O Vai Vem Brasil surgiu de uma oportunidade identificada por Toni Ricardo de Souza Ferreira, empresário nascido em São Paulo e criado em Foz do Iguaçu, no Paraná.

Antes de entrar no mercado de aplicativos, Toni trabalhou no setor público e observou de perto a demanda por transporte de passageiros em Foz do Iguaçu, cidade conhecida pelo turismo e pela presença de serviços de táxi, mototáxi e transporte turístico.

Mesmo com diferentes opções disponíveis, o empresário percebeu que ainda existia espaço para uma nova plataforma.

“Mesmo com essa quantidade de oferta de serviços, ainda faltava veículo para fazer transporte de passageiro. Então, ali eu vi uma janela de oportunidade”, relembra.

A ideia começou a ser desenvolvida entre o final de 2020 e 2021, mas foi colocada em prática em 2022. O plano inicial era construir um aplicativo voltado à mobilidade urbana.

Entretanto, antes de consolidar o transporte de passageiros, Toni encontrou uma oportunidade no setor de entregas que mudaria o direcionamento do negócio.

Parceria no setor farmacêutico levou aplicativo ao delivery

A entrada no mercado de entregas aconteceu após Toni ser procurado por um amigo de Campo Grande, que conhecia uma operação ligada à rede Droga Raia.

Segundo o gestor, naquele período, a rede farmacêutica passava por mudanças em seus sistemas de comércio eletrônico e precisava integrar diferentes empresas responsáveis pelas entregas.

O empresário decidiu aproveitar a oportunidade e adaptar sua plataforma para atender a essa demanda.

O processo de integração tecnológica levou aproximadamente um ano, entre 2022 e 2023.

“Quando fui começar o projeto, surgiu uma janela de oportunidade na área de entrega. Por isso, a plataforma acabou começando mais para o delivery do que necessariamente para o transporte de passageiros”, explica.

A mudança fez com que o aplicativo concentrasse suas atividades principalmente na entrega de medicamentos, segmento que continua representando a maior parte dos serviços realizados.

Aplicativo começou a se pagar em 2024

A implantação da operação ocorreu ao longo de 2022, com início efetivo dos serviços por volta de março ou abril de 2023.

Segundo Toni, a fase inicial foi marcada por dificuldades relacionadas ao desenvolvimento tecnológico e à integração dos sistemas.

“A grande dificuldade, no meu caso, foi na parte de TI, de desenvolvimento. Até sair do projeto e conseguir colocar em prática, foi meio penoso”, relata.

Apesar dos desafios, a operação começou a apresentar resultados.

Em agosto de 2023, Toni decidiu deixar seu emprego para dedicar-se integralmente à empresa.

“Eu tocava meu emprego formal e o projeto em paralelo. Quando chegou agosto de 2023, deixei meu trabalho e foquei necessariamente no aplicativo”, conta.

O empreendimento começou a cobrir seus custos em janeiro de 2024, aproximadamente um ano após o início da operação.

O investimento inicial não foi informado.

Vai Vem Brasil será dedicado à mobilidade urbana

Depois de desenvolver o negócio no setor de entregas, Toni decidiu reorganizar as atividades da empresa.

A estratégia envolve a criação de uma operação específica para o delivery, chamada Entrega Mais Brasil, enquanto o Vai Vem Brasil será direcionado exclusivamente ao transporte de passageiros.

A separação busca permitir que cada negócio tenha uma estratégia própria de crescimento.

“Quando pensei no nome Vai Vem Brasil, foi justamente pensando em mobilidade, e não em delivery”, afirma.

Segundo o empresário, a intenção é ampliar os investimentos em transporte de passageiros e levar o aplicativo a localidades que ainda possuem poucas opções de mobilidade.

“Atualmente, as corridas de passageiros ainda representam uma parcela pequena do volume total de serviços”, diz. 

Operação está presente em sete estados

Com sede em Curitiba, no Paraná, a empresa possui operações em sete estados brasileiros: Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Goiás.

A sede foi transferida de Foz do Iguaçu para Curitiba por razões estratégicas.

Segundo Toni, o Paraná continua sendo um dos principais mercados da operação.

A empresa reúne mais de 5 mil profissionais cadastrados, considerando motoristas e entregadores, e uma base superior a 15 mil clientes.

O número de entregadores é maior porque a atividade predominante ainda é o delivery.

Plataforma realiza cerca de 14 mil serviços por mês

Segundo Toni, a empresa realiza aproximadamente 14 mil serviços mensais, entre entregas e corridas de passageiros.

O volume é concentrado principalmente no setor farmacêutico, que representa o principal mercado atendido atualmente.

O gestor afirma que a logística continua oferecendo oportunidades de crescimento, mesmo diante das dificuldades econômicas.

Para ele, as mudanças nos hábitos de consumo e a expansão do comércio eletrônico aumentaram a necessidade de serviços de entrega.

