A ideia do Rota On-Line surgiu depois de uma viagem de Alison Felipe e Sara para Belo Horizonte. Na época, o transporte por aplicativo ainda era comum apenas em grandes centros, e os dois perceberam que levar esse tipo de serviço para Três Marias poderia ser uma oportunidade.

Sara, natural de Três Marias, não era motorista de aplicativo. Alison também não vinha diretamente desse mercado, embora já tivesse trabalhado com serviços de motorista, como caminhão. A primeira experiência dele como motorista de aplicativo foi dentro do próprio Rota On-Line.

“A gente viu que, sete anos atrás, esse mercado era algo muito de grandes centros. A partir daí, resolvemos trazer para a nossa cidade”, afirma Alison.

Aplicativo nasceu pela falta de transporte no interior

Antes do Rota On-Line, Três Marias não tinha aplicativo de mobilidade. Segundo os gestores, a cidade contava com poucos taxistas e o serviço era caro, o que abriu espaço para uma alternativa local.

O desafio, no entanto, era apresentar um serviço totalmente novo para uma cidade do interior, onde parte da população tinha receio de baixar o aplicativo. 

“Como é interior, o pessoal tem muito medo. A pessoa ficava com medo do serviço, se era realmente da cidade, se podia confiar, se podia baixar”, explica Alison.

Alison foi o primeiro motorista

No começo, o primeiro motorista do Rota On-Line foi o próprio Alison. A partir daí, os gestores fizeram reuniões, divulgaram o serviço e começaram a atrair outras pessoas interessadas em rodar pela plataforma.

“A adesão dos motoristas foi mais rápida do que a dos passageiros. Como a cidade é pequena, a notícia de que havia um aplicativo novo se espalhou e passou a atrair pessoas interessadas em fazer renda extra”, explica o gestor. 

Divulgação começou fora do digital

Na época do lançamento, o marketing ainda era mais tradicional. O Rota On-Line usou rádio, panfletos, cartões, reuniões e boca a boca para explicar o funcionamento da plataforma.

“Foi preciso ‘botar a cara na frente’ para ensinar as pessoas a usarem o aplicativo e reduzir a desconfiança inicial”, diz Alison. 

Pandemia dificultou o início

O Rota On-Line foi lançado em 2019, pouco antes do início da pandemia. Segundo os gestores, esse período foi uma das maiores dificuldades da trajetória, porque a empresa já havia feito investimento e, logo depois, o número de corridas caiu com as pessoas deixando de sair de casa.

“Hoje, a dificuldade é mais ligada ao dia a dia da gestão: lidar com passageiros, motoristas, demandas específicas e problemas de operação”, afirma. 

Virada veio depois de quatro anos

O momento em que os gestores perceberam que o aplicativo realmente tinha dado certo veio depois de cerca de quatro anos de operação. O sinal foi o volume de motoristas querendo entrar na plataforma. Além disso, o negócio passou a dar retorno sobre o investimento feito desde o início.

“A gente viu que tinha uma quantidade enorme de motoristas querendo entrar. Já não tinha condição de colocar todo mundo”, diz Alison.

Orgulho é ver motoristas vivendo do app

Para Alison, empreender no Rota On-Line trouxe amadurecimento. Ele tinha cerca de 26 anos quando começou e afirma que, embora já visse potencial no negócio, não imaginava o tamanho que a operação poderia alcançar.

“Hoje temos muitos motoristas que vivem do aplicativo, que tiram a renda do aplicativo. A gente sente muito orgulho de proporcionar isso”, afirma.

Rota On-Line atua em oito cidades

A sede do Rota On-Line fica em Três Marias, em Minas Gerais. A operação está presente em oito cidades, com modelo de sócio-operação nas demais praças.

Diferente de franquia, o modelo de sócio-operação envolve operadores locais responsáveis pela gestão em cada cidade. Alison e Sara ficam à frente da empresa Rota On-Line, enquanto as outras operações contam com sócios-operadores.

Sara cuida do administrativo e Alison do operacional

A divisão interna também é clara. Sara fica mais responsável pela parte administrativa, incluindo financeiro e documentação. Alison atua mais no operacional, com contato direto com motoristas e clientes. A empresa também conta com uma equipe de suporte, que aciona os gestores quando necessário.

Plataforma tem cerca de 300 motoristas

Considerando todas as cidades, o Rota On-Line tem algo em torno de 300 motoristas. A base de passageiros cadastrados pode passar de 100 mil, segundo estimativa dos gestores.

O aplicativo realiza mais de 30 mil corridas por mês em todas as cidades onde atua.

