A Bikers GO é uma plataforma de entregas criada na cidade de Viçosa (MG) para atender à demanda local por serviços de logística.
Paulo Lima Verardo, sócio fundador da empresa, é natural do Rio de Janeiro e se mudou para Minas Gerais em 2001 para ficar perto da família e cursar Economia. Segundo ele, o interesse por empreender sempre existiu, embora houvesse receio em iniciar um negócio.
Em 2017, o empresário participou do Empretec, programa do Sebrae voltado à formação de empreendedores. Durante a capacitação, desenvolveu a ideia de uma empresa de logística para atuar em Viçosa. No mesmo ano, iniciou conversas com Jomar Vieira, amigo que, posteriormente, se tornaria sócio e, em 2018, a Bikers Eco Delivery foi inaugurada.
A proposta inicial era operar como uma empresa sustentável, realizando entregas exclusivamente por bicicleta para estabelecimentos e pessoas físicas. Após um ano, o modelo se mostrou inviável, levando à inclusão de motocicletas na operação. Com a mudança, o aplicativo passou a se chamar Bikers GO.
A empresa começou em uma garagem, com a operação sendo gerida em bloquinhos de papel. Oito anos depois, conta com cerca de 250 entregadores na cidade sede, atende 360 estabelecimentos e realiza aproximadamente 17 mil entregas por mês.
Onde você nasceu?
Paulo: Eu sou natural do Rio de Janeiro, mas minha família é daqui de Minas Gerais. Minha mãe é de Descoberto, uma cidade pequenininha aqui perto de Juiz de Fora. Meu pai é de São João Nepomuceno. Meus pais se casaram e foram para o Rio. Então eu e mais dois irmãos nascemos lá, fomos criados lá.
Eu vivi no Rio de Janeiro durante quase 20 anos. Depois eu retornei para Minas para estudar. Minha família era daqui, meus avós, tios, primos, então eu vim para Viçosa estudar Economia em 2001.
Eu fui o primeiro a voltar para Minas. Eu me formei em 2006 e entrei no mestrado, também na parte de economia, de desenvolvimento público. E aí comecei a dar aula e fui para esse lado acadêmico.
Comecei a dar aula em faculdade particular, dei aula na Universidade Federal de Viçosa durante um tempo, então minha vida foi muito acadêmica, mas eu sempre tive o sonho de empreender. Desde menino eu tinha o sonho de empreender. Aquela coisa de criança talvez: “Quero ter uma padaria, quero ter uma loja de material de construção, quero ter algum empreendimento”. Sempre foi meu sonho, mas sempre tive muito medo de empreender.
Aí em 2017, eu fiz o Empretec do Sebrae, que é um programa para empreendedores. Eu fiz a avaliação, a prova que eles fazem para ver se temos o perfil. Muitas vezes a gente nem tem o perfil para fazer ainda e muitas pessoas são reprovadas no momento. Eu fiz e deu certo. Passei e fiz o Empretec.
E como surgiu a ideia de criar a Bikers GO?
Paulo: No programa a gente tem que montar uma empresa. É uma semana de imersão e a gente tem que montar uma empresa. Minha ideia foi abrir uma empresa de logística, de entregas, porque aqui em Viçosa, uma cidade de 80 mil habitantes, é uma cidade pequena, mas é uma cidade universitária, e eu via que tinha muito problema de entrega.
Às vezes eu precisava pedir uma entrega, por exemplo: “Leva um notebook para uma pessoa conhecida, leva uma chave, leva um documento”. E isso era falho, demorava, não tinha ninguém especializado nisso. E uma outra coisa que me chamou a atenção, foi que eu conheci alguns empresários que tinham restaurantes e eles também passavam por essa dor. Eles precisavam de fazer as entregas deles e muitas vezes não tinha entregador, não tinha uma empresa que fazia.
Então, em 2017, eu me liguei para isso e decidi montar uma empresa. Sempre foi meu sonho e a Empretec me encorajou nisso. Pensei: “por que não abrir uma empresa de entregas aqui na cidade?”. Mas uma empresa diferente. Eu queria uma empresa que fizesse entrega só de bicicleta.
