Edson Rodrigues de Andrade tem 33 anos e é de Cornélio Procópio, no Norte do Paraná. Antes de criar o Mobim, trabalhava em uma empresa privada e, ao sair do expediente, fazia corridas em um aplicativo que funcionava na cidade. Quando essa plataforma parou de operar, ele sentiu a falta do serviço e começou a atender alguns passageiros pelo WhatsApp.
O problema, segundo ele, era o modelo de cobrança. As corridas pelo WhatsApp eram feitas com valor fixo de R$ 15, independentemente da distância. Isso fazia com que um passageiro que andava poucos quarteirões pagasse o mesmo valor de quem fazia um trajeto mais longo.
“Eu vi aquilo de forma muito injusta para o cliente que rodava pouco. Falei: deve ter alguma forma de o cliente pagar de acordo com o que está rodando”, conta.
Ideia começou com simulação manual de preço
Antes de criar o aplicativo, Edson tentou resolver o problema usando um app da Play Store para calcular o valor das corridas. O passageiro ligava, informava origem e destino, ele fazia a simulação e passava o preço.
A solução, porém, não funcionou. Segundo Edson, os clientes já estavam acostumados com a dinâmica rápida do atendimento por aplicativo e não queriam esperar esse processo manual. Foi durante férias do trabalho que ele começou a pesquisar sobre plataformas e decidiu criar o Mobim.
“O cliente já estava acostumado com a dinâmica rápida, de ligar e ouvir ‘já estou indo’. Isso acabou não funcionando”, lembra.
Cidade sentia falta de um aplicativo
Além da cobrança fixa, Edson percebeu uma dor da própria cidade. Segundo ele, passageiros de fora estranhavam o fato de Cornélio Procópio, com cerca de 50 mil habitantes, depender principalmente de atendimento por WhatsApp depois que o antigo aplicativo deixou de funcionar.
“Havia uma necessidade clara de um aplicativo local que organizasse melhor o atendimento”, lembra o gestor.
Primeiros clientes vieram de grupos de WhatsApp
Quando decidiu criar o Mobim, Edson pediu demissão da empresa onde trabalhava e começou a divulgar o aplicativo em grupos de WhatsApp. Parte dos primeiros clientes já vinha dos atendimentos que ele fazia antes, e outros foram chegando a partir dos compartilhamentos.
O grande impulso, porém, veio de uma reportagem local. A oportunidade surgiu depois que a esposa de Edson indicou o Mobim como pauta para uma repórter conhecida da cidade. Poucos dias depois, a própria esposa ajudou a localizar um iPhone perdido que era procurado pela equipe da rádio. Como agradecimento, a reportagem sobre o aplicativo foi realizada.
“Depois daquele dia, a gente já teve um bom retorno na demanda e nos cadastros. Contou bastante”, afirma.
App atua apenas em Cornélio Procópio
O Mobim foi criado no começo de 2025 e atua somente em Cornélio Procópio. A cidade fica no Norte do Paraná.
“No começo, a maior dificuldade foi mudar o hábito dos passageiros, que estavam acostumados a pedir corridas pelo WhatsApp e a salvar o contato direto dos motoristas”, afirma.
Segundo Edson, até o aplicativo ganhar credibilidade, muitos passageiros queriam o número do motorista para garantir que teriam atendimento em uma próxima corrida.
Concorrente surgiu logo depois
Depois do lançamento, também surgiu um aplicativo concorrente na cidade, inclusive usando a mesma plataforma tecnológica da época. Para Edson, os desafios existiram, mas acabaram fortalecendo o Mobim.
O gestor não tem sócios.
Investimento inicial foi de R$ 5 mil a R$ 6 mil
O investimento inicial para lançar o Mobim foi relativamente baixo, entre R$ 5 mil e R$ 6 mil, incluindo custo da plataforma e panfletos. O aplicativo já se pagou.
Até o momento da entrevista, Edson afirma que nunca havia investido em tráfego pago. Mesmo assim, o app chegou a quase 4 mil clientes cadastrados, além de cerca de 1 mil a 1,2 mil contatos no WhatsApp.
Base cresceu 500 clientes em 30 dias
A demanda vem crescendo de forma rápida. Segundo Edson, nos últimos 30 dias antes da entrevista, o número de cadastros aumentou em cerca de 500 clientes, e o volume de atendimento subiu quase um terço.
O crescimento, no entanto, exige cuidado. Para ele, não adianta atrair muitos passageiros sem ter motoristas suficientes e confiáveis para atender.
“Às vezes eu tenho até medo de fazer uma postagem e começar muito. O ponto mais complicado da plataforma é o motorista”, diz.
Confiança nos motoristas é prioridade
Edson afirma conhecer cada motorista da base e acompanhar a operação pelo mapa. Para ele, trazer novos condutores exige confiança, porque o atendimento do motorista impacta diretamente a imagem do aplicativo.
