A Giro Entregas é uma plataforma de delivery que surgiu a partir da insatisfação dos irmãos Daniel Ribeiro, 42 anos, Uanderson Ribeiro, 45 anos e o amigo Helton da Costa, 41 anos, com a plataforma em que atuavam como entregadores. 

A plataforma em que operavam foi vendida para outra empresa no Brasil e, segundo Daniel, “a postura do aplicativo com os entregadores mudou muito. Aquela cultura, aquele carinho que a gente tinha começou a se distanciar”. Foi então que eles decidiram se unir e criar a própria plataforma de entregas.

A Giro Entregas surgiu na cidade de Campinas (SP), mas hoje está presente em São Paulo capital e outras cidades do interior do estado, além de cidades em Minas Gerais e Pará.

Com atendimento próximo do entregador, a plataforma oferece um plano de carreira para o motoboy, onde, com dedicação, ele pode crescer e auxiliar na organização e expansão da empresa.

Ao firmar parceria com o estabelecimento, a plataforma avalia as necessidades da operação, como a demanda por entregadores fixos ou esporádicos, a existência de integração com marketplaces e a necessidade de um motoboy líder.  “Nosso grande diferencial é se adaptar ao que nosso cliente precisa, inclusive o motoboy. Esse é o nosso grande segredo”, afirma Uanderson.

Com taxa mínima de R$ 9 para o estabelecimento e repasse de R$ 7 para o entregador, a Giro Entregas realiza em média 50 mil entregas por mês e movimenta R$ 1,6 milhão.

Qual a história de vocês antes da Giro Entregas, antes do delivery? Onde nasceram, como foi a trajetória até chegar aqui?

Daniel: Eu sou nascido em São Paulo capital, Zona Leste. Logo que eu mudei para Campinas, aos 11 anos, eu voltei aos estudos, porque tinha ficado um tempo sem, mas parei logo em seguida. Eu não terminei de estudar, não cheguei nem à oitava série.

Tive que trabalhar muito cedo também. Trabalhei com mecânica e depois que me tornei maior de idade trabalhei de entregador um tempo, depois fui trabalhar em rodeio. Eu trabalhava em barraca de lanche em rodeio, viajava muito e quando acabava os eventos eu voltava para minha cidade e fazia entrega. Quando estava nos rodeios eu dormia muito mal, virava madrugada, foi uma longa jornada.

Fiz isso até chegar a pandemia, porque aí não tinha festa, não tinha mais rodeio e eu tive que me dedicar de verdade às entregas. Eu tenho família grande, tenho três filhas e um netinho, então falei: “Tenho que trabalhar porque elas precisam comer, beber, precisam de remédio, roupa”. Então, eu vivia de entregas de manhã, de tarde e de noite. Enquanto tocava eu estava na rua.

Eu venho de um aplicativo regional grande de delivery. Eu comecei como entregador, depois virei expansão e fui crescendo. Cheguei a gerente de operações desse app, mas depois ele foi vendido.

Eu continuei por mais um tempo como gerente de operações, mas resolvi sair para montar o meu próprio negócio.

Uanderson: Eu sou igual o Daniel, eu sou de São Paulo, da Zona Leste. Somos irmãos de sangue. 

Em São Paulo eu trabalhava na feira. É normal a criança carregar compra de senhora na feira. Aí mudei para Campinas com 14 anos, mesma história do Daniel, trabalhei como ajudante em oficina mecânica. Primeiro emprego e, na época, eu ganhava cinco cruzeiros por semana. 

Em Campinas também eu participei de um programa social chamado Patrulheiros, que dá oportunidade de emprego para menores de idade. Eu entrei com 14 anos e saí com 17. 

Trabalhei em um restaurante japonês por muito tempo. Aí eu saí para servir o Exército e depois voltei para o restaurante.

Nesse meio tempo, eu já me formei no ensino médio, comecei a faculdade, mas não terminei. Eu comecei três faculdades e não terminei nenhuma. Minha origem é humilde e eu não tinha dinheiro para custear os estudos, não era a minha intenção parar. 

E aí com 22 anos eu comprei minha primeira moto e trabalhei um tempo entregando água e foi surgindo oportunidade de trabalhar fora. Trabalhei para algumas empresas grandes e outras pequenas.

Trabalhei de Uber também. Aí na pandemia eu fiquei um tempo parado porque eu não queria levar o Covid para casa, então eu não ia muito para a rua. 