Corrida mínima em Três Marias é de R$ 11

Os valores variam conforme a cidade e a categoria. Em Três Marias, a corrida mínima é de R$ 11 e cobre cerca de 1 km. A taxa cobrada dos motoristas é de 15%.

O valor médio recebido pelo motorista por quilômetro rodado, em termos brutos, fica em torno de R$ 1,50 a R$ 1,80, segundo estimativa dos gestores.

Motoristas pagam semanalmente

A remuneração funciona com pagamento semanal da taxa. O motorista realiza as corridas e depois paga à plataforma o percentual devido, equivalente a 15%.

Em média, motoristas que rodam com mais frequência faturam cerca de R$ 5 mil a R$ 6 mil por mês. O recorde citado pelos gestores fica em torno de R$ 7 mil a R$ 8 mil.

Ticket médio fica perto de R$ 14 nas oito cidades

Em Três Marias, o ticket médio citado é de R$ 16. Considerando todas as cidades, os gestores estimam um ticket médio mais baixo, em torno de R$ 14. Com mais de 30 mil corridas mensais, a movimentação total da plataforma fica próxima de R$ 420 mil por mês.

Como a operação envolve sócios-operadores, esse valor não corresponde diretamente ao faturamento integral da matriz, já que cada operador fica com uma parte da operação em sua cidade.

Corridas por fora e clandestinos são problemas

O Rota On-Line enfrenta problemas com corridas feitas por fora do aplicativo. Segundo os gestores, a prática é comum no setor. Além disso, há motoristas que não se cadastram em nenhuma plataforma e trabalham apenas por telefone, cartão ou contato direto.

Para Alison, esse tipo de serviço clandestino prejudica a operação formal. 

“Tem motorista que não roda em nenhum aplicativo, divulga telefone e cartão. Isso é uma dificuldade, porque ele faz serviço totalmente clandestino”, afirma.

Meta é dobrar corridas e cidades

Para os próximos cinco anos, a expectativa dos gestores é dobrar tanto o número de corridas quanto o número de cidades atendidas. A expansão deve continuar pelo modelo de sócio-operação, que reduz a sobrecarga da matriz e permite que cada cidade tenha uma pessoa responsável pela operação local.

Segundo Alison, esse modelo facilita o suporte e a resolução de problemas, já que o sócio-operador acompanha mais de perto a realidade da própria cidade.

Ano foi mais flexível por motivo familiar

Em 2026, os gestores optaram por não estabelecer metas mais agressivas. O casal teve um filho recentemente, e a gestação fez com que o ano fosse conduzido de forma mais flexível, sem grandes projeções de faturamento ou expansão.

Tecnologia é vista como ponto forte

Ao falar sobre tecnologia, Alison avalia que a plataforma usada pelo Rota On-Line é boa, fácil de entender e, em alguns pontos, melhor que grandes aplicativos.

“A facilidade de uso é um dos diferenciais da operação”, destaca o gestor.

“O sol brilha para todos”, mas exige trabalho

Sobre o futuro da mobilidade regional, Alison acredita que o mercado ainda vai crescer e que há espaço para diferentes aplicativos. Ao mesmo tempo, ele afirma que algumas operações surgem e depois desaparecem por falta de gestão, investimento e atenção com motoristas e passageiros.

“O sol nasce todo dia de manhã para todo mundo. Todo mundo tem as mesmas oportunidades. Mas tem que trabalhar”, afirma.

Segundo ele, para competir com o Rota On-Line em Três Marias, outros aplicativos precisam estar “dez passos à frente”, porque a operação mantém uma rotina intensa e foco diário no negócio.

Proximidade com motorista é diferencial dos regionais

Para Alison, os aplicativos regionais já têm um diferencial importante em relação às multinacionais: o contato mais próximo com o motorista. 

“A gente tem o contato mais próximo com o motorista. Basicamente, é isso. O regional já tem esse diferencial que nos ajuda a conquistar um maior espaço no mercado”, avalia.

Legado é abrir caminho onde não havia

Ao falar sobre legado, Alison cita uma frase que, segundo ele, Sara costuma repetir: “De nenhum caminho surgirá um caminho”. Para os gestores, a trajetória do Rota On-Line mostra que é possível criar uma alternativa em cidades onde o serviço ainda não existia.

O legado, segundo ele, também está na experiência que a empresa deixou para outras pessoas. 

“Alguns motoristas chegaram a se tornar concorrentes, inspirados no trabalho do Rota On-Line. Todo mundo tem o direito de trabalhar, de achar um ramo, de tentar fazer algo diferente”, conclui.

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Giulia Lang

Giulia Lang é jornalista formada pela Fundação Cásper Líbero e há três anos cobre o mercado de mobilidade urbana e delivery pelo 55content.