Aloan Bethovan é de Juiz de Fora, em Minas Gerais, e teve contato com aplicativos regionais em 2021, quando estava em Sidrolândia, no Mato Grosso do Sul, durante a pandemia. Na época, a cidade não tinha Uber nem 99, e uma solução local chamou sua atenção.
Ao voltar para Juiz de Fora, percebeu que sua cidade natal, mesmo sendo maior, também não tinha um aplicativo local voltado às necessidades específicas do município. A partir disso, começou a pesquisar o mercado e concluiu que havia espaço para uma plataforma regional.
“Vi que realmente cabia espaço para um aplicativo local, um aplicativo regional direcionado às necessidades da cidade, dos motoristas e passageiros”, afirma.
Rebrand veio para sustentar expansão
A operação passou por um rebrand e deixou de usar a marca anterior para adotar o nome SINA Mobilidade Urbana. Segundo Aloan, a mudança foi feita justamente para abrir caminho para a expansão e levar o serviço a mais cidades.
Base de motoristas cresceu após mudança no mercado
Segundo Aloan, a base de motoristas deu um “salto gigantesco” durante a transição e praticamente dobrou, com crescimento estimado em cerca de 80%. O avanço ocorreu em um contexto em que motoristas passaram a buscar alternativas a modelos que exigem pagamento antecipado para iniciar o dia de trabalho.
Atualmente, a plataforma tem 2.369 motoristas cadastrados e 1.609 aprovados. A base de passageiros também cresceu, chegando a 10.133 usuários.
Aplicativo faz mais de 4 mil corridas por mês
No volume atual, o SINA Mobilidade Urbana realiza cerca de 4.327 corridas finalizadas por mês. Em média, são cerca de mil corridas por semana.
“O número de solicitações não atendidas também aumentou, justamente porque muitos motoristas acabam priorizando plataformas em que já pagaram uma taxa antecipada para rodar”, afirma o gestor.
Suporte é 100% humanizado
A mudança de nome, segundo Aloan, foi bem recebida pelos motoristas. A empresa usa redes sociais para divulgar informações e mantém atendimento direto pelo WhatsApp.
Um dos diferenciais destacados pelo gestor é o suporte sem robôs ou chatbots.
“Nosso suporte é 100% humanizado, não tem bot, não tem chatbot. Sempre há alguém disponível para responder, seja eu mesmo, meu sócio ou colaboradores da operação”, destaca.
Pagamento antecipado motivou expansão
Aloan explica que a criação do aplicativo nasceu da vontade de oferecer uma solução local para Juiz de Fora. Já a decisão de expandir ganhou força após observar modelos em que o motorista precisa fazer um depósito antes de trabalhar.
“Esse tipo de cobrança até pode gerar previsibilidade para a plataforma, mas não garante que o motorista terá corridas suficientes. O motorista pagar antes de trabalhar não é justo”, afirma.
Taxa fica entre 10% e 15%
O SINA trabalha com uma base de cobrança entre 10% e 15% do valor da corrida, dependendo da cidade. O restante é direcionado ao motorista, sem exigência de depósito antecipado.
Aloan afirma que a plataforma busca transparência: quando a corrida aparece no visor do motorista, ele vê tanto o valor pago pelo passageiro quanto o valor que receberá após o desconto da taxa.
“A gente busca transparência. Aparece o valor que o passageiro está pagando e, embaixo, o valor que o motorista vai receber”, explica.
Corrida mínima é de R$ 9
A corrida mínima do SINA é de R$ 9. A distância coberta pode variar conforme o horário, já que a tarifa muda em períodos de pico, mas fica em torno de 3 km a 4 km no valor mínimo.
O ticket médio das corridas fica entre R$ 14 e R$ 16. Um dos motoristas com maior volume na plataforma chegou a finalizar 600 corridas em um mês.
Corridas movimentam cerca de R$ 60 mil por mês
Considerando cerca de 4.327 corridas mensais e ticket médio aproximado de R$ 14, o movimento bruto das corridas fica em torno de R$ 60,5 mil por mês. A plataforma retém aproximadamente 10% desse valor nas corridas, além de contar com outras formas de monetização, como publicidade.
Motoristas precisam olhar para a cidade, diz gestor
Para Aloan, os aplicativos locais podem ser uma alternativa real às grandes plataformas, mas dependem de maior conscientização dos motoristas. Na visão dele, passageiros costumam ter menos resistência a usar um app local; o desafio está em fazer o motorista valorizar uma solução próxima, adaptada à realidade da cidade.
