“Eu vejo um futuro em que estaremos entregando um serviço de qualidade para o nosso estado.” Emerson Segobia Nunes, 42 anos, nasceu em São Borja (RS), cidade histórica com aproximadamente 60 mil habitantes e berço dos ex-presidentes João Goulart e Getúlio Vargas.

Ainda na infância, mudou-se com a família para Farroupilha (RS), município localizado a cerca de 250 quilômetros de distância, em busca de melhores oportunidades.

Construiu toda a sua carreira na área comercial, trabalhando por muitos anos com vendas de insumos e maquinários industriais. A atividade exigia viagens frequentes e longos períodos fora de casa.

Em 2023, decidiu abandonar a rotina de deslocamentos constantes para passar mais tempo com o filho. “Eu não queria mais estar na estrada, longe do meu filho, que tinha apenas três anos de idade”, relembra.

Sem saber exatamente qual caminho seguir, começou a atuar como motorista em uma plataforma multinacional de mobilidade. Com o tempo, porém, concluiu que a atividade não oferecia o retorno financeiro esperado. “Eu sou uma pessoa muito técnica, então comecei a fazer os cálculos e percebi que eles não batiam com a realidade dos ganhos”, afirma.

Emerson conta que passou a estudar o modelo de operação dos táxis e procurou entender por que o setor continuava ativo, apesar das previsões de que seria substituído pelas plataformas de mobilidade.

Após analisar diferentes cenários, concluiu que havia espaço para uma plataforma regional, com tarifas consideradas mais equilibradas e melhores condições para os motoristas, posicionando-se entre o modelo tradicional dos táxis e os grandes aplicativos.

O Corridas RS foi lançado em 2024 com foco na autonomia dos motoristas, sem exigências rígidas de aceitação de corridas e com uma proposta baseada na qualidade do atendimento, e não na competição por preços.

“[…] fiz algo pensando no motorista. Cliente sempre tem, ele sempre vai precisar e não adianta fazer promoções, porque você vai pegar um público que busca preço”, diz.

Os primeiros usuários foram conquistados principalmente por meio de ações de marketing local, redes sociais, indicações e estratégias criativas, como um jingle produzido pelo próprio gestor, que também é músico. “A gente criou um jingle da nossa empresa, algo que ninguém fazia aqui”, destaca.

A plataforma alcançou cerca de 5 mil passageiros cadastrados, realiza entre 5 mil e 6 mil corridas por mês e conta com 10 motoristas ativos em Farroupilha.

A plataforma adota diferentes modelos de cobrança. As corridas pagas diretamente pelo aplicativo têm taxa de 30%, as corridas realizadas por passageiros captados pela própria plataforma têm taxa de 25% e os motoristas que cadastram seus próprios clientes na base da empresa pagam 15%.

Três categorias estrão disponíveis atualmente para os passageiros: Hatch, Sedan e Pechincha. Nas corridas convencionais, a tarifa mínima é de R$ 12 para veículos hatch e R$ 15 para sedãs, cobrindo os primeiros dois quilômetros. Após essa distância, é cobrado R$ 2,50 por quilômetro adicional. Já na modalidade Pechincha, passageiros e motoristas podem negociar o valor da corrida, com lance inicial de R$ 10.

Segundo o fundador, o principal desafio atualmente não são os concorrentes tradicionais, mas os grupos clandestinos de transporte, que operam sem regulamentação, taxas ou exigências de segurança. Para ele, esse cenário prejudica motoristas e passageiros e representa um risco para o setor.

Mesmo diante de dificuldades recentes e de momentos de dúvida sobre a continuidade do negócio, ele afirma acreditar que o diferencial da plataforma está na oferta de um serviço seguro e transparente para passageiros e motoristas.

O próximo passo é transformar os motoristas em parceiros por meio de um modelo de microfranquias, expandindo o Corridas RS para outras cidades do Rio Grande do Sul sem perder a identidade regional.

Me conte um pouquinho da sua trajetória. Quem era o Emerson antes da mobilidade?

Emerson: Eu nasci em São Borja, uma cidade a 600 km de Farroupilha. A gente veio para Farroupilha buscar oportunidade, por ser uma cidade super desenvolvida.

Ela tem uma taxa de desenvolvimento muito alta. A gente veio para cá eu era criança, tinha nove, 10 anos. 

Eu vou citar duas pessoas que nasceram lá na minha cidade: Getúlio Vargas e João Goulart. É uma cidade de interior, estilo velho oeste. Os prédios de 1600 estão lá até hoje. 

