Aloan, fundador da Moov, transformou uma percepção do mercado de mobilidade em Juiz de Fora em um aplicativo regional que hoje reúne cerca de 1.000 motoristas cadastrados, mais de 4.600 passageiros e realiza, em média, 2.400 corridas por mês. Com experiência na indústria e passagens por diferentes regiões do Brasil e do exterior, ele identificou após a pandemia uma oportunidade de criar um modelo mais próximo da comunidade, com foco em tarifas mais justas para motoristas e um atendimento mais humano para passageiros.
Sem sócios e com um investimento inicial de cerca de R$ 20 mil, a Moov cresceu apostando fortemente no digital, utilizando redes sociais, influenciadores locais e relacionamento direto com usuários. Hoje, o aplicativo opera em Juiz de Fora e cidades do entorno, cobrando uma taxa de 10% por corrida e movimentando aproximadamente R$ 30 mil mensais em faturamento.
Na entrevista, Aloan fala sobre os desafios de empreender no setor, o receio inicial de rejeição, a resistência de parte dos motoristas aos apps regionais e sua visão sobre o futuro da mobilidade urbana. Ele também destaca que o maior diferencial da Moov é a proximidade com motoristas e passageiros, defendendo um modelo de atendimento mais empático e conectado à realidade local.
Para começar, você pode se apresentar, contar sua idade, onde nasceu e sua trajetória profissional até se tornar gestor de um app?
Aloan: Sou nascido e criado em Juiz de Fora, Minas Gerais. Tenho uma trajetória na indústria, trabalhei em diferentes regiões do Brasil e também no exterior. Meu primeiro contato com aplicativos regionais foi no Mato Grosso do Sul, onde percebi um engajamento maior dos motoristas e um atendimento diferenciado. Após a pandemia, voltei para Juiz de Fora e identifiquei uma oportunidade no mercado local.
Onde a Moov atua atualmente?
Aloan: Atuamos em Juiz de Fora, Minas Gerais, e também atendemos regiões próximas.
Qual foi a principal dor do mercado que te levou a criar o aplicativo?
Aloan: O valor das tarifas para os motoristas e a qualidade do serviço para os passageiros. A ideia foi equilibrar esses dois pontos.
Como foi o processo de aquisição dos primeiros motoristas e passageiros?
Aloan: O foco foi totalmente no digital, com atuação forte em redes sociais, uso de influenciadores locais e produção de conteúdo.
Você possui sócios?
Aloan: Não, a operação é individual.
Qual foi o investimento inicial para colocar a plataforma em operação?
Aloan: Nos primeiros quatro meses, o investimento foi de aproximadamente R$ 20 mil, incluindo marketing, ponto de apoio e divulgação.
Qual foi a maior dificuldade desde o lançamento?
Aloan: A principal dificuldade foi a resistência inicial de alguns motoristas, que têm receio de aplicativos regionais.
Em que momento você percebeu que o aplicativo estava dando certo?
Aloan: Logo no início, pelos feedbacks positivos de passageiros e motoristas. Um caso marcante foi de uma passageira com deficiência física que relatou ter recebido ajuda do motorista, algo que não havia acontecido em outros aplicativos.
Você já atuou como motorista no próprio app? Como é sua rotina hoje?
Aloan: No início, sim. Hoje, foco na gestão. Pela manhã, atendo demandas e reuniões, e à tarde fico dedicado à operação do aplicativo.
Do que você mais se orgulha na sua trajetória e o que mudou após empreender?
Aloan: Me orgulho da coragem de empreender. A rotina ficou mais intensa, mas sigo com o mesmo perfil, apenas com mais responsabilidades.
Quantos motoristas e passageiros estão cadastrados atualmente?
Aloan: São cerca de 1.000 motoristas cadastrados e 4.627 passageiros.
Quantas corridas vocês realizam por mês?
Aloan: Em média, cerca de 2.400 corridas mensais finalizadas.
Vocês atuam apenas em Juiz de Fora ou também em outras regiões?
Aloan: A base é Juiz de Fora, mas atendemos o entorno.
Qual era o seu maior medo antes de lançar o aplicativo?
Aloan: A rejeição. Tinha receio de o público não aderir, mas o resultado foi positivo.
Como funciona a cobrança dos motoristas?
Aloan: Trabalhamos com uma taxa de 10% por corrida, já descontada automaticamente.
Qual é o valor da corrida mínima e como funciona a tarifação?
Aloan: A corrida mínima é de R$ 10 para até 4 km, podendo chegar a R$ 11 em horário de pico.
Qual a média de faturamento dos motoristas? Existe algum recordista?
Aloan: A média gira em torno de R$ 4.500 mensais. Já tivemos motoristas que chegaram a faturar cerca de R$ 5.100, considerando campanhas e incentivos.
Quanto a empresa movimenta em corridas e qual o faturamento?
Aloan: O faturamento mensal gira em torno de R$ 30 mil, considerando a taxa da plataforma.
Quais são suas expectativas para o futuro da mobilidade urbana?
Aloan: Vejo espaço para aplicativos regionais crescerem.
O que os aplicativos regionais precisam fazer para ganhar mercado?
Aloan: Estar próximos da comunidade, motoristas e passageiros, principalmente em suporte e relacionamento.
Vocês enfrentam problemas com corridas por fora?
Aloan: Não. Temos soluções dentro do app que reduzem esse comportamento.
O que mais te incomoda no mercado atualmente?
Aloan: Campanhas negativas e desinformação contra aplicativos regionais.
Quais são suas principais inseguranças para o futuro?
Aloan: A regulamentação do setor ainda é uma incerteza.
Qual é o ticket médio das corridas?
Aloan: Cerca de R$ 12,79 por corrida.
Qual legado você pretende deixar com a Moov?
Aloan: Um modelo mais humano de atendimento, com mais empatia entre motoristas e passageiros.

