Bruno Polito e Vinícius Detoni eram amigos e músicos na igreja em Miracema (RJ), cidade onde nasceram, mas a a relação acabou se transformando em uma parceria empresarial quando se tornaram sócios fundadores do aplicativo de mobilidade Bey7.
Bruno trabalhava CLT de domingo a domingo em posto de combustível, quando decidiu fazer um bico de motorista no aplicativo regional da cidade, o que posteriormente acabou se tornando sua fonte de renda principal. Insatisfeito com a gestão do aplicativo, ele aceitou a oportunidade de se tornar gestor de outra plataforma. Mas por problemas financeiros, os donos acabaram desistindo da operação.
Foi então que surgiu a ideia de criar o próprio aplicativo. Enquanto Bruno é responsável pela parte operacional e de relacionamento com motoristas, Vinícius cuida das estratégias de marketing.
A Bey7 chegou a operar em 16 cidades, mas após enfrentar problemas relacionados a duas tecnologias adotadas ao longo da trajetória, teve sua atuação reduzida. Atualmente, o serviço segue em funcionamento em Pirapetinga (MG) e Leme (SP), enquanto os fundadores buscam reestruturar o negócio e retomar a expansão.
O que faziam antes do aplicativo? Com o que trabalhavam?
Bruno: Antes de criar o aplicativo, eu trabalhava CLT de domingo a domingo em posto de combustível. Resolvi fazer um bico de motorista de aplicativo e, na época, era um regional da nossa cidade, que é Miracema, uma cidade do interior do Rio de Janeiro. E eu fui fazendo bico, até que chegou um momento em que se tornou minha fonte de renda principal.
Porém, eu e alguns motoristas não estávamos de acordo com a gestão do aplicativo. Então, surgiu a ideia de ser gestor de um outro aplicativo. Esse foi o primeiro em que eu fui gestor, mas não deu muito certo em questão financeira e os donos acabaram desistindo.
Aí eles me indicaram para criar um novo aplicativo. Então eu falei com o Vinícius a respeito disso.
Como vocês se conheceram?
Vinícius: A gente é da mesma igreja, a gente tocava junto.
Bruno: Antes de eu mudar de cidade a gente frequentava a mesma igreja, então a gente se conheceu antes de começar a empreender.
Como dividem as funções da gestão entre vocês?
Vinícius: Quem é do ramo aqui é o Bruno. Eu sou o que fica mais por conta do marketing, eu fiz o site, a logo. Então eu fico mais nessa parte de estratégia de divulgação, essas coisas. O Bruno que é da área mesmo, ele é motorista e trabalha até hoje.
Qual foi o investimento inicial para inaugurar a plataforma?
Bruno: Eu acredito que foi em torno de uns R$ 5 mil ou mais, na época. Isso só com a plataforma, fora de panfleto, divulgação, então chega ser até mais ou menos uns R$ 8 mil.
É um investimento alto para correr o risco de não dar certo. Às vezes a pessoa entra em contato conosco para saber a respeito do licenciamento, acaba não fechando e arrisca criar um aplicativo próprio, do zero. Isso pode ser um risco de tomar um golpe ou até de agregar numa empresa conhecida, mas que não presta um serviço de suporte suficiente.
Infelizmente tem bastante disso no mercado. O comercial quando te vende o aplicativo, ele praticamente te faz carinho, mas quando você já contratou o serviço, quando você já está lá, não é tão legal. A gente já deixa bem claro para os nossos clientes, licenciados ou quem tem interesse em ser licenciado, que a Bey7 é uma empresa já consolidada, que está há mais tempo no mercado.
Vinícius: Há pouco tempo eu vi um rapaz que estava dando mentoria para as pessoas criarem o seu aplicativo. O trabalho dele era só a mentoria. A pessoa tinha que bancar o seu aplicativo e teria uma mentoria com ele para fazer o aplicativo dar certo. Mas a mentoria é R$ 20 mil. A gente dá essa mentoria, ficamos à disposição do licenciado para ajudar em tudo que ele precisar.
Como foi o processo desde a ideia até a inauguração do app?
Bruno: A ideia surgiu entre nós e ele (Vinícius) que criou a logo. E com isso fomos em busca do desenvolvedor para criar a plataforma, mas acabamos nos frustrando porque caímos em um golpe. Tem muito golpe hoje em dia na internet. As pessoas oferecem um serviço e entregam outro totalmente diferente, muito ruim. E infelizmente fomos lesados nisso.
