“Os meus projetos têm um único intuito: eu quero ter receita para dar uma boa qualidade de vida para o meu filho”, é o que declara Rodrigo Fiori de Biasi, criador da plataforma Ride Mobilidade.

Rodrigo lembra que o pai trabalhava com exportação de peixes para Portugal. Quando os pais se separaram, ele passou a morar com a mãe, que trabalhava como cabeleireira para sustentar os três filhos.

Sem conseguir se dedicar integralmente aos estudos, Rodrigo começou a trabalhar descarregando caminhões. “Eu ganhava R$ 50 por mês para descarregar caminhão de peixe”, conta.

Anos depois, iniciou um relacionamento e, por intermédio do pai da namorada, que era engenheiro, conheceu a topografia e começou a trabalhar na área, mesmo sem ter concluído os estudos.

“Eu estudava muito para tentar entender aquilo e poder fazer. Foi quando eu comecei a trabalhar na área de topografia e me interessei”, afirma Rodrigo.

Foi então que decidiu ingressar na faculdade de geoprocessamento e participou de seus primeiros projetos de topografia, como uma obra da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), os molhes do porto e o primeiro parque eólico da cidade.

“Quando eu virei pai, mudou radicalmente a minha vida”, conta. Com o nascimento do filho, passou a se dedicar ainda mais à área de topografia. No entanto, logo depois veio a pandemia.

Durante o lockdown, e diante da necessidade de acompanhar o filho diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), Rodrigo pediu demissão da empresa onde atuava como prestador de serviços e passou a se dedicar integralmente ao trabalho como motorista de aplicativo.

“Eu gosto muito de trabalhar de Uber pela liberdade de estar com o meu filho, de fazer as minhas coisas”, afirma.

Apaixonado por tecnologia, mas sem experiência prévia na área, Rodrigo decidiu se candidatar a uma vaga de analista.

“[…] eu sempre tive um monte de ideias na cabeça que eu tinha vontade de pôr em prática, mas não tinha alguém disponível para criar as plataformas que eu tinha vontade de criar”, conta.

Com o tempo, a parceria não deu certo e Rodrigo decidiu seguir seu próprio caminho. “Eu construí três plataformas de uma vez: uma plataforma de namoro, uma de mobilidade e um medidor de calor, onde você vê onde a festa é melhor”, afirma.

A Ride Mobilidade não se enquadra como um aplicativo de mobilidade tradicional. A plataforma funciona como um mapa, no qual os motoristas se cadastram e aparecem na tela conforme a proximidade com o passageiro.

Para solicitar uma corrida, o usuário deve clicar no ícone do motorista mais próximo. Em seguida, é direcionado para o WhatsApp do próprio condutor.

A plataforma atua apenas como intermediadora e não cobra taxas dos motoristas. O valor das corridas é fixado em R$ 2 por quilômetro percorrido, tanto para o deslocamento do motorista até o passageiro quanto para o trajeto até o destino.

“Não altera em dinâmica e não altera quando tem muita gente chamando”, afirma o gestor.

Ao aceitar uma corrida, o ícone do motorista passa da cor verde para a vermelha no mapa, impedindo que outros passageiros o acionem simultaneamente.

A operação teve início em 5 de abril de 2026, na cidade de Cascavel (PR), mas segundo o fundador, o modelo pode ser utilizado em qualquer cidade e até mesmo em outros países.

“Minha plataforma não se configura como aplicativo de mobilidade como Uber, inDrive e 99, porque eu não cobro um valor para usarem. […] pode usar independente do lugar. Tenho um amigo em Lisboa e ele está usando lá”, destaca o gestor.

Ao falar sobre o futuro, os planos de Rodrigo Fiori para a Ride Mobilidade vão além da operação: “Eu espero que daqui a cinco anos eu tenha ajudado muitas famílias”.

Me conta um pouco da sua trajetória. Com o que já trabalhou? Imaginou que um dia seria gestor de um app de mobilidade?

Rodrigo Fiori: Eu vim de uma família com berço de ouro. Até os meus nove anos meu pai trabalhava com peixe e mandava peixe para Portugal e mais vários lugares do mundo. 

Quando meu pai se separou, ele deixou uma casa para minha mãe e um terreno e ela passou a sustentar a gente. Ela trabalhava como cabeleireira para criar os três filhos e eu não conseguia ter tempo para estudar, para completar meu ensino fundamental.

Isso me gerou frustração, mas eu decidi cursar a faculdade sem ter o ensino fundamental. Eu entrei na faculdade de geoprocessamento. Mas antes de acontecer isso, eu trabalhei em peixaria descarregando caminhão. Eu ganhava R$ 50 por mês para descarregar caminhão de peixe.

