Com um modelo diferente dos principais aplicativos de mobilidade urbana do país, o V1 vem ganhando espaço em Vitória (ES) ao apostar em frota própria e motoristas contratados em regime CLT. A operação já soma cerca de 300 mil usuários cadastrados e atende, em média, 20 mil corridas por mês.

Criado dentro do Grupo Águia Branca, o aplicativo nasceu inicialmente para atender empresas e, posteriormente, expandiu sua atuação para o público geral.

À frente da operação comercial, Gilberto Rosa Jr., gerente comercial do V1, explica como a experiência no setor corporativo ajudou a moldar o negócio, os desafios de escalar um modelo com motoristas contratados e o posicionamento baseado em segurança e qualidade.

Como foi a sua trajetória profissional até chegar ao V1?

Gilberto: Tenho 58 anos e comecei minha carreira no Exército, onde atuei como oficial por cinco anos. Depois, migrei para o setor de concessionárias, onde trabalhei de 1993 até 2009.

Em 2010, fui para a VIX Logística, do Grupo Águia Branca. Em 2018, fui convidado para assumir a área comercial do V1.

Como surgiu o V1?

Gilberto: O V1 nasceu a partir de um processo de inovação dentro do grupo, com projetos desenvolvidos após imersões internacionais. Criamos um MVP, testamos internamente e, com os resultados positivos, levamos ao mercado.

Qual era o foco inicial do aplicativo?

Gilberto: O foco inicial era o mercado corporativo. Identificamos que as empresas precisavam de transporte com mais segurança e pagamento sob demanda. Depois, expandimos para pessoa física.

Onde o V1 atua hoje?

Gilberto: Para pessoa física, atuamos em Vitória. Já no segmento corporativo, atendemos também outras regiões, como Macaé (RJ) e cidades de São Paulo.

Quantos motoristas e veículos fazem parte da operação?

Gilberto: Hoje temos cerca de 245 carros e aproximadamente 380 motoristas. Todos são contratados em regime CLT e a frota é própria.

Qual o principal diferencial do V1?

Gilberto: O diferencial é justamente esse modelo com frota própria e motoristas CLT. Isso permite maior controle da operação e padronização do serviço.

Qual problema do mercado vocês buscaram resolver?

Gilberto: A principal demanda era segurança, tanto para empresas quanto para pessoas físicas. Muitas pessoas passaram a usar o serviço por esse motivo.

Qual foi o investimento inicial?

Gilberto: O investimento foi de aproximadamente R$ 8 milhões, principalmente em tecnologia e desenvolvimento.

Qual foi o momento mais desafiador?

Gilberto: A pandemia. Foi um período que exigiu decisões rápidas, mas também trouxe crescimento no segmento corporativo.

Quando vocês perceberam que o negócio estava dando certo?

Gilberto: Durante a pandemia, em 2020, quando a demanda corporativa cresceu.

Quantos usuários e clientes o V1 possui atualmente?

Gilberto: Temos cerca de 300 mil usuários cadastrados e atendemos aproximadamente 340 empresas por mês.

Quantas corridas são realizadas por mês?

Gilberto: São cerca de 20 mil corridas mensais.

Qual o ticket médio das corridas?

Gilberto: O ticket médio é de aproximadamente R$ 60 por corrida.

Qual o volume financeiro movimentado pela operação?

Gilberto: Movimentamos cerca de R$ 2,5 milhões por mês em corridas.

Quanto ganha, em média, um motorista do V1?

Gilberto: A média é de cerca de R$ 3.500 mensais, considerando salário e bonificações.

Como funciona a remuneração dos motoristas?

Gilberto: Eles recebem salário fixo, benefícios e bonificações por metas. Não têm custos com veículo.

O modelo CLT traz desafios?

Gilberto: Sim. O principal desafio é equilibrar custo fixo com a variação da demanda.

Vocês enfrentam problemas com corridas por fora?

Gilberto: Não. Temos controle sobre a operação, então isso não é um problema relevante.

O que mais incomoda no mercado de mobilidade?

Gilberto: A falta de foco em qualidade e respeito ao usuário. Muitas empresas priorizam apenas o volume.

Quais são as expectativas para o futuro da mobilidade?

Gilberto: O setor ainda deve passar por mudanças regulatórias, mas isso deve levar tempo.

Qual legado o V1 quer deixar?

Gilberto: Queremos oferecer mobilidade com segurança e qualidade, sempre com respeito às pessoas.

Foto de Giulia Lang
Giulia Lang

Giulia Lang é jornalista formada pela Fundação Cásper Líbero e há três anos cobre o mercado de mobilidade urbana e delivery pelo 55content.