Criada para suprir uma carência do mercado na cidade de São Paulo, surgiu a USTED PET, plataforma de mobilidade urbana especializada em deslocamento pet-friendly.

O fundador, Antônio Porto, 38 anos, enxergou uma oportunidade de investimento, já que, na época, os grandes players do mercado ainda não haviam implementado a categoria pet.

Após o fim de um relacionamento, Antônio passou a buscar novos rumos para sua vida e, a partir de sua paixão por animais, começou a estudar o mercado pet. Para se especializar, fez cursos de dog walker, adestrador e auxiliar de veterinário. Atualmente, é graduando em medicina veterinária. Posteriormente, abriu uma creche e um hotel para pets na capital paulista, mas logo observou a dificuldade de deslocamento, o que o levou a migrar para a mobilidade urbana.

Hoje, a plataforma oferece não apenas o deslocamento pet-friendly, que permite o transporte do tutor com o pet, mas também oferece o transporte seguro do animal sem o tutor, além da categoria Pet Plus, que transporta até três pets da mesma família, e a categoria de entregas.

Primeiro gostaria de saber um pouquinho da sua história antes do aplicativo. Com o que você trabalhava antes?

Antônio: Eu sou o Antônio, tenho 38 anos. Antes da USTED PET eu trabalhei em grandes empresas no segmento comercial, fui gerente do Itaú, gestor da TIM, coordenador de eventos. Tive uma bagagem muito comercial na minha carreira. Fiz dois anos e meio de psicologia também.

As pessoas me chamam de Toni e eu costumo dizer que existe um Toni antes do empreendimento e existe o Toni depois. E tudo começou há 10 anos, até um pouco mais de 10 na verdade. 

Eu tive fases na minha carreira, mas conforme eu ia estudando, me aprimorando, ia, consequentemente, ganhando cargos de liderança, sendo promovido nas empresas que eu atuei. Isso me ajudou bastante a me tornar o Toni que sou hoje.

Em que momento entrou para o mercado pet?

Antônio: Na verdade é uma história bem diferente. Eu estava noivo entre 2016 e 2017. Eu já trabalhava por conta, era coordenador de eventos. Mas infelizmente esse noivado acabou e, quando você está com alguém, sua vida fica entrelaçada a ela, desde a tomada de decisões, estratégias, visão de futuro e quando acaba você fica perdido. E assim como aconteceu comigo, acho que acontece com muita gente.

Eu não sabia o que fazer. Eu tinha acabado de terminar o relacionamento, estava muito machucado. Fiquei durante um bom tempo sem saber o que fazer. Então, comecei a estudar o mercado, como estava o mercado no Brasil e pensando: “o que eu gosto de fazer? O que que me dá prazer a curto, médio, longo prazo, estrategicamente e emocionalmente falando?”.

Eu gosto muito de animais, mas não tinha nenhuma especialização na área. Então eu fiz um curso de dogwalker, passeador, em uma empresa gratuita. Comecei a rodar a cidade de São Paulo inteira trabalhando como passeador. Depois me formei em adestramento, também fiz banho e tosa durante muitos anos.

Hoje eu faço medicina veterinária e já sou formado em auxiliar de veterinário. Foi uma escadinha que eu fui subindo. Montei uma creche, um hotelzinho. Foi de 2023 para 2024 que comecei a estudar a migração para a mobilidade.

Eu entendi, e hoje eu tenho propriedade para falar, que o mercado pet não é um segmento para amadores. Ou você entra estudando muito, sabendo sobre o seu modelo de negócio, onde você quer chegar, quais estratégias você vai usar para chegar naquele objetivo ou você é engolido pelo mercado. 

Quando surgiu a ideia de criar um app de mobilidade para os pets?

Antônio: Em 2023 para 2024, eu tinha a creche e tinha muita dificuldade na questão do leva e traz. Nessa época tinha uma empresa que cuidava desse processo para nós, mas eles falharam muito. E era uma empresa muito fechada a críticas construtivas, ideias, sugestões de melhoria e nós tivemos muita dor de cabeça com isso.

