“O foco mesmo é o entregador estar lucrando.” Aos 42 anos, Jean Luís Nascimento não começou a carreira pensando em tecnologia ou empreendedorismo. Nascido e criado em Ribeirão Preto, antes de entrar no universo dos aplicativos, passou por diferentes trabalhos: supermercados, serviços gerais e até jardinagem ao lado do pai. A partir disso, ele carrega o que considera sua principal bagagem até hoje: responsabilidade, pontualidade e comprometimento. Jean enfatiza que apesar dos aprendizados nada foi fácil: “Foi uma trajetória meio sofrida”.

A virada para o setor de delivery começou por volta de 2018, quando passou a trabalhar como mototaxista. Pouco depois, entrou no setor de entregas, e foi ali que sua trajetória começou a ganhar forma. Jean iniciou como entregador em uma empresa que operava em várias cidades do país. Com o tempo, destacou-se pelo trabalho e foi promovido a líder de entregadores na cidade. Depois, assumiu a função de analista de expansão, chegando a participar da chegada da plataforma a novas regiões. “Eu já fazia todo o processo, já vivia aquilo no dia a dia”, conta.

A experiência, no entanto, foi interrompida quando a empresa foi adquirida por outra do ramo. Essa mudança trouxe dificuldades operacionais na cidade e, junto com isso, cortes na equipe. Jean estava entre os afetados. “Foi um choque. A gente ajudou a construir a empresa”, recorda. Sem o trabalho e vendo colegas entregadores perderem renda, ele decidiu buscar uma alternativa: “Eu já tinha o conhecimento dos entregadores, dos lojistas. Só juntei o útil ao agradável”. Foi nesse contexto que começou a estruturar o próprio aplicativo.

Qual foi sua trajetória profissional até empreender no setor de delivery?

Jean Luís Nascimento: Eu trabalhava para uma empresa chamada Box Delivery, que atuava em várias cidades do Brasil. Comecei como entregador e, com o tempo, fui ganhando destaque pelo meu trabalho. Depois recebi convite para ser líder dos entregadores na minha cidade e, mais tarde, fui para a área de expansão como analista. A empresa acabou sendo adquirida pela Rappi, mas surgiram dificuldades na adaptação aqui na cidade, com perda de grandes comércios. Diante disso, fiquei insatisfeito e decidi seguir por conta própria. Já tinha relacionamento com entregadores e lojistas, então conheci uma empresa de software e iniciei meu próprio negócio.

Você já trabalhava com algo antes do delivery?}

Jean Luís Nascimento: Sim, já trabalhei em várias coisas antes. Trabalhei em supermercados, fui jardineiro com meu pai e fiz diversos bicos. Também tive uma fase difícil por escolhas erradas que acabaram prejudicando minha vida e minha família, mas consegui superar. Depois comecei como mototáxi e, por volta de 2018, entrei no delivery e segui nesse ramo.

Você nasceu e cresceu em Ribeirão Preto? Como é a cidade?

Jean Luís Nascimento: Nasci e cresci em Ribeirão Preto, tenho 42 anos. Hoje é uma cidade grande, praticamente uma metrópole, com cerca de 1 milhão de habitantes. Apesar de ser interior, é bem movimentada, com trânsito intenso e rotina corrida.

Como foi seu crescimento pessoal e escolar?

Jean Luís Nascimento: Foi tranquilo, graças a Deus. Estudei até o terceiro colegial e concluí. Minha infância foi boa.

Você tinha algum sonho quando era mais novo?

Jean Luís Nascimento: Tinha vontade de ser advogado, estudar Direito, mas não tinha muita facilidade com estudos. Esse era meu sonho quando era mais jovem.

Quando surgiu a ideia de empreender?

Jean Luís Nascimento: Sempre existe o sonho, mas foi algo que ganhou forma mesmo depois que comecei no delivery. Antes era só ideia, depois virou algo concreto com a experiência que fui adquirindo.

O que você aprendeu nos trabalhos anteriores que leva até hoje?

Jean Luís Nascimento: Principalmente responsabilidade, pontualidade, comprometimento com horários e com o trabalho.

Você trabalhou em outras plataformas antes do seu aplicativo?

Jean Luís Nascimento: Sim, trabalhei com iFood e outras plataformas antes da Box. Era mais tranquilo naquela época, não era tão competitivo. Mas eu não me adaptava muito bem ao sistema nem às taxas.

Quando você percebeu que poderia criar seu próprio aplicativo?

Jean Luís Nascimento: Foi quando a Box foi adquirida pela Rappi e houve cortes. Eu estava entre os desligados. A equipe era de 34 pessoas e metade foi cortada. Foi um choque, porque ajudamos a construir a empresa. Além disso, muitos entregadores ficaram sem renda. Então busquei uma solução e, por meio de contatos, conheci uma empresa de software e decidi abrir meu próprio aplicativo.