Essa demanda também ajudou a transformar o aplicativo em uma fonte de renda para profissionais cadastrados.

“Muitas famílias vivem unicamente do nosso aplicativo”

Um dos resultados que mais orgulham Toni é saber que o trabalho realizado pela empresa se tornou a principal fonte de renda de parte dos profissionais.

Segundo ele, quando os aplicativos começaram a se popularizar no Brasil, muitos trabalhadores utilizavam essas plataformas apenas para complementar o orçamento.

Com o tempo, a atividade passou a sustentar famílias inteiras.

“Poder disponibilizar uma ferramenta para a pessoa trabalhar e conseguir seu sustento é muito gratificante”, acrescenta.

Vai Vem Brasil movimenta cerca de R$ 240 mil por mês

O movimento financeiro da operação chega a aproximadamente R$ 240 mil mensais, segundo Toni.

O valor corresponde ao total movimentado pelos serviços de entregas e transporte, não ao lucro da empresa.

O gestor explica que os contratos comerciais possuem condições diferentes, especialmente nas operações voltadas às redes farmacêuticas.

“Hoje eu atendo mais farmácias, não só a Droga Raia. A gente tem uma tabela diferenciada com esses clientes”, explica.

A cobrança pode envolver percentuais e valores negociados diretamente com os estabelecimentos contratantes.

“Por isso, a receita efetiva da empresa não corresponde necessariamente à aplicação de uma taxa única sobre toda a movimentação financeira”, explica. 

Corrida mínima de carro é de R$ 10

Na operação de mobilidade urbana, o Vai Vem Brasil trabalha com corrida mínima de R$ 10 para carros, cobrindo deslocamentos de até 3 quilômetros.

Já o valor de referência por quilômetro rodado fica em torno de R$ 2.

A expansão desse serviço é uma das prioridades da empresa após a reorganização das atividades.

Toni explica que pretende oferecer uma alternativa de transporte em municípios onde a população ainda enfrenta dificuldades para encontrar serviços acessíveis.

Entregador recebe no mínimo R$ 6 por serviço

Na área de delivery, a remuneração mínima informada por Toni é de R$ 6 para entregas de até aproximadamente 3 quilômetros.

O valor corresponde ao que o entregador recebe pelo serviço.

A remuneração da plataforma é cobrada separadamente ao estabelecimento contratante.

“Os R$ 6 são o que ele recebe. Os 19% são pagos pela farmácia, pelo cliente”, esclarece.

O gestor informa que a taxa de referência é de 19%, mas ressalta que alguns contratos possuem tabelas comerciais diferenciadas.

Profissionais já faturaram até R$ 4 mil por semana

Ao comentar a remuneração dos profissionais, Toni relatou casos em que trabalhadores cadastrados alcançaram faturamentos semanais entre R$ 3,5 mil e R$ 4 mil.

Segundo ele, os resultados dependem da quantidade de serviços realizados e da dedicação de cada profissional.

“Tem situações em que o pessoal, tanto na parte de carro quanto de moto, faz de R$ 3,5 mil a R$ 4 mil por semana”, afirma.

O empresário também destaca a flexibilidade de horários como uma característica da operação.

“Ele fica livre, trabalha o quanto quiser”, diz.

Pagamentos são feitos semanalmente em uma das modalidades

A empresa possui diferentes formas de funcionamento financeiro.

Uma delas permite que o profissional utilize uma carteira virtual, adicionando créditos que são descontados conforme realiza os serviços.

Outra modalidade envolve repasses semanais.

“Ele corre de domingo a sábado e nós pagamos todo mundo na terça”, explica Toni.

O formato utilizado depende da modalidade de serviço e das condições da operação.

Empresa inicia projeto para entregar encomendas transportadas por ônibus

Além das entregas de medicamentos, Toni começou a desenvolver uma nova frente de negócios: a distribuição de encomendas transportadas entre cidades por empresas de ônibus.

Segundo ele, algumas transportadoras utilizam os bagageiros dos veículos para levar produtos de um município a outro.

Entretanto, a entrega final até o endereço do destinatário nem sempre é realizada pela própria empresa de transporte.

“Essas empresas têm uma dificuldade, não em fazer o transporte, mas em pegar a encomenda e levar até o cliente. A proposta é utilizar os entregadores da plataforma para realizar essa última etapa”, explica.

Toni afirma que já iniciou conversas e parcerias com empresas do setor, mas ressalta que o projeto ainda está em fase piloto.

Corridas por fora podem levar ao bloqueio de profissionais

Assim como outras plataformas de mobilidade e delivery, o Vai Vem Brasil enfrenta situações em que motoristas e entregadores realizam serviços diretamente para clientes, sem registrar a atividade no aplicativo.

Segundo Toni, a empresa adotava uma postura mais tolerante no início.

Entretanto, a política mudou.

“No início, a gente era mais tolerante. Mas, quando identifica, acaba bloqueando o motorista ou entregador. O objetivo é evitar que a plataforma seja utilizada apenas para captar clientes que depois passam a contratar serviços fora do sistema”, afirma.