Então comecei a estudar a mobilidade e, na época, nem Uber, nem 99 tinha categoria pet, não tinha nada do tipo ainda. Aí decidi expandir a USTED PET para a mobilidade. Foi um ano desenvolvendo esse projeto, pensando em todos os detalhes, porque eu também já fui motorista, eu sei as dores dos motoristas aqui em São Paulo.

Foram madrugadas e mais madrugadas estudando esse projeto, sempre visando oferecer um bom serviço para os nossos clientes, mas também valorizando os motoristas, porque sem motorista a empresa não funciona. Ele precisa ser valorizado e eu acho que é o que muitas empresas não fazem hoje. Muitas focam só no cliente, que não deixa de ser importante, mas por trás de tudo tem um profissional que executa o trabalho, que faz acontecer.

Como é feita a captação dos motoristas?

Antônio: É muito interessante, porque assim, além de nós termos um sistema de marketing físico e digital, nós temos um sistema de indicação muito legal, porque os próprios motoristas indicam outros motoristas. 

Eu posso confirmar que 95% da nossa frota foram indicações dos próprios motoristas. Então, quando ele entende nosso modelo de negócio, os valores que ganham, ele entende que é valorizado na nossa empresa e isso faz total diferença.

E quais são os pré-requisitos para se tornar um motorista da USTED PET?

Antônio: Ele tem que ter um carro adaptado, quatro portas, ar-condicionado e adaptado com kit de segurança. No nosso nicho, é obrigatório ter o kit de segurança. E o que seria esse kit? É uma uma capa para o veículo, cinto de segurança próprio para animais, que é plugado no sistema de segurança do carro. Nós disponibilizamos também o kit para limpar o veículo a cada corrida. 

Mas assim, primeiramente ele tem que gostar de animais, tem que ser um motorista pet-friendly. Tem que ter uma postura muito ética, porque nós atendemos pessoas com um maior poder aquisitivo, classe alta, classe média. Nossos clientes são pessoas super exigentes, então precisamos oferecer um bom serviço.

É muito legal porque os nossos motoristas gostam de trabalhar com a gente.

Vocês fazem o transporte só do animal ou o tutor vai junto?

Antônio: Hoje nós temos quatro categorias. Pet, que é só o animal,  Tutor e Pet, que vai o dono junto, tem o Pet Plus, que vai até três pets da mesma família e tem a modalidade Entrega, onde nossos motoboys fazem entrega de ração, direto do pet shop até a casa do cliente.

Agora em 2026 estamos expandindo para passeios e babá. Criei todo o processo, o material de treinamento aqui no sistema para os dog walkers e em breve vai estar disponível no aplicativo. Mas acredito que não vai ser no aplicativo atual, iremos criar um outro app só para esse serviço.

Como vão funcionar essas novas modalidades?

Antônio: Já está tudo estruturado, treinamento, estamos começando a captar os primeiros profissionais. O profissional vai ser selecionado, ele vai passar por um processo de treinamento, com prova, no final, ele sendo aprovado nessa prova, ele passa a ficar ativo na plataforma, né?

O cliente compra um passeio de 30 minutos a uma hora, a plataforma redireciona para o profissional mais próximo e o profissional executa o serviço. 

A babá é a mesma coisa, Nossos profissionais vão até a casa do cliente, fazer a limpeza, trocar a ração, fazer os cuidados daquele pet num determinado período.

Quantos motoristas e entregadores tem ativos na USTED PET atualmente?

Antônio: A parte de entregadores nós estamos em expansão, porque nós temos uma concorrência muito alta aqui em São Paulo com a Uber e a 99. Então, assim, como o nosso valor é até um pouco acima para valorizar nossos entregadores, muitos clientes acabam pegando outras plataformas, mas estamos criando uma estratégia para reverter isso.

Mas acredito que hoje temos em torno de 30 profissionais, contando motoristas e entregadores.

Mas utilizo uma estratégia muito pensada a curto e médio prazo. Porque eu preciso ter demanda e oferta. Então, já aconteceu, por exemplo, de ter muita demanda em uma região e não ter motorista. Então, hoje, captamos esse motorista, deixamos ele ativo na plataforma e, então, começamos a trabalhar na região que ele mais fica.

