Thiago Moreira, 37 anos, morador de Paraopeba, no interior de Minas Gerais, foi o primeiro motorista de aplicativo da cidade e hoje está à frente do Resenha Car, plataforma de mobilidade lançada em fevereiro de 2025. A história do negócio começou a partir de uma demanda simples: a falta de uma alternativa moderna e acessível de transporte para a população local. Depois de atuar por cerca de dois anos em uma operação anterior, Thiago decidiu criar sua própria marca, levando consigo praticamente toda a base de motoristas que já confiava em seu trabalho.
Com investimento inicial de aproximadamente R$ 15 mil, o Resenha Car nasceu com foco em segurança, credibilidade e motoristas selecionados. Atualmente, a plataforma opera em Paraopeba e Caetanópolis, conta com 26 motoristas ativos, quase 4 mil passageiros cadastrados e realiza cerca de 4 mil corridas por mês. O aplicativo movimenta entre R$ 60 mil e R$ 80 mil mensalmente na economia local, com ticket médio de R$ 14 e taxa de 15% cobrada dos motoristas.
Na entrevista, Thiago fala sobre os desafios de introduzir a mobilidade por aplicativo em uma cidade do interior, a resistência inicial dos taxistas, a importância da confiança da população, os problemas causados pela falta de regulamentação e os planos de expansão para outras cidades da região. Mais do que crescer, ele afirma que seu principal objetivo é consolidar o Resenha Car como uma marca associada à segurança, responsabilidade e credibilidade.
Antes de falarmos do Resenha Car, conte um pouco da sua história. Quem é o Thiago Moreira?
Thiago: Sou o Thiago, tenho 37 anos e moro em Paraopeba, no interior de Minas Gerais. Minha história com mobilidade começou há cerca de três anos. Na verdade, eu fui o primeiro motorista de aplicativo da cidade.
Tudo começou quando um amigo precisou de um táxi em determinado horário e não conseguiu atendimento. A partir dessa dificuldade ele percebeu que a mobilidade por aplicativo já estava crescendo em várias cidades do Brasil e que Paraopeba ainda não tinha esse tipo de serviço.
Foi aí que surgiu a primeira plataforma da cidade. Eu fui o primeiro motorista cadastrado e, com o tempo, acabei ganhando a confiança do proprietário. Além de dirigir, passei a ajudar na gestão da operação durante aproximadamente dois anos.
Depois surgiram alguns problemas envolvendo a continuidade daquela marca e resolvemos seguir caminhos diferentes. Foi então que nasceu o Resenha Car.
Quais dificuldades do mercado fizeram você querer criar seu próprio aplicativo?
Thiago: A principal dificuldade era justamente a ausência de uma alternativa moderna de mobilidade para a população.
Hoje as pessoas estão acostumadas a resolver tudo pelo celular. Pedem comida pelo aplicativo, fazem compras pelo aplicativo, então o transporte também precisava evoluir.
Além disso, sempre enxerguei que era possível oferecer um serviço mais organizado, com motoristas selecionados e mais preocupação com a experiência do passageiro.
Você comentou que foi o primeiro motorista de aplicativo da cidade. Como foi esse começo?
Thiago: Foi muito difícil.
Na época não existia aplicativo de mobilidade em Paraopeba. Então enfrentamos uma resistência enorme dos taxistas.
Muita gente dizia para a população não utilizar o serviço. Falavam que nós não tínhamos experiência, que éramos jovens demais, que poderia dar problema.
Mas com o tempo as pessoas perceberam que o serviço funcionava, que os motoristas eram responsáveis e que a mobilidade por aplicativo realmente facilitava a vida delas.
Hoje a situação se inverteu. Deu tão certo que atualmente existem cinco aplicativos operando na cidade.
Como vocês conquistaram os primeiros motoristas e passageiros?
Thiago: Uma vantagem do interior é que todo mundo conhece todo mundo.
Quando você coloca para trabalhar pessoas conhecidas pela população, pessoas responsáveis, que têm boa reputação na cidade, a confiança vem naturalmente.
Quando criamos o Resenha Car, praticamente todos os motoristas da antiga operação vieram conosco. Nós tínhamos cerca de 20 motoristas e 19 migraram para a nova plataforma.
Isso foi muito importante porque os passageiros já conheciam esses profissionais e confiavam neles.
Também investimos bastante em marketing e divulgação para apresentar a nova marca.
Quanto foi investido para tirar o projeto do papel?
Thiago: Somando tudo, incluindo marketing, lançamento, estrutura e tecnologia, o investimento ficou em torno de R$ 15 mil.
Em quanto tempo esse investimento retornou?
Thiago: O retorno veio relativamente rápido porque a população já conhecia os motoristas e já utilizava o serviço de mobilidade.
Mas o mais importante não foi apenas recuperar o investimento. Foi conseguir consolidar uma marca própria na cidade.
Qual foi o momento mais difícil desde o lançamento?
Thiago: Hoje o maior desafio é a falta de regulamentação.
Não é uma questão de prejudicar concorrentes ou favorecer aplicativos específicos. O problema é que sem regras algumas plataformas colocam qualquer veículo e qualquer motorista para trabalhar.
Nós nos preocupamos muito com segurança, documentação, condições do veículo e qualificação dos motoristas.
Quando não existe regulamentação, alguns concorrentes acabam ignorando tudo isso.
Você possui sócios?
Thiago: Não. O Resenha Car é uma operação conduzida por mim.
