Uma pesquisa realizada pela plataforma GigU com 1.576 motoristas de aplicativo em todos os estados brasileiros aponta que 82,5% dos profissionais possuem dívidas em aberto. O levantamento também mostra que sete em cada dez motoristas recorreram a empréstimos nos últimos 12 meses, indicando um cenário de elevado endividamento e dificuldades na gestão financeira da categoria.

Segundo o estudo, apenas 24,2% dos entrevistados afirmaram não ter contratado empréstimos no período analisado.

Para Luiz Gustavo Neves, cofundador e CEO da GigU, o mercado financeiro ainda não oferece produtos compatíveis com a realidade dos motoristas de aplicativo.

“O que não existe é oferta desenhada para esse trabalhador. Ele tem renda diária, custos operacionais conhecidos e histórico de ganhos que pode ser medido corrida a corrida, mas é atendido com os mesmos produtos genéricos de quem tem salário fixo, geralmente os mais caros do mercado”, afirmou.

Dívidas bancárias concentram maior parte do endividamento

Segundo a pesquisa, 51,2% dos motoristas apontam dívidas bancárias e de cartão de crédito como a principal fonte de comprometimento da renda.

Na sequência aparecem os financiamentos (15,9%), as contas domésticas (12,7%) e as despesas ligadas à atividade profissional, como manutenção do veículo (7,9%).

De acordo com a GigU, os dados refletem a dificuldade de acesso a produtos financeiros adaptados à rotina dos motoristas, que convivem com renda variável e custos operacionais recorrentes, como combustível, manutenção e depreciação dos veículos.

Quatro em cada dez não conseguem separar dinheiro para pagar dívidas

O levantamento também analisou como os profissionais administram o pagamento dos débitos.

Entre os entrevistados, 40,2% disseram não reservar nenhuma parte da renda mensal para quitar dívidas. Já 19,2% afirmaram destinar mais da metade dos ganhos para esse fim, enquanto 9,8% comprometem entre 5% e 10% da renda.

Segundo Luiz Gustavo Neves, o problema vai além do acesso ao crédito.

“Os dados mostram uma demanda por crédito que já existe e se repete: sete em cada dez motoristas tomaram empréstimo nos últimos 12 meses. Quem usar os dados reais de ganho e custo desse profissional para oferecer crédito, planejamento e orientação adequados vai destravar um mercado de milhões de trabalhadores que hoje pagam caro por soluções que não servem para eles”, disse.

Contas da casa são principal preocupação

Antes mesmo de iniciar a jornada de trabalho, 26,6% dos motoristas afirmam que a principal preocupação financeira são as despesas domésticas.

Em seguida aparecem a renegociação de dívidas (22,7%), o pagamento de parcelas de financiamentos (21,4%), a formação de uma reserva de emergência (16,2%) e os gastos relacionados ao veículo (13,1%).

Segundo a pesquisa, os resultados mostram que parte dos profissionais tenta equilibrar o pagamento das despesas imediatas com o planejamento financeiro de longo prazo.

Maioria nunca recebeu orientação financeira

Apesar do elevado nível de endividamento, 74,7% dos motoristas afirmaram nunca ter buscado orientação financeira especializada.

Para a GigU, o levantamento reforça a necessidade de desenvolver soluções financeiras voltadas às características da categoria, formada por profissionais que trabalham com renda variável e precisam tomar decisões financeiras diariamente.

Foto de Redação 55content
Redação 55content

O 55content é o maior portal de jornalismo sobre aplicativos de transporte e entregas do Brasil.