Escrevi o projeto, fiz todo o planejamento, tudo que eu aprendi na Empretec e nesses anos de vida acadêmica, porque mesmo formado em economia, eu dei muita aula para o pessoal de contabilidade, de administração, dei aula de planejamento, de gestão de projetos. Então, comecei a escrever como seriam as entregas de bicicleta em Viçosa. Só que o interior de Minas é muito morro, então todo mundo me chamava de maluco.
Eu escrevi o projeto e chamei um conhecido meu na época, apresentei para ele e ele topou. Entramos nesse mercado e a gente não entendia nada, mas foi muito legal, muita aprendizagem.
Por que queria uma plataforma que fizesse entregas só de bicicleta?
Paulo: Eu sempre gostei de bicicleta e a bicicleta é muito barata. Qualquer pessoa pode pegar uma e fazer uma entrega. Então, a cidade tinha o desafio de que era muito morro, mas ao mesmo tempo é uma cidade pequena, não é muito extensa.
No começo era só entrega de bicicleta. Então, a nossa primeira equipe era de pessoas da cidade e estudantes, porque quando eu pensei na empresa, eu falei: “Tem muito estudante na cidade, os estudantes também vão fazer entrega”.
Sem ruído, sem poluição sonora, sem poluição gasosa. Era um serviço diferente e eu até te falo que eu acho que na Zona da Mata, nós somos uma das primeiras cidades que faz entrega de bicicleta. Talvez até antes dos grandes aplicativos.
Por acreditar nisso, por ser um meio de transporte acessível, sustentável e por poder realmente incluir várias pessoas que gostam, porque tivemos atletas aqui, pessoas que andavam de bicicleta e vieram trabalhar com a gente para ajudar ali na renda dele ou para ele se sustentar enquanto estudante ou até pessoas da cidade.
Como foi o início da operação?
Paulo: Quando fizemos nossa primeira entrega, estava próximo do Dia das Mulheres, eu lembro que a gente fez muita entrega de flores. Então, foi um serviço que chamou muito minha atenção e foi tudo orgânico. Nossa empresa sempre foi muito orgânica, até hoje não recebeu nenhum aporte, apesar de já termos chamado atenção de algumas empresas do setor.
Como toda startup, nós começamos na garagem desse meu sócio. A gente tinha um escritório, que era no apartamento dele em cima e a garagem dele era o nosso ponto de apoio. Então desde o primeiro dia de empresa a gente colocou um ponto de apoio, onde a galera ia parar de bicicleta, pegar uma bolsa, porque a gente fornecia no começo.
O cara chegava ali e a gente fazia tudo manual, não tinha um aplicativo. Ficamos um ano fazendo tudo manual, usando Trello, Excel. Nós fizemos muita entrega com bloquinho. A gente dava um bloquinho para eles, todo entregador tinha um, eles pegavam a mochila no ponto e saíam fazendo as entregas e anotando, no final do dia eles entregavam o bloquinho para lançarmos no Trello e no Excel. Nosso controle era esse.
Em 2018 a gente começou a fazer essas entregas de bicicleta e, no mesmo ano, teve um problema com o petróleo. Os postos de gasolina ficaram sem combustível e a gente chamou atenção nesse momento, porque olha que coincidência: a gente estava numa cidade onde não tinha ninguém organizando o mercado de entregas, e agora tinha, e os caras, além de tudo, estavam de bicicleta.
Em que momento agregaram a moto nas entregas?
Paulo: Foi chegando num ponto que a gente não estava mais aguentando fazer entrega só de bicicleta. Até então nosso nome era “Bikers Eco Delivery”, porque as nossas entregas eram só de bicicleta.
Quando chegou em 2019, a gente começou a crescer e eu falo que isso talvez tenha sido bom para nós, importante. A gente nunca perdeu essa pegada sustentável, continuamos com as bicicletas, é um modal muito forte aqui dentro da empresa, porque está na nossa raiz.
Tivemos que mudar o nome para Bikers GO, tiramos o “Eco Delivery”. A gente não estava atendendo o mercado e tivemos que inserir as motos na empresa, porque senão a gente ia perder mercado, os parceiros estavam exigindo.
