Ex-motorista de aplicativos como Uber e 99, Jefferson Clipton Medeiros decidiu transformar a experiência na rua em um novo negócio.

Morador de São Sebastião, no litoral norte de São Paulo, ele criou o Boitudrivers com o objetivo de reduzir taxas e equilibrar ganhos entre motoristas e passageiros.

Em fase inicial, a plataforma já opera em três cidades e busca ampliar sua base de usuários.

Antes de falar sobre o aplicativo, conta um pouco da sua trajetória. O que te levou até a mobilidade urbana?

Jefferson Medeiros: Eu sou morador de São Sebastião e trabalhei como motorista da Uber e da 99. No dia a dia, percebi que as taxas cobradas eram muito altas. Foi isso que me motivou a criar o meu próprio aplicativo, com uma proposta diferente dentro da mobilidade urbana.

Quais problemas do mercado você identificou?

Jefferson Medeiros: Em alguns momentos, o valor das corridas é muito baixo e não compensa para o motorista. Em outros, o preço fica alto para o passageiro. Falta um equilíbrio. A ideia do aplicativo é justamente trabalhar melhor essa relação.

Quando o Boitudrivers foi criado?

Jefferson Medeiros: O aplicativo já tem cerca de dois anos.

Você tem sócios?

Jefferson Medeiros: Não, é um projeto solo.

Como foi o processo para colocar o app no ar?

Jefferson Medeiros: Eu procurei uma empresa que desenvolve aplicativos e comecei a estruturar a plataforma. Depois disso, passei a focar na captação de motoristas e passageiros.

Como você faz essa captação hoje?

Jefferson Medeiros: Principalmente pelas redes sociais, como Instagram, Facebook e WhatsApp.

Qual foi o investimento inicial?

Jefferson Medeiros: Foi em torno de R$ 1.200.

E esse investimento já trouxe retorno?

Jefferson Medeiros: Sim, já tem retorno.

Quais foram os maiores desafios no início?

Jefferson Medeiros: O mais difícil é captar passageiros. Motorista costuma se interessar mais rápido por novas plataformas, mas o passageiro demora mais para aderir.

O que mudou na sua vida depois que você começou a empreender?

Jefferson Medeiros: Eu aprendi muito sobre o mercado de mobilidade urbana.

Como é sua rotina hoje?

Jefferson Medeiros: Eu me dedico mais à gestão do aplicativo, monitorando o sistema e os motoristas. Mas, às vezes, também faço corridas.

Você teve medo de lançar o app? E quais críticas ouviu?

Jefferson Medeiros: O medo era de não dar certo. E muita gente dizia que não iria funcionar. Ainda dizem. Mas eu acredito no projeto.

Teve alguém importante nessa trajetória?

Jefferson Medeiros: Sim, um amigo que já faleceu. Ele tinha um aplicativo chamado Phoenix e me ajudou a entender o sistema. Aprendi muito com ele.

Em que momento você percebeu que o app estava evoluindo?

Jefferson Medeiros: Ainda não teve um momento específico, mas vejo que cada vez mais pessoas estão instalando e pedindo corridas.

Em quais cidades o Boitudrivers está presente?

Jefferson Medeiros: São Sebastião, Caraguatatuba e Taubaté.

Quantos usuários e motoristas vocês têm hoje?

Jefferson Medeiros: Em São Sebastião, são cerca de 10 motoristas e aproximadamente 300 passageiros cadastrados.

Quantas corridas vocês realizam?

Jefferson Medeiros: Em média, entre 10 e 20 corridas por mês. Por dia, varia entre uma e duas corridas.

Qual o valor da corrida mínima?

Jefferson Medeiros: R$ 10, com aumento após 2 km.

Quanto um motorista já conseguiu faturar na plataforma?

Jefferson Medeiros: Teve motorista que chegou a faturar cerca de R$ 1.000.

Como funciona a remuneração?

Jefferson Medeiros: O motorista recebe diretamente e depois faz o repasse para a plataforma. Também existe carteira digital no sistema.

Qual é a taxa cobrada?

Jefferson Medeiros: No máximo 10%.

Qual o volume financeiro do app hoje?

Jefferson Medeiros: Já tivemos mês com cerca de R$ 4.000 em corridas. O faturamento da empresa gira em torno de R$ 400.

Quais são os próximos passos?

Jefferson Medeiros: Quero aumentar o número de corridas e expandir para mais cidades.

Como você vê o futuro da mobilidade regional?

Jefferson Medeiros: Vejo com potencial. Ainda tem muito espaço para crescer.

O que os apps regionais precisam fazer para competir com as grandes plataformas?

Jefferson Medeiros: É difícil competir com Uber e 99, mas é possível com um bom trabalho, oferecendo melhores ganhos para motoristas e um serviço de qualidade para os passageiros.

Você tem receios para o futuro?

Jefferson Medeiros: Não. Eu acredito que vai dar certo.

Que legado você quer deixar?

Jefferson Medeiros: Quero fazer um bom trabalho, tanto para motoristas quanto para passageiros.

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Giulia Lang

Giulia Lang é jornalista formada pela Fundação Cásper Líbero e há três anos cobre o mercado de mobilidade urbana e delivery pelo 55content.