A VP Driver é um aplicativo de mobilidade que começou como um grupo de viagens particulares em alternativa aos grandes aplicativos que, segundo os próprios motoristas, não pagavam o suficiente.

“Eu cheguei a rodar na Uber por um tempo, mas eu achava horrível os valores da taxa mínima de R$ 6,50, R$ 5,50”, afirma Leonardo Barreto, fundador da VP Driver.

Leonardo Barreto é natural de Moreno (PE) e trabalhou em diversos lugares, desde fábrica de biscoitos até mototáxi, antes de começar a empreender. Após trabalhar como motorista da Uber por um período, percebeu que os valores recebidos não condiziam com os gastos da atividade.

“Poxa, seria legal se a Uber tivesse um valor mínimo de R$ 10. Já seria ótimo […]”, relembra.

Para aumentar sua renda, Barreto começou a realizar viagens particulares, nas quais os próprios passageiros ligavam para ele e combinavam as corridas. Posteriormente, essas chamadas se transformaram em um grupo com vários motoristas, utilizado pelos passageiros para solicitar viagens.

Foi desse grupo de WhatsApp que surgiram os primeiros motoristas da VP Driver. “Então a ideia do aplicativo surgiu desse grupo, da necessidade de profissionalizar o transporte”, confirma o gestor.

Além da divulgação pelo próprio grupo no WhatsApp, os motoristas passaram a utilizar placas com QR Code dentro dos veículos. A plataforma também conta com parcerias com um influenciador da cidade, que divulga pontualmente o aplicativo através de vídeos nas redes sociais.

A tecnologia utilizada pela VP Driver é própria e o CEO afirma que as parcerias com anunciantes locais são suficientes para cobrir os custos da operação sem necessitar de tecnologia externa.

Ao lado da esposa, Barreto comanda o aplicativo e acompanha os cadastros. Quando está realizando viagens, sua esposa fica responsável pela gestão do sistema.

Segundo o gestor, o propósito da VP Driver é valorizar os condutores. Por isso, a tarifa mínima estipulada foi de R$ 13,50 para corridas de até 1,5 quilômetro, com o quilômetro rodado a R$ 1,80. Entre 23h e 5h da manhã, esse valor sobe para algo entre R$ 16 e R$ 17.

Para os motoristas, a cobrança é feita diretamente pelo aplicativo por meio de uma taxa de 10% sobre cada corrida.

O app conta com categorias como VP Econômico, VP Comfort e VP Mercado e Bagagem. Esta última possui valor mínimo de R$ 20 para corridas que necessitam de um porta-malas maior.

Com poucos meses de operação, a expansão já está nos planos, mas a prioridade é ampliar a presença da empresa em Moreno. “[…] antes de expandir a gente tem que tomar conta do local, primeiro expandir na cidade, porque tem muita gente que ainda não conhece a gente”, afirma Barreto.

De acordo com o gestor, essa futura expansão será realizada com gestão própria.

O fundador afirma que a parte mais desafiadora de comandar um app regional é lidar com pessoas que não apoiam o projeto. “Tem muita inveja, não só aqui, mas em todo canto”, diz. Mas, segundo ele, também há pessoas que elogiam e apoiam o trabalho, o que serve de motivação para continuar desenvolvendo a plataforma.

Para Barreto, o que falta para que os aplicativos regionais de mobilidade cresçam é uma maior conscientização dos motoristas sobre as oportunidades existentes nesse mercado. 

“O que falta mesmo são os motoristas correrem atrás e aceitarem o aplicativo que realmente vai fazer eles ganharem mais e que funciona melhor”, destaca.

Mais do que construir uma alternativa local aos grandes aplicativos, Leonardo Barreto quer deixar um legado em sua cidade. O fundador sonha em ver a VP Driver crescer para além de Moreno, expandir para outros municípios e gerar oportunidades para mais motoristas. Para ele, o maior orgulho não está apenas nos números alcançados até agora, mas em ter transformado uma ideia que nasceu de conversas e viagens particulares em uma plataforma própria de mobilidade.

“Eu quero deixar a minha marca aqui na cidade. A marca do Leonardo, que foi o cara que trouxe o aplicativo regional para a cidade e que hoje já está funcionando em outros estados. Começou aqui”, conclui.

Me conta um pouco da sua trajetória. Com o que trabalhava antes do app? Como chegou até aqui?

