“Eu quero sair da roça, vou para a cidade, vou estudar e vou ser alguém na vida.” Francisco Bispo da Silva, de 47 anos, costuma dizer que sua história “daria” um livro. Nascido em Xique-Xique, no interior da Bahia, ele cresceu em uma rotina marcada pelo trabalho no campo e, conforme conta, por dificuldades. Francisco aponta que, depois de ter sido picado por uma cobra enquanto caçava no mato, encontrou o momento decisivo para mudar o rumo da própria vida: “Eu quero sair da roça, vou para a cidade, vou estudar e vou ser alguém na vida”. Mesmo contrariando a vontade do pai, o gestor saiu de casa, começou a trabalhar como mecânico e passou a estudar.
Mais tarde, se mudou para São Paulo, onde uma irmã já morava, e concluiu os estudos. Mecânico de automóveis, Francisco abriu uma oficina, em que trabalhou por alguns anos. Depois, passou pelo setor de entregas e, mais recentemente, começou a trabalhar como motorista de aplicativo em plataformas como Uber e 99. Foi nesse contato com o setor de mobilidade que diz ter começado a observar falhas que gostaria de corrigir se tivesse um aplicativo próprio, principalmente, a remuneração dos motoristas.
Assim, nasceu, em 2022, o 74MOB, plataforma pensada inicialmente para a cidade natal do gestor. Mesmo morando, atualmente, em São Paulo, Francisco compartilha que quis começar o projeto na terra de origem, onde, segundo ele, ainda há espaço para soluções regionais de mobilidade e entregas. A proposta é funcionar como um aplicativo completo, incluindo diferentes categorias, como transporte de passageiros, mototáxi e delivery.
Como foi sua trajetória até começar a empreender neste setor?
Francisco Bispo: Eu sou mecânico de automóvel e tive uma empresa no ramo automobilístico desde 2009. Depois tive alguns problemas, parei e fui trabalhar com entregas e transporte. Comprei uma Kangoo e comecei a empreender também nessa área, mas depois parei novamente, casei e voltei para a mecânica. Atualmente, trabalho com aplicativos, como Uber e 99.
Em 2022, minha esposa teve um AVC e eu fiquei um tempo em casa. Foi aí que comecei a procurar alguma forma de empreender na internet e encontrei uma empresa que fazia aplicativos. Eu já trabalhava com plataformas e sempre via os motoristas reclamando das taxas altas e do pouco valor que recebiam. O motorista fica com combustível, manutenção e toda a logística, enquanto a empresa só conecta passageiro e motorista e fica com a maior parte. Às vezes o passageiro paga R$ 50 e o motorista recebe R$ 28. Então comecei a colocar essas ideias no papel.
No início, o projeto era para a Bahia, porque eu sou de lá e via que cidades menores ainda não tinham aplicativos. A plataforma permite trabalhar com transporte, mototáxi e entregas, além de ter categorias diferentes, como a Lady, voltada para mulheres motoristas e passageiras.
Depois, algumas pessoas entraram no projeto para ajudar. Contratei empresa para fazer site, redes sociais e estrutura da marca, e fui investindo aos poucos. Só que um dos parceiros desistiu no meio do caminho, mesmo com os aplicativos já prontos na Play Store e na Apple Store. Hoje estou reorganizando tudo sozinho, inclusive devolvendo o dinheiro que ele investiu.
Mesmo com as dificuldades, eu não desisti. A empresa está registrada em Diadema, na Grande São Paulo, e eu acredito muito no projeto. Acho que tudo acontece no tempo certo e que, quando der certo, vai valer a pena toda essa caminhada.
Onde você nasceu e cresceu? Como era sua rotina?
Francisco Bispo: Minha trajetória de vida é bem difícil. Minha cidade é a última cidade do mapa. Se você for escolher a cidade na internet, ela aparece lá no final. É uma cidade chamada Xique-Xique, na Bahia. Nasci ali, mas vivi sempre no interior da Bahia. Trabalhei por muito tempo na roça.
Se você quiser contar minha história mesmo, dá um livro. Aos 17 anos, eu não sabia nem fazer meu nome. Eu pensava em ir para a cidade, mas meu pai dizia que eu não podia, que eu ia virar vagabundo, que cidade grande não era para gente como nós, sem estudo.
Em uma época, eu estava caçando no mato, porque a gente vivia mais ou menos como índio. Uma cobra me mordeu. Fiquei muito ruim por um tempo, fui para a cidade e me recuperei. Quando me recuperei, abriu uma luz na minha mente: eu queria sair da roça, ir para a cidade, estudar e ser alguém na vida.