Comia o que a minha mãe tinha para a gente comer em casa e eu comecei a ver a dificuldade como uma oportunidade para tentar criar coisas que no futuro eu pudesse transformar numa coisa boa para mim. 

Eu tive um relacionamento e, quando ela me conheceu, eu não tinha nem certidão de nascimento, porque eu tinha perdido tudo. O pai dela era engenheiro e me deu a oportunidade de conhecer a topografia.

Ele achava que eu tinha ensino médio completo, mas eu não tinha. Eu tinha só o fundamental e ele não sabia. E eu sempre pensei assim: “Não adianta ter meu diploma, errar e chamar a atenção pelo erro. Se eu falar que eu tenho aquilo que eu sei fazer de fato e não provocar um erro, eu não vou chamar a atenção para as pessoas pedirem diplomas e certificados”.

Eu estudava muito para tentar entender aquilo e poder fazer. Foi quando eu comecei a trabalhar na área de topografia e me interessei. Mas eu disse: “Eu tenho que fazer uma faculdade, mas eu só tenho fundamental, não tenho ensino médio. Como é que eu vou fazer?”.

Cheguei na faculdade, me inscrevi, fiz a faculdade e nunca busquei meu diploma. Mas comecei a estudar e entender mais sobre topografia. 

Isso serviu para tudo na minha vida: desde aprender a fazer sushi, que eu fui lá e fiz um curso para aprender a fazer, até a me especializar na área de topografia, porque eu ia lá e conversava com alguém que sabia, eles faziam questão de me ensinar e eu aprendia.

Na pandemia eu abri um CNPJ e prestei serviços para a Corsan, que é uma rede de saneamento básico do estado do Rio Grande do Sul, foi meu primeiro contrato.

Eu coordenei uma equipe de um projeto muito grande e depois peguei uma obra da FURG (Universidade Federal do Rio Grande) com uma terceirizada. Fiz essa obra, fiz a obra dos molhes da cidade de Rio Grande, que é a estrutura que tem no Porto, fiz o primeiro parque eólico da cidade e fiscalizei a obra do Porto para uma empresa multinacional de Curitiba.

Tudo porque eu fui atrás, estudei e eu sempre fui apaixonado por tecnologia. 

Então, eu comecei a gostar disso: a junção da tecnologia, com meu trabalho e minha vida paterna. E eu tinha um desafio meu, que era um sonho: construir a casa do meu filho. No meio disso tudo, então, eu construí a casa do meu filho, levantei tijolo por tijolo. Eu acho que levei um ano. A casa tem 70 m² e mora ele com minha ex-mulher. 

Acho que desde quando eu conheci a fé, por mais que eu passei muita dificuldade, sempre tive oportunidade para ter meu alimento e minha mãe também para nos alimentar. 

Minha mãe fazia muito trabalho comunitário também. Ela era cabeleireira e dava curso gratuito para profissionalizar as pessoas para terem uma profissão. Uma vez no ano ela fazia de graça esse curso. E eu tenho muito disso dela, eu quero trazer isso. 

Então, eu construí a casa e comprei a do lado. Moro do lado da casa do meu filho, de onde ele mora com a mãe dele. 

Eu estou aqui em Cascavel por causa dele e os meus projetos têm um único intuito: eu quero ter receita para dar uma boa qualidade de vida para o meu filho.

Dentro do terreno que eu tenho, quero fazer uma instituição em que eu possa pagar profissionais para irem lá e dar terapia gratuita.

Por que se tornou motorista de app? Como surgiu a ideia da Ride Mobilidade?

Rodrigo Fiori: Quando eu virei pai, mudou radicalmente a minha vida, porque eu disse: “Olha, agora eu tenho que ter um rumo”. Comecei a focar mais na topografia, mas quando veio a pandemia eu comecei na Uber. 

Eu gosto muito de trabalhar de Uber pela liberdade de estar com o meu filho, de fazer as minhas coisas. Eu pedi demissão da empresa que eu trabalhava na topografia, prestando serviço como PJ e comecei a me dedicar 100% ao aplicativo.

Meu filho é autista, hoje ele tem seis anos de idade e eu comecei a estudar sobre meu filho e o primeiro projeto que fiz era chamado Família Bernardo. Fiz um site no Canva para orientar as famílias e ajudar a entender sobre o autismo e para buscar ajuda. Era mais focado na cidade de Cascavel.

O meu filho faz terapias e as pessoas conversam muito comigo no Instagram e perguntam: “Onde eu posso pedir auxílio? Em qual escola eu vou e que vai ter vaga?”

