A DoorDash, plataforma americana de delivery, informou ter chegado a um acordo de US$ 131,5 milhões com o Departamento de Proteção ao Consumidor e ao Trabalhador da cidade de Nova York (DCWP) após ser acusada de descumprir regras de remuneração dos entregadores. A companhia reconheceu que parte dos trabalhadores recebeu valores menores do que os devidos ou teve pagamentos atrasados e afirmou que os profissionais afetados serão ressarcidos.

Em 2023, a cidade de Nova York implementou regras de remuneração mínima para entregadores de aplicativos, tornando-se a primeira grande metrópole dos Estados Unidos a estabelecer um piso para a categoria.

No início de 2026, o DCWP acusou a DoorDash de descumprir essas regras. Em comunicado publicado pela própria plataforma nesta terça-feira (22), a empresa reconheceu erros no processo de pagamento.

Do total previsto no acordo, US$ 12,3 milhões estão relacionados a pagamentos inferiores aos devidos ou realizados com atraso. Outros mais de US$ 83 milhões envolvem uma divergência sobre a forma de calcular a remuneração pelo período em que os entregadores permanecem conectados à plataforma entre uma entrega e outra.

De acordo com a DoorDash, o acordo também prevê o pagamento de US$ 16,7 milhões em multas ao DCWP.

Cerca de 264 mil entregadores receberão pagamentos

Segundo a empresa, aproximadamente 264 mil entregadores receberão algum pagamento como resultado do acordo. Desse total, cerca de 209 mil casos estão relacionados a pagamentos atrasados ou não realizados.

Dados divulgados pela companhia indicam que menos de 1% dos pagamentos destinados aos entregadores em Nova York teriam sido afetados pelos problemas identificados.

A empresa informa que aproximadamente US$ 6,6 milhões em pagamentos não chegaram aos trabalhadores, enquanto outros US$ 5,7 milhões foram pagos com atraso de dias ou, em alguns casos, semanas.

De acordo com a DoorDash, o valor médio dos pagamentos atrasados é de US$ 7,70. A companhia afirma ainda que 65% dos entregadores afetados tinham menos de US$ 1 a receber e que o pagamento mediano decorrente do acordo será de aproximadamente US$ 48. Os trabalhadores contemplados receberão ao menos US$ 10.

Empresa atribui parte dos problemas a falhas técnicas

A DoorDash afirma que parte dos erros ocorreu devido a falhas técnicas e a situações envolvendo operações consideradas mais complexas pela companhia, como entregas que atravessaram os limites da cidade, pedidos com vários pontos de coleta ou entrega e serviços parcialmente concluídos ou cancelados.

Em outros casos, os problemas teriam ocorrido devido a informações bancárias incompletas ou incorretas fornecidas pelos entregadores.

As regras de remuneração para entregadores da cidade entraram em vigor em 2023. Desde então, segundo a DoorDash, os profissionais que atuam pela plataforma em Nova York receberam mais de US$ 1 bilhão, com remuneração média de aproximadamente US$ 30 por hora trabalhada, antes das gorjetas.

Cálculo do tempo online também entrou no acordo

A maior parcela financeira do acordo está relacionada a uma divergência sobre o cálculo da remuneração pelo período em que o entregador permanece conectado ao aplicativo sem estar realizando uma entrega.

As normas municipais preveem remuneração por esse período entre as entregas, mas a empresa utilizava uma metodologia de cálculo diferente da adotada pela Prefeitura de Nova York.

A companhia afirma que considerava seu método compatível com as regras, mas decidiu encerrar a divergência por meio do acordo. A DoorDash informou ainda que passará a utilizar a metodologia adotada pela prefeitura nesses cálculos.

DoorDash diz ter alterado procedimentos

Os entregadores afetados serão contatados pela empresa nas próximas semanas para receber os valores previstos no acordo.

A DoorDash também afirma ter corrigido problemas técnicos relacionados aos pagamentos e adotado procedimentos adicionais para validar informações bancárias. A companhia diz ainda ter reforçado seu programa de conformidade para reduzir a possibilidade de novos problemas.

De acordo com a empresa, o valor integral relacionado ao acordo já havia sido reservado em trimestres anteriores.

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