Leonardo: Nasci aqui em Moreno, no ano de 91.

É complicado trabalhar CLT e eu sempre fui desses de não querer trabalhar preso a uma empresa. Eu trabalhava CLT, mas saí e comprei um carro porque tinha intenção de começar a fazer viagens particulares.

Já rodei mototáxi também, mas com o tempo não quis mais, por causa do sol e por causa do grau de periculosidade. Já trabalhei numa fábrica de biscoito, entre outras coisas. 

Eu cheguei a rodar na Uber por um tempo, mas eu achava horrível os valores da taxa mínima R$ 6,50, R$ 5,50. É impossível a pessoa ligar o carro para pegar um passageiro com um valor desse, não vale nem a pena nem ligar o carro. 

O tempo foi passando e eu pensando: “Poxa, seria legal se a Uber tivesse um valor mínimo de R$ 10. Já seria ótimo, porque chega a dar raiva o motorista receber uma viagem de R$ 6,50, R$ 5,50, não tem condições”.

Então eu comecei a fazer viagem particular. O pessoal me ligava e é onde a gente ganha mais, porque por essas empresas com Uber e 99 é complicado. 

Mas então eu pensei que seria legal ter um aplicativo que valorizasse mais o motorista. 

Como surgiu a ideia de criar a plataforma?

Leonardo: Antes de ter a ideia do aplicativo eu tinha um grupo de WhatsApp. O que eu pensei foi: “Vamos expandir isso, vamos trazer motoristas e passageiros”. Esse grupo ainda existe, mas penso em encerrar ele em breve.

Então temos um grupo de motoristas onde a gente se comunica, é onde a gente usa para chamar um carro que esteja disponível, porque tem muita gente que não sabe ler e manda só áudio. Então a ideia do aplicativo surgiu desse grupo, da necessidade de profissionalizar o transporte.

Pelo aplicativo, o transporte está coberto pela lei federal, mas quando for expandir para outras cidades, a gente tem que ver se tem regulamentação do município para entrar de acordo.

Quais os critérios para se tornar um motorista VP Driver?

Leonardo: A plataforma só aceita se estiver tudo certinho com documentação, foto do carro, da CNH e selfie.

Além do grupo de WhatsApp, como vocês têm divulgado o app na cidade?

Leonardo: A gente tem a plaquinha que fica atrás do banco, fizemos também um vídeo aqui na cidade.

Falei com um rapaz aqui e ele fez uma propaganda bem legal dizendo: “Vocês estão sabendo da novidade? Aqui em Moreno tem um aplicativo tipo Uber”. Foi uma coisa bem legal e surtiu bastante efeito depois dessa divulgação. Vamos fazer outro porque antes muita gente tentou entrar e não conseguiu porque só estava disponível para Android e aqui 50% usa iPhone.

Recentemente conseguimos colocar para funcionar no iPhone também e eu vou pedir para fazer uma outra divulgação.

Tem outros aplicativos de mobilidade na cidade?

Leonardo: A cidade não tem outro regional, mas tem Uber, 99, tudo funciona. É difícil encontrar uma cidade que não tenha, mas o problema dessas plataformas são os valores que não são muito atrativos. 

Você tem sócios ou faz a gestão sozinho?

Leonardo: Não, minha sócia é minha esposa. Ela me ajuda porque às vezes eu estou ocupado e alguém entra em contato comigo para fazer cadastro como motorista, então eu peço para ela dar uma analisada no sistema. Peço para ela ver se está tudo de acordo.

Às vezes, por exemplo, acontece da pessoa fazer o cadastro e colocar a identidade ao invés da carteira de motorista.

Como é sua rotina hoje?

Leonardo: Hoje eu ainda trabalho no aplicativo e continuo com minhas viagens particulares. O que mudou mesmo foi porque eu tenho uma obrigação a mais de estar na administração.

Qual o valor da taxa mínima para o passageiro na VP Driver? Vai até quantos quilômetros?

Leonardo: Hoje a taxa mínima é R$ 13,50, até 1,5 km, depois disso começa a contar R$1,80 por quilômetro rodado. 

Ainda tem motorista que reclama. São os mesmos motoristas que reclamam da taxa de R$ 6,50 da Uber. 

Tem locais, dependendo da cidade,  que é até mais barato. Um amigo meu disse que lá na cidade dele é R$ 4,50 a corrida.

