A GigU divulgou um levantamento em que aponta que 67,5% dos profissionais entrevistados indicam que a redução de cobranças dos aplicativos seria a principal medida para aumentar os ganhos. Para elucidar a pesquisa, a empresa cita o caso recente no qual o Ministério Público do Trabalho (MPT) tratou do Passe para Motoristas da Uber.
Na ocasião, o Ministério Público do Trabalho na Bahia (MPT-BA) entrou com ação civil pública para suspender o Passe, modalidade em que motoristas pagam antecipadamente para realizar corridas sem a cobrança da taxa de serviço durante determinado período ou até um limite de ganhos.
“O profissional não está olhando apenas para o número de corridas que consegue fazer. Ele está fazendo uma conta mais completa, que envolve a margem de lucro, o valor que recebe e a previsibilidade dessa renda”, afirma o CEO e cofundador da GigU, Luiz Gustavo Neves.
O processo do caso da Uber, de número 0000773-47.2026.5.05.0009, será julgado pela 9ª Vara do Trabalho de Salvador (BA).
Como funciona o Passe para Motoristas
De acordo com o MPT-BA, os termos publicados pela Uber estabelecem duas modalidades: na opção por tempo, o motorista contrata o serviço por 24 ou 72 horas e, na modalidade por ganhos, o profissional paga um valor para trabalhar sem a cobrança da taxa de serviço até atingir determinado limite de faturamento. Os termos também preveem a possibilidade de “ativação automática” depois da conclusão da primeira viagem elegível.
Um dos pontos questionados pelo Ministério Público está relacionado ao risco assumido pelo motorista após o pagamento. Segundo o órgão, a compra do Passe não assegura qualquer volume mínimo de corridas, que continuam sendo distribuídas pelo algoritmo da plataforma e também podem ser direcionadas a profissionais que não aderiram à modalidade.
Para o MPT, o programa inverte a lógica do risco do negócio ao fazer com que o motorista pague para ter acesso às corridas sem a garantia de recuperar o valor desembolsado.
Pesquisa aponta taxas como principal preocupação para aumentar ganhos
O levantamento realizado pela GigU, em parceria com a Jangada Consultoria de Comunicação, conclui que 67,5% dos profissionais entrevistados apontaram a redução das taxas cobradas pelas plataformas como a principal medida para aumentar seus ganhos.
De acordo com os dados divulgados, aumentar o número de corridas ou entregas foi a principal alternativa mencionada por apenas 7,7% dos entrevistados. Outros 9,5% disseram que gostariam de saber melhor quanto poderiam ganhar antes de aceitar uma chamada, enquanto 9,9% citaram benefícios e programas de incentivo. Outros modelos de remuneração foram mencionados por 5,4%.
“Modelos que consigam melhorar essa equação tendem a ser mais relevantes para a categoria do que simplesmente aumentar o volume de chamadas”, opina Neves.
A GigU ressalta que a pesquisa não trata especificamente do Passe para Motoristas nem estabelece relação entre as respostas dos participantes e a ação movida pelo MPT contra a Uber, embora a cite para ilustrar o cenário.
