adesivam, a taxa é de 20%.
O modelo incentiva a divulgação da plataforma nas ruas e ajuda a fortalecer a marca em uma cidade onde o boca a boca ainda tem muito peso.
A adesivação, segundo Camila, é uma das estratégias de marketing mais eficientes do 8aqui, junto com o tráfego pago, panfletagem e indicação entre passageiros.
“Cidade pequena é assim. Quando você tem um bom atendimento, o boca a boca é mais rápido”, afirma.
Pré-pago desconta taxa automaticamente
A remuneração dos motoristas funciona por sistema pré-pago. O motorista coloca saldo na carteira, e a taxa da plataforma é descontada automaticamente conforme as corridas são realizadas.
Quando há pagamento por cartão ou Pix dentro da plataforma, o valor é acrescentado ao saldo do motorista.
Segundo os gestores, esse modelo já é bastante usado no mercado e ajuda a organizar a relação financeira entre aplicativo e condutor.
Motoristas chegam a faturar R$ 10 mil por mês
Segundo Reginaldo e Camila, motoristas do 8aqui já chegaram a faturar entre R$ 9 mil e R$ 10 mil líquidos no mês, já descontada a taxa da plataforma.
Um dos casos citados foi de um motorista que fazia corridas extras e conseguiu alcançar cerca de R$ 9 mil no mês. Reginaldo também aparece como um dos recordistas da operação.
Na média, motoristas que trabalham de segunda a sexta-feira em horário comercial podem fazer entre R$ 5 mil e R$ 7 mil. Já quem roda apenas aos finais de semana pode chegar a R$ 4 mil ou R$ 5 mil, dependendo da carga horária.
“Quem trabalha uma carga de umas 10 horas consegue tirar de R$ 5 mil a R$ 6 mil, por aí”, afirma Reginaldo.
Plataforma movimentava mais de R$ 40 mil por mês há um ano
Os gestores não acompanham com precisão o valor total movimentado atualmente pelo aplicativo, mas afirmam que, há cerca de um ano, o 8aqui já movimentava mais de R$ 40 mil por mês em corridas.
Como o número de motoristas e de corridas aumentou desde então, eles acreditam que esse valor provavelmente tenha dobrado.
A parte que fica com a empresa é reinvestida na própria operação. Reginaldo afirma que não costuma retirar esse dinheiro como lucro pessoal, deixando os valores para manter a plataforma, investir em tecnologia e fazer o app crescer.
“O valor que fica ali é para investimento. O que fica comigo é mais o valor das corridas que eu faço”, explica.
Atendimento é principal diferencial
Para Reginaldo e Camila, o grande diferencial do 8aqui não está em tentar competir diretamente com Uber, 99 ou inDrive pelo menor preço, mas em oferecer atendimento melhor.
Segundo eles, é difícil concorrer com grandes empresas em valor, porque o modelo de operação e o caixa dessas plataformas são diferentes. Por isso, o caminho dos aplicativos regionais é conquistar espaço pelo suporte próximo, pela segurança, pelo conforto e pelo relacionamento com a comunidade.
“Não tem como concorrer com o preço dessas grandes empresas. A diferença vai estar no que o cliente quer: segurança, preço ou conforto. As três coisas não têm como”, afirma Reginaldo.
Camila reforça que os regionais têm a vantagem de conhecer a cidade, conversar com os passageiros e entender os problemas reais da operação.
Gestores seguem nas ruas
Um dos pontos que os fundadores consideram mais importantes é o fato de ainda estarem nas ruas. Reginaldo e Camila seguem fazendo corridas, conversando com passageiros e ouvindo reclamações sobre motoristas, carros e atendimento.
Para eles, isso ajuda a manter a operação conectada com a realidade. Ao mesmo tempo em que acompanham números e crescimento, também ouvem diretamente quem usa o serviço.
“A gente está dentro do escritório controlando os números, mas também está na rua conversando com a população”, afirma Camila.
Segundo ela, esse contato mostra o que precisa melhorar e ajuda a construir um padrão de atendimento.
Confiança dos passageiros compensou dificuldades
Apesar dos desafios, os gestores afirmam que a confiança construída com a população compensou tudo que passaram.
Hoje, segundo Camila, há pais que entregam os filhos para motoristas do 8aqui levarem à escola, ao balé e a outras atividades. Para ela, esse tipo de confiança mostra o quanto a plataforma se tornou importante na cidade.
“Ver um pai ou uma mãe entregar um filho nas tuas mãos é muito gratificante. Isso já vale a pena tudo que a gente passou”, afirma.
A segurança também aparece nos relatos de passageiros, que dizem se sentir protegidos ao usar o aplicativo.
Expansão regional é meta
A meta do 8aqui não está centrada em um número específico de faturamento. O foco atual é expandir para mais cidades e consolidar um padrão de atendimento.
Os gestores já estão em Tubarão (SC), mas ainda não consideram a operação forte na cidade. O plano é divulgar melhor a marca no município e colocar motoristas rodando de forma dedicada por lá.
Reginaldo afirma que, daqui a cinco anos, espera não precisar mais fazer corridas no dia a dia. A ideia é que ele e Camila possam se dedicar à administração, fazendo apenas corridas longas, agendadas ou para passageiros específicos.
A plataforma também estuda implementar novos serviços no futuro, como delivery, totens de autoatendimento e outras soluções dentro do app.
Padrão de serviço antes de crescer
Mesmo com planos de expansão, Reginaldo e Camila dizem que ainda estão mais focados no processo do que em metas agressivas de crescimento.
Eles querem criar um método que permita padronizar o atendimento em diferentes cidades. A ideia é que um motorista do 8aqui em qualquer região entregue o mesmo nível de serviço, segurança e cuidado.
“Estamos construindo os tijolinhos lá de baixo, criando um alicerce para depois olhar para onde a empresa vai crescer”, afirma Camila.
Legado: servir a cidade com leveza
Ao falar sobre o legado que querem deixar, Reginaldo e Camila voltam à ideia de leveza. Para eles, o trabalho precisa ser feito com propósito, sem virar apenas uma busca por dinheiro.
O casal afirma que o 8aqui também é uma forma de servir a cidade onde vivem, oferecendo transporte seguro, apoio aos motoristas e mais qualidade de vida para as famílias.
“Nem tudo é dinheiro. Para nós também é poder servir a nossa população”, afirma Camila.
Reginaldo reforça que os motoristas também precisam ter tempo com a família e não devem viver apenas para trabalhar. A plataforma, segundo ele, deve ajudar os condutores a melhorar o padrão de vida sem perder qualidade de vida.
“O motorista está servindo também e pode dar uma qualidade de vida melhor para a família, sem ter que se matar de trabalhar”, conclui.