Aqui a gente foi trabalhando, eu estudei, fui para a área de vendas comercial e fiquei até 2023. Hoje estou com 42 anos de idade e a minha profissão sempre foi vendedor de insumo industrial, venda de maquinários industriais.

Eu não imaginava que ia chegar a trabalhar com isso. Sabe aquela coisa que não vê esforço? Não é que você não se esforça, mas parece que era para eu estar neste momento.

Como eu viajava bastante, estava sempre fora, em 2023 tomei a decisão de que eu não queria mais estar na estrada longe do meu filho, que tinha apenas três anos de idade.

Então, eu parei de trabalhar com a profissão que eu tinha, de vendedor e fiquei em casa sem saber o que fazer. E aí eu disse: “Eu vou me cadastrar num aplicativo internacional, esse mais famoso, e vou tentar a vida”.

Em que momento você pensou em desenvolver o próprio app? Foi a partir de alguma insatisfação?

Emerson: Eu sou aquela pessoa totalmente técnica, então acabei indo para os cálculos e comecei a ver que não batem com a realidade de ganhos. Daí eu comecei a estudar os táxis e uma coisa que eu sempre digo é que todo mundo dizia que o táxi ia morrer e nesses 15 anos que existe a mobilidade por aplicativo, o táxi não morreu. O táxi cobra o valor que tem que ser cobrado. 

Então, eu fiz esses cálculos e disse: “Ah, eu vou criar um aplicativo aplicativo que seja meio-termo, que fique entre o táxi e os aplicativos mais famosos”.

Comecei a estudar, a fazer cálculos, a ver a viabilidade da cidade. Por exemplo, eu mesmo sentava num banco de uma praça com um caderninho e ficava ali vendo quantas pessoas estavam pegando ônibus, chamando aplicativo, pegando táxi. Então, fui fazendo essa pesquisa, e eu vi que a cidade tinha mercado para o Corridas RS.

E então eu resolvi criar um aplicativo próprio com a minha ideia, com as minhas regras. Ele tem regras bem flexíveis, o motorista não precisa aceitar todas as corridas, não existe taxa de aceitação para a pessoa trabalhar totalmente livre. Assim como eu buscava, fiz algo pensando no motorista.

Cliente sempre tem, ele sempre vai precisar e não adianta fazer promoções, porque você vai pegar um público que busca preço. Assim que surgir um outro aplicativo com preço menor, ele vai.

Cheguei a criar uma categoria bem popular para mostrar isso para alguns colegas. Nós temos que fazer eles ficarem por qualidade e atendimento.

Como eu sempre fui vendedor, sempre trabalhei com empresas de alta qualidade que vendiam um valor agregado em cima, a gente vendia valores, vendia um produto muito bom com preço acima do mercado, mas que garantia qualidade. 

Então, é isso que eu mostrei para o pessoal que trabalha comigo: nós temos que trabalhar a qualidade.

Então, tudo isso eu levo para o pessoal que trabalha comigo. E até então a gente trabalhava no mesmo formato de todos os outros aplicativos, com taxa para o motorista, mas agora eu vou mudar esse formato. 

Eu vou dar uma guinada agora, porque assim, o que eu percebi? Hoje o Brasil está tendo um problema com motoristas clandestinos. Se um aplicativo comporta 20 carros numa cidade, os grupos clandestinos estão comportando 50, 60, até 100 carros. 

Eles não têm taxa ou, se tem taxa, é bem simbólica. Por exemplo, cada um paga R$ 50 por mês, aderem ao grupo e não tem mais taxa durante o mês. Isso acaba trazendo malefícios para o nosso setor. 

Eles estão trazendo carros não revisados, um motorista sem EAR e a gente tem a Lei 13.640, que regula todo o aplicativo, então esses motoristas não têm. Às vezes é um criminoso que está com a vida marcada e sem contar que eles não vão oferecer o seguro passageiro.

Mas pelo preço que estão oferecendo, o pessoal está fechando os olhos e contratando sem saber. Estão contratando viagens longas, viagens intermunicipais. 

Aqui na cidade que moro, Farroupilha, é uma cidade bem forte, bem desenvolvida. Aqui nasceram grandes marcas, como Melissa e Soprano.

Então, por ter essa visão nacional e ter grandes marcas na cidade, o pessoal não está olhando para esse lado da segurança.

Eu perdi muitos que trabalhavam comigo, mais ou menos uns 10 motoristas bons, porque eles foram para essa via de redução de taxa e um deles fundou um desses grupos. 

