“Quem tem um, não tem nenhum.” Tiago Domingues, de 36 anos, repete a ideia dessa frase para resumir a forma como passou a enxergar o trabalho depois da pandemia: depender de uma única fonte de renda, para ele, deixou de ser uma opção. Antes de se tornar gestor da Pegoo, aplicativo de entregas criado em Itu (SP), o empreendedor construiu sua carreira na música. Formado na área, ele dava aulas, tocava em eventos, fazia produção musical e audiovisual. Também produzia vídeos para empresas, trilhas sonoras, clipes e registros de bandas em turnê.
Foi então que, em 2020, a pandemia interrompeu o setor de eventos quase por completo, conforme recorda Tiago. Sem shows, filmagens e trabalhos presenciais, ele precisou buscar alternativas. Foi nesse período que voltou a se aproximar da Pegoo, empresa fundada no final do ano anterior pelo irmão, Reginaldo Domingues, 40 anos, e um sócio, da qual Tiago já tinha feito parte da história, antes mesmo de entrar na sociedade. Pouco antes do lançamento da plataforma, ele foi responsável por criar a logo do aplicativo.
Quase um ano depois da fundação da empresa, Reginaldo comentou sobre a possibilidade de Tiago entrar no negócio. A princípio, ele estranhou. “Eu não sou desse mercado, trabalho com música, vídeo… nada a ver uma coisa com a outra”, conta que disse ao irmão. Ainda assim, decidiu acompanhar o funcionamento da plataforma por algumas semanas. Depois de observar o sistema, aceitou entrar com uma condição: “Eu topo entrar desde que haja um plano de negócio a seguir”. Em reunião, apresentou uma proposta com funções definidas, salários organizados e responsabilidades divididas. Segundo ele, o plano deu certo: em seis meses, recuperou o valor investido.
Como foi sua trajetória até começar a empreender nesse setor?
Tiago Domingues: Eu já empreendi no ramo da música. Fiz faculdade de música, dava aulas, trabalhava com produção audiovisual, tinha uma produtora de vídeos e também fazia trilhas sonoras. Filmava eventos, tocava em eventos e fazia bastante vídeo para empresas. Só que, na pandemia, esse mercado caiu geral. O mercado de eventos praticamente paralisou 100%, e eu fiquei parado por meses.
A pandemia começou em março de 2020 e, até setembro, eu estava praticamente parado. Em julho, comecei a trabalhar com algumas coisas no digital e melhorou bastante. No final do ano, meu irmão Reginaldo, que é sócio da Pegoo, comentou sobre eu trabalhar com ele. Mas, antes disso, em 2019, quem fundou a Pegoo foi outro Tiago, junto com meu irmão. Na ocasião, eu trabalhava com áudio, vídeo e artes, e eles me procuraram para fazer o logo da Pegoo. O Tiago estava com muita pressa porque queria colocar o aplicativo no mercado, ele me pediu o logo para o dia seguinte. Eu falei que era impossível fazer em um dia, mas ele insistiu. Como meu irmão também era sócio, acabei topando.
Fiz um logo simples, participei dessa criação inicial e, depois disso, não os vi mais nesse contexto. Fui encontrá-los de novo só quando meu irmão comentou que seria legal ter mais um sócio na Pegoo. Eu falei que precisava entender o cenário, porque eu não era desse mercado, era músico, trabalhava com música e vídeo. Eu tinha interesse, porque empreendedor sempre olha com bons olhos uma coisa nova, mas eu precisava ver como estava o sistema.
Fiquei acompanhando por uns 15, 20 dias, vendo o sistema rodar, identificando dificuldades, facilidades, prós e contras… Depois disso, fizemos uma reunião na minha casa e fui sincero: eu toparia entrar desde que houvesse um plano de negócio a seguir. Elaborei um plano, coloquei na mesa, separando funções, responsabilidades e salários. Entrei com essa condição. O plano deu muito certo: depois de seis meses, eu já tinha recuperado o que investi, e já estava lucrando bastante.
A Pegoo foi fundada em 2019?
Tiago Domingues: Sim, se eu não me engano, em novembro de 2019. Eles fundaram em novembro, eu fiz a logo e entrei mais ou menos em outubro de 2020, quase um ano depois.
Os sócios fundadores continuam na empresa até hoje?
Tiago Domingues: O Tiago ficou até 2021. Depois, ele voltou para uma bagueteria, tentou montar uma franquia dentro desse negócio, mas acabou não vingando. O Reginaldo está até hoje na Pegoo, é um dos fundadores e segue com a gente.
