Criado no entorno de Brasília, o Voroo nasce com a proposta de disputar espaço com gigantes como Uber e 99 em cidades médias e pequenas. À frente do projeto está Carlos Eduardo Ramos Rodrigues, empreendedor e servidor público que decidiu investir até R$ 25 mil no primeiro mês para tirar o aplicativo do papel.

Mesmo em fase inicial, a plataforma já soma mais de 100 motoristas cadastrados e começa a estruturar sua operação com foco em crescimento sustentável. A estratégia inclui investimento pesado em marketing, aproximação com motoristas e a meta de oferecer ganhos mais previsíveis, com expectativa de chegar a até R$ 2 por quilômetro rodado.

A seguir, Carlos detalha sua trajetória, os desafios de lançar um app do zero e como pretende conquistar espaço em um mercado dominado por grandes plataformas.

Como surgiu a ideia de criar o Voroo?

Carlos Eduardo: Eu sempre fui uma pessoa inquieta, sempre gostei de empreender. Já tive pizzaria, loja de roupas, empresa de reforma… sempre busquei algo mais dinâmico.

A ideia do Voroo veio justamente dessa inquietação. Eu queria criar algo que conectasse pessoas que precisam de um serviço com quem pode prestar esse serviço.

Curiosamente, eu nunca fui motorista de aplicativo. Sempre tive até um certo receio. Mas comecei a estudar o mercado e me apaixonei pela mobilidade urbana.

O delivery também faz parte dos planos?

Carlos Eduardo: Com certeza. O Voroo não nasce só como mobilidade, ele nasce com esse olhar mais amplo. Quando eu tive pizzaria, o delivery era o meu maior problema. Era meu “calcanhar de Aquiles”. E isso ainda é um problema hoje para muitos empreendedores.

Então, o plano é que o Voroo também atenda essa demanda no futuro. A ideia é criar um ecossistema que conecte não só passageiros, mas também entregas e outros serviços.

Em quais cidades o aplicativo atua hoje?

Carlos Eduardo: A gente está no entorno sul do Distrito Federal, que inclui cidades como Luziânia, Valparaíso, Novo Gama e Cidade Ocidental. Essa região tem cerca de 600 mil habitantes. É um mercado grande, mas ainda carente de soluções mais próximas e personalizadas.

Como foi o início da operação?

Carlos Eduardo: Foi tudo muito rápido e muito no improviso no começo. Eu mesmo fiz um vídeo simples, com celular, explicando que tinha chegado um novo app na cidade. Esse vídeo sozinho trouxe 32 motoristas. Hoje já temos 102 cadastrados.

No início, o foco foi totalmente nos motoristas. Agora, a gente está começando a investir mais pesado para atrair passageiros.

Quantos passageiros já estão cadastrados?

Carlos Eduardo: Hoje temos cerca de 274 passageiros cadastrados, mesmo sem ter feito campanhas específicas para esse público ainda. Isso mostra que existe curiosidade e interesse, mesmo no começo.

O app já tem volume relevante de corridas?

Carlos Eduardo: Ainda não. Estamos bem no início. Temos cerca de 14 corridas concluídas até agora. Mas isso faz parte da estratégia. Primeiro estruturamos a base de motoristas, agora vamos buscar demanda.

Qual foi o investimento inicial no projeto?

Carlos Eduardo: Hoje já investimos entre R$ 20 mil e R$ 25 mil. E o principal custo agora é marketing. A gente está investindo cerca de R$ 10 mil por mês, porque sem divulgação não tem corrida.

Em quanto tempo você espera retorno financeiro?

Carlos Eduardo: Minha meta é atingir o break even em até seis meses. Ou seja, parar de investir dinheiro próprio e começar a rodar com o próprio caixa. Lucro mesmo, acredito que venha no primeiro ano.

Como funciona a cobrança dos motoristas?

Carlos Eduardo: Hoje a gente cobra 15% por corrida. Mas o plano é migrar para mensalidade no futuro, quando o app já estiver consolidado. Assim o motorista paga um valor fixo e pode rodar à vontade.

Quanto o motorista pode ganhar no Voroo?

Carlos Eduardo: Eu quero chegar entre R$ 2 e R$ 2,20 por quilômetro rodado. Mas hoje ainda não dá para aplicar isso, porque o passageiro não aceita um valor mais alto. Então a gente precisa equilibrar bem os dois lados.

Qual o valor da corrida mínima?

Carlos Eduardo: Hoje a corrida mínima é de R$ 7,50 para até 1 km. Ainda estamos ajustando esse equilíbrio entre preço competitivo e ganho do motorista.

Qual o maior desafio nesse começo?

Carlos Eduardo: Sem dúvida é competir com Uber e 99. O passageiro já está acostumado com essas plataformas. Então não é só preço, é confiança, é mostrar que o app funciona, que é seguro.

O que mais te incomoda no comportamento dos motoristas?

Carlos Eduardo: O que mais me incomoda é quando o motorista está parado e não aceita uma corrida porque acha o valor baixo.

Na minha visão, é melhor estar rodando do que parado. Mas eu entendo que cada um tem sua estratégia.

Como você vê o futuro da mobilidade urbana?

Carlos Eduardo: Eu acredito muito nos aplicativos regionais. O Uber não foi pensado para cidades pequenas. Então existe espaço para soluções locais, mais próximas das pessoas.

O que um app regional precisa fazer para crescer?

Carlos Eduardo: Proximidade e transparência. O gestor precisa aparecer, conversar, estar junto. Quando o motorista e o passageiro sabem com quem estão falando, isso gera confiança. E também entender que todo mundo precisa ganhar: a empresa, o motorista e o passageiro.

Qual legado você quer deixar com o Voroo?

Carlos Eduardo: Eu quero deixar um legado de atitude. A pessoa tem que ir lá e fazer. Se der certo, ótimo. Se não der, pelo menos tentou. Eu acredito muito nisso: não esperar, não ter medo e colocar em prática.

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