Quando veio a pandemia, que foi o outro marco para nós em 2020, nós já estávamos com a equipe montada, porque na metade de 2019 a gente começou a incluir as motos. E quando veio a pandemia, ainda bem que a gente estava com a equipe montada, porque a gente era referência na cidade.
Como você e seu sócio se conheceram?
Paulo: Aqui é uma cidade pequena, a gente tinha um amigo comum que jogava bola no sábado e a gente é sócio do mesmo clube. Então, a gente se esbarrava no clube, na academia e a gente se esbarrava no futebol quando eu ia. Era do grupo deles, mas de vez em quando eu ia jogar uma bola com eles.
A gente começou a trocar ideia, antes da gente realmente abrir, quando eu tive a ideia, eu falei: “Cara, ele vai ser um cara bacana, porque ele já trabalha com marketing, ele já conhece muita gente, esse cara vai ser estratégico aqui para mim”.
Eu era empreendedor de primeira viagem e sempre acreditei em sociedade. Eu acho que quando a gente acha um sócio bacana, é como se fosse um casamento.
A gente conversou muito antes, amadureceu a ideia. E desde 2017, quando desenhamos e 2018, quando começamos a operar, sempre tivemos ponto de apoio com internet, banheiro, tudo para eles. Então a gente foi conversando e, assim que eu conheci ele, a gente trocou uma ideia, ele topou e eu falei: “Vamos começar”. Eu falei: “Cara, então eu vou ficar das 8 da manhã às 5 da tarde, depois eu tenho que dar aula”. Eu ainda dava aula, até hoje dou algumas, mas é muito pouco. Hoje a gente praticamente está focado na Bikers GO.
Mesmo com as coisas dele do marketing, ele ficava das 5 da tarde até a empresa fechar, às 11 horas, 11h30, meia-noite. Então a gente fazia esse suporte, trabalhando de domingo a domingo. Era uma loucura
Como vocês dividem as funções atualmente?
Paulo: Hoje eu estou mais na parte de expansão. Eu até ajudo no suporte quando precisa, fico no financeiro. Ele fica mais nessa parte operacional de recrutamento, de entregador e tudo mais. Ele fica mais no dia a dia da empresa.
Hoje temos pessoas que nos ajudam no suporte.
Vocês têm parcerias com estabelecimentos da cidade para oferecer benefícios aos entregadores?
Paulo: A gente sempre buscou parcerias na cidade para ajudar com gasolina, para o pessoal da bicicleta ter uma peça mais barata, uma mão de obra mais acessível para arrumar as bikes. Plano de saúde a gente sempre buscou, seguro de vida também. Então, tudo que a gente pode entregar para eles, a gente entrega, porque a empresa sem eles não acontece. Eles não são uma máquina, eles precisam disso, precisam de atenção, de um suporte humanizado, que é outro diferencial nosso.
A gente tem, em todo período, um suporte humanizado, diferente às vezes de um aplicativo grande que não vai dar isso para eles. Então, quando o cara precisa falar com alguém, ele tá falando com o dono da empresa e a gente vai ajudar, mandar alguém buscar. Se a gente tiver condição, a gente resolve. A gente já teve bicicleta que a gente adquiriu para emprestar quando acontecia isso. Fizemos parcerias na cidade, tinha uma empresa que fazia aluguel de bicicleta, e a gente fez uma parceria: quando estragava a bicicleta, o cara ia lá, pegava uma de aluguel e usava.
Então a gente sempre busca parceria para dar esse conforto para eles, ajudar eles a verem valor aqui dentro.
A gente dá premiação: os caras que fazem mais entregas acabam sendo premiados, seja com óleo, dinheiro, vale gasolina ou até um valor livre mesmo, para ele usar como quiser. Porque às vezes a gente fica engessando, dando algo que ele nem precisa tanto.
A gente também vem com parceria com dentista, corte de cabelo, salão de beleza para as mulheres, tem muitas meninas que pedalam e pilotam também, e a gente gosta muito disso.
Em quais cidades a Bikers GO opera atualmente?
