O RapidexMobi surgiu de uma dificuldade enfrentada pelo próprio Eduardo Paetzold para conseguir trabalhar como motorista de aplicativo em Santa Helena, município de aproximadamente 26 mil habitantes, no Paraná.

Aos 32 anos, o empresário conta que decidiu entrar no setor após tentar se cadastrar em uma plataforma que já atuava na cidade. Na época, havia pouca oportunidade para novos condutores, porque o número de motoristas cadastrados já era elevado em relação à demanda.

O problema ficou evidente quando Eduardo precisou utilizar com maior frequência um veículo que havia passado por manutenção mecânica.

Sem conseguir ingressar na plataforma existente, começou a considerar a possibilidade de criar seu próprio aplicativo.

“Eu vi a dificuldade que muitas pessoas tinham de conseguir uma renda extra ou trabalhar. Então, criei meu próprio aplicativo”, afirma.

A proposta era desenvolver uma empresa independente, com identidade própria e oportunidades para motoristas que ainda não tinham conseguido espaço no mercado local.

Aplicativo começou praticamente sem corridas

O RapidexMobi começou a ser estruturado em janeiro de 2025 e foi lançado em fevereiro daquele ano.

Eduardo e a esposa decidiram investir em uma plataforma própria, sem aderir ao modelo de franquias.

Os primeiros meses foram marcados pela dificuldade de conquistar passageiros e motoristas.

O gestor lembra que, mesmo depois do lançamento, as solicitações demoraram a aparecer.

“Nos primeiros 20 dias, chegamos a fazer duas ou três corridas. Eu deitava na cama pensando se realmente tinha valido a pena o investimento”, relembra.

A empresa precisou construir sua reputação enquanto concorria com uma plataforma que já era conhecida pelos moradores.

“Durante os três primeiros meses, o aplicativo contou com apenas três ou quatro motoristas. A situação começou a mudar conforme a marca ganhou visibilidade e os primeiros passageiros passaram a recomendar o serviço”, conta. 

Divulgação contou com rádio, sorteios e parcerias

Para conquistar espaço em Santa Helena, o RapidexMobi investiu em campanhas publicitárias e parcerias com veículos de comunicação locais.

A estratégia incluiu anúncios em rádios, portais de notícias, redes sociais e sorteios para incentivar o uso do aplicativo.

Segundo Eduardo, as promoções continuam sendo uma das principais ferramentas para atrair passageiros.

“A dificuldade inicial não era apenas apresentar um serviço novo, mas convencer a população a experimentar uma alternativa à plataforma que já funcionava na cidade”, afirma. 

A empresa acompanhou os resultados mês a mês.

O primeiro mês terminou com 64 corridas. Depois, o volume passou para pouco mais de 100, avançou para 200, 300 e 600 viagens, até alcançar milhares de solicitações mensais.

Eduardo vendeu caminhonete para financiar empresa

O investimento no RapidexMobi exigiu um comprometimento financeiro significativo.

Segundo Eduardo, os gastos iniciais ultrapassaram R$ 30 mil, considerando desenvolvimento do software, registro da marca e criação da identidade visual.

Entretanto, as despesas acumuladas com publicidade, uniformes, estruturação e operação chegaram perto de R$ 100 mil nos primeiros nove a dez meses.

“Tive a necessidade de vender uma caminhonete para isso”, conta.

Apesar do investimento, a empresa não conseguiu recuperar todos os custos no primeiro ano.

Eduardo afirma que os resultados começaram a ganhar força entre outubro e novembro de 2025, período em que o movimento de festas e eventos aumentou a demanda.

A partir daquele momento, passou a enxergar uma possibilidade concreta de crescimento.

Gestor trabalhou como servente de pedreiro e atendente

Antes de se tornar empresário do setor de mobilidade, Eduardo trabalhou em diferentes atividades.

Segundo ele, sua trajetória inclui experiências como servente de pedreiro, atendente de lanchonete e trabalhador com carteira assinada.

