Daniel Rodrigo Nitz, natural de Concórdia (SC), tem 36 anos e mora em Luzerna. Antes de entrar no mercado de mobilidade, trabalhou por 15 anos como açougueiro. Depois de deixar a profissão, começou a fazer corridas por aplicativo para se distrair e enxergou uma oportunidade no setor.
A ideia do Rota SC surgiu quando Daniel passou a atuar em um aplicativo regional e ficou descontente com a forma como os motoristas eram tratados. Segundo ele, faltava uma relação mais humanizada entre gestão e condutores.
“Eles querem pessoas que só trabalhem e não reclamem de nada. Decidimos montar o nosso próprio aplicativo”, afirma.
Taxa menor e atendimento por WhatsApp foram os diferenciais
Uma das principais dores que Daniel quis enfrentar foi a rentabilidade do motorista. Segundo ele, na região, as taxas cobradas por aplicativos costumavam ficar entre 20% e 25%. O Rota SC entrou com uma taxa de 10%.
Além da taxa menor, o app apostou em um modelo de atendimento que não depende apenas do aplicativo. O Rota SC também recebe pedidos pelo WhatsApp e por central telefônica, com um robô fazendo a intermediação e repassando as corridas para grupos de motoristas de cada cidade.
“Nós trouxemos essa oportunidade para o motorista: baixamos a taxa para 10%”, diz.
Operação começou em Luzerna
O Rota SC começou em Luzerna, cidade de cerca de 7 mil habitantes. Daniel afirma que, no início, muitos diziam que não valia a pena investir ali porque não haveria demanda suficiente. Mesmo assim, começou sozinho.
Depois, a operação cresceu com uma parceria em Catanduvas, cidade onde não havia motoristas de aplicativo e o atendimento era feito principalmente por táxis. Foi a partir dali que o app começou a se expandir e ficar conhecido na região.
Gestor tem sócio na operação
Atualmente, Daniel conta com um sócio. Ele fica mais responsável pela parte burocrática e pelo aplicativo, enquanto o sócio atua de forma mais próxima dos motoristas.
Investimento passou de R$ 20 mil
O investimento inicial passou de R$ 20 mil. Daniel afirma que, no começo, contratou uma empresa para fornecer o aplicativo, mas precisou trocar de fornecedor depois, o que gerou custo dobrado. Além disso, houve investimento em divulgação.
Com a experiência adquirida, ele avalia que parte do dinheiro foi gasto sem necessidade, seguindo sugestões que nem sempre funcionaram na prática.
“Analisando hoje, a gente jogou muito dinheiro fora na época. Nem tudo que as pessoas falam realmente dá certo”, afirma.
Maior dificuldade é ter motorista disponível
Para Daniel, uma das maiores dificuldades da operação é encontrar motoristas realmente dispostos a trabalhar nos horários em que o cliente precisa. Segundo ele, alguns condutores deixam de ficar disponíveis justamente nos horários de pico e depois reclamam da falta de corridas.
App foi criado em 2024
O Rota SC foi criado em 2024. Hoje, atua em Luzerna, Joaçaba, Herval d’Oeste, Treze Tílias, Catanduvas, Água Doce, Capinzal e Ouro. Também possui uma franquia no litoral, com sede em Itapoá e motoristas em Garuva.
A sede fiscal da empresa fica em Treze Tílias, embora Daniel more em Luzerna e a operação tenha começado ali.
Crescimento ficou mais claro em 2025
Daniel afirma que percebeu que o aplicativo estava fluindo melhor no começo de 2025, por volta de abril. Um dos principais motores da demanda foi o atendimento a pessoas mais velhas, que preferem chamar pelo WhatsApp em vez de usar o aplicativo.
“Nossa maior demanda é justamente de pessoas de idade que não querem mexer com o aplicativo. Elas chamam pelo WhatsApp e a gente arruma o carro”, explica.
Gestão mudou a visão sobre documentação
Como motorista, Daniel chegou a achar exagerada a quantidade de documentos exigidos para entrar em uma plataforma. Como gestor, passou a entender melhor a importância desse processo, especialmente porque passageiros, crianças e idosos entram nos carros dos motoristas.
“Hoje, vendo como administrador, entendo que é uma documentação importante. Tem fundamento”, afirma.
Daniel ainda roda, mas quer focar na gestão
Além do aplicativo, Daniel também atua como corretor de imóveis, faz perícia de avaliação e vende consórcio. Ele pretende deixar de rodar como motorista até o fim do ano para ficar mais nos bastidores e focar na parte administrativa.
A empresa também está abrindo um escritório em Luzerna para estruturar melhor a gestão.
Rota SC tem 39 motoristas e 2,3 mil passageiros
Atualmente, o Rota SC tem 39 motoristas e cerca de 2,3 mil passageiros cadastrados na plataforma. O app realiza aproximadamente 6 mil corridas por mês.
