Mais uma atualização da Uber e, como já virou costume, notícia que não é boa para o motorista. A empresa anunciou mudanças que vão afetar diretamente quem trabalha nas categorias Comfort, Black e Business. E a novidade veio em duas etapas: primeiro, no dia 9 de outubro, com a lista de carros que deixarão de ser aceitos a partir de janeiro de 2026; depois, no dia 13, com a exclusão de mais modelos nas categorias corporativas Comfort Business e Black Business.
Financiou carro novo?
O que chama atenção é a falta de coerência da Uber. Em julho de 2025, por exemplo, ela incluiu o Virtus 2025 na categoria Black. Agora, poucos meses depois, anuncia que em 2026 esse mesmo carro não será mais aceito. É uma contradição perigosa, principalmente para o motorista que financiou o veículo acreditando que teria retorno.
O mesmo vale para modelos populares entre os motoristas, como o Renault Duster, que será aceito apenas a partir de 2023, e o Honda City, que até então era Comfort, mas passará a ser Black. Além disso, há diferenças de regra conforme a cidade: em São Paulo, por exemplo, o mínimo é 2019; no Rio, 2017.
A lista de veículos excluídos também cresceu. A partir de janeiro de 2026, o Renault Kardian, o Passat, o Tigo 3X, o Peugeot E-2008, o Hyundai Kona híbrido, o Jack Motors J3 Turin e o IEV40 saem da categoria Black. No Comfort, o Logan deixará de ser aceito a partir de julho de 2026.
O golpe do corporativo: Comfort Business e Black Business
Se as mudanças na lista de carros já preocupavam, a atualização do dia 13 de outubro trouxe outro impacto: a separação definitiva entre as categorias Comfort e Comfort Business, Black e Black Business. Isso significa que muitos carros aceitos nas categorias comuns não poderão mais atender viagens corporativas.
No Comfort Business, modelos como Prisma, Argo, Voyage, Polo, Logan, Yaris, C3 Aircross, Peugeot 208 e até o elétrico Zoe não serão mais aceitos. Já no Black Business, o corte foi ainda maior. Carros como o BYD Dolphin, Fastback, Cruze, Passat, Sentra, Tucson, Kona, Renegade e, pasme, o Nissan Kicks, um dos veículos mais usados na categoria, também ficam de fora.
Ou seja, um carro que é aceito no Black “normal” não será aceito no Black Business, que atende o público corporativo e o serviço “Uber por tempo”, aquele em que a empresa contrata o motorista por períodos fixos.
Na prática, a Uber está peneirando a frota e direcionando o Comfort e o Black para perfis diferentes. No corporativo, só vão restar carros de padrão executivo, como Corolla, Civic ou BYD King. O problema é que quem comprou um carro intermediário, acreditando que entraria nas categorias premium, vai ficar de fora, mesmo tendo investido pesado.
A Uber afirma que as mudanças seguem critérios como conforto interno, mas é evidente que a empresa está reduzindo o número de carros disponíveis nas categorias mais bem pagas, sem oferecer compensação real aos motoristas.
O que esperar daqui para frente?
Essas mudanças mostram que a Uber está redesenhando sua estrutura de categorias. A diferença é que, no lugar de subir o padrão de forma planejada, ela faz isso de um jeito que deixa o motorista inseguro, sem saber se o carro que comprou hoje vai continuar valendo amanhã.
Quem financiou um veículo confiando nas regras atuais corre o risco de perder o investimento. E, mais uma vez, a Uber prova que a falta de previsibilidade é um dos maiores problemas de quem trabalha por aplicativo.
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