A história do Vai de Go começou em uma viagem de aplicativo. Natural de Guaraí, no Tocantins, Clebiomar Lima tinha negociado uma loja de ferramentas e planejava abrir uma casa de ração. No caminho para buscar um carro em uma cidade vizinha, conversou com o motorista que fazia a corrida, ouviu dele a sugestão de criar uma plataforma de mobilidade urbana e mudou de ideia ainda na estrada.
A conversa foi o ponto de virada. Em vez de seguir com o plano da loja de produtos pet, Clebiomar voltou para a cidade e começou a estruturar o projeto que daria origem ao Vai de Go.
“No meio do caminho, eu pedi para ele retornar para a cidade. Falei que ia desistir de montar a loja de ração e iria montar a plataforma”, lembra.
Aplicativo nasceu para atender cidades menores
A principal dor identificada por Clebiomar estava nas pequenas e médias cidades, onde a população dependia basicamente de táxi e mototáxi. Mesmo morando em Goiás na época, ele olhava para Guaraí e via espaço para um serviço por aplicativo.
A ideia era facilitar o deslocamento de pessoas em regiões que ainda não tinham uma solução digital estruturada para transporte urbano.
“Eu vi a necessidade em Guaraí. Através do aplicativo, a gente conseguiria facilitar a vida de muitas pessoas”, afirma.
Primeira tentativa foi em Goiatuba
O Vai de Go foi criado em janeiro de 2023, inicialmente em Goiatuba, em Goiás. A plataforma ficou pronta em cerca de 30 dias, mas a adesão local foi difícil. Segundo Clebiomar, a cidade tinha outro aplicativo, ainda fraco, e os passageiros não tinham o hábito de usar esse tipo de serviço.
Durante três meses, a operação tentou crescer em Goiatuba e chegou a cerca de 100 clientes cadastrados, com ações em faculdade e panfletagem. Como o investimento inicial estava acabando, Clebiomar decidiu levar a operação para Guaraí, no Tocantins.
“Eu falei: vamos tentar lá no Tocantins. Lá vai dar certo”, conta.
Investimento inicial foi de R$ 20 mil
O investimento inicial no Vai de Go foi de cerca de R$ 20 mil. O primeiro ano foi difícil, especialmente pela tentativa inicial em Goiatuba e pela necessidade de reinvestir em divulgação e operação.
O retorno começou a aparecer depois de aproximadamente seis meses em Guaraí, quando a plataforma passou a gerar recursos para reinvestimento.
Marketing digital foi principal canal de divulgação
Para captar os primeiros motoristas e passageiros, o Vai de Go apostou em marketing digital, panfletagem e participação em mídias locais, como podcast da cidade. Segundo Clebiomar, a mídia digital foi o ponto mais forte na fase inicial.
A divulgação ajudou a apresentar o aplicativo a um público que ainda não tinha costume de usar plataforma de mobilidade.
Sede fica em Guaraí
A sede do Vai de Go é em Guaraí. Hoje, o aplicativo atende cerca de 17 cidades, incluindo municípios no Tocantins, Maranhão, Pará e uma cidade em Minas Gerais.
A expansão começou depois que a operação conseguiu se consolidar no Tocantins, onde Clebiomar enxergava a necessidade mais clara do serviço.
Principal desafio é mudar o hábito do passageiro
Desde o início, a maior dificuldade tem sido convencer passageiros de cidades pequenas a chamarem pelo aplicativo, em vez de ligar diretamente para motoristas conhecidos ou pedir pelo WhatsApp.
Segundo Clebiomar, o app oferece segurança, economia e agilidade, mas parte dos usuários ainda demora a perceber esses benefícios.
“Em cidade pequena, as pessoas se conhecem bastante. A dificuldade é mostrar que elas têm vantagem em usar o aplicativo em vez de chamar por ligação ou WhatsApp”, afirma.
Corridas por fora fazem parte do cotidiano
As corridas feitas por fora do aplicativo ainda são um problema recorrente. Clebiomar afirma que essa prática faz parte do cotidiano, mas diz que a plataforma criou mecanismos para incentivar os motoristas a fidelizarem clientes dentro do sistema.
“A nossa estratégia é mostrar ao motorista que manter o passageiro no aplicativo fortalece a operação e amplia a demanda para todos”, explica.
Marco dos 10 mil passageiros mostrou que o app tinha futuro
Clebiomar percebeu que o Vai de Go estava dando certo quando a plataforma atingiu 10 mil passageiros cadastrados.
“Quando a gente bateu a casa de 10 mil clientes, eu pensei: agora não tem volta mais”, afirma.
Clebiomar deixou de dirigir em janeiro
No começo, Clebiomar também trabalhava como motorista do próprio aplicativo. Ele parou de dirigir em janeiro deste ano e passou a se dedicar integralmente à gestão.
Hoje, segundo ele, a rotina é voltada 100% à operação, dia e noite.
“É gestão do aplicativo 24 horas por dia, sete dias por semana”, diz.
Liderar pessoas foi o maior aprendizado
A principal mudança pessoal após empreender foi aprender a liderar. Clebiomar diz que não tinha experiência em gerir tantas pessoas, mesmo que os motoristas sejam autônomos.