Você nasceu e cresceu em Itu? Qual é a sua história com a cidade?
Tiago Domingues: Eu sou ituano de coração. Nasci em Itararé (SP), mas praticamente não conheço minha terra natal. É uma cidade a uns 330 km de Itu (SP), muito mais interiorana, menor e mais calma. Eu visitei várias vezes, mas moro em Itu desde os meus 2 anos. Cresci, estudei, fiz faculdade, abri empresas e me desenvolvi em Itu.
Como foi crescer na cidade e como é a rotina local?
Tiago Domingues: Itu é uma cidade em constante expansão, está sempre crescendo e evoluindo. Até 2014, se não me engano, havia leis que travavam um pouco o crescimento, como a proibição de prédios. Depois que essa lei caiu, a cidade deu um boom, cresceu muito, teve aumento de população e muitos prédios. É uma cidade arborizada, com muitos condomínios, bairros tranquilos, chácaras, dá para trabalhar, mas não tem o mesmo volume transacional de cidades mais próximas da capital.
É uma cidade boa para empreender, mas, por ser interior, não tem o mesmo volume comercial de regiões mais próximas da capital. Quanto mais perto de São Paulo, maior a movimentação. Itu é mais tranquila, tem um comércio mais estabilizado, com oscilações em épocas específicas, mas ainda com uma taxa de crescimento menor.
Quando criança, você já pensava em fazer algo próximo a empreender ou tinha outro sonho?
Tiago Domingues: Desde que eu me conheço por gente, eu nasci, cresci e vim para ser músico. Estudei música a vida inteira e nunca tive intenção de empreender em outros ramos. Essa pretensão começou a aparecer com a Pegoo, e um pouco antes, quando eu percebi que a música me abria outras possibilidades.
Quem faz música quer vídeo, então comecei a ligar uma coisa à outra. Eu já tocava, gravava músicas, produzia cantores e comecei a fazer vídeos. Entrei na faculdade de música em 2013 e, em 2014, comecei a viajar com bandas como filmmaker, filmava bastidores, ônibus, trajeto, perrengues de banda, shows. Ali, percebi que música não era só tocar. Passei a fazer produção musical, videoclipes, artes, fotos, aulas… Tudo era voltado à música. Parei por um curto período na pandemia, quando precisei vender meus equipamentos, mas em 2022 já estava com tudo montado novamente.
A pandemia reforçou uma visão que carrego: quem tem um, não tem nenhum. Se eu tivesse só a música em 2020, teria passado grandes dificuldades. Ficou muito claro para mim que eu precisava ter multifunções e multiempresas. Hoje, tenho novamente produção musical, videoclipes, tráfego pago, a Pegoo e a produtora de vídeos. São coisas que se agregam.
O que você aprendeu nos trabalhos anteriores que carrega como bagagem hoje?
Tiago Domingues: O principal ponto é resiliência. É uma palavra clichê, mas faz parte da vida do empreendedor. Se a pessoa não gosta de ser cobrada, não pode empreender. Se não quer dor de cabeça, não pode empreender. Se esquenta muito a cabeça com atraso no próprio pagamento, não pode empreender, porque o dono da empresa é sempre o último a receber. No começo, eu ficava doido. Tinha contas, boletos vencendo, todo mundo estava pago, mas o meu não tinha entrado. Com o tempo, isso ficou mais natural. Então, para mim, o tripé é resiliência, constância e persistência.
Você chegou a ser entregador em algum momento?
Tiago Domingues: Nunca fui entregador de nenhuma outra plataforma. A única plataforma em que fiz entregas foi a Pegoo. Depois de alguns anos na empresa, entendi que era importante sentir o que o motoboy sentia e passava. Comprei uma moto em 2020, logo que entrei na Pegoo. No começo, não fazia entregas, mas, por volta de 2022, comecei a fazer de modo recorrente, em dias alternados, para sentir os riscos, os perigos e a rotina. Fiz muitas entregas na chuva, e ali entendi que não dá para o motoboy fazer entrega no dia seco como faz no período chuvoso.
Fazendo entrega, percebi que ser motoboy não é fácil. É uma profissão de muito risco. As pessoas não respeitam moto. No período chuvoso, esse risco multiplica por dez. Já aconteceu comigo de, na reta, só trocar a marcha e a moto derrapar. Foi sentindo na pele que minha visão sobre os motoboys mudou totalmente.
Você ainda faz entregas hoje?