Às vezes sai do controle porque um cliente vai indicando para o outro. Por exemplo, agora estamos tendo muita corrida na região de Pirituba, que não é uma região de classe média e média alta,  mas tem muita corrida lá.

Quantas corridas estão fazendo mensalmente? E quantas entregas?

Antônio: Olha, depende muito. No Carnaval tivemos uma queda porque os tutores saíam pouco com o pet. Mas estamos realizando em torno de 100 corridas.

Qual o valor mínimo da corrida no app?

Antônio: Nossa corrida não sai por menos de R$ 22. E aí tem o cálculo de distância, tempo, parada. Isso é em todas as categorias. O que vai diferenciar é, por exemplo, o horário e a distância. Na madrugada, quando o nosso número de corridas é menor, nós temos um valor totalmente diferente.

Nós entendemos que, na madrugada, o motorista está mais vulnerável, é mais perigoso, tanto para o motorista como para aquele pet e aquele tutor. 

Uma corrida que seria R$ 22 no horário comercial, da meia-noite às 4h59 da manhã, passa a ser no mínimo R$ 42, por conta dessa questão de insalubridade.

E qual o valor mínimo da entrega?

Antônio: Nossa entrega é de R$ 10. E para madrugada é a mesma coisa, porque, como eu te falei,  nossa modalidade de entregas é muito menor em relação à corrida por conta da concorrência de mercado. 

Quantos downloads já foram feitos no app da USTED PET?

Antônio: Eu não sei a média de downloads porque nós mudamos de empresa, nós tivemos que atualizar o nosso aplicativo. Concluímos agora eu março a migração. Todos os clientes que estavam na outra plataforma, estamos avisando para migrar para essa nova.

Além do aplicativo tem como pedir as corridas ou entregas pela central do WhatsApp?

Antônio: Sim. E essa foi uma das questões também dessa migração, porque às vezes o cliente não consegue baixar o aplicativo por algum motivo, aí ele chama a nossa central no WhatsApp, coloca o destino, forma de pagamento e o sistema direciona para o motorista mais próximo.

Aqui em São Paulo, tem gente que está sempre com pressa. Então tudo é para ontem. Então se você gera um serviço rápido e prático, você já ganha um cliente.

A USTED PET está só em São Paulo capital ou em outras cidades da região? Pensa em expandir a operação?

Antônio: Atuamos na capital e na Grande São Paulo. Mas agora estou estudando para entrar em uma segunda cidade, vai ser Campinas ou Florianópolis. Tem quatro cidades que estou mapeando com a equipe, para verificar qual é a melhor, estrategicamente falando.

Como funciona a cobrança do motorista? E qual o valor da taxa?

Antônio: Nós cobramos uma taxa de 20% sobre cada corrida e na entrega, 10%.

Quando o pagamento é digital, eu mesmo faço o pagamento para o motorista, ou direciono para alguém da equipe. Quando o pagamento é feito no carro, ali na hora, o valor da comissão é passado de forma negativa para o motorista. Na carteira de crédito dentro do aplicativo, ele tem a opção de ser descontado o percentual quando o pagamento for digital ou ele pode gerar uma fatura e efetuar o pagamento.

Tem um limite de R$ 100, depois a própria plataforma bloqueia até ele pagar o valor e voltar a correr.

Vocês têm parcerias com estabelecimentos?

Antônio: Sim. Tenho muita bagagem comercial, então nessa parte normalmente eu que cuido. Temos parceria com creche, com clínica veterinária, pequenas empresas em expansão. 

O legal também é que, no nosso aplicativo, a gente consegue colocar banners desses parceiros corporativos. Por exemplo, a empresa coloca o banner no aplicativo na nossa empresa, com direcionamento para o WhatsApp, para o site e nós cobramos um valor por isso. 

Estamos estruturando essas novas parcerias de forma bem legal, bem interessante. 

Você ainda tem a creche/hotelzinho? Ou hoje está só com a mobilidade?

Antônio: Quando a USTED PET migrou para a mobilidade, comecei a ter alguns problemas com o imóvel que era a creche e o hotelzinho. Foi a gota d’água também para eu falar: “Não, eu acho que eu já vou migrar completamente”. 