Então eu deixei de rodar pela Uber uns 3 anos atrás, rodei até 2023, porque eu já tinha uma boa quantidade de clientes particulares.

Vocês trabalham com dinâmica?

Leonardo: Então, o sistema muda de 23h até às 5h da manhã. O valor passa de R$ 13,50 para algo entre R$ 16, 17.

Por enquanto a gente não está assustando não, fazemos essa dinâmica só no período noturno. Não estamos botando o valor lá em cima porque como a gente está no início, temos que captar cliente para depois botar um valor a mais.

Pretendem expandir para outras regiões?

Leonardo: Com certeza. Mas é aquilo, antes de expandir a gente tem que tomar conta do local, primeiro expandir na cidade, porque tem muita gente que ainda não conhece a gente. Fazemos divulgação de todo jeito, mas acaba não atingindo todo o pessoal.

A gente colocou umas plaquinhas na traseira do banco do carro e o pessoal falava: “Olha, que legal, uma plaquinha aqui de um aplicativo de transporte, é daqui mesmo de Moreno?”. E eu nunca falo que sou o proprietário, como está no início, eu também sou motorista e quando as coisas melhorarem, eu vou ficar só na administração.

Eu faço propaganda como motorista e digo: “Esse aplicativo é massa, é legal”. Aí as pessoas perguntam: “Você está nele há quanto tempo?”. E eu digo: “Desde que iniciou”.

Você pretende expandir com gestão própria?

Leonardo: Exatamente. Só se realmente não der mais para mim. Se eu já estiver rico e não precisar mais me preocupar, talvez eu venda franquias. Mas, no momento, não.

Você pensa em expandir a VP Driver para entregas?

Leonardo: Eu estava pensando um dia desses. Estava pensando também na modalidade que é tipo a InDrive, que você negocia o preço. Estava pensando em colocar no sistema para negociar o valor. 

Quantos motoristas têm cadastrados na plataforma?

Leonardo: Hoje tem 40, mas como está no início, está faltando bastante divulgação ainda. 

Quantas corridas vocês têm finalizado por mês?

Leonardo: Nosso recorde até agora foi de 405 corridas em 30 dias.

Foi o recorde, porque teve outro mês que foi muito ruim. Não sei o que deu, mas agora voltou com tudo. Abrimos no final do ano e tem muita gente que, por curiosidade, vai chamar para ver se realmente funciona. E funciona, está dando certo.

Ter inaugurado a empresa no final do ano, na sua visão, influenciou a movimentação?

Leonardo: Influenciou sim. Porque o pessoal recebe o 13º e parece que o pessoal guarda muito dinheiro para o final do ano. 

A VP Driver tem categorias de corrida diferentes ou uma categoria única?

Leonardo: Tem a categoria econômica, que é o VP Econômico, tem o VP Comfort e o VP Mercado e Bagagem.

O valor dessa categoria é R$ 20. Foi acertado com o motorista e o pessoal chama sem reclamar. Eles só querem chamar no aplicativo e ter carro disponível.

Eu tinha mototaxistas cadastrados no aplicativo, mas eu tirei porque estávamos passando por um problema. Já foi resolvido, mas até o momento estou pensando se vou trazer de volta, porque eu comecei a pensar no perigo. Tenho medo de associar acidentes à imagem da empresa.

Quantos passageiros já baixaram o app?

Leonardo: Quando olhei tinham 631. Não é tanto, mas já é o bastante. O pessoal é fiel e gosta muito.

Eu tava hoje mesmo pensando em dar um brindezinho para alguns, porque gostam, chamam e que nos elogiam.

Qual a taxa cobrada do motorista?

Leonardo: É uma porcentagem. São 10% a cada corrida. O aplicativo funciona através de recarga e pelo cartão de crédito.

O que movimenta a cidade? Tem universidades, indústrias? Qual o público que a VP atende?

Leonardo: A cidade ficou muito parada um tempo e começou agora com uma nova gestão que realmente pensa na cidade, uma governadora ótima aqui que começou e o prefeito que corre atrás, traz o recurso, mas a cidade aqui normalmente é uma cidade dormitório.

O pessoal costuma morar aqui e trabalha em outras cidades da região. A cidade é perto (uns 25 km) do Recife, a capital. O pessoal só vai para casa dormir mesmo e no outro dia já vai trabalhar. 