Não tem critério de adesão desse motorista. Por exemplo, hoje, para cadastrar um motorista, tem que pegar a CNH, verificar a validade dos documentos do carro e a certidão negativa criminal.

Você diria que a principal dificuldade com a operação hoje são esses clandestinos?

Emerson: É o que mais trava. A matéria-prima de um aplicativo é sempre o motorista, o cliente não é problema. Eu sou formado em gestão comercial e marketing, então sei criar campanhas e tenho um rapaz formado em logística que me ajuda. Estamos sempre trabalhando juntos, pensando em produtos novos.

Estou indo para uma nova linha, a linha de microfranquia. Por enquanto estamos só em Farroupilha, mas fazendo um teste em São Leopoldo com um rapaz e um teste no Rio Grande. Estamos testando essas duas cidades e vendo se vai funcionar. 

Como foi o processo desde a ideia do app até o início das operações?

Emerson: A ideia surgiu em 2023 e inaugurei em 2024. Fiquei um ano fazendo estudo, fazendo pesquisa, vendo a viabilidade, vendo cada detalhe do que eu queria, o que eu não queria dentro do aplicativo.

Vamos fazer assim, negócio de de O motorista é que trabalhar livre, assim, se ele quiser trabalhar 1 hora por dia, se ele quiser trabalhar 10, né, 12, ele que se sinta à vontade, né? 

Emerson: Eu fui buscando quem conseguiria desenvolver essas minhas ideias, fui fazendo orçamento com um, orçamento com outro, até que eu encontrei um pessoal que conseguiu fazer nesse formato que eu precisava. Quando consegui, fechei com eles e demos o pontapé inicial.

Fomos desenvolvendo, criando, aperfeiçoando e melhorando com o tempo.

Como foi feita a captação dos primeiros motoristas da plataforma?

Emerson: Eu tinha pessoas de confiança que eu conhecia e que eu já estava avisando: “Olha, estou preparando, fique atento, vai ser diferente”.

No princípio tinha uma taxa que ele pagava para nossa empresa e a cada cliente particular que ele trazia para a empresa, eu dava um desconto na taxa dele. 

Por exemplo, era 25% por corrida. Se ele trouxesse um passageiro e abrisse a corrida maçaneta, ele pagava 15% de taxa e estava seguro, dentro das normas.

E a captação dos passageiros?

Emerson: Bastante marketing em rede social. Se eu fiz tráfego pago foi pouco, tanto para captação de motorista, quanto para passageiro, mas eu trabalhei mais nas redes sociais. 

Eu plotei meu próprio carro e atrás coloquei um QR Code para baixar o aplicativo. E coloquei o nosso número do suporte.

Você tem sócios?

Emerson: Eu tive um sócio por um período, mas depois a gente conversou bem e eu tenho um instinto um pouco mais líder, trabalho muito com exemplos, mostro as coisas para as pessoas, e essa pessoa achou que seria melhor ela ficar mais como um agregado do que como um sócio.

Então, ele faz parte da empresa até hoje com a gente, está ativo, mas é mais um colaborador. 

No início eu investi sozinho, mas ele foi meu sócio porque ele tinha uma sala onde era nossa sede. 

Hoje estou direcionando aqui na minha casa e vou fazer um preparo, criar uma sala aqui no meu terreno para ser a sede da empresa. 

Essas duas pessoas que estão fazendo teste da plataforma em outras cidades são motoristas? Como se deu essa parceria?

Emerson: Eles são motoristas. Eles se credenciaram como motorista e esse nome, “Corridas RS”, está correndo mais rápido do que eu queria. Tem muita gente de fora procurando saber, porque esse é um nome bem bairrista e o Rio Grande do Sul é um estado muito bairrista.

Nosso símbolo é a bandeira do Rio Grande do Sul, então está chamando atenção, mas eu não queria tanto assim. Eu queria focar em Farroupilha e depois ir desenvolvendo nas cidades vizinhas. 

Mas essas pessoas entraram em contato: “Ah eu me inscrevi, mas ninguém me chama, o que eu faço?” Daí comecei a pensar em alguma forma de fazer propaganda na cidade deles. 

Fiz o mesmo sistema, com a proposta de pagar mensalmente e ter a tua plataforma e trabalhar com os seus clientes. Mandei os QR Code para eles, mandei toda a plotagem e eles estão desenvolvendo esse trabalho. 

Em São Leopoldo começou com um e agora já tem dois, um rapaz com carro convencional e um com carro elétrico.

Eles pagaram uma adesão, que é o valor um pouquinho maior e depois paga a mensalidade e uma taxa de corridas.

