A Lalamove defendeu, durante audiência pública na Câmara dos Deputados, que o marco regulatório do trabalho por aplicativo seja justo, moderno e equilibrado, capaz de proteger os trabalhadores sem inibir a inovação. A representante da empresa, Lilian Lima, afirmou que a regulamentação deve considerar a diversidade de modelos de negócio e manter a autonomia e a flexibilidade dos motoristas e entregadores.
Segundo Lilian, a Lalamove é uma plataforma de entregas sob demanda que conecta pessoas e empresas a motoristas parceiros, com o objetivo de “democratizar a logística” e tornar as entregas “mais simples, rápidas e acessíveis”. Ela explicou que o aplicativo oferece diferentes tipos de veículos — de motos a caminhões — e atende desde pequenos comércios locais até grandes empresas. “Nosso propósito é permitir que quem não pode arcar com contratos logísticos complexos tenha acesso a um serviço eficiente”, afirmou.
A executiva destacou que a maioria dos clientes da Lalamove são micro e pequenas empresas, que utilizam a plataforma como braço logístico. “Uma pequena floricultura, por exemplo, pode usar a Lalamove tanto para entregar flores quanto para receber insumos. Isso mostra como o serviço fomenta a economia local e gera oportunidades de renda para motoristas parceiros”, disse.
Questionada por deputados sobre o funcionamento do modelo de intermediação, Lilian explicou que a empresa apenas conecta quem precisa de um serviço de entrega aos motoristas disponíveis, sem se responsabilizar diretamente pela execução do transporte. “Nós fazemos a intermediação das duas pontas. O usuário solicita uma entrega e a plataforma conecta com o motorista parceiro. Nossa taxa fixa de intermediação é de 16%, podendo chegar a 20% dependendo do tipo de veículo”, informou.
Ela acrescentou que os valores e condições são transparentes e disponíveis no site da empresa, incluindo os preços por quilômetro e serviços adicionais, como tempo de espera e ajudantes extras. “Por exemplo, quando fiz minha própria mudança usando o aplicativo, adicionei um ajudante e tempo extra de espera, o que garantiu o pagamento justo ao motorista”, contou.
Ao ser questionada sobre medidas de segurança, Lilian afirmou que a Lalamove adota verificação documental dos motoristas e registro fotográfico das entregas, garantindo que “toda entrega tenha comprovação visual dentro do aplicativo”.
Em relação à regulamentação do setor, Lilian defendeu três pilares principais: segurança jurídica, autonomia e flexibilidade dos profissionais e proteção social, com inclusão previdenciária. “Acreditamos que o sucesso do marco regulatório depende de reconhecer diferentes modelos de negócio e garantir tanto a proteção do trabalhador quanto o estímulo ao empreendedorismo”, disse.
Ela também mencionou que a Lalamove é uma empresa de origem asiática, sediada em Hong Kong, e que modelos regulatórios de países como Malásia e Singapura podem servir de referência ao Brasil por equilibrarem proteção e liberdade econômica.
Por fim, Lilian reforçou que a empresa está “aberta ao diálogo e disposta a contribuir para a construção de um ambiente regulatório sustentável, que proteja o trabalhador, incentive a inovação e mantenha o Brasil competitivo no cenário global”.