Depois, acabamos adquirindo a plataforma que era a mesma do aplicativo antigo que eu participava, porque eu já conhecia, então eu imaginei que seria algo confiável. No Início foram mil maravilhas, ótimo atendimento, ótimo suporte, porém mais uma vez fomos lesados.
A gente se frustrou, pensamos até em desistir também do aplicativo, mas a minha última chave estaria na empresa desenvolvedora de um aplicativo referência aqui na região onde nós moramos. E pelo tempo que eu tenho acompanhado essa empresa, parece uma empresa muito séria.
Migramos de plataforma mais uma vez e até hoje estamos nos reestruturando. Porque, na época que criamos a Bey7 com a primeira plataforma, tínhamos um número considerável de passageiros e motoristas.
Quando abriram pela primeira vez, com a primeira plataforma?
Bruno: Se não me engano setembro de 2021. E agora tem quase um ano que estamos com a tecnologia nova.
Vocês chegaram a expandir a operação com as outras tecnologias?
Bruno: A gente operava na cidade de Leme, no interior de São Paulo. Tinha várias solicitações, com um grande número de corridas. A gente trabalha com licenciado e ele chegava a faturar aproximadamente R$ 2 mil diário, só em taxa de 20% que ele cobrava referente às corridas.
As cidade que a gente operava na plataforma anterior, era Cianorte (PR), Patos de Minas (MG), Salvador (BA), Juazeiro do Norte (CE), Teixeira de Freitas (BA), Delmiro Gouveia (AL), Ipatinga (MG), Itapeva (SP), Formosa (GO), Paracatu (MG), Medianeira (PR), Caratinga (MG), Pirapetinga (MG), Leme (SP), Francisco Beltrão (PR) e Uruguaiana (RS).
Vinícius: E a gente foi perdendo essas cidades por causa da plataforma e, consequentemente, tivemos que fazer essa migração.
Bruno: Atualmente a gente opera em Pirapetinga e Leme.
De onde vocês são?
Bruno: Eu nasci na mesma cidade em que a Bey7 foi criada, que é Miracema, no estado do Rio de Janeiro. Mas atualmente eu moro na cidade vizinha que é Pirapetinga, que faz divisa de Minas com o estado do Rio.
Vinícius: Eu sou de Miracema e moro aqui até hoje. Nascido e crescido na cidade.
Como foi a captação dos primeiros motoristas?
Bruno: Desde o início, nosso intuito era licenciar as cidades. Esse era o nosso projeto: criar um aplicativo para vender os licenciamentos. E o primeiro licenciamento que foi vendido foi na cidade de Pirapetinga, onde moro hoje.
Eu vendi para um amigo, ele apoiou a ideia e eu ajudei ele a captar os motoristas. Na realidade não foi difícil, porque é uma cidade pequena, de 11 mil habitantes, então todo mundo conhece todo mundo.
Perante muito trabalho e muito esforço, a gente conseguiu ajudar a primeira cidade a ter motoristas cadastrados na plataforma, manter eles on-line e com isso ir também divulgando para os passageiros estarem sempre solicitando as chamadas no aplicativo.
Vinícius: É uma coisa que a gente fazia questão de abordar, principalmente quando tinha as reuniões com os licenciados. A gente traçava uma estratégia de captação porque os motoristas assim que eles se cadastram, eles querem saber cadê o passageiro.
Hoje são quantos motoristas ativos na Bey7?
Bruno: Em Pirapetinga nós temos 13 motoristas e Leme nós temos 10. É uma cidade maior, mas tem poucos motoristas. Era uma cidade que o faturamento diário era bem elevado na plataforma anterior, mas devido a uma situação lamentável que aconteceu com o nosso licenciado lá, infelizmente, a gente teve que assumir o licenciamento. E por ser muito distante, dificulta nas operações.
Vocês fazem algum tipo de seleção para motoristas? O que precisam ter para se tornarem motoristas da Bey7?
Bruno: A pessoa se cadastra, aí a gente analisa toda parte documental primeiro, vê a habilitação, se está dentro da validade, se tem a especificação de exercício de atividade remunerada, verificamos se o veículo atende os requisitos da plataforma. E se caso a cidade tiver alguma legislação específica exigindo a idade do veículo, a gente se atenta a isso também, limitando a idade do veículo.
E a gente troca uma ideia antes de aprovar, para conhecer eles. Tipo uma entrevista entre gestor e motorista, para entendermos também a situação e o que ele está querendo ao entrar na plataforma e vemos se já tem experiência na área, se tem antecedente criminal.
Quantas corridas vocês faziam antes de migrar de tecnologia? E quantas estão fazendo agora?