Como surgiu o nome “Soluctions Delivery”?

Jean Luís Nascimento: Surgiu do nada. Eu tinha pensado em outro nome para o aplicativo, mas “Soluctions Delivery” ficou como nome da empresa. Pensei em palavras como “solução” e “delivery” e decidi usar esse nome com a ideia de resolver as dores de lojistas e entregadores.

Como foi o processo para tirar a ideia do papel?

Jean Luís Nascimento: Comecei em janeiro de 2025. O aplicativo ficou pronto entre fevereiro e março. Depois preparei propostas para os lojistas. Já tinha os entregadores próximos, então consegui reunir a equipe novamente e iniciar a operação.

Quantos entregadores vocês têm hoje?

Jean Luís Nascimento: Cerca de 85 cadastrados, mas ativos mesmo entre 30 e 35.

Você tem sócios?

Jean Luís Nascimento: Comecei sozinho. Depois trouxe algumas pessoas, mas hoje tenho um sócio, o Mohamed. Somos nós dois na gestão.

Como é a equipe atualmente?

Jean Luís Nascimento: Basicamente eu e meu sócio, com ajuda de familiares no suporte.

Como conheceu seu sócio atual?

Jean Luís Nascimento: Trabalhamos juntos na Box Delivery. Ele é refugiado da Síria. Nos conhecemos lá e criamos amizade, depois virou sociedade.

O que você quis melhorar em relação às outras plataformas?

Jean Luís Nascimento: Principalmente as taxas. Acho que não eram justas para os entregadores. Esse é o principal diferencial do nosso aplicativo.

Qual foi o investimento inicial?

Jean Luís Nascimento: Entre R$ 2.000 e R$ 2.500.

Em quanto tempo o negócio começou a se pagar?

Jean Luís Nascimento: Cerca de três meses.

Quem foi essencial no início do negócio?

Jean Luís Nascimento: Meus primeiros sócios, Vanderlei e Renato, além do Mohamed e do César, que eram líderes de entregadores. E claro, os entregadores parceiros.

Qual foi o momento mais difícil?

Jean Luís Nascimento: Quando os sócios saíram e a responsabilidade ficou praticamente toda comigo, cerca de seis meses após o início.

Quando você percebeu que o negócio daria certo?

Jean Luís Nascimento: Quando fechamos a primeira parceria com uma loja. Ali vi que tinha potencial.

O que mudou em você depois de empreender?

Jean Luís Nascimento: Não mudou tanto, porque eu já fazia esse tipo de trabalho antes, só que para outra empresa. Agora só apliquei no meu negócio.

Como é sua rotina hoje?

Jean Luís Nascimento: Muito corrida. Fico o dia inteiro na rua, às vezes até meia-noite. Em dias de chuva, inclusive faço entregas para ajudar.

Vocês pretendem expandir?

Jean Luís Nascimento: Sim, primeiro para Campinas e depois para o Norte, como Recife e Belém.

Quantas pessoas já baixaram o aplicativo e quantas entregas fazem?

Jean Luís Nascimento: Mais de 200 downloads e cerca de 2.500 entregas por mês.

Como funciona a cobrança e taxas?

Jean Luís Nascimento: Cobramos apenas taxas, entre 10% e 12%.

Qual o valor mínimo das entregas?

Jean Luís Nascimento: A partir de R$ 7,50, cobrindo até 1,5 km.

Como funciona o pagamento dos entregadores?

Jean Luís Nascimento: Pagamento manual semanal, às quintas-feiras, com opção de saque emergencial.

Quanto ganha em média um entregador?

Jean Luís Nascimento: Em média entre R$ 2.000 e R$ 2.500 por mês. Alguns chegam a ganhar mais de R$ 6.000 dependendo do volume de trabalho.

Qual o faturamento do negócio hoje?

Jean Luís Nascimento: Movimentamos entre R$ 30 mil e R$ 35 mil por mês. O faturamento líquido gira entre R$ 4 mil e R$ 5 mil.

Quais são as metas para o futuro?

Jean Luís Nascimento: Para 2026, espero faturar entre R$ 15 mil e R$ 20 mil mensais com a expansão.

Do que você mais se orgulha?

Jean Luís Nascimento: Da minha força de vontade. Foi uma trajetória difícil, com muitos sacrifícios e tempo longe da família.

Como você vê o futuro dos aplicativos regionais?

Jean Luís Nascimento: Vai crescer muito. O mercado será cada vez mais competitivo e quem tiver melhor serviço vai se destacar.

O que é essencial para competir com grandes plataformas?

Jean Luís Nascimento: Qualidade no serviço e entregadores bem preparados.

Qual legado você quer deixar?

Jean Luís Nascimento: Um serviço humanizado, de qualidade, tanto para entregadores quanto para lojistas, deixando uma marca positiva na cidade.