A história de Gilmar Gregório à frente do Di Carro começou após uma mudança inesperada em sua vida profissional. Natural de Goiânia e criado em Guapó, ele trabalhou como servente, em lavouras de laranja e banana e passou quase 20 anos no rádio.

Depois de ser demitido de uma emissora, decidiu trabalhar como motorista de aplicativo para ocupar o horário que antes dedicava à rádio. A escolha acabou abrindo caminho para uma nova oportunidade.

Gilmar começou a dirigir pelo Di Carro e, cerca de dez a quinze dias depois, recebeu uma proposta do antigo proprietário para adquirir a empresa.

Inicialmente, recusou por acreditar que não tinha condições financeiras de assumir o negócio. Entretanto, o antigo gestor insistiu, afirmando que ele tinha o perfil necessário para administrar a plataforma.

“Ele falou: ‘Eu te conheço, você tem um perfil, você dá conta de administrar a empresa’”, relembra.

Aplicativo nasceu da dificuldade de uma mãe para chegar ao trabalho

Embora Gilmar tenha assumido a gestão recentemente, o Di Carro foi criado antes de sua chegada.

Segundo ele, a ideia surgiu a partir da dificuldade enfrentada pela esposa de um advogado da cidade, conhecido como Dr. Jeremias.

Ela precisava se deslocar de casa até o trabalho e, em algumas ocasiões, fazia o trajeto empurrando um carrinho de bebê, porque não tinha quem a levasse.

Diante da situação, surgiu a proposta de criar um aplicativo semelhante aos grandes serviços de mobilidade, mas voltado à população de Buriti Alegre.

Foi dessa necessidade que nasceu o Di Carro.

Atualmente, a plataforma atende moradores do município e também realiza viagens para outras cidades, como Itumbiara, Caldas Novas, Morrinhos e Goiânia.

Gilmar assumiu o aplicativo após trabalhar como motorista

O gestor afirma que está à frente do Di Carro há pouco mais de dois meses.

Antes da aquisição, ele já conhecia o funcionamento da empresa pela perspectiva de quem realizava as corridas.

Essa experiência, segundo Gilmar, ajuda a compreender as dificuldades enfrentadas pelos profissionais e a tomar decisões que não prejudiquem a categoria.

“Eu também sou motorista. Sei a dor de cada um, sei os pontos fracos das corridas e procuro resolver os problemas da melhor forma”, afirma.

Mesmo após assumir a administração, ele continua dirigindo em momentos de maior demanda, especialmente quando os motoristas disponíveis não conseguem atender todas as solicitações.

Aplicativo tem cerca de 13 motoristas ativos

O Di Carro conta atualmente com aproximadamente 13 motoristas ativos.

Durante o dia, segundo Gilmar, cerca de sete ou oito profissionais costumam estar disponíveis simultaneamente.

“Em determinados horários, todos acabam ocupados, o que pode gerar dificuldade para atender novos passageiros. Apesar disso, prefiro ampliar a equipe gradualmente”, diz. 

Segundo ele, contratar muitos motoristas sem demanda suficiente poderia reduzir o faturamento individual dos profissionais.

“Não adianta contratar muitas pessoas e depois não ter corridas. Todo mundo tem que trabalhar e todo mundo tem que ganhar”, afirma.

Gilmar diz que seu sonho é chegar a 50 motoristas em Buriti Alegre, desde que haja demanda para todos.

Captação contou com rádio, panfletagem e redes sociais

O Di Carro já utilizava diferentes estratégias de divulgação antes de Gilmar assumir a gestão.

Entre elas estavam panfletagem, anúncios em rádio, publicações nas redes sociais e apoio de pessoas conhecidas na cidade.

O gestor lembra que tomou conhecimento da plataforma por meio de divulgações feitas por moradores e representantes locais.

Na época, não imaginava que um dia seria o proprietário do aplicativo.

“Além da publicidade, a empresa também realizou promoções para estimular o uso do serviço. Uma das iniciativas oferecia um voucher de R$ 5 para a primeira corrida”, conta. 

Gilmar afirma que pretende desenvolver novas campanhas, mas ressalta que as promoções precisam considerar os custos dos motoristas.

Motoristas participam das decisões sobre tarifas

Uma das mudanças que Gilmar procura implementar é a participação dos condutores nas decisões da empresa.

Segundo ele, antes de alterar preços ou criar promoções, costuma consultar os motoristas em um grupo de mensagens.

Em algumas situações, realiza enquetes para ouvir a opinião da maioria.

“Eu não gosto de tomar uma decisão sozinho”, afirma.

O gestor explica que já discutiu a possibilidade de reduzir tarifas para estimular a demanda, mas os próprios motoristas demonstraram preocupação com os custos dos combustíveis.