E do nada eu decidi fazer um currículo meu e surgiu uma oportunidade de analista. Eu nunca tinha trabalhado na área de analista, nunca fui nada na área de tecnologia e a empresa começou a entrevista dizendo que não tinha vaga de trabalho. No final eles gostaram tanto da minha dinâmica que me contrataram dizendo que iam me dar treinamento dentro da área.

Mas eu sempre tive um monte de ideias na cabeça que eu tinha vontade de pôr em prática, mas não tinha alguém disponível para criar as plataformas que eu tinha vontade de criar. 

Eu construí três plataformas de uma vez: uma plataforma de namoro, uma de mobilidade e um medidor de calor.

Dentro da empresa eu comecei a me desenvolver bem, só que ela tinha interesse em fazer documentos, eu vi uma má-fé ali.

Por mais que eles viram que eu não sabia nada, no final eu acabei me encontrando nessa área. E quando eu vi essa má-fé, que eu não queria assinar documentos, eles me chamaram de analfabeto e uma série de coisas. 

Tem um evento aqui em Cascavel que se chama Show Rural. É um evento voltado para o agro e tecnologia junto. Fui levado para lá, validaram os meus aplicativos e eu disse: “Olha, se estão me questionando porque eu não quero assinar documento e estão validando, me levando para eventos e fazendo vídeos de network validando o meu produto, eu vou fazer por minha conta então”. Eu pedi demissão e decidi caminhar sozinho.

Só que é muito difícil tu ter alguém, independente de ter nome ou não, que queira te escutar e trazer isso ao público. As pessoas que querem fazer isso, querem pessoas que já tem engajamento. Então é bem difícil.

Como funciona a Ride Mobilidade?

Rodrigo Fiori: As maiores dificuldades são as taxas e o valor fixo. Minha plataforma funciona como marketing drive. Descobri recentemente que tem esse nome, que é a disponibilidade de veículos no mapa e que as pessoas não precisam fazer um cadastro, mas o motorista faz um cadastro.

Os passageiros entram e ficam vendo os carrinhos que estão ali perto da localização deles. Quando clica no carrinho que está verde ali no meu aplicativo, ele vai para o WhatsApp do motorista, que aceita a corrida e tem a opção de colocar que já está ocupado para não receber mais chamadas naquele período.

Não gera custo para o motorista porque eu não cobro taxa e não precisa de cadastro do passageiro. Ele vai achar o motorista mais próximo e quando ele selecionar o motorista no mapa, vai pagar o valor total do quilômetro percorrido: que é o valor do quilômetro que o motorista vai buscar o passageiro e mais o deslocamento até o destino.

Qual o valor deste deslocamento?

Rodrigo Fiori: É um valor fixo de R$ 2 o quilômetro.

Não altera em dinâmica e não altera quando tem muita gente chamando. O que pode acontecer é o passageiro tentar chamar alguém e os carrinhos estarem todos vermelhos, porque daí o motorista já aceitou a corrida e clicou no botão dizendo que está ocupado. 

Sem cobrança do motorista, como a plataforma pode faturar?

Rodrigo Fiori: Eu vou ganhar fazendo publicidade. Se uma loja quiser fazer uma publicidade dentro do meu mapa, ela vai me pagar um valor e eu vou botar a loja dela visível lá dentro onde os carrinhos estão andando.

Eu nunca vou cobrar taxa de ninguém e tudo isso que eu desenvolvi, eu não gastei um centavo.

Em tudo eu usei plataformas que liberam créditos e plataformas de banco de dados, porque o cadastro leva o nome do carro e os dados de WhatsApp, mas não levam imagem do rosto do motorista.

E como gera segurança para o passageiro ou para o motorista? É o WhatsApp. É no WhatsApp que você vai entrar em contato com o motorista e é um número que ele está usando.

A inteligência artificial que também tem dentro do aplicativo, me direciona se tiver alguma coisa fugindo muito do controle. Por exemplo, um carro andando no meio do mato, o GPS que não está referenciando, um cadastro que não aparece a placa do carro ou a pessoa botou um nome aleatório, essas coisas.

A inteligência artificial me passa tudo, mas a única interação que as pessoas têm é com o motorista.

Eu vou ser mais direto: se hoje você usa Uber, 99 ou inDrive e é assaltado, não tem uma resposta imediata. Tem que juntar os dados e levar à polícia civil. Aqui é a mesma coisa, a única diferença é que eu não cobro taxa. Eu vou monetizar o aplicativo e ao mesmo tempo as pessoas vão poder trabalhar sem precisar pagar.

Todo o valor que o passageiro paga, vai direto para o motorista sem descontar nada. A questão do pagamento é entre o motorista e o passageiro.