Paulo: Hoje estamos em mais de uma cidade: começamos em Viçosa (MG) e hoje estamos na Bahia, no Mato Grosso. Estamos em mais ou menos 10 cidades. A nossa ideia é crescer cada vez mais, expandir, porque eu acho que a tecnologia tem que crescer.
A gestão é própria ou são franquias?
Paulo: Hoje todas as cidades que a gente atua tem um licenciado, alguém à frente. Não somos nós. São pessoas que vieram atrás da gente interessadas. A gente não tem nenhuma cidade própria, só Viçosa, porque aqui é o nosso laboratório, vamos dizer assim. É onde testamos as coisas, desenvolvemos e levamos para as outras.
A tecnologia que vocês utilizam é própria?
Paulo: Desde o primeiro dia da empresa, eu sempre lutei para ter uma tecnologia própria, sempre foi o que eu quis. Porque, para ser uma startup, uma empresa de tecnologia, a gente precisa desenvolver a própria tecnologia. Então a gente está sempre buscando isso, evoluindo, para atender melhor os nossos parceiros e conseguir expandir para outras cidades, fazendo aquilo que a gente acredita. Acho que é importante a gente andar com as próprias pernas.
Como foi feita a captação dos primeiros entregadores?
Paulo: Como eu era novato no empreendedorismo, eu queria fazer tudo certinho, então, o que eu fiz lá atrás não era muito escalável. Eu contratei duas pessoas, uma psicóloga e uma pessoa que trabalhava com treinamento. Chamei essas duas pessoas e a gente começou a falar: “Olha, está chegando na cidade, uma empresa de entrega diferente, a gente faz entregas para empresas, para pessoa física”.
Anunciamos isso e estávamos em busca de entregadores que gostassem de andar de bicicleta e que que buscassem uma renda extra ou que buscassem realmente um trabalho aqui dentro. A primeira equipe chegou, foram 20, 30 pessoas interessadas mais ou menos.
Levamos todo mundo para uma sala, eu contratei um cowork, tinha uma conhecida que fez Empretec comigo, e, assim que finalizou, ela abriu um cowork. Eu falei para ela: “Vou levar todo mundo para lá para o seu cowork, vamos fazer um café e um momento para a gente começar a ver quem que vai ser a primeira equipe”.
Fizemos uma entrevista, algumas perguntas e pegamos pessoas que gostavam de pedalar, pessoas que acreditavam no sustentável, pessoas que já tinham vendido alguma coisa sustentável. Teve um cara que vendia canetinha sustentável. Foi muito legal nesse primeiro momento, porque a gente traçou o perfil e trouxe pessoas que não só queriam fazer entrega, mas que acreditavam no projeto e nessa questão do sustentável na época.
Minha primeira captação foi assim, eu me preocupei em investir na psicóloga e no treinamento, fizemos traçando o perfil e na época a gente selecionou 10 pessoas. Nós começamos a empresa com 10 pessoas que a gente viu que tinha um perfil legal, que iria atender, que estavam dispostas a arregaçar a manga e que iriam acreditar no projeto que estava começando.
Ao mesmo tempo que a gente corria atrás dos ciclistas, a gente corria atrás das empresas para fazer entrega e ia divulgando em rede social, panfleto, a gente não era muito a favor de som, então não fizemos isso.
Fizemos parceria com uma floricultura e como era mês das mulheres, entregamos muitas flores. A gente bateu quase mil entregas no primeiro mês, foi muito legal.
Depois criamos um formulário no Google e a gente mandava para as pessoas que nos procuravam. Elas preenchiam pra depois a gente ver se tinha ou não o perfil e ir selecionando.
Não dava para toda vez que chegasse gente, contratar um psicólogo e um treinamento para fazer isso. A gente viu que não era isso. Mas nesse primeiro momento foi legal para a gente ter a segurança de quem estávamos chamando.
E como foi feita, posteriormente, a captação dos entregadores de moto?
Paulo: Quando a gente começou com a moto, a gente já conhecia alguns motoboys. Então fomos trazendo muita gente conhecida e por indicação, muito no boca a boca.