Passei por cima da ordem do meu pai. Eu já tinha 18 anos e disse: “Eu vou”. Ele arrumou um emprego para mim em uma mecânica na cidade. Fui morar sozinho e morei sozinho por um ano. Comecei a estudar.
Por volta de 2000, minha irmã já morava em São Paulo e me chamou. Eu falei: “Vou para São Paulo”. Vim para cá e estou aqui até hoje. Me formei, graças a Deus. Não foi fácil a minha trajetória. Um dia ainda quero escrever um livro com toda a minha história. O tema seria algo como “O garoto da roça começa a empreender na cidade grande”.
Quando criança ou adolescente, você tinha algum sonho específico de profissão ou vontade de ter algo seu?
Francisco Bispo: Eu nunca tive esse sonho específico. Eu sempre pensava: “Quero ser alguém na vida”. Esse era meu jargão. Eu queria estudar, ter uma profissão e ser alguém na vida.
Como eu não tinha estudo, não sabia nem o que significava a palavra empreender. Mas, quando comecei a estudar, abriu um leque na minha mente. Quando vim para São Paulo, comecei a trabalhar em oficina em 2000. Trabalhei uns cinco anos nessa oficina. Depois surgiu uma oportunidade e comprei uma oficina. Ela estava indo muito bem, cheguei a ficar bem.
Só que, às vezes, a gente não vigia e deixa o que é nosso na mão dos outros. Eu arrendei essa oficina, tive um grande problema com esse pessoal e precisei vender para pagar dívidas. Foi aí que fiquei chateado com o ramo da mecânica e parei. Parei com mecânica desde 2014.
Casei em 2014, com 35 anos. Hoje tenho 47 anos e dois filhos, Ana Clara e Samuel, que me inspiram muito a seguir na vida. Tudo que faço hoje é pensando no bem-estar da família. Às vezes a família diz que eu sou sonhador. Tenho 47 anos, mas apenas um ano de registro na carteira. Nunca gostei muito de trabalhar como CLT. Minha vontade sempre foi empreender.
Minha irmã fala: “Você começa a trabalhar na oficina e quer ser dono da oficina. Começa a trabalhar no Uber e quer ser dono do Uber”. E eu digo: “Eu já tenho uma plataforma igualzinha”. Um dia, todos esses esforços vão valer a pena.
Com que idade você começou a trabalhar e quando conseguiu concluir os estudos?
Francisco Bispo: Comecei a trabalhar com 18 anos, quando meu pai conseguiu aquele trabalho na mecânica. Consegui concluir meus estudos em 2007. Eu já estava com uns 30 e poucos anos, mais ou menos. Comecei a estudar entre 17 e 18 anos e fui fazendo EJA. Graças a Deus, consegui chegar ao final. Nunca é tarde, mas eu ainda queria fazer mais coisas. Ainda tenho muita coisa que pretendo fazer.
Quais aprendizados dos seus trabalhos anteriores você carrega hoje para a gestão da plataforma?
Francisco Bispo: Eu já tenho uma experiência de administrar meu próprio negócio e sei que é difícil. Quando você administra uma empresa que tem capital, é fácil. Agora, quando vai administrar algo sem capital, tendo que decidir o que vai pagar neste mês e o que vai deixar para o mês seguinte, fica difícil.
Quando a gente passa de empregado para patrão, as coisas mudam completamente. O empregado quer ter o dinheiro dele. Se o patrão vai ter dinheiro ou não, ele não quer saber. Então eu carrego comigo que empreender não é fácil. Para empreender, você precisa ter um corpo jurídico bem ajustado. Não é fácil mesmo.
Quando você trabalhou com entregas, você era entregador ou também tinha empresa nessa época?
Francisco Bispo: Não, era só entregador mesmo. Eu trabalhava em outras empresas. Era só entregador.
Você já trabalhou para alguma plataforma regional ou apenas para grandes plataformas?
Francisco Bispo: Ainda não trabalhei para plataforma regional. Já fui chamado para trabalhar em uma cooperativa do Rio, mas não lembro agora o nome. Conheço algumas plataformas. Inclusive, a empresa que fez meu aplicativo também fez outros aplicativos regionais, como um de Foz do Iguaçu, chamado 20 Buscar, que já tem bastante sucesso.
