Criado por Antônio Roberto de Lima Ribeiro e outros três sócios, o Equipe Car nasceu em Monte Aprazível, no interior de São Paulo, a partir da experiência dos próprios fundadores como motoristas de aplicativo. Antônio tem 39 anos, é natural de Cardoso e mora há oito anos em Monte Aprazível, onde começou a rodar pela Uber e pela 99 para complementar a renda.

Com o tempo, o trabalho como motorista deixou de ser apenas um complemento e passou a representar a principal renda da casa. Depois de atuar por cerca de seis meses em outro aplicativo regional, Antônio e outros motoristas decidiram criar uma operação própria.

“Aquilo que era somente para complementar a renda acabou se tornando a principal renda dentro da minha casa”, afirma.

Aplicativo completa um ano em setembro

O Equipe Car completa um ano de operação em setembro. Hoje, atua principalmente em Monte Aprazível e começou a migrar também para uma cidade vizinha, ainda em fase inicial.

O nome do aplicativo nasceu da relação entre os fundadores, que já trabalhavam juntos antes mesmo da criação da plataforma. Segundo Antônio, o grupo tinha uma forma diferente de atender os passageiros, baseada em confiança e indicação entre motoristas.

“Às vezes o cliente pedia uma corrida para mim e eu não estava disponível. Eu falava: tenho um motorista da sua confiança. Quando você fala isso, transmite segurança para o passageiro”, conta.

A primeira ideia do grupo era trazer uma franquia de fora. Depois, os sócios decidiram investir no próprio aplicativo.

“A gente pensou: por que trazer um aplicativo e não criar o nosso?”, relembra.

Quatro sócios na operação

A empresa começou com quatro sócios, incluindo Antônio. Todos ainda trabalham como motoristas e também participam da gestão do aplicativo. A comunicação com os condutores acontece principalmente por um grupo de WhatsApp, no qual os motoristas têm acesso direto aos quatro gestores.

A parte de marketing fica com a esposa de um dos sócios, enquanto Antônio concentra a parte mais técnica e burocrática do sistema.

Primeiros passageiros vieram da clientela antiga

A captação inicial foi feita pelos próprios sócios. Como eles já atuavam como motoristas e tinham uma clientela formada, parte dos passageiros migrou para o Equipe Car. A divulgação começou com carros adesivados e contato direto com quem já usava os serviços do grupo.

“Entramos em quatro e nós mesmos começamos a divulgar. Primeiro, carro adesivado. A gente também já tinha uma certa clientela que atendia”, explica.

A entrada de novos motoristas foi mais lenta. Antônio afirma que, dos profissionais que vieram do antigo aplicativo em que ele trabalhava, apenas dois migraram para a nova operação.

Investimento inicial

O investimento inicial, considerando os primeiros gastos para colocar a operação de pé, ficou entre R$ 5 mil e R$ 6 mil. Atualmente, o aplicativo se paga, mas o dinheiro que sobra é reinvestido em divulgação e novas ações, como sorteios para passageiros.

Boicotes e acusação de clandestinidade

O momento mais difícil, segundo Antônio, foi lidar com tentativas de boicote. Ele relata que pessoas fizeram cadastro falso no aplicativo, espalharam informações negativas e chegaram a dizer que a empresa atuava de forma clandestina.

“Saíram falando que a gente era clandestino. Isso deu uma baqueada, mas a gente foi para cima e provou o contrário, com escritório, CNPJ e todo o procedimento legalizado”, afirma.

Para Antônio, a resistência veio de concorrentes e de pessoas que não aceitaram a chegada de uma nova opção na cidade. Mesmo assim, os sócios mantiveram a operação.

“A gente, com fé, força de vontade e coragem, está muito para cima”, diz.

De motorista a empreendedor

Depois de começar a empreender, Antônio afirma que mudou a forma de enxergar o negócio. Antes, pensava principalmente em rodar e fazer sua própria renda. Hoje, diz ter uma visão mais voltada à expansão e ao fortalecimento dos motoristas.

“Hoje eu penso com uma cabeça de empreendedor, de uma pessoa que quer expandir o negócio”, afirma.

A preocupação, segundo ele, é construir uma plataforma que gere melhores ganhos para os condutores.

“A gente pensa de uma forma diferente para que o motorista tenha um melhor rendimento, consiga fazer um salário bom e também nos ajude”, diz.

Quando as corridas começaram a subir

O Equipe Car começou a mostrar que estava dando certo quando os sócios encontraram motoristas comprometidos e os números passaram a crescer. No início, a plataforma fazia de 10 a 20 corridas por dia. Quando chegou a 30, o grupo comemorou.

“Quando a gente fez 30, nossa, a gente comemorou. Falamos: 30 corridas no aplicativo, que legal”, relembra.

Depois, o volume continuou subindo até chegar, em vários dias, à média de 125 corridas diárias.

“Aí a gente falou: está dando certo, vamos para cima”, afirma.

Sócios ainda rodam pelo aplicativo

Antônio e os outros três sócios seguem trabalhando como motoristas. Ele divide a rotina entre um emprego de oito horas, que o mantém fora de casa por cerca de 12 horas, e a gestão do aplicativo pelo celular. Mesmo durante o expediente, acompanha pedidos, atende passageiros e ajuda na operação.

“A gente trabalha no aplicativo também. A gente roda, só que passa bastante para os motoristas, porque o pessoal chama bastante via WhatsApp”, explica.

Segundo ele, os sócios se organizam para cobrir horários, folgas e demandas que chegam tanto pelo app quanto pelo atendimento direto.

Mais de 1 mil passageiros cadastrados

O Equipe Car tem mais de 1 mil passageiros cadastrados no aplicativo. Em Monte Aprazível, são 13 motoristas, incluindo os quatro sócios. Na cidade vizinha onde a operação começou recentemente, há mais sete condutores.