“Falta os motoristas olharem para suas cidades com um pouquinho mais de carinho. Uma plataforma regional consegue se moldar com mais rapidez às necessidades de cidades menores, tanto na parte financeira, com taxas menores, quanto em soluções personalizadas”, afirma.
Gestor se orgulha de entregar solução local
O principal orgulho de Aloan é oferecer um serviço de qualidade para Juiz de Fora e mostrar que aplicativos locais podem disputar espaço com grandes plataformas.
A experiência como empreendedor também mudou sua forma de trabalhar. Ele afirma que se tornou mais dinâmico, mais adaptável e menos resistente a mudanças.
“A gente tem que estar o tempo todo se movimentando e realizando mudanças para continuar no mercado”, diz.
Operação tem sócio na nova fase
Aloan conta com um sócio na nova fase do SINA. A divisão de tarefas funciona da seguinte forma: ele fica mais responsável pela ferramenta e pela parte do aplicativo, enquanto o sócio atua no marketing e no atendimento geral ao público.
Corridas por fora não são problema atual
Diferentemente de outros gestores do setor, Aloan afirma que não sofre hoje com motoristas fazendo corridas por fora. O problema maior no início foi a resistência de alguns condutores, incluindo campanhas contra o aplicativo feitas por pessoas que tentaram criar outra plataforma e não avançaram.
Segundo ele, essa objeção inicial foi superada.
Falta de união dos motoristas incomoda
O que mais incomoda Aloan no mercado é a falta de união entre motoristas. Para ele, essa desunião limita a expansão de aplicativos locais e impede que os condutores valorizem soluções que oferecem suporte mais próximo.
Ele afirma que a plataforma tem condições de criar ponto de apoio e oferecer mais suporte, mas precisa que os motoristas reconheçam o valor de uma operação local.
“Minha dor, na maioria das vezes, é essa: falta de união, de motorista fazer campanha contra um aplicativo que é da própria cidade dele”, afirma.
Meta é ter cinco cidades ativas
Até o fim do ano, a meta do SINA é chegar a pelo menos cinco cidades ativas de porte significativo. Para os próximos cinco anos, Aloan imagina a operação estruturada e funcionando plenamente nessas praças.
Gestor já trabalhou como motorista
Aloan também teve experiência como motorista. Ele rodou no início da Uber no Brasil, entre 2014 e 2016, e voltou a dirigir em 2018, quando estudava e precisava de renda extra.
“Como motorista, vi dores relacionadas a taxas e suporte. Hoje, não pretendo agradar todos os condutores, mas quero ser uma alternativa para quem está inconformado com os modelos das grandes plataformas. Meu objetivo é justamente atingir os motoristas e passageiros que estão descontentes e trazer esse pessoal para a plataforma”, afirma.
Tecnologia cumpre o que promete
Segundo Aloan, a plataforma atende às necessidades da operação, oferece pagamento no aplicativo, pagamento por cartão e permite integrações que tornam a solução mais personalizada.
Aplicativos regionais precisam unir forças
Para Aloan, o futuro dos aplicativos regionais passa por união. Em vez de cada pessoa criar seu próprio app e disputar em cidades pequenas, ele defende que gestores conversem, se associem e somem forças em projetos com propósito comum.
“Na minha visão, se 14 pessoas criam 14 aplicativos diferentes em uma cidade, todas gastam energia puxando para lados opostos. Se essas pessoas se unissem em torno de uma mesma mudança, a chance de resultado seria maior. Em vez de competir um com o outro, junta. A união faz a força.”, afirma.
Segundo ele, em vez de simplesmente criar oposição a outros aplicativos, vale conversar com quem já tem experiência e pode orientar novos gestores.
“Vale a pena conversar com quem está no mercado, ao invés de simplesmente querer fazer oposição”, conclui.
Legado é mostrar que pequenas cidades também entregam tecnologia
Ao falar sobre legado, Aloan afirma que quer mostrar que cidades menores também têm condições de oferecer tecnologia, dados e soluções de qualidade em mobilidade urbana.
“Não precisa ficar preso somente nos gigantes. Às vezes, um pequenininho que está ali do lado tem uma qualidade muito superior”, afirma.
Para ele, a mensagem principal do SINA é que uma solução regional pode ser mais próxima, adaptada e eficiente para a realidade da cidade.