Mas eu trabalhei mesmo só nas plataformas grandes. O pessoal não dá muita credibilidade para plataformas pequenas. Por isso eu pretendo começar em um lugar onde esses aplicativos grandes não existem. Xique-Xique, por exemplo, não tem aplicativo. Mas tem uma média de 45 a 50 mil habitantes.
Você pretende lançar o 74MOB em uma cidade só ou em várias cidades?
Francisco Bispo: A princípio, era para começar em todas. Esse parceiro que eu tive dizia que seria chato ter corrida em Diadema e não ter em São Bernardo, por exemplo. A gente compra a licença por cidade ou pelo estado inteiro. Eu comprei a licença do estado da Bahia inteiro, então posso começar na Bahia inteira. Só que isso custa muito, pela logística.
O certo seria começar em uma cidade pequena e depois expandir. Tenho visto que outros aplicativos cresceram mais ou menos assim. Se aparecer uma oportunidade ou um investidor, quem sabe a gente expande mais rápido.
Você já escolheu a cidade onde pretende começar?
Francisco Bispo: Tenho duas possibilidades. Se for começar em São Paulo, seria em Diadema, onde a empresa está registrada. Se for começar na Bahia, seria em Irecê, que tem cerca de 90 mil habitantes. Irecê é conhecida como a capital do feijão, é uma cidade desenvolvida e tem várias cidades pequenas ao redor.
Quais falhas você via em outros aplicativos e quer resolver com o 74MOB?
Francisco Bispo: A principal falha é o ganho do motorista. Acho injusto, por exemplo, uma corrida de 10 km custar R$ 20 e o motorista receber R$ 12. No 74MOB, a ideia é ter um viés simples: o motorista receber R$ 2 por quilômetro. Se forem 20 km, ele recebe R$ 40, mais os 15% da plataforma.
Essa tarifa pode ser mudada conforme o custo operacional, porque nenhuma plataforma consegue se manter sem tarifa. Mas, para começar, seria mais ou menos isso. Também não adianta colocar um valor alto e o passageiro não querer pagar.
Outras plataformas cobram em média R$ 2,30 por quilômetro e pagam ao motorista R$ 1,10, R$ 1,20, R$ 1,25, R$ 1,30. A diferença é muito grande. Esse é um ponto que quero mudar quando começar a operar.
Como vai funcionar a média de valor por quilômetro?
Francisco Bispo: A média será de R$ 2 por quilômetro nos horários normais. Em horário de pico, pode ir de R$ 2 até R$ 3, conforme a demanda.
Você lembra do momento em que pensou que poderia fazer um aplicativo seu?
Francisco Bispo: Não lembro de uma cena muito específica. Eu estava pesquisando na internet e encontrei essa plataforma. Entrei em contato com a empresa, comecei a conversar com o pessoal e passei minha ideia. Eles disseram que conseguiam fazer um aplicativo só meu, com minha marca e minhas cores. Foi assim que entrei nessa ideia.
Qual foi a desenvolvedora que vendeu a plataforma?
Francisco Bispo: Foi a Fábrica 704.
Como surgiu a participação da pessoa que ajudou no começo do projeto?
Francisco Bispo: Eu sou da igreja. Foi na igreja mesmo que o pessoal viu a ideia e falou: “Poxa, que bacana, é uma ideia muito boa”. As pessoas viam o que acontecia em outros aplicativos e pensavam no potencial de lucro. Falavam que outras plataformas começaram em 2014 e, em menos de um ano, já estavam vendendo milhões.
Mas eu dizia que o diferencial é que muitas plataformas começaram com milhões. Quando a gente não tem milhões, precisa começar com pouco.
Mesmo sem lançar oficialmente, você já começou a captar motoristas e passageiros?
Francisco Bispo: Sim. Na plataforma, já tem alguns motoristas cadastrados e usuários também. Tenho cartão, às vezes faço corrida, e já fiz corridas teste pelo aplicativo.
Eu penso que o meu motorista vai ser igual a mim. Eu não quero fazer uma corrida para receber em 15 dias ou 10 dias. Nas plataformas, se você não tiver banco digital, só recebe em sete dias. Se quiser antecipar, perde muito. Eu já calculei que, para deixar no automático, perderia 7,2% do valor da corrida.
O motorista hoje quer trabalhar e receber na hora. Terminou a corrida, ele quer receber. No máximo, no dia seguinte. A plataforma tem integração com a Pagar.me, da Stone. Ela recebe em 14 dias, mas eu consigo antecipar para o dia seguinte.
Quantos motoristas você já tem cadastrados?
