Dezembro é visto por muitos motoristas como o mês mais longo e mais lucrativo do ano, mas essa ideia engana. Para quem trabalha com aplicativo, dezembro não tem 31 dias de verdade. Ele é um mês curto, concentrado em poucos dias de movimento intenso, e quem não entende isso acaba perdendo dinheiro justamente quando acha que está no melhor período do ano.

O grande erro é achar que o movimento bom se mantém do dia 1º ao dia 31. Na prática, não é assim. Em cidades como São Paulo, os dias 26, 27, 28 e 29 costumam ser extremamente fracos, tão parados quanto janeiro ou até piores. Muita gente viaja, empresas entram em recesso e a cidade esvazia. Ou seja, quase uma semana do mês praticamente não conta para faturamento.

O dinheiro de dezembro está concentrado antes do Natal. A primeira parcela do 13º já cai no fim de novembro, o quinto dia útil entra logo no começo do mês e a segunda parcela do 13º chega por volta do dia 20. São três momentos muito próximos em que há mais dinheiro circulando na rua. É aí que o motorista precisa estar disponível, rodando mais dias e mais horas do que o normal, porque depois do dia 25 o cenário muda completamente.

Outro ponto importante é o horário. Diferente de outros meses, dezembro tem um movimento forte no horário de almoço. Além do fluxo normal de trabalho, entra o pessoal fazendo compras, indo a shoppings, encontros e compromissos de fim de ano. Corridas curtas se multiplicam e, em muitos casos, são as que melhor pagam no volume. À noite, especialmente na semana que antecede o Natal, os shoppings ficam abertos até mais tarde, alguns até perto da meia-noite, o que estende o movimento e mantém o dinâmico ativo.

Por isso, quem pode escolher horário deveria concentrar o trabalho do meio-dia até a noite, aproveitando almoço, fim de tarde e noite. Não é o mês para trabalhar pouco achando que o dinheiro vai aparecer sozinho. Dezembro exige intensidade e estratégia. A lógica é simples: trabalhar mais agora para não sofrer em janeiro.

Nos dias 24 e 25, o comportamento também muda. A véspera de Natal costuma ter movimento até o começo da noite. Já o dia 25, principalmente no horário de almoço, costuma surpreender positivamente, com dinâmico alto em várias regiões. O mesmo vale para o dia 1º de janeiro, que apesar de mais fraco que o Natal, ainda oferece boas oportunidades em horários específicos.

Quem depende exclusivamente do aplicativo precisa entender que esse esforço extra não é sustentável o ano inteiro, mas faz sentido em momentos estratégicos como dezembro. O problema é achar que isso pode virar rotina. Trabalho em aplicativo é pesado, depende da saúde e do tempo do motorista. Se parar por qualquer motivo, a renda cai na hora. Por isso, dezembro também deveria ser usado para organizar as contas, criar uma reserva e pensar em alternativas para o futuro.

A melhor leitura do mês é clara: dezembro paga bem, mas por poucos dias. Quem entende isso trabalha forte até o dia 25, descansa nos dias mortos, volta pontualmente no fim do ano e entra em janeiro mais protegido financeiramente. Quem ignora essa lógica acaba rodando em dias fracos, se desgastando mais e faturando menos. Dezembro não perdoa falta de planejamento.

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Luis Hatada

Luis Hatada, conhecido como "Uber do Japa", é motorista de aplicativo desde 2018 e, ao perceber as dificuldades dos colegas em gerenciar ganhos e despesas, criou um canal no YouTube em 2019. Nele, compartilha orientações sobre gestão financeira e desenvolvimento pessoal, defendendo que a profissão exige uma mentalidade empreendedora. Seu conteúdo aborda temas como administração financeira e autodesenvolvimento, com o objetivo de ajudar motoristas a melhorar a rentabilidade e superar desafios diários.