A franquia da Mobi mais gerida por Juliano Cardozzo em São Marcos, no Rio Grande do Sul, nasceu a partir da experiência dele como motorista de aplicativo e da percepção de que cidades menores ainda tinham espaço para plataformas regionais de mobilidade.
Antes de entrar para a rede, Juliano já atuava como motorista em aplicativos. Na região onde mora, Uber e 99 não operavam diretamente no município, mas estavam presentes em uma cidade próxima, a cerca de 35 km. Foi nesse cenário que ele passou a enxergar oportunidade para aplicativos regionais crescerem em municípios pequenos, especialmente aqueles com até 80 mil ou 100 mil habitantes.
Juliano conta que já lidava com tecnologia antes de entrar no setor de mobilidade. Quando trabalhava com aplicativos, tentou criar uma solução própria, mas percebeu que ainda não entendia completamente pontos técnicos importantes, como a integração de pagamentos por cartão de crédito.
Segundo ele, o investimento inicial não foi alto, e o aplicativo começou a se pagar nos primeiros três meses de operação. Para Juliano, em uma cidade pequena que nunca teve aplicativo, o crescimento vem quando a plataforma consegue construir confiança e credibilidade.
Operação começou com força do marketing local
Um dos fatores que ajudaram Juliano no lançamento foi a experiência prévia com marketing. Antes da Mobi mais, ele já tinha um estúdio e um podcast com alcance regional, o que facilitou a entrada da marca na cidade.
A primeira grande ação foi adesivar o primeiro carro da operação. O veículo envelopado serviu como sinal visual de que havia um aplicativo novo na cidade. Em São Marcos, município com cerca de 25 mil habitantes, a chegada de um app de mobilidade exigia credibilidade.
“Do nada não se tinha e do outro passou a ter. Aí tem que ter uma credibilidade”, afirma.
Com a campanha local e a confiança que já vinha dos projetos anteriores, a demanda começou a aparecer. Juliano lembra que, depois de atingir 20 corridas em um dia, já não havia mais capacidade de atuar sozinho, o que levou ao aumento da base de motoristas.
Gestão com sócios e divisão de funções
A operação conta com dois sócios. Segundo Juliano, um deles cuida da parte financeira, outro atua na área de marketing, enquanto ele fica à frente do negócio como um todo.
Na prática, Juliano conduz expansão, relacionamento com motoristas e entrada em novas cidades. Ele se define como o “camisa 9” da operação, responsável por chegar primeiro nos municípios, abrir o aplicativo, captar motoristas e iniciar a operação local.
“Eu tomo a frente de todo o negócio. Sou o que chega na cidade, abro o aplicativo, faço a captação”, afirma.
O processo inclui captação de motoristas, carro de som na rua, publicidade de campo e marketing digital.
São Marcos tem 34 motoristas e mais de 9 mil passageiros
Na rede Mobi mais, Juliano afirma que há entre 400 e 500 motoristas ativos. Na operação de São Marcos, são 34 motoristas, com previsão de entrada de mais um condutor. A cidade também já soma mais de 9 mil passageiros cadastrados no aplicativo.
A sede matriz da rede fica em Passo Fundo, cidade que concentra o setor financeiro. Já Juliano centraliza sua gestão na região da Serra, a partir de São Marcos, de onde atua na pulverização da operação para outros municípios.
Passo Fundo tem uma dinâmica diferente das demais cidades. Lá, segundo Juliano, o motorista se cadastra sozinho e, na maioria das vezes, não passa pelo mesmo processo de entrevista e treinamento com gestor local que ocorre nas outras praças.
Até 9 mil corridas por mês em São Marcos
Juliano estima que São Marcos realiza entre 8 mil e 9 mil corridas por mês. Considerando a rede como um todo, ele acredita que o volume passe de 100 mil corridas mensais, embora não tenha informado o número exato no momento da entrevista.
A corrida mínima varia conforme a cidade. Em algumas praças, começa em R$ 6,99. Em outras, pode ser de R$ 9,99, R$ 11,99, R$ 12,99 ou R$ 14,99. O modelo de tarifa, portanto, é adaptado à realidade de cada município.
O mesmo acontece com a taxa cobrada dos motoristas. Segundo Juliano, há cidades com taxa de 10%, 14%, 20% e até 30%, dependendo da operação. No padrão mais comum, ele cita 20% como meio-termo.
Motoristas recebem em média R$ 3 por km
Um dos pontos destacados por Juliano é a remuneração por quilômetro. Segundo ele, a média para os motoristas fica em torno de R$ 3 por km.
Na operação de São Marcos, o gestor afirma que o motorista pode faturar entre R$ 1,3 mil e R$ 1,4 mil por semana. Na rede, há um ditado interno de que quem trabalha na Mobi mais fatura R$ 1 mil por semana, mas Juliano diz que, em sua cidade, esse valor já pode ser maior.