Depois da pandemia, decidiu investir em negócios próprios, mas enfrentou dificuldades em outras tentativas de empreendimento.

“Eu trabalhava de dia como servente de pedreiro e à noite numa lanchonete. Tentei três, quatro tipos de negócios diferentes, mas esse foi o primeiro que foi para frente de verdade”, afirma.

Hoje, Eduardo administra a empresa ao lado da esposa e também continua realizando corridas pelo aplicativo.

Para ele, um dos principais resultados da trajetória é o reconhecimento conquistado na própria cidade.

O empresário conta que passou a ser procurado por estabelecimentos comerciais e moradores interessados em estabelecer parcerias com a plataforma.

RapidexMobi tem 6.840 passageiros cadastrados

Atualmente, o aplicativo possui 6.840 passageiros cadastrados em Santa Helena.

A base de motoristas ativos é formada por 18 profissionais.

Eduardo afirma que existe uma fila de interessados em trabalhar pela plataforma, mas nem todos atendem aos requisitos exigidos para o cadastro.

A intenção é aumentar gradualmente a equipe para aproximadamente 25 a 30 motoristas.

“ A expansão precisa acompanhar o crescimento da demanda para que os profissionais consigam manter uma quantidade satisfatória de corridas”, explica. 

Aplicativo chegou a 6,2 mil corridas mensais

O volume de viagens do RapidexMobi varia conforme o período do ano.

Segundo Eduardo, a operação já registrou um pico de aproximadamente 6.200 corridas em um mês.

Nos períodos de menor movimento, o número pode cair para cerca de 3.400 a 3.500 viagens.

A variação está relacionada à atividade econômica da cidade, à realização de festas e ao número de viagens para outros municípios.

Santa Helena também possui demanda por deslocamentos intermunicipais, principalmente porque a oferta de transporte coletivo é limitada.

“Temos muitas viagens de 100 quilômetros. Uma viagem dessa hoje pode custar R$ 350”, explica Eduardo.

Esses deslocamentos contribuem para o faturamento dos motoristas, embora reduzam a quantidade de corridas que um profissional consegue realizar no mesmo dia.

Mensalidade para motoristas é de R$ 300

Um dos principais diferenciais do RapidexMobi é o modelo de cobrança adotado pela plataforma.

Inicialmente, a empresa tentou trabalhar com uma taxa fixa de R$ 1 por corrida.

Entretanto, Eduardo afirma que o modelo não apresentou os resultados esperados, principalmente porque parte dos profissionais passou a realizar viagens sem registrá-las no aplicativo.

A solução encontrada foi substituir a cobrança por corrida por uma mensalidade fixa.

Atualmente, os motoristas pagam R$ 300 por mês para utilizar a plataforma.

O gestor explica que o valor foi definido a partir da referência de aproximadamente R$ 10 por dia.

Segundo ele, a mensalidade permite que o profissional trabalhe sem sofrer descontos percentuais a cada viagem.

“Tem motorista que paga R$ 300 mensais e chega a faturar R$ 16 mil, R$ 17 mil no mês”, afirma.

O modelo também busca incentivar o registro de todas as corridas, já que a cobrança não aumenta conforme o faturamento do condutor.

Corrida mínima começa em R$ 9

O RapidexMobi trabalha com corrida mínima de R$ 9 durante o período diurno, de segunda a sexta-feira.

O valor cobre trajetos de até aproximadamente 3 quilômetros.

Após essa distância, a tarifa passa a considerar o quilômetro rodado e o tempo de viagem.

“A cobrança básica é de R$ 2 por quilômetro, além de aproximadamente R$ 0,35 por minuto”, disse. 

As tarifas são ajustadas conforme os dias e horários de maior movimento.

O gestor afirma que os valores foram estruturados para considerar tanto a distância percorrida quanto o tempo gasto pelo motorista.

Corridas noturnas podem ter mínima de R$ 20

Durante a noite e a madrugada, o RapidexMobi trabalha com tarifas diferenciadas.

