A 99 atingiu a marca de 100 mil carros elétricos cadastrados em sua plataforma, ante 80 veículos em 2022. O número representa dez vezes a meta inicial da empresa, que previa alcançar 10 mil automóveis elétricos em três anos. Os dados foram apresentados durante o 99 Tech Summit, realizado nos dias 14 e 15 de outubro, no Rio de Janeiro.
O resultado ocorre quatro anos após a criação da Aliança pela Mobilidade Sustentável, iniciativa liderada pela 99 que reúne mais de 30 empresas de diferentes setores para estimular a eletrificação do transporte no Brasil. Entre as participantes estão a montadora BYD, a locadora Movida, o banco Santander e a empresa de energia Vibra.
A iniciativa busca facilitar o acesso dos motoristas a veículos elétricos, ampliar as opções de financiamento e desenvolver a infraestrutura de recarga no país.
De acordo com Thiago Hipolito, diretor de Inovação da 99 e fundador da Aliança pela Mobilidade Sustentável, a iniciativa mobilizou R$ 650 milhões em investimentos desde sua criação, em 2022.
Nesse período, os veículos elétricos cadastrados na plataforma da 99 realizaram mais de 100 milhões de viagens. Segundo estimativas da empresa, a operação evitou a emissão de 108 mil toneladas de dióxido de carbono (CO?).
Parceria com a BYD impulsionou primeiros testes
A parceria entre a 99 e a montadora chinesa BYD começou com a introdução do BYD D1, veículo elétrico desenvolvido em conjunto com a DiDi, controladora da 99, para o transporte de passageiros por aplicativo.
Segundo Hipolito, a primeira iniciativa da Aliança pela Mobilidade Sustentável envolveu a disponibilização de 300 unidades do modelo no Brasil, em parceria com uma locadora de veículos.
Durante os dez primeiros meses do projeto, os carros transportaram quase 6 milhões de passageiros. De acordo com o executivo, muitos deles tiveram seu primeiro contato com um veículo elétrico por meio da plataforma.
Hipolito afirmou que a experiência também contribuiu para apresentar a tecnologia aos consumidores, que passaram a procurar concessionárias da BYD para conhecer os modelos disponíveis.
Segundo o executivo, motoristas participantes do projeto relataram benefícios relacionados ao conforto e aos custos de operação. Entre os exemplos mencionados estão a possibilidade de utilizar o ar-condicionado sem consumir combustível e o aumento das gorjetas recebidas durante as viagens realizadas com veículos elétricos.
Carros elétricos podem reduzir custos operacionais em até 80%
Além dos benefícios ambientais, a eletrificação pode representar uma redução nas despesas dos motoristas de aplicativo. Segundo Thiago Hipolito, a substituição de um veículo a combustão por um modelo elétrico pode diminuir os gastos relacionados ao abastecimento e à manutenção.
“Se ele troca o carro a combustão por carro elétrico, considerando o custo de combustível e manutenção, o custo reduz 80%”, afirmou o executivo.
Hipolito ressaltou, no entanto, que a estimativa considera apenas as despesas operacionais, sem incluir o investimento necessário para adquirir o veículo.
A economia no uso diário é um dos fatores que podem favorecer a adoção dos veículos elétricos por profissionais que dependem do automóvel para trabalhar. Para Alexandre Aquino, diretor de Produto da BYD Brasil, motoristas de aplicativo e taxistas estão entre os públicos que mais percebem as diferenças nos custos de utilização.
“Se tem alguém que entende de mobilidade e de uso de carro, são os motoristas de aplicativo, taxistas que vivem o carro no dia a dia e quem rentabiliza com esse carro”, afirmou.
Uma simulação da BYD aponta que a utilização de um Dolphin Mini pode representar uma economia de aproximadamente R$ 46 mil em três anos, em comparação com um automóvel compacto a combustão. O cálculo considera 60 mil quilômetros percorridos no período e inclui despesas com manutenção, abastecimento e impostos.
Na comparação apresentada pela montadora, os gastos com manutenção do veículo elétrico seriam de R$ 1.947, ante cerca de R$ 6 mil do modelo a combustão. Já as despesas com abastecimento passariam de aproximadamente R$ 32 mil para R$ 6 mil no período analisado.