E aí o Daniel já estava fazendo as entregas há um tempo e falou: “Cara, arruma uma moto e vem junto comigo, que o que está sustentando minha família é as entregas. Está precisando de motoboy e não tem”. Então, eu voltei a fazer entregas na pandemia.

Fui crescendo lá dentro da empresa e quando o Daniel falou que ia sair, eu falei: “Você quer um sócio? Eu saio junto”. Foi aí que a gente começou a agir.

Helton: Eu sou nascido em Carapicuíba, Zona Oeste de São Paulo. 

Eu tive uma infância bem sofrida. Fui criado sem mãe e meu pai me criou basicamente sozinho. Mas por ser só eu e meu pai, muitas vezes ele não tinha condição de ficar comigo. Então morei com meus tios, morei com muitas pessoas.

Comecei a trabalhar cedo porque com uns 12, 13 anos precisei ajudar meu pai na obra. Toda família humilde tem um pedreiro e eu acabei indo ajudar meu pai para levar o sustento para dentro de casa. Já era um dinheiro que sobrava, porque ele deixava de pagar para um ajudante. 

Estudar eu não estudei muito não. Parei na quinta série. Tudo que eu aprendi na vida, aprendi na rua mesmo.

Depois conheci minha esposa, casamos, hoje tenho meus filhos. Agradeço muito a Deus, mas foi complicado.

Trabalhei de porteiro, trabalhei com pintura, fui ajudante em caminhão, o que dava para fazer eu fazia. Depois eu firmei muito tempo em um serviço de manobrista. Nesse meio tempo eu tinha uma moto e fazia uma entrega ou outra. Mas foi na época da pandemia que eu firmei porque alavancou o ramo de entrega. Os aplicativos cresceram muito na época.

Agradeço muito pelo Daniel ter me dado a oportunidade que ele me deu. A gente começou na outra plataforma, nos conhecemos ali como motoboys, aí depois que foi vendida, ficamos um ano e pouquinho e decidimos que não dava mais.

Daniel: A gente cresceu na pista juntos. Quando eu entrei fui puxando eles. O Uanderson é meu irmão de sangue, mas o Helton também é nosso irmão, é amizade demais. Já não é mais só colega, é família.

Helton: Somos bem leais um com o outro. Tem hora que a gente briga, mas é aquela briga de irmão e vida que segue.

E a gente costuma falar que somos entregadores de lista telefônica, porque na época não tinha celular, não tinha WhatsApp, tinha que olhar a lista e procurar o endereço. A gente é dessa época. 

Em que momento surgiu a ideia de criar o próprio app? Por que?

Daniel: Esse aplicativo no qual eu trabalhava era o melhor do momento, foi o melhor de todos. Um aplicativo que sempre pensou no entregador, sempre pensou nos clientes, não eram só entregas e sim oportunidades, envolvia muitas coisas. Inclusive o dono desse app é meu amigo e me ajudou muito, me ajuda até hoje.

Com a venda dessa plataforma a postura do aplicativo com os entregadores mudou muito. Aquela cultura, aquele carinho que a gente tinha começou a se distanciar. Por esse motivo eu resolvi sair e construir minha história, ter meu aplicativo e continuar fazendo aquilo que a gente fazia de melhor.

Esse app tinha uma história muito bacana para essa empresa que comprou vir e destruir. E para mim nunca foi dinheiro, sempre foi a cultura, o carinho, o amor pela camisa mesmo. Tanto que eu tenho o nome do app tatuado, porque o carinho é gigante e eu sou muito grato.

Quais falhas você observou nessa nova gestão e em outros aplicativos que busca fazer diferente na Giro Entregas?

Daniel: Eu percorri o Brasil todo por esse app. Implantamos um pouco da cultura no Brasil todo e aqui na Giro a gente também acompanha o motoboy.

O entregador foi muito bem visto na pandemia, mas agora está mal visto até pelo governo que está exigindo muito dele. Hoje o motoboy não pode entrar no restaurante para coletar um pedido, ele não pode usar o banheiro, pede uma água e é negado. Não estou generalizando, mas a maioria é assim. 

Então, como a gente tem contato com o motoboy, cliente e comércio, a gente briga por ele, mas chama atenção também. Faz parte da nossa cultura dar espaço, dar voz para o entregador. Outros aplicativos não estão nem aí. Se não serve, bloqueia. E não pode ser assim.

Como fizeram a captação dos primeiros entregadores da Giro? Eles vieram do outro app também?