O aplicativo realiza, em média, de 2,5 mil a 2,7 mil corridas por mês.

Corrida mínima de R$ 10

A corrida mínima custa R$ 10 para o passageiro e cobre 1,5 km. A taxa cobrada dos motoristas é de 15%.

Quando a corrida passa da quilometragem-base, o sistema calcula o valor adicional. Segundo Antônio, em uma corrida mais longa dentro da cidade, de cerca de 7 km, o valor pode sair em torno de R$ 17. Fora dessa faixa, o aplicativo paga cerca de R$ 3,50 por km ao motorista.

Tarifa varia por horário

O Equipe Car trabalha com acréscimos por faixa de horário. Das 6h às 18h, vale a tabela normal. Das 18h às 20h, entra acréscimo de 20%. Das 20h até meia-noite, o aumento é de 50%. Depois da meia-noite até 5h59, qualquer corrida dentro da cidade passa a custar R$ 20 dentro da quilometragem prevista.

Segundo Antônio, a lógica é remunerar melhor os motoristas nos horários de maior dificuldade.

Carteira funciona como crédito de celular

A remuneração dos motoristas funciona por carteira pré-paga. Eles colocam saldo no aplicativo e, conforme fazem corridas, o sistema abate automaticamente a taxa de 15%, em um modelo parecido com crédito de celular.

“Eles colocam o dinheiro na carteira e, conforme vão fazendo corrida, o sistema vai abatendo, igual crédito de celular”, explica.

Motoristas faturam de R$ 4,5 mil a R$ 9 mil

Segundo Antônio, mesmo os motoristas com menor disponibilidade conseguem fazer, em média, R$ 4,5 mil por mês. Os recordistas chegam a faturar cerca de R$ 9 mil.

“O motorista mais fraco, aquele que pega quando quer, consegue fazer na média R$ 4,5 mil. Os recordistas fazem na média R$ 9 mil”, afirma.

A taxa pode ser reduzida para motoristas considerados mais comprometidos. Antônio diz que a empresa valoriza quem trabalha corretamente e ajuda a fortalecer a operação.

Até R$ 44 mil movimentados em um mês

A movimentação mensal do Equipe Car varia conforme a demanda. Antônio cita uma média entre R$ 35 mil e R$ 41 mil, com mês em que a plataforma chegou a movimentar R$ 44 mil em corridas. Como a taxa é de 15%, a receita bruta da empresa sobre esse valor ficaria em torno de R$ 6,6 mil.

A empresa ainda não definiu uma meta fechada de faturamento para o fim do ano, principalmente por atuar em um mercado com muitos concorrentes, incluindo mototáxis, taxistas, aplicativo de mototáxi e outro app regional.

“Só o fato de estarmos onde estamos já é uma grande vitória”, afirma.

Corridas por fora seguem como problema

O Equipe Car também enfrenta motoristas que tentam fazer corridas por fora. Antônio afirma que a prática é proibida, especialmente porque muitos pedidos chegam pelo WhatsApp e são repassados aos condutores.

“Quando o cliente chama e a gente transmite no grupo de WhatsApp, você está entregando o cliente na mão do motorista. O que é mais tenso é o motorista andar certo”, afirma.

A empresa acompanha relatórios da plataforma, conversa com passageiros e, quando comprova a prática, retira o motorista do app.

“Uma hora a gente pega. E, quando pega, a gente retira da plataforma”, diz.

Concorrência é o maior incômodo

Para Antônio, o que mais incomoda no mercado é a concorrência. Ele acredita que, se os aplicativos regionais fossem mais unidos, teriam mais força para enfrentar grandes plataformas e melhorar as condições para passageiros e motoristas.

“Se todos os aplicativos regionais se unissem contra esses aplicativos que têm custo abusivo, tanto para passageiro quanto para motorista, eu tenho certeza que esses grandes aplicativos não estariam aqui ou melhorariam muita coisa”, afirma.

“Abrir é fácil, manter é difícil”

Antônio acredita que há espaço para aplicativos regionais, mas nem todos conseguem se manter. Para ele, abrir uma plataforma é simples; o desafio está em sustentar a operação com bons motoristas, passageiros atendidos e gestão constante.

“O sol brilha para todos, mas a sombra é para poucos. Abrir um aplicativo é muito fácil. Agora, manter ele é que é difícil”, afirma.

Na visão dele, o motorista é decisivo para a reputação do app.

“O que faz o nome do aplicativo são os motoristas. E o que faz o aplicativo se manter aberto são os passageiros”, diz.

Futuro depende de união entre regionais

Para conquistar uma fatia maior do mercado dominado por Uber e 99, Antônio defende que os aplicativos regionais deixem de se enxergar apenas como concorrentes e passem a atuar de forma mais unida.

“O que falta é todos darem as mãos, não pensar que um é melhor que o outro”, afirma.

Legado: ser lembrado como referência

O legado que Antônio quer deixar com o Equipe Car é transformar a marca em referência de mobilidade urbana em Monte Aprazível e nas cidades onde a empresa passar a atuar.

Ele resume o objetivo de forma direta: ser lembrado pela população quando o assunto for transporte por aplicativo.

“Ser lembrado. Que a pessoa fale: foi de Equipe Car”, afirma.

Para os próximos anos, a expectativa é expandir para mais cidades e fortalecer a operação regionalmente, sem perder o foco nos motoristas e na confiança dos passageiros.

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Giulia Lang

Giulia Lang é jornalista formada pela Fundação Cásper Líbero e há três anos cobre o mercado de mobilidade urbana e delivery pelo 55content.