A história do FlashCar reúne a experiência de dois perfis diferentes na mobilidade. De um lado, o proprietário do aplicativo, conhecido como Eninho, tem 18 anos de atuação como taxista e viu a necessidade de criar uma plataforma local para competir com a Uber em São Pedro. Do outro, Danylo Scherk de Godoy entrou para somar na gestão, trazendo experiência anterior como motorista, sócio de aplicativo e conhecedor de plataformas de mobilidade.
Segundo Danylo, a proposta sempre foi oferecer um serviço que remunerasse melhor os motoristas da cidade e, ao mesmo tempo, melhorasse o atendimento ao passageiro.
“A necessidade era ter um aplicativo que competisse melhor, pagasse melhor para o motorista e deixasse o passageiro melhor atendido. Quando o motorista fica mais contente, ambos ganham: a empresa e o motorista”, afirma.
Gestor já atuou em outros aplicativos
Danylo não é sócio do FlashCar, mas atua como gestor da operação. Antes disso, já havia tido um aplicativo e sido sócio de outra empresa do setor. Ele também trabalhou como motorista e afirma ter sido responsável por levar a Uber para a cidade onde mora atualmente, há cerca de sete anos.
Essa vivência fez com que ele entrasse no FlashCar com conhecimento prático da rotina dos motoristas e da gestão da plataforma.
“Eu entendo tudo que você imaginar para ser motorista. Já trabalhei muito como motorista e tenho bastante conhecimento com plataformas”, conta.
FlashCar foi criado há dois anos
O aplicativo foi criado há cerca de dois anos. Danylo participou desde o início e afirma ter feito toda a parte de desenvolvimento, customização e configuração da plataforma junto à tecnologia usada pela empresa.
A união entre a experiência de rua do proprietário e o conhecimento de plataforma do gestor ajudou a estruturar a operação.
Captação começou pelo contato local
No início, a captação de motoristas e passageiros foi favorecida pelo conhecimento do proprietário na cidade. Como São Pedro, cidade sede do app, é uma cidade pequena, o contato direto ajudou a explicar para a população o que era o serviço.
Danylo afirma que, em cidades menores, muitas pessoas entendem melhor quando o serviço é apresentado como um “aplicativo tipo Uber”, em vez de apenas “transporte por aplicativo”.
“Se falar transporte por aplicativo, pessoas de cidades pequenas às vezes não entendem. Quando fala ‘tipo Uber’, elas entendem”, explica.
Motoristas ajudaram na divulgação
Os primeiros motoristas também tiveram papel importante na divulgação. Segundo Danylo, os próprios condutores apresentaram o FlashCar aos passageiros por um bom tempo. Depois que a operação ganhou estabilidade, a empresa passou a investir mais em marketing.
Entre as ações, o app fez panfletagem, outdoor, tráfego pago e parcerias com pontos fixos da cidade. O rádio não foi priorizado porque tinha alcance regional e atingiria cidades onde o aplicativo ainda não pretendia atuar.
“O mais forte foi o tete a tete e o tráfego pago”, afirma.
Investimento inicial foi de R$ 10 mil
O investimento inicial para colocar o FlashCar em operação foi de cerca de R$ 10 mil. Segundo Danylo, o aplicativo começou a se pagar entre três e quatro meses depois do lançamento.
O resultado foi mais rápido por se tratar de uma cidade pequena, onde a presença local e o relacionamento direto pesam mais.
“Em três ou quatro meses já estava se pagando tranquilamente. Em cidade pequena é muito mais fácil; em cidade grande o investimento é muito alto”, diz.
Expansão para cidades grandes é desafio
A maior dificuldade não foi consolidar a operação em São Pedro, mas expandir para outras cidades. Danylo explica que aplicativos regionais ganham força na presença física, no contato direto com motoristas, passageiros e parceiros locais.
O FlashCar chegou a registrar corridas em cidades como Piracicaba, Araras, Rio Claro e Botucatu, mas sem o mesmo fluxo da operação principal em São Pedro.
“A empresa regional ganha muito poder no presencial. Se tivesse pessoas com o mesmo pensamento que nós nessas cidades, seria muito mais fácil”, afirma.
Atendimento empresarial virou frente de crescimento
Uma área que deu certo foi o atendimento empresarial. Hoje, o FlashCar atende mais de 15 concessionárias, além de grupos em diferentes cidades. Nesses casos, a empresa monta uma base de motoristas para atender apenas os contratos corporativos.