De segunda a sexta-feira, a partir das 20h, o aplicativo aplica um adicional dinâmico de 20%.

Nos finais de semana, a corrida mínima começa em R$ 12.

Durante a madrugada, os valores aumentam conforme o horário.

Segundo Eduardo, a tarifa mínima pode chegar a R$ 15 depois da meia-noite e a R$ 20 entre 3h e 5h30.

O objetivo é remunerar melhor os profissionais que trabalham em períodos com menor disponibilidade de veículos.

Motorista já faturou quase R$ 17 mil em um mês

O faturamento dos motoristas varia conforme a jornada de trabalho e os horários escolhidos.

“ Profissionais que trabalham principalmente de segunda a sexta-feira, em horários próximos aos do comércio, costumam alcançar faturamentos brutos entre R$ 5 mil e R$ 7 mil por mês. Já os motoristas que realizam jornadas mais extensas, incluindo noites e finais de semana, podem ultrapassar R$ 10 mil.”, afirma. 

O maior faturamento relatado pelo gestor ficou próximo de R$ 17 mil em um único mês.

Segundo ele, há profissionais que preferem descansar durante o dia e concentrar o trabalho nos horários de maior procura.

“Tudo vai depender do nível de viagens que ele faça”, ressalta.

Os valores representam faturamento bruto, antes de despesas como combustível, manutenção e depreciação do veículo.

Faturamento das corridas supera R$ 90 mil em mês consultado

Durante a entrevista, Eduardo consultou um relatório financeiro referente ao mês de janeiro de um período anterior.

O valor bruto informado foi de aproximadamente R$ 90,7 mil em corridas realizadas pela plataforma.

Naquele período, o RapidexMobi possuía dez motoristas.

Como a cobrança funciona por mensalidade, a receita correspondente aos condutores seria de aproximadamente R$ 3 mil.

O gestor ressalta que a empresa também possui outras fontes de receita.

Entre elas estão a publicidade dentro do aplicativo e parcerias com estabelecimentos comerciais.

Empresa prepara entrada no delivery

Além do transporte de passageiros, o RapidexMobi pretende ampliar as atividades para o setor de entregas.

Eduardo afirma que o aplicativo já realiza alguns serviços para estabelecimentos da cidade, mas planeja estruturar uma operação específica de delivery.

A proposta comercial apresentada pelo gestor prevê uma taxa de 8% sobre as vendas realizadas pelos estabelecimentos participantes.

Segundo ele, a nova modalidade poderá complementar a receita da empresa e ampliar as opções disponíveis aos clientes.

O projeto ainda estava em fase de implantação na data da entrevista.

Concorrência e denúncias são desafios para a gestão

Apesar do crescimento da operação, Eduardo afirma que a concorrência local é uma das maiores dificuldades enfrentadas pelo aplicativo.

Segundo ele, a administração precisa lidar frequentemente com reclamações e denúncias envolvendo motoristas.

O gestor relata situações em que profissionais são fotografados ou denunciados simplesmente por estarem estacionados em determinados locais, mesmo sem realizar corridas.

Em uma ocasião, afirma ter precisado responder quase 17 denúncias em uma única semana.

“Às vezes, o motorista está parado na praça, sem fazer corrida nenhuma, e já é suficiente para alguém tirar uma foto e abrir uma denúncia”, relata.

Para Eduardo, essas situações acabam consumindo um tempo que poderia ser dedicado ao crescimento do negócio.

Gestor defende equilíbrio na fiscalização

Outro desafio enfrentado pelo RapidexMobi está relacionado às exigências para o transporte por aplicativo em Santa Helena.

Segundo Eduardo, quando a empresa começou, existiam profissionais que utilizavam veículos antigos e ainda não atendiam a todas as exigências documentais.

Com a regulamentação municipal, a operação passou a adotar critérios mais rigorosos para os cadastros.

“Atualmente os motoristas precisam apresentar a documentação exigida, realizar cursos e utilizar veículos que atendam às regras locais”, explica. 