A gente tem um sisteminha hoje, a gente vai vendo o perfil da galera e chama para um recrutamento. Isso a gente faz até hoje. É um bate-papo de uma hora, uma hora meia, até duas horas para falar para ele como funciona o aplicativo, o que é a empresa. Meu sócio faz até hoje em Viçosa e nas outras cidades, a gente ensinou as pessoas a fazerem isso.
A gente junta os interessados uma vez por mês ou uma vez a cada 15 dias, depende muito da demanda e se a gente está precisando, porque a ideia é sempre equilibrar a conta.
Quantos entregadores tem na plataforma?
Paulo: Hoje no nosso sistema aqui em Viçosa, a gente tem mais de 250 entregadores cadastrados. Só em Viçosa. Mas efetivo mesmo, que estão sempre ali, porque tem muita gente que cadastra e sai, tem muita rotatividade, mas os recorrentes temos um grupo ali de 70 a 100 entregadores.
Temos um público fiel que está com a gente desde 2019, desde 2020. São os que enxergam isso aqui como um emprego realmente.
Somando todas as cidades deve ter uns 300 a 400 entregadores. As outras cidades não estão do nosso tamanho.
E quantos estabelecimentos a Bikers GO atende?
Paulo: Só aqui em Viçosa nós temos 360 clientes ativos. E aqui estou falando de estabelecimentos, não estou falando de clientes que são pessoa física. Não temos cadastro desses porque são pessoas que pedem hoje, daqui uma semana pede, daqui um mês pede, então não são recorrentes.
A gente tem um número recorrente. Hoje só em Viçosa 360.
Quantas entregas vocês têm realizado por mês?
Paulo: Só em Viçosa são 17 mil, 18 mil entregas. Na pandemia batemos 22 mil entregas, mas depois veio a concorrência. As pessoas viram que a gente estava dando certo e como qualquer empreendimento, as pessoas vêm e imitam. Hoje a gente tem um concorrente local e tem o iFood.
Falando de todas as unidades, hoje a gente está batendo aí umas 30 mil entregas mês.
No total, já fizemos mais de 1 milhão e meio de entregas.
Para pessoa física, qual o valor da entrega?
Paulo: Entrega para pessoa física a gente atende qualquer lugar, fazemos muita entrega para cidades vizinhas. Então, por exemplo, estamos em Viçosa, mas a gente já fez entrega em Belo Horizonte, em Ouro Preto, em Barbacena, estou falando de cidades que estão a 300 km, 400 km. Então, não temos quilometragem, a gente passa o valor da corrida e se o cliente quiser a gente leva para onde for.
Eles podem pedir pela nossa plataforma, mas a gente viu que isso não é muito usado, eles gostam muito do WhatsApp ainda, então o canal de venda nosso é esse. Inclusive estamos investindo em inteligência artificial para fazer esse link entre o WhatsApp e jogar no nosso sistema. Hoje a gente faz muito manual ainda.
Hoje a corrida média é R$ 8 aqui dentro da cidade, entre R$ 8 e R$ 22. Aí vai de acordo com a distância. Quando sai da cidade, cobramos a quilometragem, mas dentro da cidade a gente tabela. A gente trabalha muito com preço por bairro.
Como funciona a cobrança dos estabelecimentos? Qual o valor por entrega?
Paulo: A gente não faz cobrança de mensalidade, nada. Muitas pessoas entram aqui perguntando isso: “Ah, mas tem mensalidade?” Acho que isso acaba freando muito empresário que tem vontade de fazer entrega, porque ela já tem um custo inicial. A gente não acredita nisso. Cobramos por entrega.
Então se você chegar hoje e falar: “Paulo, montei uma hamburgueria, estou começando. Quanto é a entrega?”, nós vamos te passar uma tabela padrão. Tem alguns clientes grandes que podemos sim negociar valores diferenciados, mas temos uma tabela padrão.
Como estamos no interior, ainda temos o pagamento faturado, que é por semana. Pensando na segurança, o ideal seria pré-pago. Nós temos o pré-pago, ou seja, ele coloca uma carga e vai fazendo os pedidos. Essa seria a forma mais segura, mas como estamos no interior e conhecemos muitos empresários daqui, ainda fazemos muito esse trabalho faturado.
O valor inicial da entrega para o estabelecimento parceiro é de R$ 6.