Por isso, prefere fazer ajustes quando as condições permitirem.

WhatsApp concentra cerca de 90% dos pedidos

Um dos principais desafios do Di Carro é fazer os passageiros utilizarem o aplicativo para solicitar as viagens.

Segundo Gilmar, aproximadamente 90% dos pedidos ainda chegam por grupos de mensagens, principalmente pelo WhatsApp.

“Como Buriti Alegre é uma cidade pequena, muitos moradores preferem entrar em contato diretamente com os motoristas ou com a central. Mas eu considero que essa prática dificulta a distribuição automática das corridas”, comenta. 

Quando o pedido é feito pelo aplicativo, o sistema consegue identificar os motoristas disponíveis e encaminhar a solicitação.

Já nos grupos, é necessário organizar manualmente o atendimento.

“Meu sonho é que a população de Buriti Alegre peça suas corridas mais pelo aplicativo do que pela central. A meta é fazer com que pelo menos 70% das solicitações sejam realizadas diretamente pela plataforma, mantendo o atendimento alternativo para pessoas com dificuldade de utilizar a tecnologia”, afirma.

Di Carro tem quase 1,5 mil passageiros cadastrados

A plataforma reúne aproximadamente 1,5 mil passageiros cadastrados.

O aplicativo atende Buriti Alegre, cidade localizada a cerca de 36 quilômetros de Itumbiara e aproximadamente 190 quilômetros de Goiânia.

Gilmar afirma que o município possui pouco mais de 12 mil habitantes.

Além das corridas locais, o aplicativo também realiza viagens para cidades próximas e destinos turísticos, como Lago das Brisas.

Plataforma realiza mais de 1,5 mil corridas por mês

Segundo Gilmar, o Di Carro realiza mais de 1,5 mil corridas mensais.

O gestor afirma que já teve acesso a relatórios que apontavam mais de 2 mil viagens em determinados períodos, mas ainda não havia analisado um relatório mensal completo desde que assumiu a administração.

Por esse motivo, prefere não apresentar um número fechado de faturamento da empresa.

A movimentação também varia conforme a atividade econômica da cidade.

“Quando o comércio local enfrenta dificuldades, os passageiros tendem a reduzir deslocamentos para supermercados, eventos e outras atividades”, explica. 

Corrida mínima começa em R$ 11

O valor da corrida mínima varia conforme o dia e o horário.

Durante o dia, de segunda a sexta-feira, a tarifa começa em R$ 11.

À noite, a mínima passa para R$ 13. Aos sábados, domingos e feriados, também há cobrança diferenciada, podendo chegar a R$ 15 após as 18h.

A distância coberta pela corrida mínima é de aproximadamente 3 quilômetros.

Segundo Gilmar, a tarifa por quilômetro pode se aproximar de R$ 4, dependendo do horário e das condições da viagem.

Motoristas pagam taxa de 10% e mensalidade de R$ 100

O Di Carro utiliza um modelo que combina cobrança percentual e mensalidade fixa.

Os motoristas pagam uma taxa de 10% sobre as corridas, além de uma mensalidade de R$ 100.

Para estimular os profissionais a registrarem suas viagens no aplicativo, a empresa oferece descontos na mensalidade aos três motoristas que mais realizam corridas.

O primeiro colocado recebe isenção total da mensalidade.

O segundo colocado tem desconto de 70%, enquanto o terceiro recebe abatimento de 50%.

A estratégia, segundo Gilmar, busca incentivar o uso da plataforma e reconhecer os condutores com maior participação na operação.

Motorista já faturou mais de R$ 6 mil

O maior faturamento mensal relatado por Gilmar ultrapassou R$ 6 mil.

Segundo ele, o motorista responsável pelo resultado está temporariamente afastado porque teve problemas com o veículo.

Outros profissionais conseguem faturar entre R$ 4 mil e R$ 5 mil em determinados meses.

Gilmar também usa sua própria experiência como exemplo.

“Quando eu trabalhava com mais frequência nas corridas, procurava alcançar uma média de R$ 150 por dia”, diz. 

Mantido durante 30 dias, esse resultado representaria R$ 4,5 mil de faturamento bruto mensal.

“Tem companheiros que de vez em quando beiram R$ 5 mil, R$ 4 mil tranquilamente. Eu tiro por mim, como motorista”, afirma.

Ele ressalta que os valores dependem da demanda e que os motoristas precisam considerar despesas como combustível e manutenção.

Gestor defende registro de todas as viagens no aplicativo

Gilmar também busca conscientizar os motoristas sobre a importância de registrar as corridas na plataforma.

Segundo ele, o procedimento contribui para a organização da empresa e permite identificar as informações relacionadas ao transporte realizado.

