A 99 explicou como utiliza algoritmos e inteligência artificial para calcular os preços das corridas durante o 99 Tech Summit, realizado nos dias 14 e 15 de outubro, no Rio de Janeiro. A plataforma considera fatores como demanda de passageiros, disponibilidade de motoristas, localização, horário e condições climáticas.
Segundo Anna Ishisaki, diretora de operações da 99, o sistema pode ser preparado para situações previsíveis, como feriados e grandes eventos. Em situações inesperadas, os algoritmos identificam mudanças na oferta e na demanda e recalculam os valores.
“Eventos que a gente consegue prever, por exemplo, o Carnaval, a gente consegue ajustar. A gente consegue ensinar o algoritmo, pelo menos vai direcionando ele para onde a gente quer e para o que precisa ser feito”, explica.
Como a 99 calcula os preços das corridas?
De acordo com Fabrício Ribeiro, também diretor de operações da 99, o cálculo ocorre em três etapas. A primeira define uma tarifa de referência com base na distância, no tempo estimado da viagem, nos custos operacionais e nas condições do mercado.
Na segunda etapa, os algoritmos ajustam os valores conforme a região, o horário e o comportamento dos passageiros. Esses ajustes podem aumentar ou reduzir as tarifas em percentuais como 5%, 10%, 15% ou 20%, dependendo da cidade.
A terceira etapa corresponde ao preço dinâmico, aplicado quando há mais passageiros solicitando viagens do que motoristas disponíveis.
Para acompanhar essas variações, a plataforma divide as cidades em pequenas áreas geográficas. Em São Paulo, por exemplo, são utilizados aproximadamente 3 mil a 4 mil hexágonos, com cálculos atualizados a cada dois minutos.
“Mas acho que um pouco da beleza do algoritmo é que muitas coisas não precisam ser ensinadas, ele aprende sozinho. No caso do preço, por exemplo, a gente divide a cidade em regiões menores”, afirma Ribeiro.
Apesar da automação, a precificação também envolve decisões humanas. Nas cidades maiores, a empresa costuma revisar as condições das tarifas duas ou três vezes por semana.
Por que a chuva aumenta o preço das corridas?
Segundo Ishisaki, durante períodos de chuva, especialmente nas viagens de motocicleta, parte dos motoristas deixa de aceitar solicitações. Com menos condutores disponíveis, o algoritmo pode elevar os preços para tentar estimular a oferta de corridas.
Em períodos de menor demanda, a plataforma busca oferecer tarifas mais baixas. A 99 também pode conceder descontos individualizados, embora, segundo Ribeiro, o preço-base seja definido pela região e pelo horário, e não individualmente para cada passageiro.
O preço pode mudar durante a viagem?
A 99 pode ajustar o valor final quando há mudanças significativas na distância ou no tempo de viagem em relação à estimativa inicial.
Segundo Ribeiro, pequenas variações, de aproximadamente 2% a 3%, podem ser absorvidas pela empresa. Alterações maiores podem resultar em cobranças adicionais para compensar o motorista por trajetos mais longos ou demorados.
“Se a distância aumentou, porque teve que fazer uma rota diferente, porque aquela rua fechou ou o tempo aumentou significativamente, a gente precisa compensar ele, porque senão o ganho dele cai”, destaca.
Como funcionam as taxas cobradas dos motoristas?
As taxas cobradas pela 99 também são dinâmicas e podem variar entre as viagens.
Segundo Ribeiro, a plataforma pode compensar os resultados financeiros entre diferentes corridas. Em algumas situações, o valor repassado ao motorista pode superar o pagamento feito pelo passageiro.
A empresa estabelece limites de cobrança por corrida ou por semana, que variam conforme a cidade. O executivo também afirmou que a 99 busca manter taxas inferiores às da concorrência.
Por que a 99 nem sempre seleciona o motorista mais próximo?
Segundo Ishisaki, a plataforma utiliza cerca de 248 filtros para analisar solicitações, considerando critérios como localização, categoria da corrida, compatibilidade entre passageiros e motoristas e verificações de segurança.
De acordo com a executiva, aproximadamente 90% das solicitações passam pelas verificações e são encaminhadas aos condutores. As demais podem ser barradas por suspeitas de fraude ou restrições operacionais.
Na distribuição das corridas, o sistema não considera apenas a distância. Também são analisados a direção do deslocamento, a rota até o passageiro, a probabilidade de aceitação e as preferências de destino do motorista.
Por isso, um condutor mais distante pode receber uma solicitação antes de outro que esteja fisicamente mais próximo.
Como a 99 direciona motoristas para regiões com maior demanda?
A plataforma também utiliza algoritmos para identificar regiões com poucos motoristas e pode oferecer incentivos, como bônus por corridas e garantias de ganhos, para atrair profissionais.
Segundo Ribeiro, viagens com destino a áreas onde há poucos condutores disponíveis também podem receber prioridade na distribuição.
O executivo explicou ainda que falhas de conexão com a internet podem provocar atrasos na atualização da localização dos motoristas no aplicativo. No entanto, uma perda temporária de sinal não significa necessariamente o cancelamento de uma corrida já solicitada ou aceita.
