O Giro 47 nasceu em Jaraguá do Sul, em Santa Catarina, a partir da trajetória de Thiago Luz Duarte como motorista de aplicativo, profissional de TI e empreendedor. Antes de criar a plataforma, ele trabalhou por 11 anos no Hotel Hilton, em Belém (PA), depois se mudou para Jaraguá do Sul, onde atuou na indústria têxtil e na WEG, empresa do setor metalúrgico.
A vontade de empreender veio aos poucos. Filho de um empreendedor que teve mercados e restaurantes, Thiago cresceu vendo o pai tocar negócios, mas por muito tempo acreditou que vendas e empreendedorismo não eram para ele. Isso começou a mudar quando passou a fazer serviços de TI para vizinhos, vender produtos pelo WhatsApp e criar uma loja virtual.
“Comecei a ter a vontade de empreender novamente. Meu pai sempre foi empreendedor, teve mercados, restaurantes, e eu nasci e me criei nessa área”, conta.
Ideia surgiu após anúncio da Machine
A entrada no setor de mobilidade aconteceu em um período em que Thiago buscava aumentar a renda. Ele já havia comprado um carro e trabalhava como motorista de Uber, 99, inDrive e também por uma plataforma regional chamada Drive 47. Foi nesse contexto que viu um anúncio da Machine no Instagram, com o ex-nadador César Cielo, e começou a pesquisar sobre o sistema.
“Vi uma oportunidade nisso e entrei em contato com a Machine. Não sabia o tamanho do desafio que seria”, afirma.
O Giro 47 foi lançado oficialmente em agosto de 2023. Sem muitos recursos para divulgação, Thiago começou com amigos, grupos, tráfego pago nas redes sociais e anúncios em duas rádios de Jaraguá do Sul.
Falha percebida era o excesso de cancelamentos
Como motorista e passageiro de outras plataformas, Thiago via uma reclamação recorrente: cancelamentos próximos ao passageiro e demora para conseguir motorista. Segundo ele, muitos condutores aceitavam corridas e depois cancelavam ao receber uma chamada melhor em outro aplicativo.
“Eu via muito cliente reclamar de cancelamento. A pessoa conseguia o motorista, demorava muito e, quando conseguia, o motorista acabava cancelando”, afirma.
No Giro 47, ele tenta trabalhar esse ponto diretamente com os motoristas.
“Eu procuro falar: só aceita quando for fazer a corrida. Não vamos deixar nossos clientes na mão, porque já não é fácil conquistar esses clientes”, diz.
Experiência com sistemas ajudou na gestão
A experiência profissional anterior ajudou Thiago a lidar com a operação do aplicativo. No hotel, ele começou em serviços gerais, passou por office boy, auxiliar de almoxarifado e supervisor de almoxarifado. Nesse caminho, aprendeu a usar sistemas, planilhas e controles internos.
Essa familiaridade facilitou o uso da plataforma da Machine.
“Quando conheci o sistema da Machine, achei muito simples para trabalhar e entender”, afirma.
Além da parte técnica, ele diz que levou para a gestão aprendizados sobre compromisso, responsabilidade e liderança.
Da Vila Fátima a Jaraguá do Sul
Thiago nasceu em Bragança, no nordeste do Pará, e cresceu em Vila Fátima, localidade que depois passou a integrar o município de Tracuateua. Aos 20 anos, mudou-se para Belém em busca de trabalho e novos desafios. Depois, chegou a Jaraguá do Sul, onde vive há cerca de 10 anos.
Na infância, pensou em ser professor, influenciado pela mãe, que era educadora. Depois, passou a mirar crescimento dentro de empresas, com o desejo de conquistar independência financeira. A virada para o empreendedorismo veio após uma separação e a perda do emprego em Jaraguá do Sul, quando precisou aumentar a renda para lidar com aluguel, pensão e outras despesas.
“Eu precisava aumentar minha renda. Comecei a vender produtos, fazer serviços de informática e pensei: acho que vou ter que começar a empreender”, afirma.
Nome nasceu em uma praia de Santa Catarina
Depois de decidir criar o aplicativo, Thiago precisou registrar a marca e escolher um nome exclusivo. O processo levou alguns dias, com várias sugestões recusadas por já existirem ou por lembrarem marcas grandes.
O nome Giro 47 surgiu enquanto ele estava na praia, em Balneário Piçarras, em Santa Catarina.
“Veio esse nome: Giro 47. Giro pela questão de girar pela cidade, levar as pessoas para lá e para cá. E 47 é o DDD de Santa Catarina, da região Norte”, explica.
Thiago toca a operação sozinho
Desde o início, Thiago é o único proprietário do Giro 47. Ele não teve sócios e segue cuidando da operação sozinho. Para ações específicas de marketing, contrata profissionais ou empresas para produzir conteúdos, mas a gestão dos anúncios e do tráfego pago também fica com ele.