Gestor critica falta de clareza na regulamentação

Uma das maiores preocupações de Toni é a discussão sobre as regras que devem orientar o trabalho por aplicativos no Brasil.

“O que me incomoda é que hoje nós não temos uma legislação muito clara no setor, uma regulamentação que defina bem qual é o papel de cada um”, afirma.

O gestor considera necessária a criação de regras, mas defende que elas respeitem as características do setor.

“A legislação que surgir não pode engessar, porque o aplicativo é uma coisa dinâmica. Ele surgiu de uma necessidade do mercado. Isso porque exigências que aumentem excessivamente os custos das operações podem acabar sendo repassadas aos usuários”, acrescenta.

Experiência com corrida de R$ 120 reforçou visão sobre aplicativos

Toni relata uma experiência pessoal que marcou sua percepção sobre a importância do transporte por aplicativo.

Em determinada ocasião, precisava levar a filha a uma consulta médica em Foz do Iguaçu.

Ao procurar um táxi, recebeu uma cobrança de R$ 120 pelo deslocamento.

Posteriormente, realizou uma viagem semelhante por aplicativo e pagou R$ 30.

“Era mais caro do que uma passagem de ônibus de Foz do Iguaçu até Cascavel, que dá uns 100 quilômetros”, relembra.

Para o gestor, o exemplo demonstra como os aplicativos ampliaram o acesso ao transporte individual.

“O aplicativo facilitou e colocou acesso a um serviço que muita gente não usava. Fora que  a possibilidade de conhecer o valor da corrida antecipadamente também trouxe mais transparência para os passageiros”, afirma.

Aplicativos regionais podem oferecer serviço mais personalizado

Toni acredita que as plataformas regionais possuem oportunidades de crescimento ao oferecer serviços adaptados à realidade de cada município.

Segundo ele, o diferencial das empresas menores está na proximidade com os usuários e na possibilidade de selecionar melhor os profissionais cadastrados.

O gestor também defende que as plataformas encontrem um equilíbrio entre a remuneração dos trabalhadores e o preço pago pelos passageiros.

Na avaliação dele, uma operação local consegue identificar com mais facilidade as necessidades da população.

“O aplicativo regional consegue oferecer um serviço mais personalizado para a sua região. Competir apenas pelo preço não é suficiente. A qualidade do atendimento também precisa fazer parte da estratégia”, afirma.

Gestor defende mais incentivos para aplicativos brasileiros

Outra preocupação apresentada por Toni é a dificuldade enfrentada por empresas nacionais para investir em tecnologia.

Segundo ele, o Brasil poderia oferecer mais mecanismos de financiamento e incentivo para o desenvolvimento de plataformas brasileiras.

“Eu acho que o Brasil tinha que dar mais incentivo para essas tecnologias nacionais que nós temos. Eu considero que o acesso a recursos permitiria melhorar os sistemas, ampliar a base de usuários e criar novas oportunidades de trabalho”, afirma.

Na avaliação dele, o investimento no setor também pode contribuir para a geração de renda.

Qualidade dos veículos deve ser prioridade

Toni também chama a atenção para as condições dos automóveis utilizados no transporte de passageiros.

Segundo ele, algumas plataformas acabam aprovando veículos sem condições adequadas para evitar a perda de motoristas.

O gestor considera que essa prática prejudica o usuário e compromete a credibilidade do serviço.

“Tem carro que não tem a mínima condição de estar oferecendo serviço. É isso que vai fazer a diferença. A seleção dos profissionais e a conservação dos veículos são aspectos que podem diferenciar os aplicativos regionais das grandes plataformas”, afirma.

Meta é levar o Vai Vem Brasil para todo o país

Com a separação dos negócios, Toni pretende intensificar a expansão do serviço de mobilidade urbana.

A estratégia envolve cidades de pequeno e médio porte, principalmente onde ainda existe dificuldade de acesso ao transporte individual.

Além de fortalecer a atuação nos estados onde a empresa já está presente, o empresário quer chegar a novas regiões.

“Nós queremos estar aí para o Brasil inteiro. O crescimento dependerá da capacidade de adaptar o serviço às necessidades locais e manter a qualidade do atendimento”, afirma.

Legado é gerar trabalho e renda

Ao falar sobre o legado que deseja deixar, Toni destaca a importância de construir uma empresa reconhecida pela qualidade dos serviços e pela contribuição econômica.

Para ele, o crescimento do aplicativo não deve ser medido apenas pelo número de clientes ou pelo movimento financeiro.

“O nosso legado é ser reconhecido como uma empresa que presta um serviço de qualidade e que a nossa ferramenta possa contribuir para que muitas pessoas levem sustento para suas casas”, conclui.

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Giulia Lang

Giulia Lang é jornalista formada pela Fundação Cásper Líbero e há três anos cobre o mercado de mobilidade urbana e delivery pelo 55content.