Tiago Domingues: Fiz entregas de modo recorrente até agosto de 2024, mas vendi minha moto e, desde então, fiquei sem. Tenho pretensão de comprar outra moto nos próximos meses e voltar a fazer entregas. Hoje, não tenho tempo de fazer o dia todo, como já fiz em outras épocas, mas quero fazer algumas para sentir novamente a realidade dos motoboys. Os tempos mudam, então a experiência agora pode ser diferente. Isso me dá mais conhecimento e mais propriedade para conversar com eles.
Como usuário, o que você via em outros aplicativos que achava importante resolver na Pegoo?
Tiago Domingues: Uma coisa que eu gostava na Pegoo é que ela sempre foi bastante opcional. Eu conversava com entregadores de outros aplicativos e alguns reclamavam que não tinham opção de aceitar ou recusar entrega, porque a entrega entrava automaticamente. Eu, particularmente, não gostaria disso. Na Pegoo, o entregador tem opção de recusar. Eu sei que no iFood também existe essa opção em algumas modalidades, como “motoboy nuvem”, mas alguns entregadores que estavam em funções mais específicas reclamavam da entrada automática.
Outra coisa que eu gostava na Pegoo era a possibilidade de taxas maiores. Motoboys de outros aplicativos comentavam que as taxas eram limitadas e as distâncias menores. Na Pegoo, havia entregas para São Paulo e outras regiões, com taxas mais robustas. Algumas pagavam em torno de R$ 250 para o motoboy, o que salvava o dia ou até a semana.
Como foi o processo de tirar a ideia da Pegoo do papel?
Tiago Domingues: Embora eu não estivesse no comecinho, conheço a história. O Tiago, que fundou a Pegoo, já tinha experiência em outro aplicativo aqui da região. Ele saiu desse aplicativo com a ideia de montar o próprio negócio e chamou meu irmão Reginaldo. Quando eu entrei, em 2020, o aplicativo ainda era bem incompleto comparado ao que é hoje.
Como foi o processo inicial para captar entregadores e clientes?
Tiago Domingues: Os primeiros clientes vieram “na raça”. Eles não tinham tanta maturidade digital na ocasião. As primeiras entregas foram o Tiago e o Reginaldo que fizeram, cada um com sua moto. Na rua, conversavam com motoboys, um indicava para o outro, e o mesmo acontecia com os comércios. Em 2019 e 2020, foi tudo muito verbal, por indicação, de modo orgânico, sem tanta influência do digital como hoje.
Os fundadores já tinham experiência como entregadores?
Tiago Domingues: Sim, os dois eram motoboys. Eles já atendiam estabelecimentos da cidade, eram fixos em alguns restaurantes específicos e tinham experiência com entrega. Isso facilitou o começo, porque eles já tinham contato e amizade com outros motoboys.
Qual foi o investimento inicial da Pegoo?
Tiago Domingues: O valor exato eu não sei dizer, mas, com base em conversas que já tivemos, imagino que no começo tenha sido entre R$ 15 mil e R$ 20 mil. O Tiago, quando saiu da outra empresa, foi injetando esse dinheiro no negócio.
Em quanto tempo o aplicativo começou a se pagar?
Tiago Domingues: Do período inicial deles, eu não consigo falar exatamente. Posso falar do período depois que eu entrei. Entrei em outubro de 2020, investi um valor e, em seis meses, já tinha recuperado o investimento. Depois disso, comecei a lucrar bastante. Montamos um plano de negócio consistente, com separação de funções e governança. Cada um cumpriu sua função de modo estratégico e isso deu retorno. O salário de todos aumentou bastante e conseguimos abrir outros negócios depois, principalmente por conta da Pegoo.
Teve alguém ou algum grupo fundamental para a sobrevivência do negócio?
Tiago Domingues: Acredito que nossos parceiros. Temos parceiros fidelizados desde o começo da empresa, clientes que estão com a gente desde o zero. Essas pessoas foram fundamentais para chegarmos até aqui. Já pensamos em parar em alguns momentos, mas, quando vemos esses parceiros, eles nos incentivam a continuar.
Como é a equipe da Pegoo hoje?
Tiago Domingues: Trabalhamos com uma equipe bem enxuta. Hoje, trabalhamos em quatro ou cinco pessoas. Tem o departamento comercial, o financeiro e três pessoas no atendimento.
Como é sua rotina hoje como gestor?