Qual a taxa cobrada do motorista?

Emerson: Hoje ela está em 30% para corridas que são pagas direto pelo aplicativo, pelo cartão de crédito, 25% para quem é chamado diretamente e 15% para quem coloca seus clientes dentro da empresa. 

Quantos motoristas cadastrados na plataforma estão rodando atualmente na cidade de Farroupilha?

Emerson: Hoje estamos com 10. Tivemos uma redução porque teve um colega que saiu e criou mais um grupo. Tem uns 10 grupos,  fora os que trabalham por conta própria.

Vocês fazem algum tipo de entrevista ou treinamento com os motoristas antes de começarem na plataforma?

Emerson: Sempre. Eu sempre tenho que conversar com a pessoa porque eu tenho que sentir o que realmente ele quer, o que ele está buscando. Se ele me falar: “Estou buscando os melhores ganhos”, beleza, está no lugar certo.

E quantos passageiros já baixaram o app Corridas RS?

Emerson: Cadastrados temos na base de uns 5 mil passageiros. 

Quais as categorias de corridas da plataforma?

Emerson: Eu trabalho hoje com duas com três categorias. A categoria hatch, que seria de carros hatch pequenos, a corrida Sedan, que é a categoria para quando alguém precisa de porta-malas e um carro maior e eu trabalho também com a categoria Pechincha, que é como a inDrive.

Nessa categoria eu deixo o menino totalmente livre, se você não quiser pegar aquele valor, não pega. Ele parte de R$ 10 e ele vai negociando com o cliente.

E o cliente sempre sabe que é pechincha, que se motorista nenhum quiser, não tem que fazer.

Esse valor mínimo de R$ 10 serve para todas as categorias?

Emerson: Para todas. Quando abre a pechincha, abre para todos. 

Para as corridas normais, qual o valor mínimo para o passageiro? Vai até quantos quilômetros? 

Emerson: Na hatch é R$12 e no sedan é R$ 15. Ele vai por 2 km e depois ele começa a cobrar R$ 2,50 por km. 

Vocês trabalham com dinâmica de preços?

Emerson: Não. Esse valor é fixo, só varia um pouco das 22 horas até às 6 horas da manhã.

Sobe o valor porque tem que valer a pena para os motoristas, porque aqui é uma cidade industrial que funciona mais durante o dia. De noite é uma corrida ou outra, é tudo o pessoal que faz reserva.

Quantas corridas vocês têm feito, em média, por mês?

Emerson: Em torno de 5 mil, 6 mil corridas por mês.

A nossa maior demanda até hoje foi a Festa da Uva que teve esse ano, tivemos bastante corrida para Caxias do Sul, que é a cidade vizinha.

Tem a semana de uma festa de tradições italianas aqui na cidade, quando começa tem uma demanda maior também. E final do ano, naquela reta final, a partir da última quinzena de dezembro até o dia 5 de janeiro é loucura total.

Vocês costumam oferecer descontos ou fazer parcerias durante esses eventos?

Emerson: A gente faz alguns vouchers e faz umas parcerias também. Tem um amigo meu que tem um podcast e fazemos a parceria de, por exemplo, ele lança um voucher para quem colocar o nome do podcast dele e qual data estava assistindo.

Qual foi o momento mais desafiador até agora?

Emerson: Eu acho que está sendo essa fase de agora. Porque quando a gente entrou na cidade, já existiam outros quatro aplicativos, nós fomos o quinto. Então, quando entramos, chegamos com um marketing agressivo nas redes sociais. 

E todo mundo quando criava um aplicativo novo, faziam carreata com balão e eu disse: “Não, eu não vou fazer igual aos outros, eu vou fazer diferente”. Resolvi chamar a atenção de uma outra forma: eu sou o único que criou um jingle.

Eu sou músico, sou multi instrumentista e eu mesmo gravei. Gravei cada instrumento, cada parte e consegui um amigo para cantar. Então, a gente criou um jingle da nossa empresa, que era algo que ninguém fazia aqui, e a gente ligava o som alto no carro passando pelas ruas.

O meu amigo do podcast colocava direto nosso jingle na propaganda, então a gente fez um barulho diferente e o pessoal aderiu, gostou.

Mas, da virada do ano para cá, eu estou tendo dificuldade porque o pessoal está indo para o outro caminho. Está difícil captar motorista, eles estão mais exigentes.

Uber e 99 não rodam aqui, são todos aplicativos locais, porque o pessoal tem um poder aquisitivo maior e o motorista precisa faturar um valor x se ele quiser ser motorista profissional. 