Daniel: Por causa desse carinho que eu já tinha dos entregadores, quando eu saí eles mesmo me chamaram e falaram para montar um aplicativo. Estabelecimento foi a mesma coisa, me chamavam dizendo “Daniel, o atendimento está ruim, você não consegue vir me atender?”

Eles falavam “Tenta alguma outra forma. Vamos fazer pelo WhatsApp, vamos fazer alguma coisa para continuar o atendimento que a gente tinha, vamos nos adaptar”. 

Então, foram os próprios motoboys e os clientes que chamaram. E eu posso dizer que sou apaixonado no que eu faço, eu amo meu serviço, eu amo minha empresa, eu amo estar no meio dos entregadores e fazendo o negócio acontecer.

Como vocês dividem as funções na gestão da Giro Entregas?

Daniel: Hoje eu atuo mais na área de CEO, o Uanderson é o financeiro, administrativo e o Helton cuida mais de operações. 

Quando inauguraram a Giro Entregas?

Daniel: Em novembro de 2024.

Qual foi o investimento inicial? Em quanto tempo tiveram o retorno?

Daniel: O investimento foi baixo porque a gente já começou com alguns parceiros, mas começamos com uns R$ 20 mil. 

Em seis meses a gente começou a viver da plataforma. Mas nesse período a gente foi escalando. Dois meses depois do início da operação o Helton pegou o primeiro salário, em quatro meses o Uanderson e com seis meses eu peguei também. 

A gente foi por escalas porque precisávamos fazer caixa para não ficar na mão. Nós investimos mais o nosso tempo mesmo. No começo a gente montava na moto e ia fazer entrega, gastava gasolina com dinheiro do próprio bolso. Fechava a semana e ao invés de tirar esse dinheiro a gente guardava. 

Vocês ainda rodam ou estão apenas na gestão?

Daniel: Hoje nem se a gente quiser não conseguimos. Não dá tempo e graças a Deus não precisa.

Quantos entregadores estão cadastrados na plataforma? 

Daniel: Está chegando a 3 mil. Ativos mais ou menos 500.

Quais segmentos vocês atendem? E quantos são os estabelecimentos?

Daniel: Atendemos todos os segmentos. Atendemos pet shop, farmácia, restaurante, loja de presentes e utilidades, loja de sapato, joias. 

Atendemos uns 300 e pouco, quase 400 clientes. 

Em quais cidades a Giro Entregas opera?

Daniel: Hoje a gente atende muitas cidades no interior de São Paulo, Minas Gerais, estamos em Belém do Pará e Ananindeua também, mas a maioria dos nossos clientes são do interior de São Paulo e São Paulo capital.

A primeira cidade que abrimos foi Campinas. É onde tem a maior operação, porque é onde a gente mora.

Como é feita a escolha das cidades para expansão?

Daniel: Como atendemos vários clientes, o boca-a-boca é o melhor marketing. Então, o cliente que tem uma loja em Campinas e tem uma loja em Sumaré, ele vem até nós e fala: “Está me atendendo bem em Campinas, quero que você me atenda em Sumaré também”.

Aí a gente abre em Sumaré e dali tem um cliente, um vizinho que quer fazer entrega também e assim vai indo. Quando vê está gigante.

Vocês têm integração com iFood e outros marketplaces?

Daniel: Temos integração com vários sistemas, iFood, Rappi, Delivery Direto, Zé Delivery, tem bastante. Alguns restaurantes usam também um sistema de gestão de delivery e a gente integra com a maioria deles.

Quantas entregas vocês têm feito por mês?

Uanderson: A média está chegando a 50 mil pedidos no mês. E eu acho que esse mês (abril de 2026) vai passar bastante, porque a gente conseguiu dois parceiros novos que tem muita entrega.

Pode ser que chegue a 200 mil pedidos esse mês ainda. 

Como funciona a cobrança dos estabelecimentos?

Daniel: É tudo via aplicativo. Tem alguns comércios que são pós-pago. A gente fecha a semana, gera um bom boleto e relatório toda segunda-feira. E outros comércios colocam saldo no aplicativo, em um sistema pré-pago, e vão utilizando.

Uanderson: A taxa mínima é de R$ 9 e dali a gente tira a taxa do entregador e a taxa da empresa. É 20% de margem. Dessa taxa fica no mínimo R$ 7 para o entregador, mas é progressiva, vai de acordo com a distância.

Depois o quilômetro cobrado por tabela. Começa com a tabela mínima do cliente, porque cada um tem a sua. Começa com uma tabela de até 1,5 km de R$ 9 para o cliente e R$ 7 para o motoboy. Depois progride para R$ 10 e alguma coisa. São várias tabelas, mas a que mais usamos é essa.