Qualquer coisa que acontecer, vai ter o WhatsApp, vai na Polícia Civil e é da mesma maneira que Uber e 99, porque as plataformas não te dão garantia de segurança.

Tanto que você vê muito isso hoje, os próprios motoristas, que usam a Uber e a 99, fazem campanha para colocar câmera veicular.

Por mais que a plataforma fale que te dá uma proteção, na minha história de motorista ao longo desses seis anos eu nunca vi alguém que foi indenizado por assalto ou por acidente pelas plataformas. A única coisa que eu vejo é o motorista ser destratado e ser bloqueado por uma falsa denúncia.

Eu não vejo uma plataforma mundialmente conhecida dando esse amparo ao motorista. Eu vejo ela cobrar a taxa e não dar nenhum amparo se o motorista bate o carro, é assaltado ou assediado.

Como funciona a plataforma para o passageiro?

Rodrigo Fiori: Na hora que o passageiro entra no site para baixar o aplicativo ou abrir online, sem precisar baixar, ele vai clicar no botão de georeferenciamento. Esse botão vai localizar ele em tempo real e os veículos que estão perto dele. 

O valor é R$2 por quilômetro percorrido, tanto para buscar, quanto para levar. 

No mapa, tem como colocar também a preferência de motorista mulher, por exemplo. Na hora que a pessoa clica aparece se o motorista é homem ou mulher.

Como foi a captação dos primeiros motoristas?

Rodrigo Fiori: Eu estou tendo muita dificuldade, porque eu não faço tráfego pago, eu fico indicando e falando com as pessoas.

Só que quando o passageiro vai atrás e não vê carro, ele já não busca. E quando o motorista entra e não vê passageiro chamando, ele já não usa tanto. Então, está tendo esse conflito que, pelo estudo que eu fiz, é normal no início. 

Até que o produto tenha engajamento e visibilidade, ele sofre com isso por um tempo.

Quantos motoristas têm na plataforma?

Rodrigo Fiori: Se eu não me engano, devem ter 15 motoristas. Porque eu conclui a plataforma e abri o Instagram para divulgar no dia 5 de abril de 2026.

Eu não investi em campanha porque queria encontrar alguém que tivesse interesse em divulgar o aplicativo, que fosse um parceiro de divulgação para estimular de forma orgânica.

Até agora em todos os lugares que eu falei, as pessoas me procuraram para eu criar produtos para eles e não para divulgar o meu produto.

E quantos passageiros já utilizaram a plataforma?

Rodrigo Fiori: Essa questão de passageiros que utilizam eu não tenho controle, porque, como é um marketing drive, eu só faço a ligação entre os dois produtos (motorista e passageiro).

Mas acredito que umas 20, 25 pessoas. 

Nesse período que a plataforma já está no ar, quantas corridas já foram realizadas?

Rodrigo Fiori: Eu não incluí isso, porque para incluir eu tenho que pagar banco de dados e para eu pagar banco de dados, tenho que cobrar a taxa. Meu intuito não é ver quantas pessoas utilizaram e quantas corridas teve no dia.

Se meu intuito for trazer isso para o aplicativo, eu vou ter que cobrar uma taxa de 5% ou 8%, aí eu vou ser mais um aplicativo que cobra a taxa dentro do mercado.

Além da possibilidade de definir se deseja motorista homem ou mulher, tem categorias diferentes de corrida para o passageiro?

Rodrigo Fiori: Não, é uma categoria única. Não tem black, pode pôr carro elétrico, carro a combustão, carro híbrido, hatch, sedan, não tem uma categoria. 

Não existe, porque quando eu coloco categoria, quando eu coloco número de passageiros que chamaram, quando eu coloco número de corridas, isso tudo precisa de banco de dados e, quando usa banco de dados, gera taxa.

O banco de dados que eu utilizo não é pago, é gratuito. No momento, o meu banco de é para 50 mil cadastros, mas eu tenho que movimentar no mínimo uma pessoa na semana, senão ele cai. 

Então, isso eu faço, por mais que eu não veja o número de corridas ou o número de passageiros que estão utilizando, eu mesmo vou lá e faço uma vez na semana para o meu banco de dados não cair.

Quando exceder os 50 mil cadastros, eu vou estar monetizando com campanhas dentro do mapa, sem provocar poluição visual e vou pagar o banco de dados que não é um valor alto. 

Mas como eu quis criar o aplicativo sem gerar taxa, eu tentei fazer tudo de graça, sem precisar pagar programa em dólar, créditos em dólar, hospedar site que você tem que pagar em dólar.

