Murilo Araújo Mendonça, fundador da Premium Executive Gyn, transformou anos de experiência como taxista em um modelo de mobilidade focado em atendimento personalizado e qualidade. Natural de Goiânia, ele iniciou sua trajetória no transporte em 2015 e, diante da crise do setor de táxi e das mudanças provocadas pelos aplicativos, enxergou uma oportunidade de criar um serviço diferenciado no segmento executivo. O que começou como um grupo informal de motoristas de confiança evoluiu, em 2022, para uma empresa estruturada que hoje reúne cerca de 73 motoristas e realiza mais de 8 mil atendimentos por mês.

Na entrevista, Murilo explica como o crescimento da Premium aconteceu de forma orgânica, impulsionado principalmente pela indicação de clientes e pelo foco em experiência e relacionamento. Ele destaca que o maior patrimônio da empresa são os motoristas, que passam por seleção e treinamento para manter o padrão de qualidade da operação. O empresário também detalha o modelo de negócio, a estrutura de tarifação, o faturamento da empresa e os desafios de encontrar profissionais alinhados à cultura da marca.

Além dos números, a conversa revela a visão de Murilo sobre o futuro da mobilidade urbana: um mercado cada vez mais voltado para serviços personalizados e atendimento próximo ao cliente. Mais do que construir uma empresa lucrativa, ele afirma que seu principal objetivo é gerar oportunidades e renda para outros motoristas, criando um modelo sustentável tanto para prestadores quanto para passageiros.

Para começar, você pode se apresentar, falar sua idade, onde nasceu e contar um pouco da sua trajetória? Você trabalhou como motorista antes? Tem formação em alguma área?

Murilo: Tenho 36 anos, nasci e cresci em Goiânia. Comecei como taxista em 2015 e atuei por cerca de seis anos, passando por cooperativas e também pela rodoviária. Com a chegada dos aplicativos, o mercado de táxi entrou em retração, e durante a pandemia isso se intensificou. Foi quando decidi testar a Uber. Sempre atuei como motorista e não tenho formação acadêmica completa, mas adquiri experiência prática no setor. Ao entrar nos aplicativos, percebi uma oportunidade de oferecer um serviço diferenciado.

Como surgiu a ideia de criar a Premium Executive Gyn?

Murilo:
Começou de forma orgânica. Eu tinha muitos clientes e não conseguia atender todos. Criei um grupo com 14 motoristas de confiança para compartilhar corridas. Esse grupo cresceu e, em 2022, formalizei o negócio. Busquei um sistema de gestão e comecei a estruturar a operação.

Como foi o processo para conquistar clientes que você não conhecia?

Murilo: O crescimento foi orgânico. A base inicial veio da minha atuação como motorista, mas a expansão aconteceu por indicação e qualidade do serviço. O atendimento foi o principal diferencial.

Qual foi o principal diferencial para o crescimento da empresa?

Murilo: A gestão e os próprios motoristas. O foco está na qualidade do atendimento. O maior patrimônio da empresa são os prestadores, que passam por seleção e treinamento.

Qual dor do mercado você identificou para criar o negócio?

Murilo: A falta de qualidade no atendimento e de relacionamento com o cliente. Muitos serviços focam apenas em preço. A Premium busca oferecer uma experiência personalizada.

Você possui sócios hoje?

Murilo: Sim, minha esposa é minha sócia.

Qual foi o investimento inicial?

Murilo: Cerca de R$ 30 mil, vindos da venda de um carro. Mas o principal investimento foi tempo para estruturar e treinar a equipe.

Qual foi o momento mais difícil como gestor?

Murilo: A dificuldade é constante. O maior desafio é lidar com pessoas e formar uma equipe alinhada ao padrão da empresa.

Em que momento você percebeu que o negócio estava dando certo?

Murilo: Desde o início houve crescimento contínuo. O volume de atendimentos aumentou mês a mês.

Do que você mais se orgulha na sua trajetória?

Murilo: De gerar renda e oportunidades para outras pessoas e ver a evolução dos motoristas.

Hoje vocês atuam apenas em Goiânia?

Murilo: Sim, Goiânia e região metropolitana.

Quantos motoristas e atendimentos vocês têm atualmente?

Murilo: São cerca de 73 motoristas ativos e mais de 8 mil atendimentos por mês.

Qual é o valor da corrida mínima e como funciona a tarifação?

Murilo: A corrida mínima começa em R$ 20 na categoria básica (X), R$ 25 na Confort e R$ 50 na Premium. O modelo combina valor inicial com preço por quilômetro, variando conforme a categoria.

O valor por km no X é R$ 3,30, com uma taxa fixa de R$ 10; por exemplo, em uma corrida de 10 km, o cálculo fica 10 × 3,30 = 33 e, somando a taxa fixa, o total é R$ 43. No Comfort, o valor é R$ 4,40 por km + R$ 20 de taxa fixa, e no Executivo, R$ 6,60 por km + R$ 25. Ou seja, funciona como uma espécie de “bandeirada” inicial somada ao valor por km rodado, bem parecido com o modelo de táxi. 

Como funciona a cobrança dos motoristas?

Murilo: É cobrada uma taxa de 15% sobre cada corrida.

Quanto um motorista pode faturar na plataforma? Qual a média e qual foi o recorde?

Murilo: A média varia entre R$ 10 mil e R$ 13 mil por mês. Em casos específicos, pode ser maior. Já tivemos motorista que faturou R$ 27 mil em um único mês, antes do desconto da taxa. Também há motoristas que chegam a cerca de R$ 20 mil mensais, dependendo da dedicação e do padrão de atendimento.

Vocês trabalham com chamadas como Uber ou é diferente?

Murilo: É diferente. O público é mais segmentado, com foco em clientes que buscam um serviço diferenciado e estão dispostos a pagar mais pela experiência.

Quanto a empresa movimenta e qual é o faturamento?

Murilo: O volume bruto mensal varia entre R$ 600 mil e R$ 800 mil. A empresa retém 15%, mas há custos operacionais, taxas e impostos, o que reduz a margem líquida.

O que mais te incomoda no mercado de mobilidade urbana?

Murilo: Não encaro como incômodo, mas como um mercado com diferentes propostas. A Premium atua em um segmento específico, focado em qualidade.

Qual era o seu maior medo antes de lançar o aplicativo e qual é hoje?

Murilo: No início, o risco era pequeno porque eu não tinha muito a perder. Hoje, o maior receio é não conseguir atender toda a demanda mantendo o padrão de qualidade.

Quais são suas expectativas para o futuro da mobilidade regional?

Murilo: A tendência é a valorização de serviços personalizados e com atendimento mais próximo do cliente.

O que os aplicativos precisam fazer para competir melhor nesse mercado?

Murilo: É difícil competir com grandes plataformas em preço e escala. A diferenciação está na qualidade e no atendimento.

Qual é o maior desafio hoje?

Murilo: Encontrar e capacitar motoristas que se encaixem no padrão da empresa.

Qual legado você pretende deixar?

Murilo: Gerar oportunidades, renda e construir um modelo sustentável para motoristas e clientes.

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Giulia Lang

Giulia Lang é jornalista formada pela Fundação Cásper Líbero e há três anos cobre o mercado de mobilidade urbana e delivery pelo 55content.