Tiago Domingues: Eu separo o período da manhã para planejamento de ação. Todos os dias, das 6h às 8h, faço planejamento: organizo o que será feito nas empresas, coloco no papel, monto o campo de ação, quem vai fazer o quê, quando e onde. Depois, divido o restante do dia para acompanhar cada situação de cada empresa. Vejo o que precisa ser feito, quem precisa fazer, acompanho as ações das pessoas envolvidas comigo nos processos.
É uma rotina cansativa, mas satisfatória. Eu gosto muito de resolver problemas, então estou sempre resolvendo alguma coisa, tanto na Pegoo quanto nas outras empresas.
Qual foi a maior mudança em você depois de começar a empreender?
Tiago Domingues: A mentalidade. Até 2017, eu já empreendia com música, mas ainda pegava trabalho fixo CLT. Dava aulas à noite, trabalhava CLT durante o dia, tocava no fim de semana, fazia produção musical e vídeo. Quando comecei a empreender de fato, minha mente mudou muito.
A Pegoo atua apenas em Itu ou também em outras cidades? Há planos de expansão?
Tiago Domingues: De 2023 para cá, recuamos um pouco. Até 2022, tínhamos uma taxa de crescimento anual. Depois, com carga tributária, burocracia e dificuldades do mercado, recuamos. Hoje, estamos fixos em Itu e Salto.
Para 2026, planejamos expansão para Jundiaí, Indaiatuba e Maringá. Contratamos recentemente uma consultoria que indicou essas cidades como boas para o nosso perfil de negócio.
Eu gosto do modelo da Pegoo porque não demanda tanta mão de obra e roda bem no automático. Estamos automatizando ainda mais o sistema internamente. Minha intenção é diminuir a dependência de mão de obra e expandir, porque é impossível abranger muitas cidades com um sistema manual.
Essa expansão será sob a gestão de vocês ou por franquia?
Tiago Domingues: Primeiro, será pela nossa gestão. Queremos expandir para duas ou três cidades para sentir melhor o mercado regional. Se esses mercados abraçarem a ideia, pretendemos virar franquia. Jundiaí, Indaiatuba e Maringá serão uma espécie de piloto. Vamos dar um período de três a seis meses em cada cidade para avaliar o desenvolvimento. Com base nisso, decidiremos se vamos franquear ou não.
Quantos motoboys ativos vocês têm hoje na plataforma?
Tiago Domingues: É bastante variável. Tem motoboy que faz entrega só uma semana, outros ficam mais tempo. A média gira em torno de 200 a 300 motoboys ativos, às vezes 180, às vezes 400.
Quantas pessoas já baixaram o aplicativo?
Tiago Domingues: Faz tempo que não vejo esse número exato. Como usuário, na Play Store aparece mais de 5 mil downloads.
Quantas entregas vocês realizam por mês?
Tiago Domingues: É um número bem variável. O mercado está um pouco mais baixo atualmente e há mais concorrentes na cidade. De 2023 para cá, abriram bastante aplicativos na região. A média fica entre 5 mil e 15 mil entregas por mês. Depende muito do período e de várias condições, mas costuma ficar dentro dessa faixa.
Como funciona a remuneração dos motoboys?
Tiago Domingues: O motoboy não precisa fazer crédito pré-pago e não paga mensalidade. No aplicativo, ele já vê exatamente o valor que vai receber, com a porcentagem do nosso sistema já descontada. Ele recebe exatamente o que aparece para ele.
Nós recebemos uma porcentagem em cima de cada entrega. Internamente, implantamos uma IA que faz leitura do sistema e avalia, conforme período, época e feriados, se precisa liberar mais vagas para motoboys. Quando indica mais vagas, ela lê o banco de dados e verifica quem está com a documentação mais em ordem para liberar.
A taxa é cobrada do motoboy, do cliente ou dos dois?
Tiago Domingues: O cliente paga uma mensalidade para a gente. Do motoboy, temos a taxa sobre a entrega.
Qual é a porcentagem dessa taxa?
Tiago Domingues: Não temos uma taxa fixa. Depende do modelo do comércio e da negociação. Se o comércio paga menos para a gente, a taxa é menor; se paga mais, pode ser maior. Hoje, a menor taxa é 18% e a maior é 35%, mas a maioria fica mais próxima da menor taxa.
Qual é o valor mínimo da entrega para o motoboy?
Tiago Domingues: Estamos passando por um período de atualização. Não ajustamos os valores desde 2022. Hoje, a taxa mínima para o motoboy é R$ 5,30. Dentro do planejamento de expansão, queremos ter a melhor taxa para o motoboy da região e talvez do país, que será R$ 8, mas haverá alguns critérios.
Esse valor mínimo cobre até quantos quilômetros?