Bruno: A cidade que a gente mais tinha solicitação era a cidade de Leme, por ser uma cidade maior e o licenciado de lá era muito proativo.
Ele fez um ótimo trabalho, eram quase 6 mil clientes cadastrados na plataforma e aproximadamente 14 mil solicitações mensais.
Hoje, contando as duas cidades, fazemos em torno de 5 mil corridas por mês.
Quais são as categorias de corrida no app?
Vinícius: Temos a categoria comum, que é a Pop, a Vip, tem a categoria Elas, que é só motorista mulher e passageira mulher. Tem a categoria Rural que faz muito sentido nessa região de Pirapetinga, porque tem bastante sítio, bastante roça.
A gente tem uma categoria que rodou muito em Leme, agora está um pouco mais devagar, mas que a gente ainda tem, que é a categoria Plus 6, que é para aqueles carros grandes, de sete lugares, que leva seis passageiros.
E tem a categoria Pet também, que são motoristas para transportar animais de estimação, cachorro, papagaio, o que for.
E tem também a categoria que a gente começou a implementar, que é a Especial, para pessoas com deficiência. Mas essa ainda não usamos por conta dessa questão lá de Leme, porque a gente ia implementar justamente lá, mas como teve toda essa reviravolta, acabou que ainda não usamos, mas a gente tem disponível.
Qual o valor da corrida mínima para o passageiro? Vai até quantos quilômetros?
Bruno:Cada cidade tem uma tarifa diferente. Leme é R$ 13 e Pirapetinga é R$ 15 a mínima. E esse valor vai até 2 km, depois gira em torno de R$ 1,50 o km.
Aí vai depender da categoria. A Vip obviamente vai ser mais cara por ser um carro sedan, mais confortável. A categoria Rural, a ideia de criar ela foi para diferenciar as taxas das demais categorias, para ser uma taxa ainda maior por ser estrada de chão, de mais difícil acesso.
Como funciona a cobrança do motorista?
Bruno: Em Leme, por ser uma cidade mais desenvolvida, uma cidade maior, é uma taxa de 20%. Uma taxa fixa por corrida finalizada.
Já em Pirapetinga é mensalidade. Por ser uma cidade menor de 11 mil habitantes, onde todo mundo conhece todo mundo, todo mundo tem o contato de todo mundo. A gente até sugere para os nossos licenciados que seja mensalidade nessas cidades.
Pelo tempo que a gente está no mercado, temos experiência e entendemos que em cidades muito pequenas é um pouco difícil agregar a taxa de 20%, porque o gestor vai divulgar o aplicativo, o passageiro vai chamar e o motorista vai dar o cartãozinho para o passageiro chamar no privado e não ser cobrado da taxa de 20%. Então dessa forma a gente achou melhor cobrar mensalidade, é um valor irrisório de R$ 160 por motorista e ele faz quantas corridas quiser.
E aí o pagamento da mensalidade é por Pix ou dinheiro e ele paga localmente para o licenciado. E o passageiro paga a corrida diretamente para o motorista, seja cartão, seja Pix, seja dinheiro.
Vocês trabalham com bandeiras diferentes ao longo do dia, final de semana ou madrugada?
Bruno: É um valor fixo até mais ou menos 10, 11 horas da noite. A partir disso entra uma dinâmica para incentivar o motorista a trabalhar durante a madrugada e isso vai até umas seis horas da manhã.
Essa tarifa também em período de festa, em lugares que tem muita demanda a gente coloca também uma dinâmica. Dia de chuva só em Leme, Pirapetinga é um valor mais fixo mesmo.
Como tem sido o marketing atualmente, nessa fase de reestruturação?
Vinícius: A primeira coisa que tivemos que fazer foi colocar a casa em ordem. Tanto na parte de contabilidade, enxugar os custos o máximo possível para termos um fôlego e agora o que a gente vai começar a fazer é um trabalho com os licenciados antigos. Vamos entrar em contato com cada um deles e oferecer algumas condições para voltar a trabalhar.
E também, em paralelo a isso, a gente vai fazer promoção e divulgação com tráfego pago. Vamos fazer uma promoção que seria, por exemplo, o valor do licenciamento vai de acordo com o tamanho da cidade, então a pessoa vai poder ficar isenta desse valor desde que comprove que ela usou essa quantia para divulgação, para marketing na cidade dela. Então, a gente vai isentar esse valor da adesão, justamente para incentivar a pessoa utilizar esse valor para fazer um marketing bem feito na cidade.