A falta de uma equipe fixa ainda é um desafio. Segundo Thiago, o aplicativo ainda não gera receita suficiente para manter alguém exclusivamente no suporte, embora essa seja uma necessidade futura.
“Eu acabo ficando um pouco sobrecarregado com meu outro negócio e esse negócio também. Estou me organizando para, mais à frente, contratar alguém”, afirma.
Investimento inicial foi de cerca de R$ 10 mil
O investimento inicial no Giro 47 ficou em torno de R$ 10 mil, considerando aquisição da plataforma, registro da marca, primeira divulgação, anúncios e chamadas em rádio.
Segundo Thiago, o aplicativo começou a se pagar no segundo mês de operação.
“Logo no segundo mês ele já começou a se pagar”, afirma.
Concorrência aumentou em 2026
O momento mais difícil veio em 2026, com a entrada de novas concorrentes em Jaraguá do Sul. Além de Uber, 99 e inDrive, outras duas empresas passaram a atuar na cidade, dividindo ainda mais a demanda.
Uma dessas empresas também usa tecnologia da Machine e entrou no mercado com investimento muito superior, segundo Thiago.
“Eles entraram com anúncio muito maior, capital de investimento muito maior, mais de R$ 100 mil. Isso acabou me atingindo no crescimento que eu estava tendo”, afirma.
O resultado foi uma queda financeira dentro da plataforma e uma pausa em parte dos investimentos, já que Thiago também estava construindo sua casa e precisou segurar gastos com divulgação.
Família e motoristas ajudaram a manter o app
Thiago aponta a mãe, a esposa, o irmão e as irmãs como pessoas fundamentais para a continuidade do projeto. O irmão, que também trabalha como motorista de aplicativo, ajudou na divulgação e segue apoiando a plataforma.
Ele também cita motoristas parceiros e clientes fiéis que continuam usando o Giro 47 mesmo com a chegada de concorrentes.
“Às vezes a demanda não está legal, mas eles estão online. Surgiu corrida, estão fazendo. Isso faz com que a gente permaneça”, afirma.
Aplicativo deu sinais no segundo mês
Thiago percebeu que o Giro 47 poderia dar certo quando viu motoristas se cadastrando, corridas acontecendo e a plataforma começando a se pagar logo no início.
Agora, depois de reduzir investimentos por causa da construção da casa, ele pretende retomar a divulgação, voltar às rádios e fortalecer o marketing.
“Agora que já estou na minha casa, vou começar a retomar novamente para divulgar muito mais”, afirma.
Empreender mudou a rotina e a mentalidade
A experiência com o Giro 47 mudou a forma como Thiago usa o tempo. Segundo ele, antes havia períodos em que ficava mais parado ou apenas cumpria a rotina de trabalho. Hoje, dedica mais tempo a estudar vendas, anúncios, gestão e novas estratégias.
“Minha mentalidade, meus comportamentos e meus interesses mudaram muito. Hoje eu procuro aprender muito mais”, diz.
Gestão pelo celular e notebook
A rotina de gestão envolve acompanhar corridas, conversar com motoristas, enviar mensagens pelo aplicativo e comunicar clientes sobre novidades, promoções ou cupons. Thiago também observa horários de maior ou menor demanda, dinâmica e comportamento dos motoristas.
“De onde eu estou, eu estou gerenciando, observando pelo celular ou pelo notebook. Gosto muito dessa flexibilidade”, afirma.
Mais de 400 motoristas cadastrados
O Giro 47 tem mais de 400 motoristas ativos no cadastro, mas nem todos ligam o aplicativo com frequência. Em alguns horários, Thiago vê entre seis e 14 motoristas online.
Esse é um dos principais desafios: manter os condutores conectados, já que muitos estão acostumados com as grandes plataformas, onde a demanda costuma tocar primeiro.
“Tem que estar sempre lembrando, dialogando, motivando”, afirma.
Mais de 2 mil clientes cadastrados
O aplicativo tem mais de 2 mil clientes cadastrados. Thiago estuda formas de entrar em contato mais direto com esses usuários, especialmente aqueles que baixaram o app, tentaram usar uma vez e voltaram para outras plataformas por não conseguirem motorista.
“Se eu conseguir trazer pelo menos 20% ou 30% desses clientes a usarem com mais frequência, vai ser muito bom”, diz.
Taxa varia entre 10% e 15%
O Giro 47 cobra taxa dos motoristas, geralmente entre 10% e 15%. Na maior parte do tempo, a taxa fica em 10%, mas pode subir no início do mês ou cair em ações promocionais. Em alguns dias, Thiago reduz para 5% e já chegou a fazer períodos de taxa zero.
“Quando jogo essa taxa para baixo, vejo o número de motoristas aumentar e eles ficam mais tempo online”, afirma.
