Em meio às discussões sobre remuneração, sustentabilidade e condições de trabalho no setor de mobilidade urbana, novos modelos de negócio começam a ganhar espaço no Brasil. Um deles é o da BLITS Mobilidade Urbana, aplicativo criado pela empreendedora Adriana Marquezini, em Criciúma, Santa Catarina. A plataforma propõe uma alternativa ao modelo tradicional dos apps de transporte: em vez de cobrar comissão por corrida, funciona por meio de assinatura mensal, permitindo que os motoristas fiquem com 100% do valor das viagens.

Desenvolvida com tecnologia própria, a BLITS surgiu a partir da observação das dificuldades enfrentadas pelos motoristas de aplicativo e das discussões sobre a chamada “uberização” do trabalho. A proposta da empresa é criar um modelo considerado mais equilibrado para quem atua na operação diária das corridas. Atualmente, o aplicativo está em fase final de ajustes para relançamento e já conta com mais de 1.000 motoristas e cerca de 4.000 passageiros cadastrados na região de Criciúma e entorno.

Nesta entrevista, Adriana Marquezini fala sobre sua trajetória no empreendedorismo, explica como funciona o modelo de negócios da BLITS, comenta os desafios de desenvolver uma plataforma de mobilidade do zero e compartilha sua visão sobre o futuro do setor no Brasil.

Antes de falar do BLITS, você pode se apresentar, contar sua história, idade, onde nasceu e sua trajetória profissional?

Adriana: Tenho 48 anos e falo de Criciúma, em Santa Catarina. Atuei por muitos anos como consultora de empresas e mentora de startups. Com o tempo, decidi empreender e criar meu próprio negócio na área de tecnologia e inovação, o que resultou no desenvolvimento da BLITS Mobilidade Urbana.

Qual foi a principal motivação para criar o BLITS? Que dor do mercado você identificou?

Adriana: A criação veio da necessidade de entender a realidade dos motoristas e as discussões sobre a chamada “uberização”. Observamos que, em muitos casos, as plataformas ficam com uma parcela significativa das corridas — entre 40% e 60%. Isso impacta diretamente quem está na operação. A proposta da BLITS surgiu para oferecer um modelo mais equilibrado.

Como funciona o modelo de negócios da BLITS?

Adriana: Trabalhamos com assinatura. O motorista paga um valor mensal e fica com 100% do valor das corridas. Não há comissão sobre cada viagem. O funcionamento do app é semelhante a outros do mercado, mas o diferencial está no modelo de monetização.

A tecnologia do aplicativo é própria?

Adriana: Sim, desenvolvemos toda a tecnologia do zero. Isso permite adaptar o sistema conforme as necessidades dos usuários.

Em que estágio o aplicativo está atualmente?

Adriana: Fizemos testes até o início de 2025 e, neste momento, o app está em fase final de ajustes. A previsão é relançar em cerca de 60 dias, inicialmente com transporte de passageiros e entrega por moto.

Qual é o valor da assinatura e como funciona a cobrança das corridas?

Adriana: A assinatura é de R$ 99 por mês. Após isso, todas as corridas são integralmente do motorista, independentemente do valor.

Qual é o valor da corrida mínima e como funciona a tarifação?

Adriana: A corrida mínima é de R$ 2,50, com incremento após 5 km.

Como foi o processo de aquisição dos primeiros motoristas e passageiros?

Adriana: Utilizamos estratégias de marketing online e offline, além de parcerias locais. Também investimos muito em ouvir os usuários e entender suas necessidades.

Quantos motoristas e passageiros estão cadastrados atualmente?

Adriana: Na região de Criciúma e entorno, temos mais de 1.000 motoristas e cerca de 4.000 passageiros cadastrados.

Você possui sócios atualmente?

Adriana: Não, atualmente não tenho sócios.

Qual foi o investimento inicial para lançar o aplicativo?

Adriana: Não posso divulgar valores, mas foi um investimento significativo e contínuo, especialmente por ser uma tecnologia desenvolvida do zero.

Qual foi a maior dificuldade no início da operação?

Adriana: Tivemos um ambiente favorável, com apoio de centros de inovação e instituições. Isso ajudou a reduzir dificuldades. Trabalhamos com testes controlados e evolução gradual.

Em que momento você percebeu que o negócio estava dando certo?

Adriana: O entendimento do público foi facilitado porque o mercado já conhece aplicativos de mobilidade. Isso acelerou a validação do modelo.

Quanto os motoristas faturam em média na plataforma?

Adriana: O diferencial é que o motorista fica com 100% do valor das corridas. Então, o faturamento depende diretamente do volume de trabalho. Diferente de outras plataformas, onde há retenção significativa, aqui o valor bruto é integralmente do motorista.