Hoje, o Mobim tem cerca de 25 motoristas cadastrados.
Gestor se orgulha da trajetória
Ao falar sobre orgulho, Edson lembra do início simples. Quando começou, quase não tinha investimento, usava um Honda Fit 2006, o carro mais antigo da equipe, e chegou a sentir vergonha por estar com o tênis rasgado enquanto conversava com motoristas.
Mesmo assim, afirma que sempre foi tratado com respeito pela equipe.
“O que mais me orgulha foi a trajetória: de onde eu comecei até onde estou hoje”, afirma.
Nome curto ajudou na divulgação
O nome Mobim foi criado por Edson com a ajuda da esposa. Ele queria uma marca curta, fácil de lembrar e que funcionasse bem na comunicação visual. No começo, usava um letreiro de LED com o nome do aplicativo, e o fato de a marca ser curta ajudou na divulgação.
App faz mais de 3500 corridas por mês
O Mobim realiza mais de 100 corridas por dia mesmo em dias fracos. Em um relatório citado por Edson, a plataforma registrou mais de 3500 concluídas no mês.
A receita total movimentada pela plataforma foi de cerca de R$ 70 mil a R$ 73 mil no mês.
Taxa é de 15%
A taxa cobrada dos motoristas é de 15%. Considerando o movimento mensal de cerca de R$ 70 mil a R$ 73 mil em corridas, a plataforma retém esse percentual sobre as viagens.
A corrida mínima é de R$ 7,99 e cobre em torno de 1 km a 1,5 km. Segundo Edson, porém, dificilmente as corridas ficam apenas em R$ 8 ou R$ 9; normalmente saem acima de R$ 10, R$ 11, R$ 12 ou R$ 13.
Motorista recordista faz cerca de R$ 10 mil por mês
O motorista recordista da plataforma costuma fazer, em média, R$ 10 mil por mês. Segundo Edson, um condutor que trabalha cerca de oito horas por dia pode tirar em torno de R$ 6 mil a R$ 7 mil, dependendo da disponibilidade e dos horários.
“O recordista praticamente todo mês está fazendo uma média de R$ 10 mil”, afirma.
Edson continua sendo motorista do próprio aplicativo.
Corridas por fora atrapalham a operação
O Mobim enfrenta problemas com motoristas que fazem corridas por fora, embora Edson diga que a prática é relativamente pequena entre os condutores da base atual. No começo, o problema era menor porque ele conhecia quase todos os clientes. Com o crescimento da demanda, ficou mais difícil acompanhar.
Para o gestor, a corrida particular atrapalha porque a plataforma conta com os motoristas disponíveis no mapa. Se o condutor desliga o aplicativo para fazer um atendimento particular, a operação perde capacidade de atendimento.
“Quando você tem o número de motoristas disponíveis no mapa, está contando com cada um deles”, afirma.
Motorista que faz corrida por fora é suspenso
Edson afirma que motoristas identificados fazendo corridas fora do aplicativo são suspensos. Segundo ele, a prática é combatida com frequência e, quando identificada, leva ao corte do condutor da plataforma.
Delivery é próximo passo
O Mobim está começando a operar com delivery dentro do aplicativo. A expectativa de Edson era colocar a nova vertical em funcionamento no mês seguinte à entrevista.
Antes de expandir para cidades vizinhas, o gestor quer estruturar melhor a operação em Cornélio Procópio, tanto em mobilidade quanto em delivery.
Tecnologia usada é da DevBase
A tecnologia do app atende bem a realidade de Cornélio Procópio, por ser uma cidade pequena, e raramente apresenta instabilidade. Ainda assim, avalia que Uber e 99 têm tecnologia muito superior à de qualquer plataforma regional.
“Para Cornélio Procópio, é uma plataforma que atende muito bem, até porque não trava e nunca me deixou na mão”, afirma.
Regionais precisam da participação dos motoristas
Para Edson, competir com Uber é difícil, já que o nome da empresa virou referência em mobilidade. Ele acredita que os aplicativos regionais precisam, principalmente, da participação dos motoristas e do reconhecimento de que a plataforma local pode ser a melhor opção de trabalho.
“Ao mesmo tempo, vejo que os motoristas ainda buscam grandes plataformas por causa de recursos de segurança, como gravação de áudio e mecanismos de proteção”, explica.
Qualidade importa mais que quantidade
Sobre o futuro dos aplicativos regionais, Edson afirma que muitos aplicativos já apareceram em Cornélio Procópio e acabaram não dando certo, mesmo com investimento.
“O que vai determinar a sobrevivência não é apenas a quantidade de plataformas no mercado, mas o trabalho e a qualidade do serviço”, afirma.
Legado é reconstruir histórias
Ao falar sobre legado, Edson diz que quer deixar confiança e um serviço útil para toda a cidade.
“O maior legado é ajudar as pessoas e ver os motoristas reconstruindo a sua própria história através da plataforma”, conclui.