A estimativa também considera benefícios tributários aplicáveis ao veículo elétrico no cenário utilizado pela BYD. Os valores podem variar conforme a região, as tarifas de energia, as condições de utilização e a legislação estadual. A simulação não representa uma comparação completa do custo total de propriedade, pois não considera todos os custos de aquisição e depreciação dos veículos.
Infraestrutura de recarga será prioridade da Aliança
A expansão da frota de veículos elétricos foi acompanhada pelo crescimento da infraestrutura de carregamento no Brasil.
Segundo dados apresentados por Hipolito, o país passou de aproximadamente 7 mil carregadores públicos em 2022 para 21 mil em 2026, um aumento de 200% no período.
Apesar desse crescimento, a ampliação da rede de recarga continuará entre as prioridades da Aliança pela Mobilidade Sustentável.
O executivo explicou que, nos primeiros anos, os esforços estiveram concentrados principalmente em estimular a adoção de veículos elétricos. Na próxima etapa, a iniciativa pretende direcionar mais atenção à infraestrutura necessária para atender à demanda.
“O foco inicial foi a adoção de carro e aqui a gente vai colocar muito mais foco na parte de infraestrutura”, afirmou.
A expansão da rede também envolve empresas participantes da Aliança. A BYD, por exemplo, conta com mais de 170 carregadores rápidos em sua rede de concessionárias no Brasil e pretende ampliar essa estrutura.
Para Alexandre Aquino, diretor de produto da BYD Brasil, o aumento da quantidade de veículos elétricos em circulação também cria oportunidades de investimento em pontos de recarga.
A ampliação da rede é considerada necessária para acompanhar o aumento da frota, especialmente para motoristas de aplicativo que utilizam os veículos diariamente e dependem da disponibilidade de carregadores para manter suas atividades.
Aliança desenvolve motocicleta elétrica para o Brasil
A atuação da Aliança pela Mobilidade Sustentável também inclui projetos voltados à eletrificação de outras modalidades de transporte.
Entre as iniciativas está o desenvolvimento de uma motocicleta elétrica projetada para atender às condições de trânsito e às necessidades dos condutores brasileiros.
O projeto envolve a colaboração de empresas chinesas e locadoras nacionais, com o objetivo de desenvolver um modelo adaptado ao mercado brasileiro.
“A gente está desenvolvendo uma motoelétrica específica para a realidade brasileira. Não existe na China uma moto que se adapte à realidade em condição de trânsito no Brasil”, afirmou Hipolito.
De acordo com o executivo, a iniciativa faz parte dos trabalhos de desenvolvimento e testes de novos produtos conduzidos pela Aliança.
Durante a apresentação, não foram divulgadas informações sobre preço, autonomia ou previsão de lançamento da motocicleta.
Meta é alcançar 300 mil veículos elétricos até 2030
A Aliança pela Mobilidade Sustentável estabeleceu a meta de alcançar 300 mil veículos elétricos até 2030, incluindo automóveis, motocicletas, bicicletas, vans e caminhões.
O objetivo faz parte da revisão dos compromissos da iniciativa, realizada em 2025, que também prevê a ampliação da atuação no transporte de cargas, segmento que conta com a participação de empresas como o Mercado Livre.
Ao comentar a revisão das metas, Hipolito destacou o crescimento da frota de automóveis elétricos cadastrados na plataforma da 99.
“A gente colocou como objetivo 130 mil carros. Agora parece pouco, porque a gente bateu os 100 mil e isso era para 2030”, afirmou.
O ritmo de crescimento também levou Alexandre Aquino, da BYD, a considerar a possibilidade de a marca de 130 mil automóveis ser superada antes do prazo estabelecido.
“Eu acredito que para o ano que vem 130 ainda pode guardar surpresa. Provavelmente a gente passa esse número”, afirmou o executivo, ao comentar a evolução da frota elétrica da 99.
A projeção indica a possibilidade de alcançar esse patamar já em 2027, embora a meta oficial permaneça estabelecida para 2030.
Com 100 mil carros elétricos cadastrados já em 2026, a 99 se aproxima da meta de 130 mil automóveis prevista para o fim da década. Diante desse avanço, a Aliança pela Mobilidade Sustentável pretende concentrar seus esforços na expansão da infraestrutura de recarga para acompanhar o crescimento da frota elétrica no país.
