O iFood afirma que iniciativas de impacto social e sustentabilidade passaram a ocupar um papel central em sua estratégia de crescimento, deixando de ser apenas ações paralelas de responsabilidade corporativa. Segundo a diretora de Sustentabilidade (CSO) da empresa, Luana Ozemela, a companhia manteve investimentos na área mesmo em períodos em que operava sem resultado financeiro positivo, por entender que essas ações geram retorno econômico, social e ambiental ao ecossistema da plataforma.
“Desde 2020, a gente não estava tendo lucro, mas investindo milhões todos os anos, consistentemente”, afirma a executiva. “Para nós, sustentabilidade e impacto social fazem parte da lógica do negócio.”
Impacto social como estratégia de negócio
De acordo com Ozemela, a estratégia está estruturada em três pilares principais: melhoria das condições de vida dos entregadores, fortalecimento dos pequenos negócios parceiros e redução das emissões de carbono associadas às operações de delivery.
No caso dos entregadores, a executiva destacou iniciativas voltadas à geração de renda, educação e acesso a benefícios. Segundo diz, estudos apontam que a renda obtida na plataforma é superior à de outras ocupações com perfil semelhante de escolaridade e experiência profissional.
O iFood também mantém programas educacionais, como a oferta de formação para conclusão do ensino médio, que já formou mais de 16 mil pessoas. “A gente quer criar oportunidades de renda e trajetórias viáveis de crescimento por meio da educação”, determina Ozemela.
A CSO afirma que a empresa acompanha indicadores relacionados a ganho, proteção e bem-estar dos entregadores. Entre eles estão a remuneração por hora trabalhada, acesso a programas de apoio, segurança viária, saúde física e mental e cobertura dos chamados pontos de apoio, espaços que oferecem estrutura para descanso, acesso a banheiros e outros serviços.
Conforme destaca a executiva, o iFood também desenvolve ações voltadas à prevenção de acidentes e à promoção de comportamentos mais seguros no trânsito. A companhia monitora indicadores ligados à condução dos entregadores e estabelece metas relacionadas à segurança viária.
Outra iniciativa levantada por Ozemela é o edital “Chega Junto”, que destina R$ 10 milhões a projetos voltados ao bem-estar de entregadores, suas famílias e comunidades. O programa recebe propostas de organizações da sociedade civil e de coletivos de entregadores e surgiu, segundo ela, como uma forma de ampliar os canais de escuta da empresa: “Nós não conseguimos melhorar a qualidade de vida de alguém se não estivermos ouvindo essa pessoa”.
Bikes elétricas e descarbonização
De acordo com a executiva, no campo ambiental, a principal fonte de emissões do ecossistema do iFood é a operação logística. Por isso, a empresa tem concentrado esforços na ampliação do uso de modais de baixo carbono, especialmente bicicletas elétricas.
Ozemela conta que o iFood passou a rever sua estratégia de incentivo à eletrificação após concluir que a adoção em larga escala de motos elétricas ainda enfrenta barreiras de custo e disponibilidade no Brasil. Como alternativa, a companhia decidiu concentrar investimentos em bicicletas elétricas.
Em parceria com a Tembici, a empresa divulga ter reduzido o custo semanal de aluguel desses veículos para cerca de R$ 92. Segundo a CSO, o modelo permite aumentar a renda dos entregadores em aproximadamente 15% e, ao mesmo tempo, reduzir emissões.
Ela compartilha que o projeto faz parte de uma estratégia mais ampla que combina eletrificação e mudanças operacionais, como a redução das distâncias percorridas e o agrupamento de pedidos para diminuir deslocamentos sem entregas. “Descobrimos que a redução de carbono vinha não só da troca de modal, mas também de uma nova lógica operacional”, esclarece.
Atualmente, segundo a empresa, cerca de 40% das rotas curtas já são realizadas por modais não poluentes.
Diálogo com cidades
O iFood também defende maior participação do poder público nas discussões sobre logística urbana e descarbonização. Para Ozemela, o debate não deve se limitar à adoção de veículos elétricos, mas considerar novas formas de organizar as operações de delivery nas cidades.
“A solução não vai ser apenas colocar mais bikes elétricas para rodar. Precisamos discutir novas lógicas operacionais que permitam aumentar a produtividade, melhorar a renda dos entregadores e reduzir emissões.”
A executiva considera que esse modelo permite sustentabilidade e impacto social serem tratados como elementos permanentes da estratégia empresarial, independentemente de movimentos de mercado ou de questionamentos sobre agendas ESG. “Faz sentido para o negócio, gera benefício econômico para a empresa, benefício social para quem opera no ecossistema e benefício ambiental para as cidades”, defende.