Qual é o faturamento da empresa e o volume movimentado em corridas?

Adriana: Ainda não temos números consolidados para divulgar. A empresa está em fase inicial e estruturando sua operação.

Quais são suas expectativas para o futuro da mobilidade urbana?

Adriana: É um cenário desafiador, especialmente com discussões sobre regulamentação. Acredito que o futuro passa por modelos mais justos e sustentáveis para motoristas e empresas.

O que os aplicativos regionais precisam fazer para ganhar espaço no mercado?

Adriana: Cada empresa tem sua realidade, mas acredito que o caminho passa por estruturação, planejamento e busca por apoio especializado. Não é possível crescer sozinho.

Quantos motoristas e passageiros vocês têm hoje e como funciona a expansão?

Adriana: Temos mais de 1.000 motoristas e 4.000 passageiros na região inicial. A expansão acontece por meio de franquias, com presença local e suporte físico aos usuários.

Quantas corridas vocês realizam por mês?

Adriana: No momento, o aplicativo está em fase de ajustes, então esses números ainda não são representativos.

O que mais mudou em você desde que você começou e empreender? 

Adriana: O que mais mudou em mim depois que comecei a empreender foi a minha visão de mundo. Eu empreendo desde os 14 anos e já vivi diferentes formas de empreendedorismo: empreendendo dentro de empresas, como contratada, e também no meu próprio negócio, no meu próprio modelo. E, ao longo dessa trajetória, percebi que empreender transforma muito a forma como a gente pensa e enxerga oportunidades.

Acho que o empreendedorismo desperta na gente uma busca constante por conhecimento e por soluções. Você passa a olhar para os desafios de um jeito diferente, sempre pensando em como melhorar, inovar e criar caminhos. Isso potencializa o que a gente tem de melhor: a capacidade de se adaptar, de aprender e de agir.

Empreender também ensina muito sobre estratégia, cautela e timing. Sobre entender quando é hora de avançar, quando é preciso recuar e como tomar decisões com mais maturidade. Com o tempo, a gente vai refinando esse olhar e se tornando mais experiente.

E uma das coisas mais importantes que aprendi é que ninguém cresce sozinho. Tudo o que aprendi veio das trocas com outras pessoas. Aprendo com quem tem muito mais experiência do que eu, mas também aprendo muito com pessoas mais jovens. No universo da inovação e da tecnologia, por exemplo, convivo diariamente com pessoas de diferentes gerações, e isso amplia muito a nossa visão.

Hoje, sinto que empreender me tornou alguém mais aberta ao aprendizado, mais atenta às oportunidades e mais preparada para enxergar possibilidades onde antes talvez eu não enxergasse. No fim, empreender é isso: uma forma constante de evolução pessoal e profissional.

O que mais você se orgulha da sua trajetória? 

Adriana: O que eu mais me orgulho na minha trajetória é da minha capacidade de nunca desistir. Sempre fui uma pessoa muito focada, de traçar metas e seguir em frente com determinação. Acho que uma das minhas maiores características é justamente essa força de vontade de continuar, mesmo diante dos desafios.

Eu me considero uma pessoa inquieta. Não gosto de coisas muito paradas, mornas ou sem movimento. Acredito que é justamente no movimento que a gente descobre oportunidades extremamente importantes — seja em novos modelos de negócio, seja em pessoas com altíssimo potencial. É no movimento que as conexões acontecem, que as ideias surgem e que a transformação realmente acontece.

Por isso, o que mais me orgulha é da minha resiliência, da minha disciplina e da minha determinação. Eu sempre busco manter o foco naquilo que acredito e trabalhar com consistência para fazer acontecer.

E, para mim, o “não” nunca foi um ponto final. Muito pelo contrário: muitas vezes ele funciona como combustível. Se alguém me diz que algo não pode ser feito, mas eu acredito que pode, isso me motiva ainda mais. Eu compro a ideia, enfrento o desafio e busco encontrar um caminho para transformar aquilo em realidade.

Acho que essa combinação entre resiliência, foco, disciplina e coragem para enfrentar desafios é o que mais define a minha trajetória e o que mais me dá orgulho ao olhar para tudo o que construí até aqui.

Qual legado você pretende deixar com a BLITS?

Adriana: Queremos construir um modelo mais justo de mobilidade urbana, com benefícios reais para motoristas e passageiros, sempre ouvindo quem utiliza a plataforma.

Você gostaria de acrescentar algo que não foi perguntado?

Adriana: Apenas reforçar que quem quiser acompanhar o projeto pode seguir o Instagram da BLITS para atualizações sobre o lançamento.

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Giulia Lang

Giulia Lang é jornalista formada pela Fundação Cásper Líbero e há três anos cobre o mercado de mobilidade urbana e delivery pelo 55content.