Agora estão chegando empresas, tem uma empresa aqui de biscoito,tem a da Tramontina também e fora um Novo Atacarejo chegando. Já está em construção e agora o pessoal está começando a trabalhar por aqui mesmo. 

Qual foi o momento mais desafiador até agora?

Leonardo: Tem muito aquilo de pessoas que conhecem a outra, não querer ver o crescimento. 

Por exemplo, eu abri uma padaria e estou vendendo pão. Um amigo que está com fome e não sabe onde comprar o pão descobre que eu estou vendendo e eu ofereço e ele não aceita porque sou eu que estou vendendo. Tem muita inveja, não só aqui, mas em todo canto.

Mas fora isso tem uma galera muito boa, que, quando descobre que sou o dono, dá a maior força. Mas a gente sabe quem elogia só para ganhar ponto e quem elogia porque gosta mesmo.

O que mais te dá orgulho nessa trajetória até aqui?

Leonardo: O que me orgulha e me dá vontade de continuar é fazer o projeto crescer. É algo legal porque assim, até eu mesmo penso: “Caramba eu sou dono de um aplicativo, de uma plataforma de transporte”. Não é um grupinho, não é uma coisa amadora. É um aplicativo de transporte.

Mas o que me motiva mesmo são as pessoas elogiando e dizendo que é bom. É uma coisa nova aqui para a cidade e eu vou escrever meu nome aqui. 

O que você espera do futuro da VP Driver? O que gostaria de falar sobre a plataforma daqui a cinco anos?

Leonardo: Queria contar que a VP Driver cresceu mesmo, que deu certo e eu estou só na administração. Que eu com meus 10 funcionários não estão dando conta, que precisamos contratar mais gente. Queremos expansão.

Teve alguma pessoa que foi fundamental nessa trajetória com o app até aqui?

Leonardo: Minha esposa me dá muita força. Teve uma época que eu pensei em desistir e ela disse: “Você não está louco de desistir, não. Você iniciou e vai dar certo”. 

Ela tem muita fé e é uma pessoa importante na empresa. Os projetos que eu iniciei, se não fosse por ela, eu teria desistido. 

O que você acredita que falta para os aplicativos regionais ganharem mais espaço no mercado da mobilidade no Brasil?

Leonardo: O que falta muito é os motoristas aceitarem que vão ganhar mais em um app regional.  Porque como eu falei, o valor da taxa mínima aqui do aplicativo é de R$ 13,50, o que é ótimo comparado com as grandes plataformas.

E tem muito disso de: “Não vou porque é de fulano”, “não vou porque é de ciclano”. O motorista tem que ser mais profissional e pensar: “Ah, eu vou ganhar mais”. É só isso.

Porque eu mesmo, não como dono da plataforma, mas pensando como motorista, o cara poderia ser alguém de quem eu não gostasse, que eu tivesse muita raiva, mas eu ia pensar: “Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Aqui é pessoal e aqui é profissional”. 

O que falta mesmo são os motoristas correrem atrás e aceitarem o aplicativo que realmente vai fazer eles ganharem mais e que funciona melhor.

Tem uns que até pegam e chamam pelo aplicativo, mesmo sendo mais caro. E tem outros que não querem. Já aconteceu de aparecer na avaliação, né? As estrelinhas e os comentários. Aí tem comentário dizendo: “O motorista pediu para eu chamar no particular”, essas coisas.

Vocês utilizam tecnologia de outra empresa ou própria? 

Leonardo: É própria. A maioria das plataformas que eu notei é alugada. Uma empresa entrou em contato comigo oferecendo uma plataforma, me mostrou lá, toda bonita. Só que disseram que eu ia pagar R$ 600 ou R$ 700 por mês, não lembro ao certo.

Mas aqui não tem nada alugado, é totalmente meu. Não pago praticamente nada. Coloquei dois anunciantes no aplicativo: uma autopeças aqui da cidade e uma ótica. Já paga os custos e ainda sobra.

Qual legado você quer deixar na sua cidade com o seu app?

Leonardo: Eu quero deixar a minha marca aqui na cidade. A marca do Leonardo, que foi o cara que trouxe o aplicativo regional para a cidade e que hoje já está funcionando em outros estados. “Começou aqui”. Eu quero que um dia o prefeito fale uma coisa dessas.