Na sua visão como gestor e como motorista, qual o maior problema nas plataformas de mobilidade atualmente?

Rodrigo Fiori: O maior problema hoje é não ter um valor fixo. Eu trabalho de manhã e à noite e o que mais cansa é ficar fazendo o cálculo se a corrida vale a pena ou não, se a corrida está dentro do valor do quilômetro ou não.

Por isso, eu estipulei uma média entre o ruim e o bom, porque hoje em dia todo mundo faz corrida, mas nunca corridas em cidades que nem essa que eu moro, que é menor.

Eles fazem corridas a R$ 1,80 e R$ 2 o quilômetro. Eles estão muito felizes, mas quando tem corrida fim do mês, que é R$ 1, R$ 1,20 o quilômetro, o pessoal fica na rua mais tempo. 

No início do mês eles pegam corridas de R$ 1,80 a R$ 2 e trabalham de 8 a 10 horas por dia. No final do mês trabalham de 10 a 12 horas porque as corridas estão a R$ 1, R$ 1,25.

A gente fica muito cansado e eu falo para o pessoal que isso aqui é um videogame, ficamos o tempo todo tentando escolher a melhor corrida e aguardar se o passageiro vai aceitar ainda.

Você pretende focar na mobilidade ou continuar criando outros aplicativos de segmentos diferentes?

Rodrigo Fiori: Eu me identifiquei muito nessa profissão, estou apaixonado pela tecnologia e é um vício. É eu conversar com as pessoas, fazer um network e chegar em casa com um papel e já tentar pensar o que eu posso fazer para ajudar elas.

Eu já faço isso dentro do Instagram da Ride Mobilidade. Quando clica lá para cadastrar, tem um mapa de aplicativos que a pessoa pode desejar usar. Por exemplo, a pessoa entra lá para chamar o Ride, se cadastrar ou baixar o aplicativo. Ela pode clicar e baixar igual faz na Play Store, sem pagar nada e o aplicativo fica disponível no celular.

Aí ela vê: “Poxa, tem um aplicativo de namoro aqui também. Estou solteiro, vou entrar”. Já está indo para uma festa, então aproveita e baixa o aplicativo de namoro.

Mas onde tem uma festa boa? Lá dentro já existe um aplicativo que hoje chamamos de medidor de calor. A pessoa clica nele e vê onde a festa está tendo mais movimento, com base na validação de quem frequenta o lugar, sem precisar se cadastrar. Ela consegue fazer cinco votos e o algoritmo identifica o ID do aparelho.

Sabe aquele mapa da Uber quando a tarifa está dinâmica? O medidor de calor faz isso com o mapa das festas, ele mostra onde estão os eventos mais movimentados e para onde vale a pena ir.

Ou seja, a pessoa entrou para chamar uma corrida no Ride e pensa: “Mas para qual festa eu vou?”. Ela entra no aplicativo de festas para encontrar um lugar. “Mas sou solteiro, como vou interagir com alguém?” Entra no aplicativo de namoro e encontra pessoas que estão por lá. 

O que movimenta a cidade? Qual o público que utiliza app de mobilidade?

Rodrigo Fiori: Aqui tem bastante festa universitária, tem rodeios também e tem festas locais.

Agora está tendo muita festa nova, voltado à música eletrônica, shows de pessoas famosas. Então, tudo que eu quis fazer foi para aproximar as pessoas.

O aplicativo de mobilidade para valorizar o motorista, o aplicativo de namoro para aproximar as pessoas, porque esse aplicativo de namoro ele só consegue validar pessoas que estão perto de ti. 

Tudo que eu tento criar é para humanizar, para deixar as pessoas mais próximas. Uma coisa que a tecnologia está fazendo é afastar as pessoas, porque ela está deixando tudo muito fácil, tudo muito banalizado. 

Então tudo tem uma ligação, tudo que eu criei tem sentido em relação a humanizar as coisas, mas não com sentido financeiro. Se fosse com sentido financeiro, eu já colocaria plano de assinatura para todo mundo e fazia tráfego pago para todo mundo gastar.

Mas eu sinto falta disso, dessa interação mais humana, respeitosa com o trabalho do motorista, aproximar as pessoas de um jeito mais humano.

O que você espera para o futuro do app? Onde espera estar daqui a cinco anos?

Rodrigo Fiori: Eu espero que daqui a cinco anos eu tenha ajudado muitas famílias, muitas mesmo, com as terapias. Espero ter criado muitas amizades, espero que toda essa renda que entrar, faça esse projeto dar muito certo.

Venha trazer muito fruto para ajudar famílias e dar uma qualidade melhor de vida para os motoristas e para mim também.