E o app me proporciona flexibilidade geográfica. Então, por exemplo, eu estou em São Paulo agora, mas eu poderia estar na Bahia e estar com o meu computador trabalhando lá. Com a creche não, ela me limitava muito porque, por mais que tivesse equipe, eu precisava estar aqui.

Além da expansão para outras cidades e da criação das novas categorias, vocês têm outras metas, numéricas, por exemplo?

Antônio: Sim, nós temos uma estratégia a médio e longo prazo. Até o final de 2026, a gente já quer estar com os outros serviços 100% funcionando e com uma frota de profissionais boa.

Queremos ser um aplicativo referência no segmento de transporte para pets. Tanto de transporte como em serviços de cuidados especiais. Então, estamos trabalhando bastante esse ano e com essa troca de empresa está fluindo bastante.

Durante toda essa trajetória, o que você aprendeu que vai levar como bagagem para a vida? 

Antônio: Eu aprendi que, primeiro: você tem que entrar no mercado preparado. O mercado pet hoje é o terceiro maior do mundo, que só no Brasil gerou R$ 70 bilhões ano passado (2025). Então assim, você precisa estudar muito bem sobre o seu segmento, seu modelo de negócio, onde você vai atuar, como você vai atuar e escalonar isso a curto, médio e longo prazo.

As pessoas entram numa área, num setor de um segmento achando que vai ser muito rápido, e não é. Tudo é um processo, é um grãozinho que você vai plantando. E uma coisa que eu sempre levo comigo é: Não são só números, são seres humanos.

O que falta muito nas empresas hoje é humanidade, é você se colocar no lugar do seu cliente, do seu motorista, do seu parceiro corporativo. Números são necessários? Sim. Só que sem uma boa relação, esses números não acontecem, você não chega lá. Então, a dica que eu dou para as pessoas hoje é isso, estudar o seu segmento, criar uma boa estratégia de geração, ser o diferencial no mercado, porque já tem um monte de coisa igual por aí. 

Como você enxerga o futuro dos aplicativos de mobilidade no Brasil?

Antônio: Olha, eu acho que a IA está aí para mostrar e provar que as coisas estão acontecendo muito rápido. A gente piscou, já tem um robô na nossa casa praticamente, tem carro da Tesla lá fora dirigindo sozinho. Eu estou antenado no mercado para identificar oportunidades e migrar de acordo com a curva, mas são muitos fatores que precisamos trabalhar antes de tomar qualquer decisão.

Eu acredito no futuro desse mercado aqui no Brasil. Não sei, em seis anos, por exemplo, a Tesla já vai estar dominando aqui com os carros sem motoristas. Muita gente vai acabar ficando sem trabalho por conta disso, porque tudo hoje é a tecnologia, as próprias máquinas executam os trabalhos. Isso já está acontecendo no mundo.

Agora não tem como eu falar o que vou fazer, mas já tenho algumas coisas em mente que eu falo: “ se acontecer isso, talvez eu tenha que fazer isso”. E é nisso que as pessoas precisam ficar de olho, não deixar para a última hora. Porque quando você deixa para a última hora, você não tem opções. Você vai ter que criar uma opção que você não sabe se vai dar certo ou não. Então ou você pensa a longo prazo, se programa e começa a estudar algo ou você fica para trás. Porque você não vai ter tempo para pensar lá na frente.

Você tem sócios?

Antônio: Não, sou só eu. Há mais de 10 anos, só eu e Deus. Eu amo o que eu faço, é meu combustível diário. Mas sou só eu na gestão, mas tem equipe jurídica, equipe de prospecção.

Qual legado você quer deixar com a USTED PET?

Antônio: Meu objetivo é me tornar uma referência em cuidar dos pets. É o cliente olhar para nossa marca e falar: “Eu confio nessa empresa. É nessa empresa que eu vou transportar o meu animal. É nessa empresa que eu vou pedir um um dogwalker, um pet sitter. É uma empresa que eu sei que vai cuidar do meu cachorro, do meu animal em segurança e que eu posso de olhos fechados, comprar o serviço, indicar o serviço”. Nós já temos muito isso, mas nossa intenção é ter cada vez mais.