Tiago Domingues: Cobre até 1 km.
Quanto um motoboy consegue ganhar por mês trabalhando pela Pegoo?
Tiago Domingues: Varia muito. Eu considero três classes de motoboy: o aventureiro, que só quer ver como é; aquele grupo que faz entrega de vez em quando; e os motoboys profissionais, que estão sempre ali, faça sol ou chuva, cumprem os compromissos e você pode contar. Há quem fature de R$ 1,5 mil a R$ 2,5 mil por semana. Os mais aventureiros ficam na casa de R$ 200 a R$ 500 por semana, alguns menos, alguns mais.
Você lembra de algum recorde de faturamento de motoboy na plataforma?
Tiago Domingues: Lembro de uma ocasião na véspera da Páscoa, com muitas entregas de chocolate, que um motoboy fez R$ 2.760 em uma semana só pela Pegoo. Em um dia específico, fez quase R$ 700. Foi algo bem atípico, com entrega para São Paulo e bastante chocolate para entregar.
Quais produtos vocês entregam?
Tiago Domingues: É bem variado. Os principais são restaurantes, lanchonetes e padarias, mas também temos lojas de roupas, joalherias, perfumarias, cosméticos, marcenaria, entre outros.
Qual é a meta de faturamento da empresa para o fechamento de 2026?
Tiago Domingues: Com a expansão e o projeto que estamos na fase final de elaboração, a ideia é chegar ao final do ano, ou fevereiro do ano seguinte, faturando em torno de R$ 1,5 milhão por mês com a Pegoo.
Vocês têm planos para os próximos anos?
Tiago Domingues: Sim. Temos um projeto que seria a evolução da Pegoo, não ligado apenas a entregas. Entendemos que o mercado atual é ótimo e existem bons aplicativos, mas acreditamos que há modelos melhores.
Como surgiu o nome “Pegoo”?
Tiago Domingues: Como eu participei da reunião do logotipo, sei que eles tinham alguns nomes em mente, como Mob ou Move, algo assim. Em algum momento apareceu “pegou”. Só que “pegou” seria impossível de registrar. Não lembro quem deu a ideia de colocar o segundo “o”, mas foi para criar uma marca inédita e registrável. O nome vem de “pegar”, “pegou”, algo básico da língua portuguesa. Acrescentamos mais um “o” para registrar marca, site e domínio.
Do que você mais se orgulha na sua trajetória com a Pegoo?
Tiago Domingues: Acho que volto à resiliência. A Pegoo me ajudou a evoluir muito. É um mercado rentável e de fácil expansão, mas também exige bastante da gente. A parte da resiliência me amadureceu muito por conta da Pegoo.
Como você enxerga o futuro dos aplicativos regionais no Brasil?
Tiago Domingues: Acho que o mercado vai migrar cada vez mais para esse lado. Tenho muitos negócios e funções, mas digo para alguns amigos que, na minha visão, a Pegoo ainda é a galinha dos ovos de ouro. É um mercado de fácil expansão. Qualquer aplicativo novo que chega em uma cidade desperta curiosidade. Muitos clientes conhecem por dois ou três meses e depois voltam para a Pegoo. Faz parte do mercado, porque não temos contrato fechado de exclusividade com todos. É um mercado bom, rentável e de giro recorrente. Nem na pandemia as entregas pararam. Se a pandemia não parou as entregas, acho que entrega não vai parar nunca. A tendência do mundo é haver cada vez mais entregas.
O que os aplicativos regionais precisam fazer para crescer nesse mercado?
Tiago Domingues: O ponto principal é posicionamento. É algo que estou fazendo agora na Pegoo: mudar o jeito como a gente se posiciona. Não quero mais posicionar o aplicativo apenas como um aplicativo de entregas, mas como um conceito. Por isso, tirei “entregas” e “delivery” da logo e das bags. Estamos começando a trabalhar camisas, roupas, bonés, blusas, de forma separada, não tão ligada às entregas.
Qual legado você quer deixar na sua cidade e na sua região?
Tiago Domingues: Nunca parei muito para pensar nisso, mas o intuito da vida é crescer pessoalmente, espiritualmente e contribuir para que outras pessoas cresçam. 0Hoje, fico feliz porque conheço muitos motoboys que construíram casa e compraram terreno através da Pegoo. Acho que esse é o legado. A Pegoo é uma porta aberta para quem não tem opção. Conheci muitos pais de família que perderam emprego, estavam sem saída, preocupados, e vieram para a Pegoo.

