O Move Brasil, financiamento de veículos para profissionais que dependem de automóveis e motocicletas para gerar renda, foi um dos temas do 6º Panorama de Veículos, promovido pela Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), em São Paulo, no qual executivos do setor financeiro discutiram experiências de concessão de crédito a motoristas de aplicativo, taxistas e consumidores que utilizam motocicletas como instrumento de trabalho.
O debate reuniu experiências de instituições que buscam ampliar o conhecimento sobre esses públicos e aprimorar a análise de risco. Entre elas estão iniciativas voltadas à compreensão do perfil de motoristas de aplicativo e taxistas e modelos que utilizam o histórico de pagamentos como instrumento para avaliar a capacidade de crédito de consumidores.
“Quando o veículo também é um instrumento de trabalho, o crédito ganha uma dimensão adicional porque pode viabilizar a própria geração de renda”, afirma a diretora-executiva da Acrefi, Cintia Falcão.
Move Brasil amplia análise sobre motoristas e taxistas
Segundo o representante do Santander Financiamentos no Panorama, Thiago Meister, que ingressou recentemente no Move Brasil, a iniciativa abre espaço para que o mercado avance na análise e na precificação desse segmento, além de permitir o acompanhamento de sua performance de pagamento em um ambiente controlado.
“Acho que trouxe uma oportunidade para o mercado de a gente entender melhor esse público, de como a gente consegue precificar, analisar, ver qual é a performance de pagamento deles, sob um ambiente controlado.”
De acordo com a Acrefi, a experiência apresentada durante o evento coloca o conhecimento sobre o perfil dos profissionais no centro da discussão sobre a expansão do financiamento. A proposta é reunir mais elementos para avaliar o risco e estruturar operações destinadas a consumidores que utilizam o veículo também como ferramenta de geração de renda.
Experiência com taxistas aponta bom desempenho de crédito
No caso dos taxistas, a experiência do Banco Toyota indica que o uso profissional do automóvel não representa, necessariamente, maior risco para as instituições financeiras.
Pedro Dabur, representante do Banco Toyota na ocasião, afirmou que a categoria está em uma posição típica entre as atendidas pela instituição. “O público de táxi para a Toyota é um público não só cativo, mas, sob o ponto de vista de risco de crédito, excelente. É um dos melhores públicos quando a gente fala de nicho específico”.
Segundo Dabur, os taxistas também registram incidência de fraude menor do que a verificada no varejo tradicional.
Modelo da Yamaha utiliza pagamentos para avaliar capacidade de crédito
Outra experiência apresentada no 6º Panorama de Veículos foi a do Banco Yamaha, que desenvolveu, em 2017, o LiberaCred. De acordo com Nelson Aguiar, que estava representando o banco no evento, a iniciativa surgiu em um contexto de mudanças na mobilidade e de crescimento da chamada economia de plataforma, com o aumento do número de pessoas que utilizam motocicletas como fonte de renda.
No modelo, o consumidor que está entrando no mercado de crédito passa inicialmente por um período de pagamentos mensais. Esse histórico é utilizado pelo banco para avaliar sua capacidade creditícia antes da oferta de financiamento a taxa de mercado.
“A gente oferece para o consumidor que está entrando no mercado de crédito passar um período fazendo pagamentos mensais para entendermos qual é a capacidade creditícia dessa pessoa”, afirmou Aguiar.
Segundo o executivo, o desempenho dos consumidores que passam pelo LiberaCred é equivalente ao observado no restante da carteira da instituição.
Crédito também pode viabilizar geração de renda
Para a Acrefi, as experiências discutidas durante o evento reforçam um debate mais amplo sobre as possibilidades de acesso ao financiamento para consumidores que dependem de veículos para exercer suas atividades profissionais.
Nesse contexto, a análise de crédito passa a considerar uma situação em que o bem financiado também pode participar diretamente da geração de renda do consumidor.
“O desafio é conhecer cada vez melhor esse público e construir operações sustentáveis tanto para o consumidor quanto para as instituições financeiras”, aponta Falcão.