E quanto é cobrado do entregador? É um valor fixo ou porcentagem?
Paulo: É por porcentagem. Um motoboy fica com aproximadamente 80%, 90% do valor. O entregador de bicicleta fica entre 70% a 80% mais ou menos.
Quanto fatura, em média, um entregador da Bikers GO por mês?
Paulo: Tem entregadores de bicicleta aqui que tiram R$ 3 mil, R$ 3.500. O motoboy acaba conseguindo mais, porque eles acabam pegando entregas mais longas com valores maiores. Com a bicicleta a gente atende muito a região central.
Quando trouxemos a moto, a gente falou assim: “Vamos fazer as entregas centrais de bicicleta, porque os caras vão conseguir fazer entrega rápido”.
O motoboy chega a receber R$ 4 mil, R$ 4.500. A gente tem entregador aqui que faz mil entregas por mês, é muita coisa.
Quanto a Biker GO tem movimentado financeiramente por mês?
Paulo: Vamos botar por semana, acho que uns R$ 30 mil. Por mês vai dar R$ 120 mil, R$ 150 mil.
Qual foi o momento mais desafiador até agora?
Paulo: Eu acho que todo começo de negócio é um desafio.
Naquele momento a gente não sabia com o que a gente estava trabalhando. Eu não era da logística, nem o meu sócio. Eu acho que quando a gente cresceu na pandemia também foi um desafio, porque tivemos também a mudança de nome.
Para uma empresa que começou em uma garagem, fazendo tudo manual, eu acho que o nosso maior desafio foi e ainda é acertar na tecnologia. Isso é caro e, por mais que a gente tenha a opção de alugar, a gente acredita muito na tecnologia própria.
A gente não só presta serviço, queremos ser uma empresa conhecida de tecnologia.
Qual a principal mudança que você enxerga em si mesmo depois que se tornou empreendedor?
Paulo: Eu acho que qualquer empreendimento é um desafio. Nós vamos ter os desafios, as questões do dia-a-dia. Eu era professor, CLT, as responsabilidades são diferentes. Quando você empreende, querendo ou não, tem famílias ali debaixo do seu guarda-chuva, você tem que fazer acontecer para que eles ganhem dinheiro.
As responsabilidades aumentam, a resiliência aumenta, a persistência aumenta, porque a gente quer que o nosso negócio dê certo. Eu acho que empreender foi importante para mim, porque ele me mostrou essas características que são importantes. A gente tem que saber a parte de gestão, a gente tem que saber que vai ter risco.
Quais são as metas para o futuro da Bikers GO?
Paulo: Então, a gente tem chamado a atenção de concorrentes do iFood, aplicativos menores que concorrem com o iFood. Estamos até para fechar uma parceria e talvez até negociar parte da empresa, a gente não sabe ainda. São conversas que estão começando a acontecer. A gente tem um interessado que faz mais de 500 mil vendas por mês. Deve estar batendo quase 1 milhão. Então se a gente conseguir isso, a gente está com meta de bater 200 mil entregas por mês daqui um ano.
E, por que não, bater 1 milhão de entregas daqui a dois, três anos.
E expandir sempre foi nosso sonho. A gente começou essa expansão há pouco menos de dois anos. Essa plataforma que estamos negociando, por exemplo, está em mais de 300 cidades. Então, se eu conseguir fechar parceria, minha meta é estar em mais de 300 cidades. Quanto mais cidades a gente tiver melhor.
Qual legado vocês querem deixar com a Bikers GO?
Paulo: A gente sempre buscou ser um aplicativo diferente, que realmente vai fazer a diferença para os entregadores. Então, acho que quando a gente fala de legado, a gente fala muito de fazer bem uma entrega, de atender bem os clientes, de atender bem os entregadores. Porque a gente acredita que sem um, não tem o outro. Se não tem entregador satisfeito, não tem restaurante, não tem nada. Não adianta só ter tecnologia se eu não tiver essa mão de obra satisfeita.
A gente tem que valorizar o ser humano ali, essa mão de obra que rala todo dia, na pandemia eles ralaram, chuva, sol, de domingo a domingo.