Em um mês citado por Daniel, a operação registrou 5,3 mil corridas e movimentou R$ 137 mil. A plataforma fica com 10%, embora, segundo ele, em algumas situações o valor seja arredondado para menos.
Corrida mínima varia entre R$ 11 e R$ 13
A corrida mínima varia conforme a cidade. Em média, fica entre R$ 12 e R$ 13 e cobre cerca de 1,7 km. Em Luzerna, começa em R$ 12; em Treze Tílias, em R$ 13; em Joaçaba, em R$ 12; e no litoral, na franquia, em R$ 11.
O valor recebido pelo motorista por quilômetro fica em torno de R$ 2 ou um pouco mais.
Motoristas chegam a R$ 15 mil ou R$ 16 mil por mês
Segundo Daniel, o faturamento dos motoristas varia bastante conforme a dedicação. Há condutores que tiram R$ 1 mil por mês, por trabalharem pouco, e outros que chegam a R$ 14 mil, R$ 15 mil ou até R$ 16 mil mensais.
“O salário do motorista cada um faz o seu. Tenho motorista que tira R$ 1 mil por mês e motorista que tira R$ 14 mil, R$ 15 mil, R$ 16 mil”, afirma.
A taxa cobrada pela plataforma é de 10% em todas as cidades da operação própria. No litoral, por ser franquia, o modelo é diferente e funciona com taxa fixa semanal.
Corridas longas ajudam no movimento
Daniel explica que a região tem muitas corridas longas. Em Treze Tílias, por exemplo, moradores costumam se deslocar até Joaçaba para atendimento médico e outros serviços. Uma viagem desse tipo pode chegar a R$ 120.
Corridas por fora são uma frustração
O Rota SC enfrenta problemas com motoristas que fazem corridas por fora. Para Daniel, essa é uma das principais frustrações da operação.
Segundo ele, o aplicativo tem custos com plataforma, mapas, contabilidade, impostos e divulgação. Por isso, quando o motorista atende por fora, compromete a sustentabilidade da operação.
“A principal frustração é o motorista realizar corrida fora do aplicativo”, afirma.
Aplicativos pequenos se ajudam na região
Apesar da concorrência, Daniel afirma que os aplicativos menores da região acabam se ajudando. Quando um app não tem motorista disponível em determinada cidade ou horário, repassa a corrida para outro. O mesmo acontece no sentido contrário.
Segundo ele, os aplicativos maiores da região tendem a operar de forma mais isolada, enquanto os menores mantêm uma relação de cooperação.
Tecnologia está avançada
Daniel avalia que a tecnologia está avançada na parte de customização e que a precisão dos mapas é um ponto forte.
Segundo ele, a diferença de localização pode chegar a cerca de cinco metros, o que considera um bom nível de precisão para a operação.
Grandes empresas ainda fecham mais parcerias com Uber e 99
Para Daniel, um dos desafios dos aplicativos regionais não está apenas na tecnologia, mas no acesso a parcerias. Ele afirma que grandes empresas costumam fechar acordos com Uber e 99, enquanto aplicativos menores têm mais dificuldade para conseguir esse tipo de parceria.
Na região onde o Rota SC atua, Uber e 99 não funcionam com força. Daniel afirma que chegou a tentar fazer corridas por essas plataformas, mas os valores definidos para a região eram baixos demais para o motorista.
Mercado regional deve se concentrar
Sobre o futuro dos aplicativos regionais, Daniel acredita que muitos devem sair do mercado nos próximos anos. Para ele, o setor está saturado, especialmente em cidades pequenas com muitos motoristas cadastrados em várias plataformas ao mesmo tempo.
Em Joaçaba e Herval d’Oeste, por exemplo, ele estima que haja mais de 100 motoristas e condutores trabalhando para cinco ou seis aplicativos diferentes.
“Tem serviço para todos, mas vai acabar ficando só os maiores”, avalia.
Legado é confiança e pontualidade
O legado que Daniel quer deixar com o Rota SC é o de confiança. Para ele, em cidades pequenas, onde todos se conhecem, é essencial que o cliente confie tanto na empresa quanto no motorista.
A pontualidade também é parte central da proposta. Daniel cita o exemplo de um idoso que sai da fisioterapia às 15h: nesse caso, o motorista precisa estar no local exatamente no horário combinado.
“A gente quer passar essa visão de confiança. Cidade pequena, todo mundo conhece todo mundo”, afirma.
Empresa quer expandir franquias
Além da operação própria, o Rota SC já tem uma franquia no litoral, com administração separada. Daniel afirma que a empresa busca expandir esse modelo para outras cidades.
“Santa Catarina tem mais de 200 cidades e ainda há muito campo para crescimento, especialmente em municípios onde não existem Uber, 99 ou motoristas de aplicativo”, conclui o gestor.
