O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que o iFood foi notificado oficialmente para prestar esclarecimentos sobre o “Mais Entrega”, mecanismo que, segundo ele e entregadores de aplicativos presentes, reduz os valores recebidos pelos trabalhadores e condiciona o acesso a um maior número de pedidos à adesão ao modelo.

Em vídeo publicado nas redes sociais nesta quinta-feira (13), Boulos disse que espera uma resposta da empresa até quarta-feira, quando está prevista uma reunião com entregadores de aplicativos de todo o Brasil.

“Já passou da hora de ir para cima desse absurdo que o iFood está fazendo com os entregadores de aplicativos. O Mais Entrega, na prática, faz com que os entregadores trabalhem mais e ganhem menos”, afirmou.

Entregadores relatam redução nos valores

No vídeo, um entregador afirma que os trabalhadores estão “cansados de ser explorados” por empresas de aplicativos e critica os valores associados ao Mais Entrega: “A taxa mínima é R$ 7,50 para os motoboys, R$ 7 para os bikeboys. E, agora, eles inventaram esse mecanismo aí pra pagar a gente a R$ 3, R$ 3,50”.

Boulos argumenta que o funcionamento do modelo colocaria os entregadores diante apenas de duas alternativas.

“Se o entregador adere ao Mais Entrega, ele vai receber um monte de pedido, mas ganhando metade ou menos da metade do que ele ganhava nos pedidos normais. Se ele não adere, continua ganhando R$ 7,50, mas vai receber meia dúzia de pedidos e, portanto, vai ganhar menos no dia”, estimou.

Para o ministro, a situação representa uma pressão exercida pelo próprio sistema de distribuição das entregas. “Ou seja, é uma imposição do algoritmo pra trabalhar mais ganhando menos.”

Governo cobra esclarecimentos do iFood

Na publicação, Boulos informa que a notificação ao iFood ocorreu após uma demanda dos próprios entregadores. Segundo ele, o governo cobra explicações da empresa sobre o funcionamento do Mais Entrega e pede o fim da prática questionada.

“É uma prática que só prejudica e explora o trabalhador”, declarou o ministro.

Ao mostrar a notificação, Boulos ainda informou que aguarda um posicionamento da plataforma e indicou quarta-feira (19) como prazo esperado para a resposta: “É quando vai ter a reunião com os entregadores de aplicativos do Brasil inteiro”. De acordo com o ministro, o encontro será a primeira reunião de um comitê formado para tratar do tema.

“A gente está cansado de ser explorado por essas grandes empresas”, reforçou um trabalhador presente.

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