Aqui na cidade, por exemplo, se ele arruma um emprego na indústria, ele fatura isso. Então, ninguém vai trabalhar sem margem, que é o que acontece hoje com outros aplicativos. O pessoal está pagando para trabalhar.

Uma corrida que vai te pagar R$ 2,25 o quilômetro, você já está perdendo.

Um táxi hoje está cobrando de R$ 3,60 a R$ 4,00 o km. Uma hora de táxi está variando entre R$ 30 e R$ 37. Por isso o táxi não morreu nesses 15 anos e não vai morrer. Porque ele cobra o preço justo, ele é legalizado com a prefeitura de cada cidade, eles ganham desconto em veículo, os motoristas de aplicativo não.

Os aplicativos, se continuarem do jeito que estão, vão morrer, porque agora o pessoal vai começar a ir para o clandestino. Em seguida, os órgãos governamentais vão entender que estão perdendo impostos e vão criar uma lei tão severa que muito aplicativo vai se tornar inviável. O pessoal tem que acordar agora. 

Se um táxi fizer 10 corridas no dia, ele está lucrando. Se ele fizer cinco corridas no dia, ele está lucrando. Um aplicativo que cobra menos que R$ 2,50 o km não se sustenta com 10 corridas, com 20 corridas. 

Você acredita que é isso que falta para os aplicativos regionais ganharem mais espaço no mercado?

Emerson: Isso. Criar, por exemplo, um sindicato patronal, sindicato dos donos de aplicativo, um sindicato dos motoristas, porque tem que ter reivindicação para todos os lados. Não adianta pensar na minha empresa, nos meus lucros, e não pensar na minha principal matéria-prima, que é o motorista.

Ele tem que estar feliz, ele tem que estar ganhando bem. Eu tenho bastante conhecidos que moram fora da cidade e trabalham com a Uber e estão devendo cartão de crédito porque estão batalhando na esperança de que a Uber um dia vai guinar e vai fazer aquilo que eles procuram.

Eles têm a esperança de que vai entrar alguma regulamentação do governo e vai fazer uma CLT. Isso não vai acontecer. Se acontecer, a Uber fecha as portas e vai embora. A 99 faz a mesma coisa. Então, a regulamentação teria que ser dos aplicativos e não dos motoristas.

No meu caso aqui, eu não tenho condições de pagar um seguro para passageiro, então o que eu faço para eles? Ao invés de me pagarem a primeira mensalidade, eles vão lá e fazem o seguro. 

No começo eu pagava seguro para o motorista, mas eu via que alguns não ficavam, então era prejuízo. 

Quanto foi investido na plataforma e em quanto tempo começou a se pagar?

Emerson: Foi em torno de R$ 20 mil de investimento. Eu acho que no primeiro ano já estava tendo retorno, já estava tendo lucros. 

Quanto, em média, um motorista fatura mensalmente?

Emerson: O máximo que o motorista faturou aqui dentro foi R$ 8 mil. Foi um recordista, ele se dedicou.

Eu tenho contato pessoal com ele e isso me motivou, porque eu vi que nossa empresa deu essa oportunidade para a pessoa.

Qual tem sido a movimentação financeira da empresa mensalmente?

Emerson: A gente já chegou a movimentar R$ 30 mil, mas foram períodos mais gloriosos.

O que mais te orgulha nessa trajetória? O que te motiva?

Emerson: O que mais me orgulho é esse senso de fazer o certo, é ter honestidade.

É um sentimento que eu vou levar para a vida toda. Tem coisas que às vezes fogem do nosso alcance, mas nós temos que estar sempre no caminho para fazer o certo para todos.

Eu me orgulho muito de entregar para os clientes aquilo que eles contrataram, de entregar para cada colega que trabalha aqui, aquilo que ele vem buscar. 

Cada um vem buscar alguma coisa. Um vem buscar uma renda extra, um quer trabalhar por três meses para juntar dinheiro para comprar outro carro, inteirar para comprar uma casa, fazer o aniversário de um filho, o casamento de uma filha.

Então nós temos que ter essa visão, ajudar ele a desenvolver aquele sonho.

O que você planeja e espera para o futuro do Corridas RS?

Emerson: Eu vejo um futuro onde vamos estar entregando um serviço de qualidade para o nosso estado, para o Rio Grande do Sul. Um serviço com honestidade, transparência. 

O futuro só a Deus pertence, mas o planejamento para esse ano é fazer essa transição do motorista trabalhar como parceiro, se tornar um microfranqueado. Esse é o meu planejamento para esse ano.