O sistema funciona com carteira pré-paga. O motorista faz recarga para rodar, e a taxa é descontada conforme realiza corridas.
Motoristas podem sacar no mesmo dia
Os motoristas podem solicitar saque a qualquer momento. Quando o valor entra na carteira, Thiago faz a transferência diretamente. Se o saldo passa de R$ 20 e o motorista não solicita o saque, ele costuma transferir parte do valor e deixar um saldo pequeno para que o condutor não precise recarregar imediatamente.
“Fez a corrida, entrou no cartão, está tudo certo, pode sacar sim”, afirma.
Corridas caíram para cerca de 500 por mês
No início, o Giro 47 chegou a fazer mais de 1 mil corridas por mês. Com a concorrência e a redução dos investimentos em divulgação, o volume caiu para cerca de 500 corridas mensais.
A corrida mínima para o passageiro foi reduzida para R$ 7,50, acompanhando o movimento de outras plataformas na cidade. Descontada a taxa de 10%, esse é o valor que aparece para o motorista em corridas curtas.
Segundo Thiago, o valor por quilômetro fica, em geral, entre R$ 1,50 e R$ 2, fora de horários de dinâmica.
Ganho médio no app está em R$ 250 por mês
Como muitos motoristas usam o Giro 47 junto com outras plataformas, o faturamento exclusivo pelo aplicativo ainda é baixo. Thiago estima que, no último levantamento, a média mensal por motorista estava em torno de R$ 250.
Ele não soube informar o recorde de faturamento, mas afirmou que consegue levantar esse dado pelo sistema.
Expansão começou ampla, mas foco voltou para Jaraguá
No lançamento, Thiago adquiriu operação para Jaraguá do Sul, Guaramirim, Schroeder, Corupá e Joinville. Depois, também adicionou cidades no Pará, chegou a fazer anúncios e registrou algumas corridas e cadastros por lá.
Hoje, ele reconhece que abrir muitas frentes antes de fortalecer Jaraguá do Sul foi um erro.
“Eu tinha que primeiro focar aqui, deixar funcionando bem, para depois ir espalhando”, afirma.
A intenção é voltar a expandir no futuro, mas com mais planejamento, possivelmente com gestão própria e, se houver interessados, também em modelo de franquia.
Plataforma movimenta cerca de R$ 500 por mês hoje
Com a queda de demanda recente, o Giro 47 movimenta hoje cerca de R$ 500 por mês, valor usado basicamente para manter a plataforma e anúncios. A meta de Thiago para 2026 é chegar a mais de R$ 2 mil de lucro mensal, descontadas as despesas com plataforma e marketing.
“Sei que para isso preciso investir também. Estou nesse período de readaptação”, afirma.
Plano é expandir para o máximo de cidades possível
Para os próximos anos, o objetivo é expandir o Giro 47 para o maior número de cidades possível. Antes disso, Thiago quer melhorar a operação em Jaraguá do Sul, corrigir erros, aumentar divulgação e criar uma margem que seja boa para motoristas, mas competitiva para passageiros.
Segundo ele, o desafio é equilibrar um valor justo para o motorista com preços que não afastem os clientes.
“A gente tenta deixar um valor justo, mas os clientes sempre vão procurar o valor mais em conta”, afirma.
Orgulho é seguir mesmo competindo com gigantes
O maior orgulho de Thiago é ter conseguido manter o Giro 47 mesmo competindo com empresas bilionárias e outras plataformas locais com maior capital de investimento.
“Eu me orgulho de estar conseguindo segurar essa onda e, mesmo assim, continuar focado em crescer, expandir e melhorar”, afirma.
Regionais precisam de motoristas mais unidos
Thiago acredita que os aplicativos regionais têm potencial para crescer no Brasil, mas enfrentam um mercado cada vez mais dividido, com novas plataformas e outros formatos de mobilidade, como motos elétricas. Em Jaraguá do Sul, ele afirma que esse tipo de transporte reduziu parte da demanda por chamadas.
Para ganhar espaço diante de Uber e 99, ele acredita que os motoristas precisam valorizar mais as plataformas regionais e incentivar os passageiros a usá-las.
“Os aplicativos regionais tentam valorizar o motorista e deixar um valor mais justo possível. As grandes plataformas não enxergam o motorista com o mesmo cuidado”, afirma.
Legado: jogar justo com motorista e passageiro
O legado que Thiago quer deixar com o Giro 47 é o de uma plataforma que joga justo em relação a valores, tanto para motoristas quanto para passageiros.
“Não penso em hipótese alguma em prejudicar o motorista, nem o passageiro. Quero deixar um legado de responsabilidade e valorização, principalmente para os motoristas”, afirma.
Para ele, a meta é seguir aprendendo, evoluindo e expandindo a partir de Jaraguá do Sul.
“O meu sonho é crescer, expandir para outras cidades e abrir filiais”, conclui.