O serviço é usado por concessionárias de marcas como Jeep, Hyundai, Toyota e outras. O diferencial está no atendimento mais cuidadoso ao cliente final dessas empresas, com busca na porta, auxílio para idosos e recuperação mais fácil de objetos esquecidos.
“A gente cobra mais caro, mas tem o cuidado de buscar o passageiro na casa, apertar a campainha, abrir a porta para uma idosa e ajudar a colocar dentro do veículo”, explica.
App atende cerca de dez cidades
Segundo Danylo, o FlashCar está presente em cerca de dez cidades, considerando operações de rua e contratos empresariais. São Pedro é a cidade onde a marca tem mais força e volume.
Em outras praças, a empresa atende principalmente empresas, sem necessariamente trabalhar com chamadas abertas ao público.
Plataforma deu certo logo no começo
Por já ter experiência no setor, Danylo afirma que o FlashCar teve uma implantação mais simples do que outros aplicativos. Para ele, o maior desafio de um gestor regional é entender a plataforma, que considera complexa.
“No caso do FlashCar, em cerca de três meses a operação já mostrava sinais claros de que funcionaria. Foi crescendo, e a quantidade de corridas sempre sobe, tirando meses atípicos”, afirma.
Danylo também dirigiu pelo FlashCar
Embora hoje atue de forma remota na gestão, Danylo chegou a trabalhar como motorista do FlashCar. Ele se mudou para São Pedro, rodou por cerca de um ano e meio e afirma que essa experiência ajudou a entender melhor as dificuldades dos dois lados da operação: motoristas e passageiros.
A esposa dele também trabalhou como motorista no aplicativo.
“Eu vi todas as dificuldades que motorista tem e que passageiro tem. Tem gente boa e ruim dos dois lados”, diz.
Orgulho é ver a operação alimentando famílias
Como gestor e ex-motorista, Danylo afirma que uma das maiores satisfações foi ver o aplicativo gerar renda. Quando dirigia, diz que havia dias em que voltava para casa com R$ 400 ou R$ 500 no bolso, além de dias mais fracos, na faixa de R$ 200.
“O mais importante foi perceber que a operação colocada na rua ajudava famílias e melhorava a mobilidade em uma cidade que não tinha aplicativo estruturado”, afirma.
FlashCar realiza cerca de 30 mil corridas por mês
O FlashCar realiza aproximadamente 30 mil corridas por mês. O volume varia conforme o período, mas Danylo afirma que esse foi o número registrado no mês consultado durante a entrevista.
A base tem mais de 20 mil passageiros cadastrados e cerca de 1,2 mil motoristas. Parte desses motoristas, no entanto, roda apenas em fins de semana ou liga o aplicativo com pouca frequência.
Premiação incentiva motoristas mais ativos
O FlashCar também trabalha com premiações para os motoristas que mais realizam corridas. A empresa reconhece os três primeiros colocados, como forma de incentivar produtividade e engajamento.
Segundo Danylo, alguns motoristas chegam a ganhar mais do que ele próprio na gestão da plataforma, devido ao volume de trabalho realizado.
Corrida mínima é de R$ 8,90
A corrida mínima do FlashCar é de R$ 8,90 para o passageiro e cobre até 2 km. A taxa cobrada do motorista é de 20%. No início da operação, a mínima era de R$ 7,79 e a taxa era de 15%, mas os valores foram reajustados ao longo do tempo.
Segundo Danylo, o valor pago ao motorista costuma ficar acima de R$ 2 por quilômetro, e em corridas empresariais pode chegar a R$ 4 por quilômetro.
Motoristas ativos faturam até R$ 12 mil
O faturamento dos motoristas varia conforme dedicação. Segundo Danylo, motoristas mais ativos podem faturar de R$ 10 mil a R$ 12 mil brutos por mês. A média de quem roda bem fica entre R$ 7 mil e R$ 8 mil, valor que ele próprio alcançava quando atuava como motorista, mesmo acumulando outras funções na gestão.
“O cara que faz só isso fatura R$ 10 mil a R$ 12 mil. Eu fazia R$ 7 mil, R$ 8 mil cuidando da plataforma e de outras coisas”, afirma.
Motorista pode rodar com saldo negativo até R$ 10
O FlashCar funciona com sistema de créditos. O motorista pode fazer recarga via Pix, cartão de crédito ou dinheiro com o proprietário. No entanto, não precisa necessariamente colocar saldo antes de começar: a plataforma permite saldo negativo de até R$ 10.
Quando atinge esse limite, o motorista deixa de receber corridas em dinheiro ou Pix e passa a receber apenas corridas no cartão até quitar o débito.