Francisco Bispo: Tenho em média 10 motoristas já cadastrados e contato de vários outros que estão no WhatsApp, dizendo que, quando começar, vão entrar. De vez em quando recebo mensagem pelo WhatsApp de pessoas que vieram pelo site do 74MOB.
Também tenho a parte de delivery. Na verdade, tenho dois aplicativos: um de delivery e um de transporte. Mas, conversando com o pessoal da gestão, vimos que é melhor começar com um primeiro. Se já está difícil começar com um, imagine com dois.
Como você pensa a questão da segurança no aplicativo?
Francisco Bispo: Todos os motoristas são verificados com antecedentes criminais. Isso é um ponto positivo, porque as pessoas perguntam muito sobre segurança.
Eu costumo dizer que a segurança do aplicativo é parecida com a das outras plataformas. Os motoristas das plataformas grandes também podem estar em qualquer outra plataforma. Se acontecer alguma situação, é uma questão de caráter do motorista.
O aplicativo tem botão integrado com o 190, para a pessoa mandar mensagem direto. Também quero que o atendimento seja humanizado. Hoje tudo é robotizado. Você manda mensagem e recebe resposta horas depois. Eu quero um atendimento mais humano.
Outra coisa que vejo é que as plataformas bloqueiam o motorista sem uma pergunta prévia. Por exemplo, se um passageiro faz uma acusação dentro do carro, a plataforma bloqueia o motorista sem perguntar se aquilo é verdade. Ela não aceita a resposta do motorista, só quer saber a versão do passageiro. Acho que é preciso ouvir os dois lados.
Eu, como motorista, já sofri assédio dentro do carro. Cada pessoa tem um caráter. Então, é preciso chamar o motorista para conversar, mostrar a mensagem e perguntar o que aconteceu de verdade.
Você pretende cobrar taxa ou mensalidade dos motoristas?
Francisco Bispo: Posso fazer das duas formas. Isso será uma conversa com os motoristas, para entender o que eles acham. Para mim, é melhor trabalhar com taxa em porcentagem.
Tem plataforma em que o motorista precisa adicionar crédito. Por exemplo, adiciona R$ 30 e a taxa vai sendo consumida conforme as corridas. Eu não acho legal essa prática, porque às vezes o motorista pode não ter dinheiro na hora. Teve outra plataforma, a Bora Brasil, que veio com essa ideia de cobrar taxa e não deu certo. A gente vai vendo as situações dos outros aplicativos e implementando aqui.
Você já tem uma ideia de limite para essa taxa?
Francisco Bispo: Quero trabalhar entre 15%, no começo, até 20%. Não vai passar de 20%. A média será essa. Conforme a demanda, pode ajustar um pouco, porque vai ter funcionário, marketing, custos mensais. É preciso fazer um apanhado de quanto a empresa vai gastar por mês.
Você já definiu o valor da corrida mínima?
Francisco Bispo: Sim. Essa é uma briga muito grande. Ninguém quer fazer corrida de R$ 5,50. Isso não paga nem um litro de gasolina, que hoje está em torno de R$ 7. Às vezes entram quatro pessoas no carro para uma corrida desse valor. E, se der R$ 5,80, a pessoa ainda quer os 20 centavos de troco.
Eu penso que a corrida mínima deve ser R$ 10. Inclusive, é uma pauta que motoristas brigam na Câmara de São Paulo para aprovar. Corrida mínima de R$ 10, cobrindo até 5 km, para manter a média de R$ 2 por quilômetro.
Qual foi o investimento inicial feito no aplicativo até agora?
Francisco Bispo: Já passou de R$ 100 mil. Não foi tudo de uma vez. Comecei esse projeto em 2022. Todo mês tem algo para pagar: taxa da empresa, impostos, manutenção, site, aplicativo. Inclusive, os aplicativos agora nem estão funcionando, porque precisam ser atualizados. Quanto mais tempo leva, mais se gasta. Já são três, quatro anos com esse projeto.
Houve alguém ou algum grupo fundamental no processo de estruturar o negócio?
Francisco Bispo: Na verdade, não. Quem apoiou foram algumas pessoas que viram a ideia e pensaram no lucro, dizendo que ia dar certo. Mas, praticamente, eu tenho pensado nisso sozinho.
Qual foi a maior mudança em você depois de começar a empreender?
Francisco Bispo: Acho que foi a maturidade. Aprendi a não confiar tanto nas pessoas. O que tenho passado é isso: confiar muito, abrir mão daquilo que era para eu fazer e deixar na mão de outra pessoa.