Segundo ele, a função exige liderança, escuta e capacidade de lidar com diferentes perfis de motoristas.
Vai de Go tem 35 mil passageiros cadastrados
O Vai de Go já passou de 35 mil passageiros cadastrados e tem 148 motoristas ativos. A plataforma realiza, em média, entre 18 mil e 22 mil corridas por mês, com referência de cerca de 20 mil viagens mensais.
O volume acompanha a expansão da empresa para novas cidades e o amadurecimento da base de usuários.
Taxa varia de 10% a 17%
A taxa cobrada dos motoristas varia conforme a classificação do condutor dentro da plataforma. O motorista bronze paga 17%; o prata, 15%; o ouro, 13%; e o diamante, 10%.
O modelo busca premiar motoristas com melhor desempenho ou classificação mais alta dentro da plataforma.
Pagamento é pós-pago
O Vai de Go trabalha no modelo pós-pago. O motorista recebe 100% do valor das corridas diretamente do passageiro, seja em dinheiro, Pix ou cartão próprio, e depois acerta semanalmente com a plataforma o percentual correspondente à taxa.
Corrida mínima é de R$ 9,99
A corrida mínima no Vai de Go é de R$ 9,99 e cobre 1 km. A partir disso, o valor considera fatores como tempo e distância.
Segundo Clebiomar, as corridas dão, em média, R$ 3,50 por quilômetro, podendo passar de R$ 5 por quilômetro em alguns casos.
Motorista já faturou R$ 14 mil
O maior faturamento mensal registrado por um motorista no Vai de Go foi de R$ 14 mil. A média, segundo Clebiomar, fica entre R$ 8 mil e R$ 12 mil para condutores mais dedicados à plataforma.
App movimentou R$ 2,238 milhões em um ano
No último levantamento anual citado por Clebiomar, o Vai de Go movimentou R$ 2,238 milhões em corridas. O gestor afirma que, neste ano, houve crescimento, mas ainda não havia conseguido consolidar o novo número no momento da entrevista.
Considerando as taxas da plataforma, o faturamento anual do aplicativo ficou na casa dos R$ 200 mil, segundo estimativa feita durante a entrevista.
Concorrência desleal é o que mais incomoda
Para Clebiomar, o principal incômodo no mercado é a concorrência desleal. Ele cita uma experiência em Minas Gerais, onde há várias plataformas na mesma cidade e motoristas trabalham em quase todas.
“Na região onde o Vai de Go atua com mais força, eu não permito que motoristas rodem simultaneamente em plataformas concorrentes”, afirma.
Ele também critica campanhas com preços muito baixos, que atraem clientes, mas não refletem a realidade operacional.
“Teve plataforma divulgando corrida a partir de R$ 1,99. A gente sabe que isso não é realidade. A Vai de Go trabalha com transparência”, afirma.
Tecnologia das multinacionais está na frente
Na avaliação de Clebiomar, os aplicativos regionais ainda estão atrás de Uber e 99 em termos tecnológicos.
“As grandes plataformas estão sempre um passo à frente, o que dificulta a comparação direta”, opina.
Mercado tende a selecionar quem tem estrutura
Clebiomar acredita que aplicativos menores, que atuam apenas em uma cidade e não conseguem expandir, tendem a ter mais dificuldade para se sustentar. Segundo ele, o mercado está saturado e muitas franquias são abertas com facilidade, sem estrutura completa de plataforma.
Na visão dele, há motoristas que passam a operar quase por conta própria usando franquias muito simples, o que fragiliza o setor.
“Hoje qualquer motorista pode ter acesso a uma franquia, ganhar uma legalidade e dizer que é motorista de aplicativo. Mas isso não é uma plataforma completa”, afirma.
Parcerias locais e expansão fortalecem regionais
Para que aplicativos regionais cresçam, Clebiomar defende parcerias locais e expansão para cidades vizinhas e maiores. Ele afirma que, no início, dá medo de enfrentar empresas grandes, mas acredita que há mercado para todos quando o trabalho é consistente.
“Tem mercado para todo mundo se a gente fizer um trabalho bem bacana, consistente. É ter coragem”, diz.
Meta é chegar a 1,5 mil corridas por dia
Para o próximo ano, a meta do Vai de Go é alcançar entre 1 mil e 1,5 mil corridas por dia. Em cinco a dez anos, Clebiomar afirma que enxerga a marca em nível nacional.
A expansão para cidades maiores já está no radar da empresa.
Legado é gerar oportunidades
Ao falar sobre legado, Clebiomar destaca o papel do Vai de Go na criação de renda, emprego e novas possibilidades de deslocamento nas cidades onde atua. Segundo ele, a marca foi pioneira em sua região e mudou a forma como parte da população se locomove.
“A gente teve motorista que estava com depressão, com carro em busca e apreensão. Hoje esses motoristas pagaram dívidas, trocaram de carro e pegaram carros mais novos”, afirma.
Mais do que reconhecimento público, o gestor afirma que o principal legado é ajudar pessoas.
“O maior legado é ajudar pessoas e a satisfação está em ver motoristas reconstruindo a própria história por meio da plataforma. Isso é maior até do que reconhecimento”, conclui.