A empresa também acompanha o cumprimento dessas obrigações.

Eduardo afirma que a formalização trouxe um padrão mais organizado para a operação, embora tenha aumentado as dificuldades para admitir novos motoristas.

Proximidade com os passageiros é diferencial

Para o gestor, uma das principais vantagens do RapidexMobi é ser uma empresa criada e administrada na própria cidade.

Segundo ele, essa proximidade permite acompanhar as necessidades dos passageiros e resolver problemas de forma mais direta.

“O principal diferencial é que a gente é local. Quando ocorre alguma reclamação, a empresa pode entrar em contato com o motorista e buscar uma solução para o passageiro”, afirma.

A operação também participa de eventos e campanhas promovidos na cidade.

O gestor considera essa presença importante para construir a confiança da população.

“A gente não pega o valor que o aplicativo traz e leva para fora da cidade. Converte a maior parte desse valor para dentro da cidade”, destaca.

Atendimento pelo WhatsApp utiliza inteligência artificial

O RapidexMobi conta com uma central de atendimento pelo WhatsApp.

Segundo Eduardo, o sistema funciona 24 horas e utiliza inteligência artificial para interpretar as solicitações dos passageiros.

“O usuário pode enviar uma mensagem de texto ou áudio informando que precisa de um carro. A ferramenta identifica o pedido, solicita a localização e encaminha a corrida para um motorista disponível”, detalha o gestor. 

O objetivo é facilitar o atendimento, especialmente para pessoas que têm dificuldade de utilizar diretamente o aplicativo.

Eduardo considera que a tecnologia atende às necessidades da operação, embora ainda existam pontos que poderiam melhorar, principalmente relacionados aos mapas.

Gestor aposta no crescimento das cidades pequenas

Eduardo acredita que os aplicativos regionais possuem espaço para crescer em municípios menores.

Segundo ele, empresas como Uber e 99 têm maior presença em cidades de porte elevado, enquanto operações locais conseguem atender regiões com populações menores.

O gestor considera que a autonomia dos motoristas e a proximidade com a comunidade são vantagens importantes nesse mercado.

Entretanto, ressalta que a continuidade das empresas depende de investimento e participação nas atividades locais.

“Às vezes, muitos gestores só querem saber de faturar. Não querem saber de reinvestir o faturamento. A presença em eventos, campanhas e iniciativas comunitárias contribui para fortalecer a marca e conquistar passageiros”, afirma.

RapidexMobi estuda expansão para outras cidades

Atualmente, a operação permanece concentrada em Santa Helena.

Eduardo afirma que existem projetos para levar o aplicativo a outros municípios, mas a empresa ainda procura gestores que possam assumir as operações locais.

Segundo ele, a expansão precisa ser planejada para manter o padrão de atendimento conquistado na cidade de origem.

“A prioridade, por enquanto, é consolidar a marca e ampliar a base de motoristas e passageiros em Santa Helena”, revela. 

Legado é gerar renda para famílias da cidade

Ao falar sobre o legado que pretende deixar, Eduardo destaca as oportunidades criadas para trabalhadores que antes tinham dificuldade de ingressar no setor.

Segundo ele, alguns profissionais conseguiram transformar o transporte por aplicativo em sua principal fonte de renda.

“Tem motoristas que já trocaram de carro através da plataforma, que conseguiram construir a própria vida. O que era renda extra passou a ser renda principal”, afirma.

Para Eduardo, o crescimento do RapidexMobi representa também uma conquista pessoal.

Depois de trabalhar em diferentes atividades e enfrentar tentativas frustradas de empreender, ele conseguiu estabelecer uma empresa reconhecida em sua cidade.

“Hoje, com 32 anos, sou empresário e movimento mais de 20 famílias. O mercado está aberto para todos, só depende do esforço da pessoa”, conclui.

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Giulia Lang

Giulia Lang é jornalista formada pela Fundação Cásper Líbero e há três anos cobre o mercado de mobilidade urbana e delivery pelo 55content.