Comecei a entender que uma terceira pessoa não olha para o seu negócio como você olha. Tem um ditado que diz que o olho do dono é que engorda o boi. Quando quebrei na oficina, foi por causa disso. Fui viajar, passei uns 40 dias fora e deixei meu sócio. Quando voltei, minha empresa estava com um rombo de quase R$ 30 mil. Ele fez uma loucura, trocou cheque com agiota, e aconteceu um monte de coisa.
Ao longo do tempo, a gente aprende que precisa estar bem estruturado e pensar bem para não acontecer novamente esse tipo de coisa.
Do que você mais se orgulha na sua trajetória até aqui?
Francisco Bispo: Da persistência. Sou uma pessoa bastante persistente. Mesmo que alguém olhe e diga que não vai dar certo, eu penso: “A ideia é minha e eu acredito que vai dar certo”. Pode não ter dado certo agora porque não era o momento certo.
Tem um versículo de que gosto muito, Eclesiastes capítulo 3, que diz que para tudo há um tempo determinado por Deus. Há tempo de nascer, crescer, envelhecer e morrer. Se Deus ainda não permitiu que eu chegasse lá em cima, é porque ainda não era o tempo certo. Às vezes a gente quer ajustar o tempo, mas o tempo não é nosso, é de Deus. Vai ser na hora certa.
Como você chegou ao nome 74MOB?
Francisco Bispo: Foi justamente por causa do DDD. O 74 é o código da região. Isso mostra que comecei o projeto pensando lá na Bahia, mesmo morando em São Paulo. O 74 vem do DDD, e o MOB vem de mobilidade. A ideia foi minha. Todas as ideias eu fui implementando. Minha cabeça é ampla; estou trabalhando e ela começa a fluir.
Como você enxerga o futuro dos aplicativos regionais no Brasil?
Francisco Bispo: Acredito que vai ser muito bom para o mercado. Essas plataformas grandes já estão muito ricas. Elas estão robotizando os carros, com carros elétricos, sem motorista. Então, a plataforma regional que se sobressair na frente vai ter grandes oportunidades de crescimento.
Eu não acredito que a Uber fique muito tempo no Brasil, justamente por causa das taxas exorbitantes e das brigas de regulamentação. O governo quer colocar uma regulamentação, as empresas querem outra, e o motorista é autônomo. O motorista quer sair de manhã, colocar gasolina no carro dele, porque o carro é dele, não é de uma empresa.
Vejo um potencial de crescimento muito grande para as plataformas regionais.
O que as plataformas regionais precisam ter para dominar o mercado frente às grandes plataformas?
Francisco Bispo: Apoio governamental. Apoio do governo e do Estado. Hoje, quando você faz uma corrida, grande parte dos tributos não fica aqui, vai para fora, para São Francisco, onde ficam essas empresas.
Se o governo acredita no meu projeto e pergunta do que eu preciso, isso pode enriquecer o Estado. O imposto e o crescimento ficam dentro da cidade. Gera emprego. O motorista pode trabalhar, pagar seus tributos. Falta apoio dos governos e dos políticos para investir em uma empresa brasileira.
Eu vi uma ideia do Pablo Marçal que dizia algo como fazer um Uber Brasil, um Uber São Paulo, sem precisar ser uma empresa de fora. Mas, quando a gente tem uma ideia assim, as pessoas dizem que você é maluco. Muita gente não acredita que empreender no Brasil é uma boa ideia.
Qual marca ou legado você quer deixar na sua cidade, na sua região e nos lugares por onde o aplicativo passar?
Francisco Bispo: Quero deixar uma boa impressão. Uma empresa que a pessoa diga: “Você conhece a 74MOB? Sim, conheço”. Hoje, qualquer coisa as pessoas colocam no Reclame Aqui, então a visibilidade da empresa na cidade é muito importante.
Acredito que isso é marketing: ser bem visto, ser uma empresa pagadora, responsável e acolhedora. Acho que tem que ser dessa forma.
Quero acrescentar que, na próxima entrevista que tivermos, a empresa já vai estar funcionando. Aí você já vai baixar o aplicativo e vamos conversar de novo com ele em operação.
Eu li as histórias do pessoal na plataforma de vocês e achei bastante interessante, bastante legal. Fiquei surpreso quando vocês me acharam. Quando alguém te encontra na internet, você começa a perceber que está chegando a lugares que achou que não chegaria. Alguém olhar e dizer “vou contar essa história” é muito importante.

