Lançado no fim de 2025, o Xegol Meu Cariri é um aplicativo de mobilidade urbana que nasce com foco regional e proposta de maior valorização dos motoristas. Em operação há cerca de três meses, a plataforma já conta com mais de 100 condutores cadastrados e atua em cidades estratégicas do interior do Ceará.

À frente do projeto está Antônio Pedro Barbosa Filho, que decidiu empreender após experiência como motorista de aplicativo e ao identificar falhas em plataformas tradicionais.

Qual é a sua trajetória profissional até criar o aplicativo?

Antônio: Tenho 43 anos, sou formado em Recursos Humanos e trabalhei em instituições como o Crediamigo e o Santander.

Depois disso, comecei a ter contato com pessoas do transporte urbano e percebi uma carência no setor. Em 2023, comecei a atuar como motorista de aplicativo e identifiquei problemas nas grandes plataformas.

O que motivou a criação do Xegol Meu Cariri?

Antônio: O principal ponto foi a desvalorização dos motoristas. Eles não têm clareza sobre ganhos e acabam sendo prejudicados pelas taxas.

A proposta do aplicativo é oferecer mais transparência e melhores condições financeiras.

Quando o aplicativo foi lançado e onde atua?

Antônio: O lançamento foi em 27 de dezembro de 2025.

Hoje atuamos em três cidades da região do Cariri: Juazeiro do Norte, Crato e Barbalha.

Quantos motoristas e passageiros estão cadastrados atualmente?

Antônio: Temos cerca de 119 motoristas cadastrados e aproximadamente 360 passageiros.

Quantas corridas são realizadas por mês?

Antônio: Ainda estamos no início, então realizamos entre 70 e 100 corridas por mês.

Qual foi o investimento inicial no projeto?

Antônio: Comecei com cerca de R$ 1.000, mas ao longo dos meses já investi aproximadamente R$ 7.000, considerando marketing e operação.

O aplicativo já se paga?

Antônio: Ainda não. Tivemos alguma movimentação, mas o retorno ainda não cobre os custos. Neste momento, o foco é ganhar mercado.

Como foi a captação de motoristas e passageiros?

Antônio: Trabalhei com panfletagem, redes sociais e, principalmente, o boca a boca.

Também converso diretamente com motoristas em pontos de parada, como postos de combustível.

Qual é a taxa cobrada dos motoristas?

Antônio: A taxa padrão é de 15%, ou seja, o motorista fica com 85% da corrida.

Atualmente, estamos operando com 100% do valor para os motoristas como forma de incentivo.

Quais são os valores das corridas?

Antônio: Hoje, a corrida mínima na categoria econômica está em R$ 7.

O valor por quilômetro é de aproximadamente:

  • R$ 2 para categoria econômica
  • R$ 2,60 para categoria intermediária
  • R$ 3,20 para categoria premium

Qual foi o momento mais difícil até agora?

Antônio: Foi um período recente em que praticamente só eu estava operando o aplicativo. Foi desafiador manter o projeto sozinho.

Você também atua como motorista?

Antônio: Sim. Trabalho como motorista para ajudar na operação e também na divulgação do aplicativo.

Quando você percebeu que o app começou a dar sinais de tração?

Antônio: Ainda não tivemos esse momento definitivo, mas já vemos sinais, como clientes que já conhecem o aplicativo espontaneamente.

Qual é o diferencial do Xegol Meu Cariri?

Antônio: O foco é valorização do motorista, transparência e suporte mais próximo.

Também investimos em segurança, como reconhecimento facial e identificação por código.

Quanto o app movimenta atualmente?

Antônio: Ainda é um volume baixo. No mês passado, foram cerca de R$ 650 em corridas. Neste mês, aproximadamente R$ 400 até o momento.

O que mais te incomoda no mercado de mobilidade?

Antônio: Não é exatamente uma irritação, mas a dificuldade dos motoristas em mudar de plataforma, mesmo com condições melhores.

Quais são as expectativas para o futuro?

Antônio: Sou otimista. Acredito que o crescimento será gradual, como aconteceu com outras plataformas.

O que os aplicativos regionais precisam fazer para crescer?

Antônio: Investir em marketing, valorizar motoristas e oferecer um bom serviço ao cliente.

Qual legado você quer deixar com o aplicativo?

Antônio: Quero deixar um serviço que gere qualidade, segurança e impacto positivo na vida das pessoas.

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Giulia Lang

Giulia Lang é jornalista formada pela Fundação Cásper Líbero e há três anos cobre o mercado de mobilidade urbana e delivery pelo 55content.