Passageiro pode pagar no cartão, saldo ou bônus
O passageiro pode pagar a corrida no cartão de crédito, com saldo em conta ou com bônus recebidos em promoções. A empresa também faz ações de desconto, sorteios e participa de eventos da cidade.
Operação movimenta até R$ 480 mil por mês
Com cerca de 30 mil corridas mensais, o FlashCar movimenta entre R$ 450 mil e R$ 480 mil por mês em viagens. Como a taxa da plataforma é de 20%, o faturamento bruto da empresa fica próximo de R$ 96 mil mensais antes das despesas.
Meta é chegar a R$ 1 milhão em movimentação
A empresa gostaria de chegar a R$ 1 milhão em movimentação mensal, mas Danylo reconhece que, apenas com a cidade atual, esse número é difícil. Por isso, a expansão para novas cidades e o aumento da base empresarial são os principais caminhos para crescer.
O proprietário avalia se mudar para outra cidade de interesse da operação, já que São Pedro já funciona bem e não exige presença física diária.
Empresas pagam taxa de 25%
Nos planos para os próximos anos, o FlashCar pretende ampliar o número de cidades da região e, principalmente, crescer no atendimento a empresas. Nos contratos empresariais, a cobrança é de 25%, cinco pontos percentuais acima da taxa aplicada nas corridas comuns.
Segundo Danylo, essa diferença parece pequena, mas faz diferença em contratos de maior volume.
Atendimento digital reduz necessidade de sede física
Embora a empresa pense em uma sede própria no futuro, Danylo afirma que o modelo atual não exige um prédio físico. A gestão funciona em home office, e o atendimento via SAC é digital e robotizado. Quando o robô não consegue responder, a equipe assume manualmente.
Para ele, a estrutura remota agiliza a operação e reduz custos.
Corridas por fora levam ao corte da plataforma
O FlashCar enfrenta problemas com motoristas que fazem corridas por fora. Para reduzir a prática, a empresa exige que os carros sejam adesivados e que todas as corridas, inclusive as de “maçaneta”, sejam inseridas no aplicativo.
Se a empresa descobrir que o motorista está atendendo por fora, ele é cortado da plataforma.
“Ele sabe das regras. Se não quer seguir, não tem por que estar junto conosco”, afirma.
Concorrência desleal é o que mais incomoda
Danylo aponta a concorrência desleal como uma das maiores dificuldades do mercado. Segundo ele, novos aplicativos chegam prometendo benefícios a motoristas e passageiros, mas nem sempre conseguem cumprir. Muitos motoristas saem, testam outras plataformas e depois retornam ao FlashCar.
Para o gestor, a diferença está em cumprir o que foi prometido.
“Tudo que nós prometemos, a gente faz. Essa é a índole e o legado da FlashCar”, afirma.
Futuro dos regionais depende também da política
Ao falar sobre o futuro dos aplicativos regionais, Danylo afirma ter preocupação com possíveis mudanças regulatórias. Para ele, decisões políticas podem afetar especialmente empresas menores, que têm menos estrutura para absorver custos ou mudanças de regra.
“O receio é que novas exigências acabem prejudicando motoristas e aplicativos regionais, favorecendo apenas grandes plataformas internacionais”, avalia;
Tecnologia regional evoluiu, mas tem limite de custo
Danylo não vê a tecnologia como o principal problema dos aplicativos regionais. Para ele, plataformas locais conseguem oferecer boa parte das funcionalidades necessárias, mas alguns recursos usados por Uber e 99 são caros demais para operações menores.
Ele cita como exemplo inteligência artificial, desbloqueio facial e estruturas bancárias dentro do aplicativo. Segundo ele, são ferramentas interessantes, mas nem sempre urgentes ou viáveis financeiramente para regionais.
“A gente come pelas beiradas. O que eles não conseguem fazer, a gente faz do nosso jeito, melhor para motorista e passageiro”, avalia.
Regional precisa equilibrar motorista e passageiro
Na visão de Danylo, o diferencial dos aplicativos regionais é olhar para os dois lados da operação.
“A gente pensa nos dois lados, motorista e passageiro, porque é uma balança. Um não pode ser melhor que o outro. As grandes plataformas pensam primeiro na própria rentabilidade, enquanto um app local precisa equilibrar motorista e passageiro para funcionar”, afirma.
Legado é agilidade, renda e trabalho
O legado que Danylo quer deixar com o FlashCar é ligado a família, Deus e trabalho.
“O legado é que a FlashCar agilizou o processo para as pessoas, tanto para renda familiar quanto para o deslocamento dos passageiros de São Pedro”, conclui.