“Hoje, na cidade onde eu estou, posso dizer que o cara pode faturar em torno de R$ 1.300 a R$ 1.400 por semana”, afirma.
Juliano também roda para fiscalizar atendimento
Juliano divide a rotina entre gestão e operação. Parte do tempo fica no escritório, administrando as cidades com apoio da equipe. Em outro momento, faz corridas e acompanha o trabalho de campo.
Ele também usa uma estratégia para fiscalizar o atendimento: se passa por cliente e solicita corridas sem se identificar. Depois, o gestor local informa aos motoristas que Juliano passou pela cidade e avaliou o serviço.
A ideia é verificar o padrão de atendimento e entender como os motoristas estão conduzindo a experiência do passageiro.
Processo de entrada dos motoristas é mais rígido em cidades pequenas
Juliano afirma que a Mobi mais mantém um padrão de entrada para motoristas nas cidades pequenas. Segundo ele, quando um motorista considerado problemático tenta entrar na plataforma, a equipe costuma identificar rapidamente, às vezes antes mesmo de ele começar a rodar.
Para o gestor, esse cuidado ajudou a construir credibilidade em São Marcos. Enquanto outros aplicativos teriam entrado “de qualquer jeito” no município, a Mobi mais buscou manter o mesmo padrão de serviço desde o início.
Competitividade aumentou entre 2025 e 2026
O momento mais difícil do negócio, segundo Juliano, ocorreu entre 2025 e 2026, quando a competitividade aumentou. Ele afirma que concorrentes passaram a entrar em municípios onde a Mobi mais atua, muitas vezes com preços menores para disputar mercado.
A estratégia da Mobi mais varia conforme o cenário. Quando chega a uma cidade sem aplicativo, a entrada é mais tranquila, com documentação na prefeitura, contato com secretarias e aproximação com empresas. Quando há concorrentes, a operação entra com preço competitivo, propaganda forte e captação de motoristas.
“Se a gente chegar ao mais do mesmo, não vai ter público”, afirma.
Tecnologia não é o problema, diz gestor
Para Juliano, a tecnologia dos aplicativos regionais não deixa a desejar frente às grandes plataformas. Segundo ele, o aplicativo funciona bem, e os maiores problemas costumam estar em ferramentas externas, como Waze e Google Maps.
Ele afirma que rotas ruins podem prejudicar a remuneração do motorista. Em alguns casos, o condutor poderia receber cerca de R$ 3 por km, mas uma rota equivocada reduz o resultado para R$ 2,50 ou até R$ 2 por km.
“O aplicativo não deixa a desejar. Às vezes deixa a desejar o Waze, às vezes deixa a desejar o Google Maps”, diz.
Corridas por fora seguem como desafio
Assim como outros gestores de aplicativos regionais, Juliano também enfrenta o problema das corridas feitas por fora da plataforma.
Segundo ele, todo dono ou gestor de aplicativo passa por isso. Em cidades pequenas, onde passageiros e motoristas se conhecem, o problema é ainda mais frequente.
Juliano diz que, quando a tela do aplicativo fica “escura”, é sinal de que passageiro e motorista se conectaram, mas a corrida não foi registrada no sistema.
“Todo gestor de aplicativo tem esse problema. Pode ser da família, primos, tios, todos têm a chamada corrida por fora”, afirma.
Expansão tem limite por tamanho de cidade
A Mobi mais atua principalmente em cidades menores. Juliano afirma que, por prática, a operação não entra em municípios com mais de 80 mil habitantes. A rede já entendeu onde consegue atuar melhor e qual é o limite de corridas por habitante em cidades pequenas.
Em uma cidade como São Marcos, com cerca de 25 mil habitantes, ele afirma que não seria realista esperar 600 corridas por dia. O volume tende a se estabilizar, salvo em eventos grandes, como feiras ou aniversário da cidade.
Para crescer, portanto, o caminho é abrir novas cidades. Mas cada município representa um novo desafio, com concorrentes, realidade local e trabalho de implantação próprios.
Primeiro franqueado da rede
Juliano afirma ter sido o primeiro franqueado da Mobi mais e hoje diz ser um dos que mais têm franquias dentro da rede. Para ele, o negócio exige envolvimento direto, troca de gestores quando necessário e dedicação constante.
Ele cita que já precisou substituir gestores em cidades onde a operação não avançava, até chegar ao ponto de fechar unidades sem desempenho.
“Se não tiver sangue no olho, não vai ter renda, não vai ter rendimento e vai só se frustrar”, afirma.
Legado: manter liderança e confiança
O legado que Juliano quer deixar com a Mobi mais é o de uma operação que siga funcionando com confiança e liderança nas cidades onde atua.
Ele afirma que tem outras fontes de renda e outros negócios, e vê a Mobi mais como um braço dessa atuação empreendedora. A expectativa é que o app continue operando bem, sendo líder em São Marcos e na maior parte das cidades atendidas.
“Espero que continue indo, sendo líder aqui ou na grande maioria onde a gente atua”, afirma.