O pagamento do motoboy também é semanal?

Daniel: Sim, pagamos toda segunda-feira, mas eles têm o benefício do saque rápido durante a semana. Então se o entregador tem ali R$ 100 e quer tirar R$ 50, ele consegue a qualquer hora do dia.

Em média, quanto um entregador consegue faturar mensalmente? Teve algum recordista?

Daniel: Em média R$ 1.400 por semana, mas tem motoboy que faz R$ 2 mil, R$ 2.300.

Em dia de promoção tem recordistas. Na Páscoa agora, a gente pagou mais R$ 3 para o entregador, a taxa mais três. Então, teve motoboy que bateu quase R$ 2.600 na semana.

Vocês trabalham com metas e desafios para os entregadores?

Daniel: A gente tem um ranking semanal. Os motoboys que mais pontuaram durante a semana recebem uma bonificação. O que ficou em primeiro ganha R$ 100 , em segundo R$ 80 e vai baixando até o 10º lugar. 

Vocês têm ou planejam ter parcerias para oferecer desconto aos entregadores? E pontos de apoio?

Daniel: Ainda não temos parcerias, mas é um projeto. 

Ponto de apoio eu penso, mas ainda não é o momento, pelo tamanho da empresa, pela estrutura que a gente tem agora, ainda não é uma prioridade. Mas queremos muito isso, porque o entregador precisa.

Como é feita a seleção do motoboy? Quais os critérios para ser um entregador da Giro Entregas?

Daniel: O motoboy baixa o aplicativo, se cadastra, porém não é liberado. 

A gente quer continuar um trabalho bacana. Hoje na plataforma é zero o nível de extravio de pedidos, porque todos os entregadores vêm através de boa indicação e só liberamos o cadastro presencialmente. 

Eu tenho o time de expansão em várias cidades e essas pessoas têm o sistema na mão para liberar o cadastro, explicar como funciona o aplicativo, pegar o contato e colocar no grupo de WhatsApp da cidade para dar o suporte.

Criamos essa proximidade com o entregador para que, qualquer problema que ele tenha, ele possa acionar alguém para ajudar rapidamente. Se um pneu furar e ele estiver com a entrega, a pessoa vai até o motoboy, pega o pedido e faz a entrega.

A gestão nas outras cidades é própria?

Daniel: Cada cidade tem um líder para passar para nós o que está acontecendo. Esse líder é um motoboy que foi escolhido. Ele se dedica como entregador, daí vira líder e se ele se dedica como líder, ele vira o que chamamos de expansão. Aí ele já não faz mais entregas, ele fica só organizando. 

Uanderson: Temos um plano de carreira para o motoboy.

Qual foi o momento mais desafiador desde que decidiram abrir o próprio app?

Uanderson: Eu poderia citar alguns momentos ruins, principalmente porque o ramo de entregadores não é fácil. Apesar de gostarmos bastante, é um ramo bem difícil.

São pessoas que não querem ter chefe, patrão, querem trabalhar para si mesmos e muitos fazem o que querem, do jeito que querem, ou seja, de qualquer jeito. Tivemos muito problema no início, por causa da falta de entendimento do que a gente esperava do motoboy.

Daniel: Outra dificuldade que a gente ainda tem é essa questão de administrar, ser empresário é novidade para nós. Porque uma coisa é a gente lidar só com pessoas, outra coisa é a gente lidar com a parte burocrática. A gente veio da rua, éramos motoboys e nunca tivemos um negócio próprio. 

Eu e o Uanderson até tivemos uma pizzaria, há uns 20 anos atrás, mas não funcionou. Então sempre trabalhamos como funcionários, então a parte de gestão de pessoas a gente entendeu rápido, mas a parte burocrática é novidade.

O que vocês aprenderam se tornando donos do próprio negócio? O que mudou em vocês quando começaram a empreender?

Daniel: Eu sempre fui uma pessoa que visa muito ajudar o próximo, entender o problema, viver o problema das pessoas, principalmente dos entregadores. Então, como funcionário eu era muito limitado nesse tipo de coisa e hoje eu consigo ajudar o entregador de forma mais rápida.

Eu vivo muito isso na rua, tem entregador aí que tem uma moto velha e não consegue arrumar, não consegue trabalhar porque a moto quebra, então de vez em quando a gente ajuda um ou outro. Vemos que o motoboy é dedicado, é um menino trabalhador e damos uma força.