Em qual momento você percebeu que o aplicativo estava dando certo?
Thiago: No lançamento.Quando vi que praticamente todos os motoristas da operação anterior decidiram me acompanhar para o Resenha Car, percebi que estávamos construindo algo sólido. Aquilo me mostrou que existia confiança no nosso trabalho.
O que mais mudou em você depois que virou empreendedor?
Thiago: Empreender é um aprendizado constante. Hoje eu entendo que não posso parar de estudar, de buscar conhecimento e de acompanhar as mudanças do mercado.
O mundo digital muda muito rápido. Quem fica parado acaba ficando para trás.
Do que você mais se orgulha na sua trajetória?
Thiago: Da confiança que construí junto à população.
Minha família sempre foi muito respeitada na cidade e eu fico feliz por conseguir manter esse legado.
As pessoas confiam em mim, confiam na marca Resenha Car e confiam nos motoristas que trabalham conosco.
Você ainda dirige pelo aplicativo?
Thiago: Sim. Sempre que possível continuo rodando.
Gosto de estar próximo dos passageiros porque isso me permite receber feedbacks diretos e entender melhor o que precisa ser melhorado.
Quando exatamente o Resenha Car foi lançado?
Thiago: Em fevereiro de 2025.
Hoje vocês operam em quais cidades?
Thiago: Atualmente atuamos em Paraopeba e também em Caetanópolis, que é uma cidade vizinha.
Nosso objetivo é expandir para outras cidades da região futuramente.
Quantos motoristas e passageiros vocês possuem cadastrados?
Thiago: Hoje temos 26 motoristas ativos.
Já em relação aos passageiros, estamos chegando a aproximadamente 4 mil usuários cadastrados.
Mas o número real de clientes é maior porque no interior muitas pessoas ainda preferem chamar o motorista diretamente pelo telefone.
Quantas corridas vocês realizam por mês?
Thiago: Hoje realizamos aproximadamente 4 mil corridas mensais.
Qual é a tarifa mínima do Resenha Car?
Thiago: Nós trabalhamos com três bandeiras:
Das 6h às 21h, a corrida mínima é de R$ 11,99.
Das 21h à 1h, a mínima passa para R$ 15,99.
Já entre 1h e 6h da manhã, a corrida mínima é de R$ 20,99.
Quantos quilômetros a tarifa mínima cobre?
Thiago: A dinâmica varia de acordo com a distância e com o horário, mas como nossas cidades são pequenas, normalmente as corridas têm percursos curtos e ficam dentro dessa faixa mínima.
Qual é o ticket médio das corridas?
Thiago: Hoje o ticket médio gira em torno de R$ 14.
Como Paraopeba e Caetanópolis são cidades pequenas, as viagens costumam ser curtas.
Qual taxa vocês cobram dos motoristas?
Thiago: A taxa é de 15% sobre o faturamento. Ou seja, de cada corrida realizada, 85% fica com o motorista.
Como funciona a cobrança dessa taxa?
Thiago: Atualmente fazemos fechamento semanal. Mas estamos migrando para um sistema pré-pago integrado à plataforma.
Quanto os motoristas costumam ganhar?
Thiago: Depende muito da dedicação de cada um.
Quem trabalha apenas em horários livres faz uma renda complementar.
Já os motoristas que atuam em tempo integral conseguem faturar entre R$ 6 mil e R$ 8 mil por mês.
Quanto o aplicativo movimenta por mês?
Thiago: Hoje o Resenha Car movimenta entre R$ 60 mil e R$ 80 mil por mês na economia local.
Quais são os planos para o restante do ano?
Thiago: Vamos investir novamente em marketing.
Queremos fortalecer ainda mais a marca, conquistar novos passageiros, aumentar a base de motoristas e preparar a expansão para cidades vizinhas.
Vocês enfrentam problemas com motoristas que fazem corridas por fora?
Thiago: Sim, infelizmente acontece. Mas somos muito rígidos nesse ponto.
Se identificarmos uma corrida não registrada no aplicativo, o motorista é removido da plataforma. Não existe segunda chance.
O que mais te incomoda no mercado de mobilidade?
Thiago: A falta de preocupação de alguns concorrentes com a segurança.
Muitas vezes eles colocam qualquer motorista e qualquer veículo para trabalhar.
Isso prejudica a imagem de todo o setor.
Como você enxerga o futuro da mobilidade regional?
Thiago: Eu sou muito otimista. A mobilidade por aplicativo chegou há apenas três anos na nossa cidade e já cresceu bastante.
Ainda existe muito espaço para expansão.
Quais eram seus maiores medos antes de lançar o aplicativo?
Thiago: Meu maior medo foi entregar um produto que não funcionasse corretamente.
Por isso fiquei tão preocupado quando percebi os problemas da primeira plataforma que havia contratado.
Felizmente conseguimos corrigir a rota antes do lançamento.
E quais são seus medos para o futuro?
Thiago: Não vejo exatamente como medo, mas como preocupação.
Precisamos avançar na regulamentação e continuar investindo em qualidade para que o mercado cresça de forma saudável.
Qual legado você quer deixar com o Resenha Car?
Thiago: Quero que quando alguém veja a marca Resenha Car pense imediatamente em confiança, segurança e credibilidade.
Quero que as pessoas saibam que podem utilizar nosso aplicativo sem medo, sabendo que serão atendidas por profissionais responsáveis e preparados.
Esse é o legado que eu quero deixar para a mobilidade da nossa região.