Vimos que alguns licenciados tentaram entrar, mas não tinham muito capital para investir na cidade e não deu certo. Então, a gente está vendo que precisa investir. A pessoa vai usar esse valor da adesão para investir e vai ser bom para todo mundo.
Vocês também tem outdoors, panfletos ou outras ações de marketing assim? O que vocês acham que funciona aí na região?
Vinícius: Tudo funciona. O licenciado em Leme colocou dois outdoors gigantes no centro da cidade. A questão não é muito o que fazer, é como fazer. A estratégia vale muito mais do que o fazer exatamente.
Sempre que a gente fecha um licenciamento, fazemos uma reunião com o licenciado, justamente para fazer um estudo da cidade e ver qual a melhor estratégia que a gente pode usar e como usar. Seja a estratégia do panfleto, do outdoor, dos eventos, tudo. Então, eu acho que isso não é uma uma fórmula fechada.
Mas, na minha opinião, o que eu vejo que mais dá retorno é um adesivo, um imã, alguma sinalização no carro. Aquilo ali é um outdoor ambulante. Para onde o carro vai, ele está mostrando a marca do aplicativo.
É o mais difícil de fazer, porque normalmente o motorista não quer adesivar o carro, não quer colocar sinalização. Mas ao meu ver é o que mais dá retorno porque acaba gerando uma prova social. A pessoa vê o carro da Bey7, vê passageiro rodando e pensa: “Espera aí, vou baixar o aplicativo também e rodar lá”.
O gestor pode pensar que, ao invés de colocar um anúncio num outdoor, ele pode estar oferecendo uma proposta ao motorista, um desconto na mensalidade, uma taxa mensal a ser paga para o motorista que colocar a marca do aplicativo nos carros para fazer divulgação.
O que viam em outras plataformas que resolveram fazer diferente na Bey7? Qual dor buscam resolver?
Bruno: Eu já trabalhei nas grandes marcas também, Uber e 99 e o que a gente procura fazer como gestor é, além de olhar para o passageiro, ter uma visão do motorista também.
Porque a base de um aplicativo de mobilidade urbana, eu sempre falo, é o motorista. Sem motorista não tem como o passageiro solicitar uma corrida e ser atendido.
É criar parceria, por exemplo, com mecânico, com oficina, posto de combustível, com borracharia, para ter um benefício para o motorista. Na cidade aqui de Pirapetinga a gente tem essa parceria com posto de combustível, onde o motorista exclusivo da Bey7 tem um desconto no valor do litro. Isso ajuda muito, porque o motorista depende disso para trabalhar, então, quanto menos ele tira do bolso, mais rentabilidade ele tem.
Então, por isso é importante também viabilizar o lado do motorista para que o aplicativo funcione corretamente para ambas as partes.
Os licenciados vem até vocês ou vocês têm cidades em mente e vão atrás de alguém para fazer a gestão?
Vinícius: Fazemos a divulgação pela internet, através de tráfego pago, aí a pessoa entra em contato e a gente faz uma reunião. Vemos se ela tem o perfil adequado para tocar o aplicativo na cidade, porque se a gente aceita qualquer pessoa e depois não dá certo, é o nosso nome que queima. Então precisamos de critérios.
Um dos requisitos é saber se a pessoa tem dinheiro para investir. Porque se não tiver, pode até dar certo, mas é muito mais difícil. E saber se a pessoa já tem experiência ou, se não tem experiência, se é uma pessoa que está aberta a aprender, a fazer o que vamos direcionar.
Como vocês enxergam o futuro dos aplicativos regionais no Brasil? Como podem ganhar mais espaço e bater de frente com as multinacionais?
Bruno: Então, em questão desses veículos autônomos, que não tem motorista, como tem lá fora, a gente pode até acreditar, mas no Brasil as ruas as estradas tem que estar muito boas para esses carros autônomos funcionarem direitinho. Então até lá vai demorar.
Eu não sei em um futuro próximo, mas atualmente é vantajoso a pessoa criar um aplicativo, ter o seu aplicativo através de licenciamento, porque o serviço do motorista ainda é essencial e porque nem todo mundo confia em uma máquina.
Esses dias eu vi um vídeo no Instagram desses carros autônomos num cruzamento e um meio que brigando com o outro, um vai, outro volta, um vai, outro volta. Então assim, se lá fora causa essa confusão, imagina aqui no Brasil. E ainda existem motoristas capacitados para transportar passageiros.
E também tem a questão das taxas. A gente vê em grandes plataformas, as taxas abusivas sendo cobradas do motorista. Cabe ao motorista fazer o seu próprio trabalho, porque se todos entenderem que a plataforma depende deles para funcionar, essa taxa seria reduzida nesses aplicativos. Então é por isso que o regional se torna fundamental para o motorista poder trabalhar, principalmente em cidades pequenas, fugindo dessas taxas abusivas.