A vida financeira eu acredito que não tenha impactado tanto, porque como eu disse nunca foi pelo dinheiro, mas pela paixão pelo meu trabalho. Eu acredito muito que quando a gente coloca o coração na frente, o restante vem naturalmente, inclusive o dinheiro.

Uanderson: O Daniel sempre teve um perfil de liderança. Mas eu sou uma pessoa mais tranquila, nunca pensei corporativamente. Sempre gostei de ser um autônomo, trabalhar como autônomo sem mandar em ninguém, mas também sem ninguém mandando em mim.

Para mim foi bem difícil essa parte de “visão de dono”. Eu acho que eu mudei bastante quanto a isso e minha visão agora é outra.

Como as plataformas regionais de delivery podem ganhar espaço no mercado? O que acreditam que ainda falta nos aplicativos?

Daniel: O que está faltando para nós é talvez mais dedicação e escuta. Tem muito entregador querendo falar e não conseguindo, não tem ninguém para escutar e eu acredito que o iFood mesmo é um deles, que cresceu tanto que só pensa em venda. Ele não pensa na ponta, que seria o entregador, que é quem faz as entregas.

Eu acho que falta escutar mais os entregadores, ter pessoas na rua para ver os defeitos, os problemas que tem. Falta todos darem mais espaço, darem voz para o entregador e escutar a demanda deles.

Qual a movimentação financeira mensal da plataforma?

 Uanderson: Primeiro eu tenho que falar que cerca de 80% do nosso faturamento, nem chega a ser nosso, é do motoboy. Então, a gente já começa devendo 80%. 

Mas nosso faturamento bruto hoje está em R$ 1,6 milhão mensal. 

Qual o diferencial da Giro Entregas?

Uanderson: Quando a gente pega um cliente, vemos o que aquele cliente precisa. Se ele precisa de uma equipe fixa no local, se ele quer que seja um entregador esporádico, se ele precisa de um líder na loja, se a integração dele é específica. E o motoboy, o que ele precisa? Ele precisa de dinheiro todo dia? Toda hora? Uma vez por semana?

Nosso grande diferencial é se adaptar ao que nosso cliente precisa, inclusive o motoboy. Esse é o nosso grande segredo.

Quais os planos para o futuro da Giro Entregas?

Daniel: Para falar da Giro, o céu é o limite. Vamos indo. Tem uma coisa que a gente fala bastante é que não precisamos passar por cima de ninguém, ser covarde com ninguém, falar mal de outro aplicativo para conquistar um cliente. Não precisamos disso. Queremos crescer de forma orgânica, tranquila.

Como eu falei, o boca a boca é o que vale, porque o cliente quando fica é porque ele está contente com o trabalho. Procuramos sempre atender muito bem uma loja e não esquecer nunca de pagar o entregador. Essa é a prioridade.

Por isso, a gente precisava ter caixa para nunca faltar para o entregador. A gente não pode contar que o cliente vai pagar em dia. Nosso maior cliente não é um iFood, um Coco Bambu, um Zé Delivery, que têm muita demanda. O principal cliente do nosso ramo é o entregador, é ele que a gente tem que valorizar.

A gente trabalha muito a qualidade e isso faz com que cresça naturalmente. Então, onde Deus permitir, a gente vai. Onde as portas estiverem abertas, vamos entrar.

Uanderson: Com ambição mesmo, eu acredito que a gente está subindo uma escada e o próximo degrau é 200 mil pedidos no mês. Depois a gente vê qual vai ser o próximo.

Daniel: Até o final do ano, quero bater 1 milhão.

Mas não vou colocar como meta rígida. Como eu falei, não quero forçar nada, quero que venha naturalmente, fazendo nosso trabalho sem passar por cima de ninguém, sem esquecer de tudo e focar só em dinheiro.

Não precisa disso. Tendo uma vida tranquila, já está ótimo para nós. E aí é só continuar crescendo.

Helton: Estamos com um ano e cinco meses de empresa, estamos bem, crescemos bastante e pretendemos crescer mais. 

Experiência com administração a gente está começando a ter agora. Não é um negócio fácil. Eu até conversei com o Daniel esses dias: de nós três aqui, quem tem um pouco mais de estudo é o Uanderson. Para a empresa chegar no nível que está hoje, a gente é bem vitorioso. O conforto que eu posso dar pra minha família hoje é bem diferente do que eu tive. Então, agradeço a Deus e ao Daniel e ao Uanderson.