O gestor afirma que corridas feitas completamente por fora podem dificultar a comprovação da atividade em determinadas situações.

Para incentivar o registro, a empresa mantém os descontos na mensalidade e conversa diretamente com os profissionais.

“ O objetivo é mostrar que a continuidade do aplicativo também beneficia os motoristas que dependem dele para trabalhar. Vamos lançar as corridas. A empresa depende dessas corridas”, afirma.

Concorrência desleal preocupa a operação

Para o gestor, uma das principais dificuldades do mercado é a concorrência de pessoas que realizam transporte informal cobrando valores muito baixos.

Segundo ele, algumas viagens são oferecidas por preços que levantam dúvidas sobre a rentabilidade para o motorista.

Gilmar considera que uma operação organizada oferece vantagens em relação ao trabalho completamente independente.

“É muito melhor trabalhar pagando 10% e ter a segurança do aplicativo do que trabalhar para não ganhar nada”, afirma.

Apesar da preocupação, ele acredita que o trabalho em equipe fortalece o Di Carro.

“A gente tem mais força como equipe do que uma pessoa sozinha”, acrescenta.

Tecnologia é apontada como ponto de melhoria

O gestor reconhece que ainda está conhecendo algumas funções administrativas da tecnologia usada.

Uma das melhorias que considera importantes está relacionada à distribuição das solicitações.

“Em determinadas situações, uma mesma corrida pode aparecer para vários motoristas, gerando confusão quando um deles aceita primeiro”, relata. 

Na avaliação do gestor, seria mais eficiente encaminhar a solicitação inicialmente para um condutor e, caso ele não aceite dentro de determinado tempo, repassá-la ao próximo.

Marketing será prioridade na expansão

Gilmar considera que a publicidade é um dos principais fatores para o crescimento dos aplicativos regionais.

Segundo ele, as grandes plataformas possuem recursos financeiros para investir em campanhas, enquanto empresas menores precisam distribuir cuidadosamente seus investimentos.

O gestor pretende reforçar a divulgação do Di Carro por meio de panfletagem, redes sociais e rádio.

Ele acredita que os meios tradicionais continuam importantes em cidades pequenas.

“A propaganda é a alma do negócio”, afirma.

Meta é chegar a 500 motoristas em Goiás

A expansão é uma das prioridades da nova gestão.

Gilmar afirma que está organizando a entrada do Di Carro em outra cidade de Goiás, localizada na região metropolitana de Goiânia.

A expectativa é iniciar a operação ainda neste ano.

O gestor preferiu não revelar o município antes da conclusão dos preparativos.

Segundo ele, a cidade possui população maior que Buriti Alegre, o que pode representar uma oportunidade de crescimento.

Gilmar também considera levar a plataforma para municípios de Minas Gerais.

A meta de longo prazo é chegar a 500 motoristas cadastrados em Goiás.

Gestor acredita na união de aplicativos regionais

Na avaliação de Gilmar, o futuro da mobilidade regional poderá envolver maior integração entre aplicativos.

“Pequenas empresas podem se unir para enfrentar a concorrência das grandes plataformas e ampliar suas estruturas. A união pode permitir que empresas com atuação limitada a determinadas cidades formem operações maiores, compartilhando recursos e resultados”, afirma.

Investimento na compra não foi divulgado

Gilmar preferiu não revelar quanto pagou para adquirir o Di Carro.

O gestor explicou que a negociação foi feita com uma pessoa conhecida e que ainda estava quitando o valor combinado.

A expectativa era concluir o pagamento até dezembro.

Ele também afirmou que a operação estava conseguindo se manter, embora ainda não tivesse analisado detalhadamente os relatórios financeiros da empresa.

Legado é gerar oportunidades de trabalho

Ao falar sobre o que pretende deixar para a cidade, Gilmar destaca o desejo de transformar o Di Carro em uma fonte de renda para mais famílias.

Segundo ele, a experiência de perder o emprego no rádio e encontrar uma nova oportunidade no transporte mudou sua trajetória profissional.

Hoje, o gestor quer que outras pessoas também possam encontrar oportunidades por meio da plataforma.

“Meu legado é que várias pessoas sejam beneficiadas com essa empresa, não só eu”, afirma.

Gilmar também espera que os antigos proprietários acompanhem o crescimento do aplicativo e reconheçam que o projeto continuou evoluindo.

Para ele, o objetivo é fazer o Di Carro crescer sem perder a proximidade com os motoristas.

“Eu quero que essa empresa seja uma geradora de empregos e que várias famílias sejam beneficiadas”, conclui.

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Giulia Lang

Giulia Lang é jornalista formada pela Fundação Cásper Líbero e há três anos cobre o mercado de mobilidade urbana e delivery pelo 55content.