Vinícius: Minha opinião quanto a isso: Do jeito que as coisas estão, tanto com inteligência artificial, carro autônomo, foguete pousando de ré e não sei o que mais, eu acho que o futuro está muito imprevisível. É muito difícil a gente saber o que vai acontecer. Eu prefiro nem me preocupar tanto com isso. A minha preocupação tem que ser: seja lá o que aconteça, eu preciso me adaptar.
Qual foi o momento mais desafiador até agora?
Bruno: No início de um aplicativo, digamos que a parte mais difícil, mais desafiadora, é você tentar conciliar motorista e passageiro. Conciliar motoristas cadastrados na plataforma e solicitações pelos passageiros. Porque quando o aplicativo está iniciando em determinada cidade, o motorista vai lá, se cadastra na plataforma, fica on-line e às vezes questiona o gestor: “poxa, não está tocando corrida, eu vou desligar meu celular, meu celular está descarregando”. Mas todo início, quando tem uma novidade na cidade, há uma certa dificuldade.
Vinícius: E uma coisa que a gente fazia questão de abordar era a parte dos eventos, sempre estar presente nos eventos da cidade. Se vai ter um festival de gastronomia, coloca lá duas pessoas uniformizadas, distribuindo panfletos com um código de promoção de 10%, 15%, 20% na primeira viagem.
A pessoa já vai baixar o aplicativo, colocar o código, ganhar desconto e é assim que começa o trabalho, porque a gente sempre fala: “temos que plantar em terra fértil”. Uma coisa é ir em um festival, em uma exposição, feira, onde as pessoas estão precisando do serviço e outra é pegar o panfleto, e ir distribuindo nas ruas.
Não vai dar retorno. Vai jogar dinheiro fora, vai poluir a rua com os panfletos e isso não vai gerar retorno. Então, o que a gente via que funcionava bastante era sempre estar presente em eventos, que são locais que as pessoas precisam do serviço. Sempre funcionou.
Tem planos para voltar a expandir?
Bruno: A gente ainda está em fase de reestruturação. Nossa ideia agora é poder fazer uma proposta de licenciamento do aplicativo, principalmente para aqueles que já foram nossos licenciados. Oferecer uma proposta melhor para dar aquele upgrade.
Vinícius: Mas uma outra cidade que estamos analisando é aqui onde eu moro, Miracema, porque é uma cidade um pouco complicada. Não tem nenhum aplicativo. Todo aplicativo que tentou abrir aqui não deu certo, porque tem muita corrida clandestina e é difícil bater de frente com esses caras. Então, estamos pensando, mas é um negócio que tem que ser bem estruturado para não acontecer com a gente o que aconteceu com os outros aplicativos.
As corridas clandestinas acontecem pelo contato pessoal ou tem grupos de WhatsApp?
Bruno: As duas formas. O grupo de WhatsApp acaba se tornando uma corrida particular e é transporte irregular de passageiros.
Aqui em Miracema tem bastante motorista que roda fora do aplicativo, coloca qualquer carro para transportar o passageiro, carros que não passaram por vistoria. Então assim, é até perigoso, é arriscado para o passageiro pegar esse tipo de transporte.
Vinícius: E também é uma cidade que não tem fiscalização em relação a isso, não tem uma lei específica. Então é uma coisa que a gente primeiro a gente tem que colocar no papel, apresentar na prefeitura, ser aprovada para podermos contar com a fiscalização da própria cidade, se não tiver isso fica muito difícil.
Qual legado vocês querem deixar com a Bey7?
Vinícius: A gente almeja nível nacional, queremos crescer no Brasil hoje. O dia de amanhã a gente não sabe, mas focamos em crescer através de licenciamento, que é o nosso modelo de negócio e fazer uma base estruturada. Não é crescer de qualquer jeito, é dar um passo de cada vez, para não cairmos igual a gente já caiu.
A gente quer primeiro, antes de tudo, fazer a empresa dar certo. Nosso intuito é democratizar a mobilidade urbana e criar uma cultura de liberdade. O nosso slogan é: “Explore a sua liberdade”.
Queremos motoristas livres, trabalhando porque querem estar conosco. Queremos passageiros livres pegando os nossos carros porque querem pegar os nossos carros. A gente quer ganhar o mercado fazendo a diferença através dos nossos serviços. A nossa meta, a nossa filosofia de negócio sempre foi essa.

