A 99 vem ampliando o uso de telemetria para monitorar o comportamento de motociclistas parceiros em todo o Brasil. A tecnologia, apresentada pela empresa durante o evento Caminhos 99: Juntos por Mais Segurança nesta quinta-feira (21), no Rio de Janeiro, utiliza sensores do próprio celular do condutor para analisar padrões de pilotagem em tempo real.
Como funciona o Relatório de Direção
Segundo a empresa, o sistema consegue detectar excesso de velocidade, acelerações bruscas, frenagens intensas, curvas perigosas e mudanças abruptas de faixa. A partir dessas informações, o aplicativo gera uma nota de direção e envia recomendações personalizadas aos motociclistas.
De acordo com os dados divulgados pela empresa, mais de 80% dos motociclistas parceiros alertados pela plataforma em março deste ano melhoraram a condução no mesmo mês após receberem notificações preventivas. A ferramenta também oferece uma análise detalhada dos pontos em que foram identificados comportamentos de risco, considerando as corridas realizadas nos últimos 30 dias.
Durante o evento, a gerente sênior de Segurança da 99, Maria Luiza Marcolan, explicou que o sistema foi adaptado de uma tecnologia originalmente usada para carros: “A gente fez o que chama de ‘localização do código’, que é como transformamos o sistema de quatro rodas em um de duas rodas”.
Segundo ela, a adaptação foi feita em parceria com o Instituto Mauá de Tecnologia, que ajudou a calibrar os algoritmos da plataforma. “Compramos vários celulares, várias motos e alugamos pistas de kart. Tínhamos um motociclista treinado fazendo manobras perigosas para verificar se o algoritmo realmente detectava os comportamentos”, conta.
De acordo com a executiva, a tecnologia utiliza apenas os sensores já presentes no celular, sem necessidade de instalação de equipamentos adicionais nas motocicletas: “Isso nos dá uma grande vantagem, porque o motorista não precisa instalar nada. A tecnologia já está disponível para todos os motociclistas parceiros da categoria de duas rodas”.
Dados aplicados ao produto
Além de orientar os condutores, os dados coletados também passaram a influenciar o próprio desenho do produto da empresa. De acordo com Marcolan, as informações obtidas pela telemetria já são usadas para indicar pontos críticos no mapa do aplicativo. “A gente usa dados internos para identificar locais com maior incidência de acidentes e coloca alertas visuais e sonoros dentro do produto”, informa.
A empresa também pretende ampliar o uso dessas informações no futuro, segundo Marcolan. “Um próximo passo é usar os dados do relatório de direção para mostrar pontos com mais curvas perigosas e frenagens bruscas diretamente na rota.”
O Rio de Janeiro foi a cidade piloto da iniciativa e o primeiro município em que a 99 passou a aplicar regras de restrição relacionadas à nota mínima de direção segura. Segundo a companhia, o modelo adotado na capital fluminense passou a servir de base para a expansão nacional da ferramenta.
Monitoramento e prevenção
Durante o evento, o diretor de operações do Observatório Nacional de Segurança Viária, Ronaldo Rodrigues, defendeu o uso de tecnologias de monitoramento como ferramenta preventiva: “As pessoas olham isso como vigilância, mas é para cuidar”.
A 99 afirmou ainda os dados coletados também são compartilhados com prefeituras parceiras para auxiliar no planejamento urbano e em políticas públicas de trânsito. “A gente consegue unir tecnologia, inovação e dados para criar soluções mais eficientes para as cidades”, aponta a gerente sênior de Políticas de Segurança da empresa, Rayane Lima.
“O nosso principal intuito é promover educação e mudança de comportamento”, afirmou Marcolan durante o evento. Para a 99, o sistema funciona como ferramenta de prevenção. Atualmente, motociclistas parceiros precisam manter nota mínima de 60% no Relatório de Direção. Caso contrário, podem sofrer restrições temporárias na plataforma.

